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Planejamento de carreira no ensino médio: professores importam, mas nem sempre conhecem o mundo do trabalho

Estudos recentes em Hong Kong e na Austrália destacam o papel dos professores e das famílias no planejamento de carreira. Também apontam uma lacuna: orientar jovens exige conhecimento atualizado sobre o mundo do trabalho.

Planejamento de carreira no ensino médio: professores importam, mas nem sempre conhecem o mundo do trabalho

Estudos recentes em outros países mostram que o planejamento de carreira na adolescência envolve autoconhecimento, exploração de profissões e apoio de adultos. Em Hong Kong, estudantes destacaram como importante o conhecimento dos professores sobre o mundo do trabalho e os percursos de estudo; na Austrália, muitos pais relataram pouca confiança para orientar os filhos sobre mercados de trabalho em mudança. Esses achados podem inspirar atividades, sem importar automaticamente políticas estrangeiras.

Planejar uma carreira não é apenas escolher uma profissão: é aprender a relacionar interesses, possibilidades e próximos passos. Estudos recentes mostram que professores e famílias participam dessa construção, mas também apontam que orientar jovens requer conhecimento sobre um mundo do trabalho em transformação.

Essa combinação muda a conversa na escola. Em vez de pedir que adolescentes decidam cedo “o que vão ser”, podemos ajudá-los a investigar opções, reconhecer o que ainda precisam aprender e construir planos que possam ser revistos. Pesquisas feitas em Hong Kong, na Austrália e na Tailândia oferecem pistas sobre essa tarefa, sem que seus programas ou resultados devam ser transplantados automaticamente para o Brasil.

O que é planejamento de carreira de estudantes do ensino médio em outros países e por que importa para o professor?

Planejamento de carreira é o processo de explorar a si mesmo e as profissões, imaginar percursos possíveis e tomar decisões sobre ações futuras. Na rotina escolar, isso pode aparecer em conversas sobre interesses, projetos, componentes curriculares, ocupações, formação e escolhas após a conclusão dos estudos. Não significa que o estudante precise definir uma profissão definitiva enquanto ainda está no ensino médio.

Os estudos reunidos aqui tratam o tema por ângulos diferentes. Há pesquisas sobre o apoio que professores oferecem, sobre o que pais sabem a respeito das oportunidades de trabalho e sobre atividades sequenciadas que desenvolvem habilidades de planejamento. Em conjunto, sugerem que a orientação não depende de uma única conversa ou de um teste que “revele” a profissão certa. Ela envolve informação, reflexão, decisões e possibilidade de transformar planos em ações.

Para professores, o assunto importa porque a escola é um dos lugares em que os jovens podem ampliar o repertório de possibilidades e fazer perguntas com segurança. Isso não quer dizer que cada docente tenha de ser especialista em todas as profissões. Quer dizer que pode reconhecer os limites do próprio conhecimento, apoiar a investigação dos estudantes e conectar a aprendizagem escolar a questões sobre trajetórias profissionais.

O que a pesquisa recente mostra sobre carreira e ensino médio?

O apoio docente importa, e conhecimento sobre o trabalho faz diferença

Em Hong Kong, Wong e colegas desenvolveram uma escala para investigar o apoio de professores relacionado à carreira entre estudantes do ensino secundário. Com dados de 493 estudantes, identificaram cinco tipos de apoio. O resumo destaca como mais importante o conhecimento docente sobre o mundo do trabalho e sobre os requisitos dos percursos de estudo (Wong, 2023).

O estudo se concentrou na construção e validação de uma medida, não em comparar um programa de orientação com outro. Ainda assim, sua contribuição é útil para pensar o que pode estar por trás da palavra “apoio”. O professor não é apenas alguém que incentiva o estudante a sonhar: a familiaridade com ocupações e caminhos de estudo também aparece como uma dimensão relevante do apoio percebido pelos jovens. O resumo informa que a escala apresentou boa validade e confiabilidade e que não foram observadas diferenças nos padrões de resposta entre gêneros.

Um segundo estudo de Hong Kong amplia o olhar da orientação profissional para habilidades de vida. Wong e colegas validaram o Inventário de Autoeficácia no Desenvolvimento de Habilidades para a Vida com 2.390 estudantes de oito escolas secundárias. Os resultados mostraram relações de moderadas a fortes entre as medidas de habilidades para a vida, autoeficácia na carreira e vínculo com a escola; a escala se ajustou melhor a um modelo correlacional (Wong, 2025).

