Profissionais de saúde aliados na pandemia: o que permaneceu nas escolas
Estudos recentes mostram como fonoaudiólogos e outros profissionais ligados à saúde escolar adaptaram serviços durante a COVID-19. A pesquisa também aponta necessidades de estudantes que continuaram presentes após o retorno às práticas presenciais.
Profissionais de saúde aliados são especialistas que apoiam o cuidado e o desenvolvimento dos estudantes, como fonoaudiólogos escolares e equipes de saúde mental. Estudos sobre a pandemia mostram adaptações para atendimentos remotos e indicam que algumas necessidades dos alunos continuaram após a retomada presencial. Para professores, esses achados ajudam a compreender a importância da articulação entre escola e profissionais especializados, sem substituir avaliação clínica.
A pandemia de COVID-19 mudou a forma como escolas e profissionais de saúde aliados conseguiam apoiar estudantes, e alguns efeitos continuaram visíveis mesmo depois da volta às práticas presenciais. Para professores, isso importa porque as necessidades de aprendizagem, comunicação, alimentação e bem-estar não ficam separadas da rotina da turma. O que os estudos recentes mostram sobre o trabalho desses profissionais? Quais adaptações feitas durante a emergência podem continuar úteis? E como levar essas pistas para a sala de aula sem confundir evidência com recomendação?
As pesquisas reunidas aqui abordam fonoaudiólogos escolares, teleprática, apoio à saúde mental, alimentação escolar e confiança em fontes de informação sobre saúde. Elas não descrevem uma experiência única nem representam todas as escolas brasileiras. Juntas, porém, ajudam a pensar em como reconhecer necessidades, conversar com equipes de apoio e planejar atividades escolares que acolham diferentes trajetórias após a pandemia.
O que são profissionais de saúde aliados durante a pandemia de COVID-19 e por que isso importa para o professor?
Profissionais de saúde aliados são trabalhadores de áreas que complementam o cuidado médico e apoiam necessidades específicas de saúde, desenvolvimento e participação. No contexto escolar abordado pelas pesquisas, aparecem principalmente fonoaudiólogos, profissionais ligados à saúde mental e equipes de alimentação infantil. Eles podem atuar em serviços terapêuticos, apoiar estudantes com necessidades de comunicação e contribuir para iniciativas de cuidado e prevenção.
Para o professor, o tema aparece na prática quando um estudante precisa de apoio para se comunicar, acompanhar uma atividade, lidar com dificuldades socioemocionais ou acessar refeições oferecidas pela escola. O docente não substitui o profissional especializado, mas está próximo da rotina da criança e pode observar mudanças, compartilhar informações pertinentes com a equipe e ajudar a construir um ambiente acolhedor. Essa colaboração ganha importância quando uma crise interrompe atendimentos, altera horários ou muda as necessidades dos estudantes.
Os estudos não usam sempre a mesma expressão para nomear esses profissionais. Alguns se concentram em fonoaudiólogos escolares; outro investiga profissionais comunitários que atendem jovens; outro, gestores de alimentação escolar. O ponto em comum é que diferentes serviços ligados ao cuidado precisaram responder a mudanças escolares e sociais provocadas pela COVID-19. Para a escola, isso sugere olhar para o apoio à criança como um trabalho coordenado, e não como uma responsabilidade isolada do professor.
O que a pesquisa recente mostra sobre profissionais de saúde aliados e escolas?
O retorno presencial não apagou as necessidades acumuladas
Um levantamento com 193 fonoaudiólogos escolares, realizado nos Estados Unidos entre setembro e dezembro de 2023, investigou como a pandemia ainda influenciava o trabalho no começo do ano letivo de 2023–2024. Muitos profissionais de escolas públicas tinham retornado, em grande parte, a práticas anteriores à pandemia. Ainda assim, a maioria percebia efeitos importantes no trabalho, como mudanças nas necessidades dos estudantes, necessidades socioemocionais e lacunas de aprendizagem. Os profissionais também relataram mudanças na maneira como pensavam sobre suas carreiras e sobre o atendimento às comunidades (Sylvan, 2024).
