Mudança de comportamento na pré-escola: por que medir também a manutenção
Estudos recentes relatam mudanças após intervenções variadas, da partilha à alimentação responsiva. Mas os resultados e sua manutenção dependem do programa, do contexto e de como o comportamento é avaliado.
Para saber se um programa muda o comportamento na pré-escola, é importante observar o que acontece antes e depois da intervenção e, quando possível, comparar com um grupo que não a recebeu. Também vale verificar se a mudança se mantém ao longo do tempo e aparece em situações cotidianas. Estudos recentes relatam resultados positivos em diferentes áreas, mas eles variam conforme o programa e o contexto.
Como saber se uma intervenção mudou de fato o comportamento das crianças da pré-escola — e não apenas o que elas fizeram naquele dia? A resposta começa por definir o comportamento e observar mais de uma vez. Também importa verificar se a mudança continua quando a atividade especial termina.
Estudos recentes encontraram resultados em áreas diferentes, como partilha, cooperação e alimentação responsiva. Eles ajudam a pensar em critérios concretos para avaliar programas, mas não sustentam a ideia de que uma mesma estratégia funciona igual para todas as crianças e contextos.
O que é mudança de comportamento na pré-escola e por que importa para o professor?
Mudança de comportamento, neste contexto, é uma diferença observável entre o que a criança fazia antes de uma intervenção e o que faz durante ou depois dela. Pode ser, por exemplo, partilhar mais em uma tarefa, seguir instruções com maior frequência ou participar de práticas de alimentação responsiva. Para o professor, importa distinguir essa mudança de uma impressão geral como “a turma está melhor”.
Na rotina da educação infantil, comportamentos aparecem em momentos muito concretos: na hora de guardar materiais, dividir brinquedos, aceitar uma transição, sentar para comer ou participar de uma atividade coletiva. Uma intervenção pode se dirigir a uma criança, a um grupo ou às práticas dos adultos. Por isso, antes de avaliar se funcionou, é útil perguntar: qual comportamento se espera observar, em qual situação e em que período?
Os estudos reunidos aqui não medem todos a mesma coisa. Alguns avaliaram o comportamento infantil antes e depois de uma proposta; outro examinou práticas dos educadores e observações do ambiente. Essa diferença é importante: melhorar uma prática adulta pode ser um resultado relevante, mas não equivale automaticamente a demonstrar uma mudança duradoura em cada criança.
O que a pesquisa recente mostra sobre programas para crianças pequenas?
Os estudos sugerem que intervenções bem delimitadas podem estar associadas a mudanças observáveis, mas a evidência varia conforme o objetivo, o desenho da pesquisa e o acompanhamento. Entre os exemplos estão uma história sobre partilha, treinamento de cooperação para uma criança com autismo e mentoria para práticas de alimentação responsiva.
Uma intervenção pode produzir mudança em um comportamento específico
Um estudo com 300 crianças de 4 a 6 anos, distribuídas aleatoriamente em 21 turmas de educação infantil, comparou três condições de leitura: história digital sobre partilha com realidade aumentada, história digital sobre partilha sem realidade aumentada e história sem relação com a partilha. O comportamento foi avaliado antes e depois por meio de um protocolo padronizado de partilha de adesivos. As crianças que ouviram a história sobre partilha enriquecida com realidade aumentada apresentaram aumento significativamente maior do comportamento de partilha do que as crianças dos outros dois grupos (Hü, 2026).
O resultado é específico: trata de partilha após sessões de leitura e de uma avaliação com adesivos. Não permite concluir, por si só, que a realidade aumentada melhora qualquer comportamento social, nem que o efeito se mantém por longo prazo. Para a prática, a contribuição é mostrar a importância de comparar uma proposta com alternativas próximas, em vez de atribuir qualquer melhora ao recurso mais chamativo.
Outro estudo examinou o Treinamento de Cumprimento sem Erros com um menino de quatro anos com autismo em uma instituição de educação infantil na Noruega. O estudo de caso único acompanhou a proporção de instruções de adultos seguidas em até dez segundos, sem esquiva ou resistência. Os autores relataram aumento da cooperação em diferentes níveis de dificuldade; diante de instruções de baixa probabilidade, o resultado passou de 25% na linha de base para 75% no acompanhamento. As habilidades foram mantidas e parcialmente generalizadas para contextos naturais onze semanas depois do treinamento (Lyftingsmo, 2026).