O achado não permite concluir que uma dessas dimensões cause as outras. Ele aponta, contudo, que a confiança do estudante para desenvolver habilidades para a vida, sua autoeficácia na carreira e seu vínculo escolar aparecem relacionados naquele contexto. Também chama atenção para uma lacuna identificada pelos autores: o planejamento de carreira costuma ser deixado de lado quando se considera o desenvolvimento de habilidades para a vida, especialmente em seus aspectos não cognitivos.

Famílias podem apoiar, mas nem sempre se sentem preparadas

Na Austrália, Jackson e Lambert investigaram como pais de estudantes do ensino médio compreendem oportunidades de carreira sustentáveis, fatores que podem favorecer o emprego dos jovens e recursos de orientação profissional. O estudo reuniu questionários respondidos por 301 pais (Jackson, 2025).

Os autores relatam uma tensão importante: embora as percepções dos pais sobre oportunidades por setor e indústria estivessem alinhadas a concepções mais amplas, muitos desconheciam tendências contemporâneas que afetam a progressão profissional dos jovens. Muitos também não utilizavam recursos externos de orientação e não se sentiam confiantes sobre sua compreensão dos mercados de trabalho juvenis (Jackson, 2025).

O resumo acrescenta que alguns pais reconheciam a importância dos capitais cultural e psicológico para conseguir e manter um emprego, mas atribuíam pouco valor à experiência profissional e às redes de contatos. As perspectivas variavam conforme a escolaridade dos pais e suas próprias experiências profissionais. Os autores defendem estratégias direcionadas para apoiar os pais na oferta de orientação fundamentada. Para a escola, isso ajuda a evitar uma suposição comum: que toda família dispõe das mesmas informações, referências e segurança para conversar sobre carreira.

Planejamento pode ser ensinado por etapas, não apenas conversado

Na Tailândia, Meepan e colegas avaliaram um programa de educação não formal chamado Planejamento de Carreira 3Ds, dirigido a estudantes dos anos finais do ensino fundamental. O percurso organiza-se em Diagnosticar, Projetar e Agir: primeiro, explorar a si mesmo e o mundo das profissões; depois, criar trajetos para alcançar ocupações desejadas; por fim, colocar planos em prática (Meepan, 2024).

Vinte estudantes se voluntariaram para participar. O estudo utilizou questionários, testes e registros reflexivos. Os autores relatam melhora geral nas habilidades de planejamento, resultados de aprendizagem superiores a 80% e aumento significativo no nível geral de habilidade: a média passou de 2,38 antes do programa para 4,37 depois, com os desvios-padrão informados no resumo de 0,96 e 0,64, respectivamente (Meepan, 2024).

Os diários dos estudantes indicaram níveis alto, médio e baixo de habilidades de planejamento e implementação. Também registraram reflexões sobre a importância e os benefícios do planejamento, a tomada de decisões, os planos, os sentimentos de realização e a aplicação à vida cotidiana. Como se trata de uma intervenção com um grupo voluntário de 20 estudantes em uma escola, o resultado não deve ser interpretado como garantia de que o mesmo formato terá efeito idêntico em outras turmas. O valor para o professor está na estrutura: explorar, planejar e agir são momentos distintos que podem ser observados e apoiados.

Orientação profissional pode começar antes do ensino médio

Um estudo realizado no Cazaquistão investigou formação de futuros professores e orientação profissional precoce com alunos do ensino fundamental. O programa de formação durou cinco semanas e envolveu 56 estudantes de pedagogia; a intervenção com alunos incluiu 238 crianças de três escolas de Aktobe. A pesquisa se baseou em uma tipologia de áreas profissionais que inclui relações com natureza, técnica, pessoas, sistemas de signos e imagem artística (Sary, 2026).

Os autores relatam impacto positivo tanto sobre os alunos quanto sobre os futuros professores. Em 86,13% dos casos, os estudantes de pedagogia demonstraram interesse em adquirir ou fortalecer competências de orientação profissional precoce. Entre os alunos, as respostas ao questionário ficaram mais consistentes, alinhando-se a um único tipo profissional segundo a tipologia utilizada; o resumo apresenta p < 0,05 e χ2 = 5,36 (Sary, 2026).