O achado ajuda a entender uma tensão que pode passar despercebida: o ambiente escolar pode parecer normalizado, sem medidas visíveis como máscaras, distanciamento ou atendimentos virtuais, enquanto as demandas de apoio continuam diferentes. Os autores descrevem um descompasso entre as necessidades do período pós-pandemia e as expectativas, políticas e normas profissionais anteriores. Isso não significa que toda criança tenha sido afetada da mesma maneira; significa que, para os profissionais ouvidos, a volta às rotinas não encerrou o trabalho de responder às consequências da ruptura.
Essa leitura é útil para professores porque convida a não tratar o retorno presencial como uma linha de chegada. Se uma criança demonstra dificuldade de participação, comunicação ou aprendizagem, a resposta não precisa ser presumir uma causa única. Uma conversa com a equipe escolar e uma observação cuidadosa da rotina podem ajudar a identificar qual apoio é pertinente. Essa é uma aplicação pedagógica possível, não uma intervenção testada pelo estudo.
A teleprática abriu possibilidades, mas depende de condições concretas
Nas Filipinas, uma pesquisa com 64 fonoaudiólogos investigou fatores associados à adoção da teleprática para serviços de fala e linguagem dirigidos a crianças em idade escolar. Os profissionais relataram adoção rápida desse formato no início da pandemia. As análises encontraram relação entre dificuldades de implementação e percepções sobre a eficácia da teleprática; a disponibilidade de formação e de recursos foi associada à previsão do uso futuro. Os autores apontam formação profissional e recursos terapêuticos como necessários para reduzir preocupações com dificuldades de implementação e apoiar a continuidade do formato (Lentejas, 2023).
O estudo não apresenta a teleprática como solução automática. A possibilidade de oferecer atendimento remoto depende de recursos e preparação; dificuldades de implementação influenciam a percepção do serviço. Essa distinção é importante para a escola: oferecer uma chamada de vídeo não equivale, por si só, a garantir que uma terapia seja adequada, acessível ou eficaz para cada estudante. A equipe precisa considerar as condições do atendimento e as necessidades da criança.
Outro estudo, um projeto-piloto com seis crianças de 8 a 12 anos com síndrome de Down, investigou ensino on-line de leitura e escrita por meio do ABRACADABRA, junto com atividades de leitura compartilhada conduzidas pelos pais. As crianças receberam de 16 a 18 horas de ensino individual on-line ao longo de seis semanas, além das atividades compartilhadas duas vezes por semana. As avaliações indicaram melhora estatisticamente significativa na precisão de leitura de palavras e textos durante a fase de ensino, comparada à fase de controle sem ensino. As mudanças em compreensão leitora foram inconsistentes entre medidas e análises (Murphy, 2023).
Os resultados são evidências iniciais sobre uma intervenção específica e um grupo pequeno, não uma garantia de que qualquer atividade remota produzirá os mesmos efeitos. Ainda assim, o estudo oferece uma pista concreta: em certas condições, um ensino on-line estruturado e acompanhado pode apoiar habilidades de leitura. Para professores, o valor está em perguntar quais objetivos são trabalhados, como o apoio se articula às atividades escolares e que recursos são necessários para que a criança participe.
Saúde mental e participação comunitária precisam entrar na conversa
Uma pesquisa qualitativa nos Estados Unidos investigou percepções de 30 profissionais de organizações comunitárias que atendiam jovens negros e latinos de baixa renda em uma área urbana. Grupos focais e entrevistas foram realizados entre abril e junho de 2021. Entre os impactos percebidos na saúde mental apareceram ansiedade e depressão, com ideação suicida descrita como mais frequente e intensa. As recomendações escolares mais recorrentes foram ampliar o acesso a apoios individuais e implementar iniciativas de detecção precoce e prevenção. O estudo também destaca a importância de investir na capacidade de trabalho das equipes escolares e de alinhar políticas às necessidades da comunidade (Wright, 2023).