Esse achado não deve ser transformado em promessa universal: trata-se de um caso, com uma criança e uma abordagem definida. Ainda assim, ele coloca duas perguntas úteis para qualquer programa: o comportamento aparece em tarefas de diferentes dificuldades? E continua ou se generaliza para situações naturais após o treino?
Também é preciso avaliar as práticas dos adultos e as condições de implementação
A intervenção CELEBRATE foi desenvolvida para apoiar educadores de oito instituições de educação infantil em duas províncias canadenses na adoção de práticas de alimentação responsiva. A avaliação combinou registros de mentoria, questionários, observações, entrevistas e acompanhamento seis meses depois. As pontuações de observação aumentaram de 38,2 para 45,8 em uma escala de 63 pontos, uma diferença estatisticamente significativa. Profissionais entrevistados relataram adoção mais frequente das práticas e mudanças positivas na ingestão de alimentos e na autonomia das crianças (Campbell, 2026).
Os educadores também valorizaram a orientação especializada e os recursos práticos. Mais de 90% dos que responderam ao questionário consideraram adequada a duração de seis meses e as visitas mensais, além de relatarem forte apoio do mentor. Ao mesmo tempo, apareceram dificuldades de comunicação, organização de horários e rotatividade de educadores. No acompanhamento, as instituições mantiveram as principais práticas, embora alguns obstáculos persistissem (Campbell, 2026).
O estudo chama atenção para uma parte que pode passar despercebida: a eficácia não depende apenas da ideia da intervenção. Tempo, acompanhamento, organização e continuidade da equipe também interferem na possibilidade de manter uma prática. Além disso, a medida de observação das práticas e os relatos dos profissionais são resultados diferentes da medição direta de um comportamento infantil individual.
Resultados antes e depois precisam ser lidos à luz do desenho do estudo
Um estudo realizado em uma escola do distrito de Kanniyakumari, no estado indiano de Tamil Nadu, avaliou técnicas de mudança de comportamento relacionadas ao tempo de tela em 60 crianças pré-escolares e seus pais. O delineamento foi quase experimental, com um único grupo medido antes e depois. A pontuação média passou de 32,31, correspondente a duas horas diárias, para 23,73, correspondente a uma hora por dia. Os autores relataram redução significativa após a intervenção (P < 0,01) (C., 2024).
Esse resultado oferece um exemplo de medida concreta e fácil de compreender, mas o desenho de grupo único não é igual a uma comparação aleatória com grupo de controle. A mudança observada após a intervenção é informativa, porém não separa com a mesma força o efeito do programa de outras mudanças que possam ter ocorrido no período. O contexto também importa: o estudo foi feito em uma escola específica na Índia, com participação dos pais, e não descreve automaticamente o que aconteceria em uma instituição brasileira.
Em conjunto, esses trabalhos mostram que “funcionou” precisa vir acompanhado de uma pergunta: funcionou para qual comportamento, em quais condições, segundo qual medida e por quanto tempo? Essa formulação evita que resultados pontuais sejam generalizados para todos os objetivos da educação infantil.
Quais estudos foram comparados lado a lado?
Os estudos abaixo investigaram intervenções diferentes; portanto, a comparação ajuda a enxergar o tipo de evidência disponível, não a classificar programas em uma única escala de eficácia.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| (Hü, 2026) | Histórias digitais sobre partilha, com e sem realidade aumentada. | O grupo que ouviu a história com realidade aumentada apresentou aumento significativamente maior na partilha de adesivos. | 300 crianças de 4 a 6 anos, 21 turmas; contexto nacional não informado no resumo. |
| (Lyftingsmo, 2026) | Treinamento de cooperação com uma criança pré-escolar com autismo. | A cooperação aumentou; houve manutenção e generalização parcial após onze semanas. | Uma criança de quatro anos em instituição de educação infantil na Noruega. |
| (Campbell, 2026) | Mentoria para práticas de alimentação responsiva. | As pontuações observadas melhoraram; educadores relataram maior uso das práticas e manutenção das principais práticas no acompanhamento. | Oito instituições em duas províncias canadenses. |
| (C., 2024) | Técnicas de mudança de comportamento para reduzir o tempo de tela. | O tempo médio informado passou de duas para uma hora diária após a intervenção. | 60 crianças pré-escolares e pais em uma escola de Tamil Nadu, Índia. |
O que os estudos têm em comum e onde diferem?