O estudo também registra desafios: pouca individualização e atenção insuficiente ao tema nas instituições de formação de professores. Embora a pesquisa seja sobre crianças do ensino fundamental, e não sobre estudantes do ensino médio, ela sugere que a preparação dos educadores é parte do problema. Para o ensino médio, a lição não é reduzir adolescentes a categorias profissionais, mas perceber que a orientação depende de professores preparados para conduzir explorações sem transformar uma atividade em rótulo fixo.

Os estudos lado a lado: o que cada pesquisa investigou?

Os estudos abaixo oferecem evidências de naturezas diferentes: alguns validam instrumentos, outros descrevem percepções ou avaliam um programa. A tabela ajuda a distinguir o que foi investigado e o que os resumos efetivamente relatam.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Wong, 2023Desenvolvimento de escala de apoio docente relacionado à carreira.Identificou cinco tipos de apoio; conhecimento docente sobre trabalho e percursos de estudo foi o mais importante. Escala com boa validade e confiabilidade.Hong Kong; 493 estudantes do ensino secundário.
Jackson, 2025Percepções e recursos de pais para orientar a carreira dos adolescentes.Muitos pais desconheciam tendências, não usavam recursos externos e não se sentiam confiantes sobre o mercado de trabalho juvenil.Austrália; 301 pais de estudantes do ensino médio.
Wong, 2025Validação de inventário de autoeficácia no desenvolvimento de habilidades para a vida.Relações moderadas a fortes com autoeficácia na carreira e vínculo escolar; melhor ajuste a modelo correlacional.Hong Kong; 2.390 estudantes de oito escolas secundárias.
Meepan, 2024Eficácia do programa de planejamento de carreira 3Ds.Melhora geral nas habilidades; resultados de aprendizagem acima de 80% e aumento das médias entre pré e pós.Tailândia; 20 voluntários dos anos finais do ensino fundamental.
Sary, 2026Formação de futuros professores e intervenção de orientação profissional precoce.Relata impacto positivo em futuros professores e alunos; aponta desafios de individualização e formação.Cazaquistão; 56 estudantes de pedagogia e 238 alunos do ensino fundamental.

Pontos em comum e divergências entre os estudos

Os estudos convergem em um ponto: planejar a carreira é uma atividade que envolve mais do que escolher um nome de profissão. O conhecimento sobre o mundo do trabalho, a capacidade de explorar possibilidades, a confiança para tomar decisões e o apoio de adultos aparecem em diferentes pesquisas. Esse conjunto amplia a ideia de orientação: ela pode incluir informação, reflexão e acompanhamento, não somente uma recomendação pontual.

Outra aproximação é a importância de quem orienta. Em Hong Kong, o conhecimento docente sobre ocupações e percursos de estudo foi o tipo de apoio mais importante na escala desenvolvida. Na Austrália, muitos pais não se sentiam confiantes com sua compreensão dos mercados de trabalho juvenis. No Cazaquistão, futuros professores demonstraram interesse em fortalecer suas competências, ao mesmo tempo que foram identificados desafios de formação. As pesquisas, portanto, não colocam toda a responsabilidade no jovem.

As diferenças entre os estudos também precisam ser preservadas. Wong (2023) e Wong (2025) validaram instrumentos e examinaram relações entre medidas; Jackson (2025) estudou percepções de pais; Meepan (2024) avaliou um programa com estudantes voluntários; Sary (2026) investigou uma intervenção de orientação precoce. Não são resultados diretamente comparáveis, e seus contextos nacionais, etapas escolares e participantes não são os mesmos.

Permanece em aberto qual combinação de atividades, formação docente e participação familiar funciona melhor em diferentes escolas, e por quanto tempo seus efeitos se mantêm. Os resumos também não sustentam uma receita universal. A pergunta produtiva para a escola não é “qual país tem o modelo certo?”, mas “que elementos fazem sentido aqui e como podemos avaliar se ajudam nossos estudantes?”.

O que isso significa para a sala de aula?

Uma aplicação possível é organizar experiências curtas e repetidas de exploração, em vez de concentrar toda a orientação em uma conversa única. As sugestões a seguir são formas de levar as ideias dos estudos para a prática; não são resultados testados por essas pesquisas em escolas brasileiras.

1. Separar exploração, planejamento e ação

Como aplicação, experimente dividir uma sequência em três momentos: conhecer interesses e ocupações, desenhar possibilidades e escolher uma ação pequena para investigar. Imagine uma turma que compara duas áreas profissionais, identifica perguntas em aberto e combina como buscar respostas confiáveis. Essa estrutura se inspira nas etapas do programa 3Ds de Meepan (2024), mas a adaptação e o efeito na turma precisam ser acompanhados pelo professor.