Esses achados devem ser lidos no contexto específico da pesquisa: profissionais comunitários falaram sobre jovens negros e latinos de baixa renda atendidos em uma região urbana. Eles não permitem presumir que todos os estudantes de um grupo tenham as mesmas experiências. Mostram, porém, por que a escuta comunitária e o acesso a apoio não podem ser substituídos por uma resposta uniforme. Na rotina escolar, o professor pode contribuir observando mudanças e seguindo os procedimentos da escola para encaminhar preocupações, sem assumir o papel de fazer avaliação clínica.
A pesquisa com fonoaudiólogos também reforça que necessidades socioemocionais passaram a fazer parte do cenário de trabalho pós-pandemia, mesmo quando as mudanças mais visíveis já desapareceram (Sylvan, 2024). Em conjunto, os dois estudos convidam a pensar em apoios articulados: a escola identifica necessidades e cria caminhos de acesso, enquanto profissionais qualificados e, quando possível, atores comunitários oferecem contribuições específicas.
Serviços escolares essenciais também precisaram se adaptar
Um estudo de métodos mistos investigou como gestores de alimentação escolar no sudeste dos Estados Unidos mantiveram a distribuição de refeições durante a pandemia. Participaram 16 gestores de grupos focais realizados entre março e agosto de 2021 e 47 gestores que responderam a questionários entre janeiro e março de 2022. Os relatos identificaram fatores de estresse, como abastecimento de alimentos, força de trabalho e espaço de armazenamento; estratégias de adaptação relacionadas à distribuição e à segurança; e resultados positivos percebidos, entre eles maior reconhecimento da importância da alimentação infantil. Os gestores apontaram aprimorar comunicação, documentação e procedimentos operacionais como estratégias de desenvolvimento de capacidade (Gupta, 2025).
O foco não é atendimento clínico, mas o estudo ajuda a ampliar a ideia de cuidado escolar. A alimentação faz parte das condições que sustentam a participação e o cotidiano dos estudantes, e sua oferta depende de equipes e operações que podem sofrer interrupções. Os autores destacam a necessidade de fortalecer resiliência por meio de financiamento, infraestrutura, formação, comunicação e documentação. No contexto do professor, isso pode significar conhecer os canais adequados para encaminhar dúvidas sobre refeições, em vez de presumir que a oferta funciona do mesmo modo em todas as situações.
Em outro estudo, estudantes do ensino médio de um distrito metropolitano foram questionados sobre vacinação, atitudes e fontes de informação. A maioria dos estudantes vacinados e não vacinados confiava em profissionais da atenção primária à saúde como fonte de informação sobre COVID-19, embora a influência desses profissionais variasse entre grupos raciais e étnicos. Confiança e desconfiança foram temas centrais, e os autores sugerem incorporar fontes confiáveis, como profissionais de atenção primária, a iniciativas de divulgação de informações (Qi, 2023).
Esse resultado acrescenta uma dimensão importante: a comunicação de saúde não depende apenas de disponibilizar informação, mas também de quem a apresenta e da confiança que estudantes depositam na fonte. O estudo não diz que a escola deve substituir serviços de saúde nem que uma abordagem única funcionará para todos. Ele reforça a utilidade de criar oportunidades para que dúvidas sejam tratadas com fontes qualificadas e confiáveis.
Quais estudos podem ser comparados lado a lado?
Os estudos abaixo investigam diferentes serviços e contextos. A tabela resume o foco de cada pesquisa citada e o que o respectivo resumo relata, sem tratar resultados locais como regras universais.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| (Gupta, 2025) | Adaptações na alimentação escolar durante a COVID-19. | Fatores de estresse, estratégias de distribuição e segurança, resultados positivos percebidos e necessidades de desenvolvimento de capacidade. | Mississippi, Louisiana e Virgínia Ocidental, Estados Unidos; grupos focais em 2021 e questionários em 2022. |
| (Sylvan, 2024) | Influência persistente da pandemia sobre fonoaudiólogos escolares. | Muitos retornaram a práticas anteriores, mas a maioria percebeu mudanças nas necessidades dos estudantes e desafios profissionais persistentes. | Escolas públicas dos Estados Unidos; levantamento entre setembro e dezembro de 2023. |
| (Lentejas, 2023) | Percepções e implementação da teleprática por fonoaudiólogos. | Dificuldades de implementação afetaram percepções de eficácia; formação e recursos foram associados ao uso futuro. | Filipinas; 64 fonoaudiólogos que atendiam crianças em idade escolar. |
| (Qi, 2023) | Atitudes, fontes de informação e adesão à vacinação contra COVID-19. | Confiança e desconfiança se destacaram; a confiança em profissionais de atenção primária foi comum, mas sua influência variou entre grupos raciais e étnicos. | Distrito escolar metropolitano de ensino médio; Estados Unidos. |
| (Murphy, 2023) | Ensino on-line de leitura e escrita para crianças com síndrome de Down. | Melhora significativa na precisão de leitura de palavras e textos; resultados de compreensão foram inconsistentes. | Estudo-piloto com seis crianças de 8 a 12 anos durante a pandemia. |
| (Wright, 2023) | Percepções comunitárias sobre saúde mental de jovens negros e latinos e recomendações escolares. | Foram relatadas ansiedade, depressão e ideação suicida; recomendações incluíram apoio individual, detecção precoce e prevenção. | Área urbana dos Estados Unidos; 30 profissionais comunitários entrevistados ou ouvidos em grupos focais em 2021. |
O que os estudos têm em comum e onde divergem?
Um ponto comum é que a adaptação não se resume a trocar uma atividade presencial por uma remota. Os estudos sobre teleprática destacam formação, recursos e dificuldades de implementação (Lentejas, 2023; Murphy, 2023). A pesquisa sobre alimentação mostra que continuidade de serviço também depende de abastecimento, equipe, armazenamento, comunicação e procedimentos (Gupta, 2025). Em todos esses casos, o funcionamento de um apoio depende de condições concretas, e não apenas da intenção de oferecê-lo.
Outra convergência é que o retorno das rotinas visíveis não encerra necessariamente as consequências da pandemia. Fonoaudiólogos escolares relataram mudanças persistentes nas necessidades dos estudantes e no próprio trabalho (Sylvan, 2024). A pesquisa comunitária sobre saúde mental também descreveu impactos percebidos e defendeu maior acesso a apoios e prevenção (Wright, 2023). São estudos distintos, mas ambos lembram que a escola pode continuar lidando com demandas que não se resolvem no mesmo ritmo para todos.
As diferenças são relevantes. O projeto de teleprática com crianças com síndrome de Down mede resultados de leitura em um grupo pequeno; a pesquisa com fonoaudiólogos filipinos examina percepções e fatores associados à adoção de serviços; o estudo de Sylvan aborda a experiência profissional após o retorno. Já Gupta trata de operações de alimentação, e Wright investiga percepções comunitárias sobre saúde mental. Não se pode somar esses resultados como se fossem medidas de um mesmo fenômeno nem concluir que uma estratégia observada em um estudo serve para todos os serviços.
Também ficam perguntas abertas: quais adaptações permanecem úteis a longo prazo? Como garantir que os apoios cheguem a estudantes com diferentes condições de acesso? Que arranjos de colaboração funcionam melhor em cada comunidade? Os resumos disponíveis não permitem responder a tudo isso. O conjunto fornece pistas para formular perguntas e organizar conversas locais, não um protocolo universal para escolas.
Como levar essas evidências para a sala de aula?
As sugestões a seguir são aplicações pedagógicas inspiradas pelos temas dos estudos, não intervenções cuja eficácia tenha sido testada por todas essas pesquisas. O papel do professor é observar, ensinar e colaborar com a equipe escolar; avaliações clínicas e decisões de atendimento cabem aos profissionais responsáveis.