2. Trabalhar com planos revisáveis

Como aplicação, convide estudantes a registrar uma possibilidade atual, os motivos que a tornam interessante e o que gostariam de descobrir antes de decidir. Em uma turma hipotética, um estudante pode explorar uma área, conversar com alguém da comunidade ou pesquisar diferentes percursos de formação e depois rever sua hipótese. O objetivo não é exigir uma decisão definitiva: é mostrar que um plano pode orientar os próximos passos sem fechar outras portas.

3. Levar o mundo do trabalho para além dos nomes de profissões

Como aplicação, proponha perguntas sobre tarefas, ambientes, conhecimentos e percursos associados a ocupações variadas. Uma turma pode investigar como diferentes pessoas contribuem para uma atividade cotidiana, sem sugerir que existe uma única formação possível para cada trabalho. A pesquisa de Hong Kong destaca a relevância percebida do conhecimento docente sobre o mundo do trabalho e os requisitos dos percursos de estudo (Wong, 2023); cabe ao professor distinguir informação verificada de impressão pessoal.

4. Dar espaço à reflexão escrita ou oral

Como aplicação, use um registro breve ao final de uma atividade: o que me surpreendeu, que opção quero conhecer melhor e qual pergunta ainda tenho? Em um exemplo hipotético, depois de explorar ocupações ligadas a diferentes áreas, cada estudante pode explicar por que uma possibilidade pareceu atraente ou distante. Os diários usados por Meepan (2024) registraram reflexões sobre decisões, benefícios e aplicação cotidiana; isso inspira uma prática, mas não prova que qualquer diário produzirá os mesmos resultados.

5. Convidar famílias para a conversa sem transferir a elas toda a orientação

Como aplicação, envie perguntas que ajudem a família a compartilhar experiências, dúvidas e fontes de informação, sem pressupor que todos os responsáveis conheçam as tendências atuais ou os percursos de formação. Por exemplo, uma atividade pode pedir que estudante e responsável conversem sobre uma ocupação conhecida e uma que desejam pesquisar. Jackson (2025) mostra que muitos pais australianos não se sentiam confiantes sobre o mercado de trabalho juvenil; isso recomenda acolhimento e apoio, não julgamento das famílias brasileiras.

6. Reconhecer que estudantes partem de repertórios diferentes

Como aplicação, ofereça mais de uma porta de entrada: exemplos de áreas diversas, tempo para perguntas e possibilidade de investigar individualmente ou em grupo. Imagine uma turma em que alguns estudantes já têm referências profissionais na família e outros ainda estão formando seu repertório. As diferenças identificadas nas perspectivas dos pais australianos conforme escolaridade e experiência profissional (Jackson, 2025) ajudam a lembrar que nem todos chegam à conversa com os mesmos recursos.

7. Fazer da avaliação um registro de percurso

Como aplicação, avalie processos observáveis, como formular perguntas, comparar opções, justificar uma escolha provisória e propor uma próxima ação. Evite transformar a avaliação em julgamento sobre qual carreira é mais adequada. Uma rubrica simples pode acompanhar a qualidade da investigação e da reflexão ao longo de uma sequência. Essa proposta dialoga com os instrumentos e registros usados por Meepan (2024), mas é uma sugestão de prática docente, não uma medida cuja eficácia tenha sido demonstrada pelos estudos citados.

O que muda no contexto brasileiro?

Os estudos vêm de Hong Kong, Austrália, Tailândia e Cazaquistão. Seus participantes, estruturas escolares, oportunidades de formação e contextos de trabalho não são equivalentes aos brasileiros. Por isso, não é adequado importar uma escala, tipologia ou sequência como se ela já estivesse validada para nossas escolas. O que pode viajar entre contextos são perguntas úteis: que apoio o estudante percebe? Que informação falta? Como a escola organiza a exploração e o acompanhamento?

O estudo australiano é especialmente útil como alerta, não como retrato das famílias brasileiras. Seus resultados indicam que pais podem querer apoiar os adolescentes e, ao mesmo tempo, sentir insegurança diante das mudanças no trabalho. Uma escola brasileira pode criar momentos de troca com as famílias, mas precisa evitar tratar suas experiências como desatualizadas ou insuficientes. A tarefa escolar é ampliar o acesso a informações e perspectivas, não responsabilizar cada família por oferecer orientação especializada.