1. Combine observação com diálogo, sem diagnosticar
Uma forma de aplicar o que os estudos sugerem é registrar situações concretas em que um estudante encontra dificuldade para participar, comunicar-se ou acompanhar uma atividade e compartilhar essas observações pelos canais da escola. Por exemplo, imagine uma turma de 6º ano em que uma estudante, antes participativa em atividades orais, passa a evitar apresentações. O professor pode conversar com a estudante de modo respeitoso e consultar a equipe escolar, em vez de atribuir a mudança automaticamente à pandemia ou a um diagnóstico. Essa postura combina com a atenção às necessidades diversas relatadas por fonoaudiólogos escolares e profissionais comunitários (Sylvan, 2024; Wright, 2023).
2. Planeje junto com os profissionais que atendem o estudante
Uma aplicação possível é criar momentos breves de alinhamento com o profissional responsável, respeitando privacidade e procedimentos da escola. Se um fonoaudiólogo atende uma criança, por exemplo, o professor pode perguntar quais estratégias gerais de comunicação podem ser usadas nas atividades da turma, sem pedir detalhes confidenciais do atendimento. O estudo de Sylvan aponta que as necessidades dos estudantes e as demandas profissionais mudaram após a pandemia; transformar essa percepção em colaboração local é uma sugestão, não um resultado diretamente testado pela pesquisa (Sylvan, 2024).
3. Trate atividades remotas como uma opção que exige condições
Se uma atividade ou apoio on-line for considerado, uma forma de usar a evidência é verificar antes se há recursos, preparação e adequação para aquele estudante. Imagine uma criança que participa de um acompanhamento remoto de linguagem: a escola pode combinar como a atividade se conecta ao que acontece presencialmente e quem ajuda a criança a acessá-la. O estudo nas Filipinas relaciona dificuldades de implementação às percepções sobre eficácia e associa formação e recursos ao uso futuro; ele não afirma que toda teleprática serve para toda criança (Lentejas, 2023).
4. Ofereça tarefas acessíveis sem presumir um resultado igual para todos
Para atividades de leitura, uma aplicação possível é oferecer instruções claras, etapas curtas e oportunidade de leitura compartilhada, ajustando o apoio conforme a equipe escolar orientar. Imagine uma turma de 4º ano em que alguns estudantes leem em ritmos diferentes: o professor pode propor leitura em dupla ou escuta de um texto, sem supor que isso substitua um atendimento especializado. O projeto com crianças com síndrome de Down encontrou melhora na precisão de leitura em uma intervenção específica, enquanto os resultados de compreensão foram inconsistentes. Essa diferença é um bom lembrete para observar objetivos distintos (Murphy, 2023).
5. Crie caminhos seguros para dúvidas sobre saúde
Uma aplicação possível é acolher perguntas dos estudantes e encaminhá-las a fontes qualificadas, sem transformar a aula em consulta médica nem apresentar opinião pessoal como orientação clínica. Por exemplo, em uma conversa hipotética sobre vacinação, a turma pode listar dúvidas e identificar onde buscar respostas confiáveis com apoio da equipe escolar. O estudo de Qi encontrou confiança em profissionais de atenção primária entre estudantes vacinados e não vacinados, mas também registrou diferenças na influência dessa fonte entre grupos raciais e étnicos. Por isso, vale evitar presumir que todos confiam nas mesmas pessoas ou mensagens (Qi, 2023).
6. Inclua bem-estar e pertencimento na rotina, sem substituir apoio clínico
O professor pode estabelecer momentos de escuta e convivência que ajudem a turma a expressar preocupações, mantendo claros os limites de sua função. Imagine uma turma que inicia a semana com uma atividade breve de check-in, em que cada estudante escolhe como compartilhar como está. Isso é uma ideia de aplicação escolar, não uma política avaliada nos estudos. A pesquisa com profissionais comunitários recomenda ampliar apoios individuais e iniciativas de detecção precoce e prevenção; preocupações sérias devem seguir os protocolos da escola e ser encaminhadas a profissionais preparados (Wright, 2023).