Em Hong Kong, o conhecimento docente sobre o trabalho e os percursos de estudo apareceu como dimensão central do apoio relacionado à carreira. No Brasil, uma aplicação prudente seria reconhecer que nenhum professor domina todas as áreas e construir atividades de pesquisa com fontes diversas e checagem de informações. Se a escola tiver orientação educacional ou puder estabelecer parcerias, pode articular esse apoio; isso é uma possibilidade de organização, não um resultado testado pelos estudos apresentados.

Também é importante adaptar linguagem e exemplos à realidade local. Ocupações disponíveis, trajetórias de formação e condições de acesso variam entre regiões e entre estudantes. Uma conversa sobre carreira que só apresenta trajetórias de alto prestígio ou caminhos acadêmicos únicos pode estreitar possibilidades. Como sugestão de aplicação, a turma pode investigar uma variedade de setores e percursos, perguntando quais informações são necessárias para compreender cada caminho e quais dúvidas continuam sem resposta.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes, e não na leitura integral dos trabalhos. Os resumos permitem conhecer objetivos, participantes e principais resultados relatados, mas não oferecem todos os detalhes necessários para avaliar instrumentos, procedimentos, limitações estatísticas ou as condições concretas de aplicação. Os estudos também diferem em país, etapa escolar, participantes e tipo de pesquisa, então seus resultados não devem ser somados como se fossem uma única experiência.

Ficam em aberto, por exemplo, quanto tempo se mantêm os avanços relatados em programas de planejamento, como as percepções de apoio se relacionam com decisões efetivas dos estudantes e quais práticas funcionam em escolas brasileiras com condições diferentes. Também não é possível concluir, apenas com esses resumos, que as relações observadas entre medidas sejam causais, nem generalizar os resultados de grupos específicos para todos os adolescentes.

Faria sentido consultar os estudos completos antes de adotar uma escala, reproduzir um programa, comparar resultados de uma turma com as medidas publicadas ou propor uma política escolar baseada nesses achados. Essa leitura aprofundada ajudaria a examinar os instrumentos, os detalhes das atividades, a seleção dos participantes e as condições de implementação. Para uma prática inicial de sala de aula, use as ideias como possibilidades a testar e observe o que os estudantes conseguem explorar, perguntar e planejar.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

Uma sequência de orientação de carreira também pode incluir atividades curtas para verificar compreensão de conceitos, comparar informações ou refletir sobre escolhas e próximos passos. O gerador de provas do GeraProva pode ajudar a criar questões para esse tipo de atividade, que o professor adapta ao contexto e aos objetivos da turma; a ferramenta não substitui orientação profissional nem garante a qualidade das fontes usadas. Para experimentar a plataforma, faça o cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre planejamento de carreira na escola

O planejamento de carreira deve começar apenas no ensino médio?

Os estudos apresentados não indicam que exista uma idade única para começar. Um trabalho realizado no Cazaquistão investigou orientação profissional precoce com alunos do ensino fundamental e formação de futuros professores, enquanto a pesquisa de Meepan avaliou uma atividade estruturada com estudantes dos anos finais do ensino fundamental. Isso não significa pedir que crianças decidam uma profissão cedo. Para o ensino médio, a aplicação pode ser aprofundar a exploração, comparar possibilidades e pensar em próximos passos, mantendo aberta a revisão dos planos.

O professor precisa conhecer todas as profissões para orientar a turma?

Não é isso que os estudos permitem afirmar. A pesquisa de Hong Kong destaca o conhecimento docente sobre o mundo do trabalho e os requisitos dos percursos de estudo como uma dimensão importante do apoio percebido pelos estudantes (Wong, 2023). Uma aplicação razoável é reconhecer o que o professor sabe, identificar o que precisa pesquisar e ajudar a turma a fazer perguntas melhores. O docente pode orientar o processo de investigação sem se apresentar como especialista em cada área ou decidir qual carreira combina com cada estudante.

Como envolver as famílias sem presumir que conhecem o mercado de trabalho?