7. Conheça a rede de apoio e os serviços essenciais da escola
Uma forma prática de aplicar os achados é saber a quem recorrer quando surgem dúvidas sobre alimentação, atendimento especializado ou apoio socioemocional. Imagine um estudante que relata não ter conseguido fazer a refeição oferecida em determinado dia: o professor pode buscar o canal institucional adequado, sem expor a criança diante da turma. O estudo de gestores de alimentação descreve desafios operacionais e destaca comunicação, documentação e procedimentos como áreas de fortalecimento. A escola pode traduzir essa pista em rotinas claras para que professores saibam como agir (Gupta, 2025).
O que muda quando aplicamos essas pesquisas ao contexto brasileiro?
As pesquisas resumidas foram realizadas em contextos de outros países: Estados Unidos, Filipinas e, no estudo de vacinação, um distrito escolar metropolitano norte-americano. Suas regras, formas de organização dos serviços, recursos disponíveis e relações entre saúde e educação não devem ser tratadas como se fossem as do Brasil. Os resultados ajudam a formular questões, mas não descrevem diretamente o funcionamento de redes públicas ou privadas brasileiras.
Uma adaptação cuidadosa começa por perguntar quais profissionais e serviços existem na rede local e como a escola encaminha necessidades de comunicação, saúde mental e alimentação. A disponibilidade de especialistas, de tecnologia e de apoio às famílias pode variar entre municípios e comunidades. O estudo filipino mostra que formação e recursos importam para a teleprática naquele contexto; isso é uma razão para verificar as condições brasileiras antes de propor atendimento remoto, não uma prova de que a mesma solução produzirá os mesmos resultados aqui (Lentejas, 2023).
Também é necessário evitar importar categorias sociais ou recomendações de políticas sem considerar as experiências locais. O estudo de Wright se concentra em jovens negros e latinos de baixa renda em uma área urbana dos Estados Unidos. Sua ênfase em escuta comunitária e acesso a apoio pode inspirar perguntas para a escola brasileira, mas as necessidades precisam ser compreendidas junto às comunidades atendidas, sem presumir equivalência entre grupos ou territórios (Wright, 2023).
Para o cotidiano do professor brasileiro, o caminho mais seguro é usar os estudos como referência para observar, dialogar e encaminhar. A escola pode rever como comunica mudanças de rotina, como identifica quem precisa de apoio e como coordena a atuação de diferentes profissionais. Essas são possibilidades de aplicação local; não são políticas brasileiras avaliadas pelas pesquisas citadas.
Quais são os limites desta leitura?
Esta leitura se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados pelo ERIC, e não na leitura integral de cada publicação. Os resumos permitem identificar objetivos, métodos gerais e resultados relatados, mas não oferecem todos os detalhes necessários para avaliar instrumentos, análises, limitações metodológicas ou condições de implementação. As conclusões devem ser entendidas dentro do escopo de cada pesquisa e de seu contexto.
Há diferenças importantes entre os desenhos e os grupos estudados. Alguns trabalhos são levantamentos ou estudos qualitativos; o estudo de ensino on-line é um projeto-piloto com seis crianças; e os contextos nacionais e escolares variam. Por isso, não é adequado transformar os resultados em uma regra para todas as escolas, estudantes ou profissionais. As recomendações práticas apresentadas neste texto são aplicações possíveis, e não conclusões testadas em conjunto pelos estudos.
Ficam em aberto perguntas sobre a continuidade dos serviços, a equidade de acesso, as condições de colaboração entre saúde e educação e a transferência dos achados para escolas brasileiras. Faz sentido consultar os estudos completos quando a escola ou a rede pretende adotar uma intervenção, definir protocolos, comparar métodos ou tomar decisões que dependam de informações detalhadas sobre amostra, instrumentos e contexto. Para decisões individuais de saúde, a referência deve ser o profissional responsável pelo atendimento.
Como o GeraProva ajuda a trabalhar esse assunto?
Uma forma de abordar o tema com a turma é preparar perguntas de compreensão, atividades de leitura de fontes ou uma avaliação sobre como serviços escolares se adaptaram a uma crise, sempre distinguindo o que os estudos relatam de opiniões e sugestões. O gerador de provas do GeraProva pode ajudar a criar questões a partir dos materiais que você selecionar, e o cadastro grátis permite conhecer a plataforma. A ferramenta apoia a preparação de atividades; a escolha das fontes e a mediação da conversa continuam com o professor.
Perguntas frequentes sobre profissionais de saúde aliados e COVID-19
Os efeitos da pandemia sobre os serviços escolares terminaram com o retorno presencial?
Não necessariamente. Em um levantamento com fonoaudiólogos escolares nos Estados Unidos, muitos profissionais tinham retornado em grande parte a práticas anteriores à pandemia, mas a maioria ainda percebia influências importantes no trabalho. As respostas mencionaram mudanças nas necessidades dos estudantes, necessidades socioemocionais e lacunas de aprendizagem, além de desafios ligados às expectativas profissionais anteriores à pandemia (Sylvan, 2024). Isso não significa que todos os estudantes tenham as mesmas necessidades. Para o professor, a evidência sustenta uma postura de atenção e diálogo com a equipe, em vez de presumir que a volta presencial encerrou todos os efeitos.
A teleprática pode substituir o atendimento presencial?
Os estudos reunidos não permitem concluir que a teleprática substitua o atendimento presencial em geral. A pesquisa com fonoaudiólogos nas Filipinas encontrou relação entre dificuldades de implementação e percepções de eficácia, e apontou formação e recursos como fatores associados ao uso futuro (Lentejas, 2023). Um projeto-piloto com crianças com síndrome de Down encontrou melhora na precisão de leitura em uma intervenção on-line específica, mas resultados inconsistentes para compreensão leitora (Murphy, 2023). A adequação depende do estudante, do objetivo, dos recursos e da avaliação dos profissionais responsáveis.
O que a escola pode fazer diante de preocupações de saúde mental?
O professor pode observar mudanças, acolher o estudante com respeito e seguir os procedimentos da escola para conversar com a equipe responsável. Uma pesquisa comunitária nos Estados Unidos identificou percepções de ansiedade, depressão e ideação suicida entre jovens negros e latinos de baixa renda, e apontou como recomendações ampliar apoios individuais, detecção precoce e prevenção (Wright, 2023). Esses resultados não autorizam o professor a diagnosticar nem a presumir que todos os estudantes de um grupo vivam a mesma situação. Sinais preocupantes devem ser encaminhados conforme os protocolos institucionais e a orientação de profissionais qualificados.
O que um professor pode aprender com a pesquisa sobre vacinação?
O estudo com estudantes do ensino médio em um distrito metropolitano dos Estados Unidos mostrou que confiança e desconfiança eram temas relevantes nas respostas sobre vacinação. A maioria dos estudantes vacinados e não vacinados confiava em profissionais da atenção primária como fonte de informações sobre COVID-19, embora a influência dessa fonte variasse entre grupos raciais e étnicos (Qi, 2023). Para a prática escolar, uma aplicação possível é acolher dúvidas e ajudar a turma a identificar fontes qualificadas. O professor não precisa assumir o papel de profissional de saúde nem presumir que uma única mensagem convença todos.
Por que a alimentação escolar aparece em um tema sobre profissionais de saúde aliados?
A alimentação escolar não é terapia clínica, mas é um serviço essencial relacionado ao cuidado e às condições de participação dos estudantes. Gestores de alimentação dos Estados Unidos relataram desafios durante a pandemia, incluindo abastecimento, disponibilidade de trabalhadores e espaço para armazenar alimentos. Também descreveram estratégias para distribuição e segurança, além de maior reconhecimento da importância da alimentação infantil (Gupta, 2025). O estudo ajuda a perceber que a continuidade do cuidado depende de equipes e estruturas diversas. Para o professor, uma aplicação possível é conhecer os canais da escola para encaminhar dúvidas sobre refeições sem expor estudantes.