Uma forma é convidá-las a compartilhar experiências e perguntas, ao mesmo tempo que a escola oferece recursos para ampliar a conversa. Na Austrália, muitos pais participantes não se sentiam confiantes sobre sua compreensão dos mercados de trabalho juvenis e não utilizavam recursos externos de orientação (Jackson, 2025). Esse resultado não descreve automaticamente famílias brasileiras, mas lembra que a escola não deve pressupor acesso igual a informações. Proponha conversas acolhedoras, sem avaliar a família pelo conhecimento que tem ou não tem sobre ocupações atuais.

Um teste de interesses consegue indicar a carreira certa?

Os estudos resumidos aqui não sustentam que um teste possa determinar a profissão certa para cada estudante. A pesquisa de Hong Kong sobre o Inventário de Autoeficácia no Desenvolvimento de Habilidades para a Vida encontrou relações entre medidas de habilidades para a vida, autoeficácia na carreira e vínculo com a escola; não testou uma ferramenta para prescrever profissões (Wong, 2025). Em sala, instrumentos de reflexão podem abrir conversas, desde que não virem rótulos definitivos. Combine qualquer atividade com exploração de opções, diálogo e revisão das hipóteses.

Como avaliar se uma atividade de planejamento de carreira funcionou?

Os estudos usam abordagens diferentes: Meepan (2024) relata questionários, testes e registros reflexivos para avaliar um programa em etapas; outros trabalhos desenvolveram ou validaram escalas para medir dimensões específicas de apoio e autoeficácia. Uma sugestão para a sala brasileira é acompanhar evidências do processo, como perguntas formuladas, opções investigadas e próximos passos definidos. Isso não equivale a reproduzir os instrumentos das pesquisas. Antes de usar uma medida formal ou comparar resultados, consulte o estudo completo e verifique se ela faz sentido para seu contexto.

Os resultados de outros países podem ser aplicados diretamente no Brasil?

Não sem adaptação. As pesquisas citadas foram realizadas em contextos distintos, com participantes e objetivos diferentes. Um resultado sobre pais na Austrália, uma escala validada em Hong Kong ou um programa aplicado na Tailândia não comprova que a mesma estratégia terá igual efeito em uma escola brasileira. O mais seguro é aproveitar perguntas e ideias de organização, adaptar exemplos e acompanhar a resposta dos estudantes. Se a escola pretender adotar formalmente um instrumento ou programa, deve examinar o estudo completo e considerar as condições locais de aplicação.

Referências

  1. Meepan, Walainart; Charungkaittikul, Suwithida; Poosakaew, Rabkwan; Suebsamut, Waree (2024). Eficácia de um programa de educação não formal para desenvolver habilidades de planejamento de carreira em estudantes dos anos finais do ensino fundamental (Effectiveness of Non-Formal Education Program to Enhance Career Planning Abilities of Lower Secondary School Students). Journal of Education and Learning. Link.
  2. Wong, Lawrence P. W.; Chen, Gaowei; Yuen, Mantak (2023). Investigando o apoio de professores relacionado à carreira para estudantes do ensino secundário em Hong Kong (Investigating Career-Related Teacher Support for Chinese Secondary School Students in Hong Kong). International Journal for Educational and Vocational Guidance. Link.
  3. Jackson, Denise; Lambert, Claire (2025). Percepções de pais de adolescentes sobre oportunidades de carreira sustentáveis e o desenvolvimento de capitais de empregabilidade para o trabalho no futuro (Adolescent Parent Perceptions on Sustainable Career Opportunities and Building Employability Capitals for Future Work). Educational Review. Link.
  4. Wong, Lawrence P. W.; Yuen, Mantak; Zhang, Jiahong; Ho, Esther Yuk-Fan (2025). Avaliação da autoeficácia no desenvolvimento de habilidades para a vida: estudo de validação em Hong Kong, China (Assessing Life Skills Development Self-Efficacy: A Validation Study in Hong Kong, China). International Journal for Educational and Vocational Guidance. Link.
  5. Sary, Bolgan; Fominykh, Nataliia; Zhussupova, Zhanna; Koshkinbayeva, Nurgul; Zhumabayeva, Maral (2026). Orientação profissional precoce de alunos do ensino fundamental: o impacto da intervenção pedagógica sobre futuros professores e estudantes (Early Career Orientation of Primary School Students: The Impact of Pedagogical Intervention on Future Teachers and Pupils). British Educational Research Journal. Link.

Se este tema está aparecendo nas conversas da sua turma, escolha uma pergunta para investigar com os estudantes e adapte a atividade à realidade da escola. Um passo pequeno já pode abrir uma conversa importante sobre possibilidades e próximos caminhos.

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