Esses resultados podem ser aplicados diretamente às escolas brasileiras?
Não de forma automática. Os estudos foram realizados em outros países e abordam sistemas, populações e serviços diferentes dos brasileiros. Eles podem oferecer perguntas úteis sobre formação, recursos, colaboração e acesso, mas não comprovam que uma política ou intervenção específica funcionará da mesma maneira no Brasil. Uma aplicação responsável é verificar como a rede local organiza os apoios, conversar com os profissionais que atendem os estudantes e considerar as necessidades da comunidade. Quando a escola pretende tomar uma decisão técnica ou adotar um protocolo, vale consultar o estudo completo e as orientações dos profissionais e gestores responsáveis.
Referências
- Gupta, Kritika; Lambert, Laurel; Wijayatunga, Nadeeja N.; Cafer, Anne; Mann Schroeder, Georgianna (2025). Desafios e êxitos dos gestores de alimentação escolar durante a pandemia de COVID-19: um estudo de métodos mistos (Challenges and Successes for School Child Nutrition Directors during the COVID-19 Pandemic: A Mixed-Methods Study). Journal of Child Nutrition & Management. Link.
- Sylvan, Lesley; Kwak, Madelyn; Gouck, Madeleine; Goldstein, Erica (2024). De volta ao normal ou nova realidade? Como a pandemia de COVID-19 continua a influenciar os fonoaudiólogos escolares no início do ano letivo de 2023-2024 (Back to Normal or New Reality? How the COVID-19 Pandemic Continues to Influence School-Based Speech-Language Pathologists at the Start of the 2023-2024 School Year). Language, Speech, and Hearing Services in Schools. Link.
- Lentejas, Kembell Gaw; Lam, Joseph Hin Yan; Tong, Shelley Xiuli (2023). Formação profissional e recursos terapêuticos necessários à adoção da teleprática nas Filipinas (Professional Training and Therapeutic Resources Needed for the Adoption of Telepractice in the Philippines). Communication Disorders Quarterly. Link.
- Qi, Jeffrey Z.; Weller, Susan C. (2023). Fatores associados à adesão à vacinação contra a COVID-19 entre estudantes do ensino médio em uma grande região metropolitana diversa (Factors Associated with COVID-19 Vaccine Uptake among High School Students in a Large, Diverse Metropolitan Area). Journal of School Health. Link.
- Murphy, Annemarie; Bailey, Benjamin; Arciuli, Joanne (2023). Ensino de leitura e escrita ABRACADABRA para crianças com síndrome de Down por meio da teleprática durante a COVID-19: um estudo-piloto (ABRACADABRA Literacy Instruction for Children with Down Syndrome via Telepractice during COVID-19: A Pilot Study). British Journal of Educational Psychology. Link.
- Wright, Blanche; Celeste-Villalvir, Alane; Moorehead, DaiJa; Johnson, Charlie; Luna Mendoza, Katherine; Bowers, Melvin; Zima, Bonnie T. (2023). Um Estudo Qualitativo com Parceria Comunitária sobre Múltiplas Perspectivas de Partes Interessadas: O Impacto da Pandemia de COVID-19, Percebido, na Saúde Mental de Jovens Negros e Latinx e Recomendações de Políticas Escolares Propostas pela Comunidade (A Community-Partnered Qualitative Study on Multiple Stakeholder Perspectives: The COVID-19 Pandemic's Perceived Impact on Black and Latinx Youth Mental Health and Community-Driven School Policy Recommendations). School Mental Health. Link.
Se este tema apareceu na sua rotina escolar, escolha uma pergunta para discutir com a equipe e pense em uma atividade que ajude a turma a compreender como cuidado, comunicação e aprendizagem se conectam. Boa aula!
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