Em comum, os quatro estudos ligam uma intervenção planejada a um comportamento ou prática que pode ser descrito e observado. Nenhum deles se limita a afirmar que uma atividade foi interessante: há uma medida de partilha, de seguimento de instruções, de práticas responsivas ou de tempo de tela. Essa especificidade torna mais fácil discutir o que se pretende mudar.
As diferenças, porém, são decisivas. O estudo sobre histórias comparou três grupos e avaliou crianças antes e depois; o estudo de cooperação acompanhou um caso individual; CELEBRATE avaliou práticas institucionais e a experiência dos educadores; e a pesquisa sobre telas usou um grupo único antes e depois. Como os métodos e os alvos não são os mesmos, não cabe dizer que um programa foi “mais eficaz” que outro com base nesses resumos.
Também variam os horizontes de acompanhamento. No caso de cooperação, houve avaliação onze semanas após o treinamento; na intervenção de alimentação, houve questionário seis meses depois e manutenção das principais práticas. Já os resultados descritos para história e tempo de tela se referem a medidas antes e depois, sem o mesmo tipo de evidência sobre manutenção. Ainda não fica resolvido por quanto tempo as mudanças persistem em diferentes rotinas, nem como se distribuem entre crianças com necessidades e contextos distintos.
Outra diferença é o foco do resultado. Aumento da partilha em uma tarefa não é a mesma coisa que maior autonomia à mesa; seguir instruções não equivale a uma melhora global da convivência. A leitura cuidadosa começa por preservar esses limites. Quando a escola define uma meta própria, deve escolher um indicador alinhado a ela, em vez de usar um resultado de outro programa como prova direta.
Como aplicar essas ideias na sala de aula?
Os estudos não prescrevem um roteiro único para professores brasileiros. As propostas a seguir são aplicações possíveis dos princípios de definição, observação e acompanhamento, e não resultados comprovados por essas pesquisas em qualquer turma.
1. Descreva o comportamento antes de escolher a atividade
Uma forma de aplicar essa ideia é substituir metas amplas, como “ser mais cooperativo”, por ações que possam ser percebidas. Por exemplo, em uma turma hipotética, a equipe pode observar se as crianças aguardam a vez em uma brincadeira de grupo ou se compartilham materiais durante uma proposta coletiva. A descrição não precisa rotular a criança: serve para combinar o que os adultos vão observar. Assim, “melhorou” deixa de depender apenas de uma impressão geral e passa a ter um referente comum.
2. Defina uma situação e uma janela de observação
Como aplicação, o professor pode escolher uma rotina já existente e observar o comportamento em momentos comparáveis, antes e depois de uma proposta. Imagine que a meta seja facilitar a transição para guardar brinquedos. A equipe pode combinar quando observar e registrar se a criança inicia a ação após um aviso, sem transformar cada momento da rotina em teste. A finalidade é reduzir conclusões apressadas baseadas em um único episódio, não criar uma avaliação formal excessiva.
3. Acompanhe a mudança depois que a novidade passar
Uma aplicação possível é incluir uma observação de manutenção, em outro momento da rotina, após o fim da atividade planejada. Se uma história sobre partilha parece ajudar durante uma brincadeira específica, o professor pode verificar posteriormente se há sinais semelhantes em outro jogo ou com materiais diferentes. Isso não prova generalização por si só, mas ajuda a distinguir uma resposta ligada à atividade de uma mudança que aparece em mais situações. O acompanhamento pode ser simples e compatível com a organização da equipe.
4. Observe o contexto, não apenas a criança
O estudo CELEBRATE mostra que comunicação, horários e rotatividade podem dificultar a continuidade das práticas. Como aplicação, uma equipe brasileira pode perguntar se todos os adultos conhecem a estratégia combinada, se há materiais disponíveis e se a rotina permite realizá-la. Imagine que a turma tenha decidido estimular a autonomia na refeição: se os horários mudam diariamente ou os profissionais não receberam a mesma orientação, a dificuldade pode estar na implementação, não em uma suposta falta de capacidade da criança.
5. Registre práticas adultas junto com o resultado esperado
Uma aplicação útil é anotar também o que os adultos fizeram: ofereceram tempo para a criança responder, deram instruções de modo consistente ou organizaram oportunidades para a ação desejada? Isso não significa atribuir toda mudança ao professor. Significa reconhecer que programas educacionais costumam depender de práticas e condições. Por exemplo, diante de uma proposta para incentivar a partilha, a equipe pode acompanhar se disponibilizou materiais suficientes e como estruturou a atividade, além de observar a participação infantil.
6. Evite generalizar de um caso para todas as crianças
O estudo de cooperação envolveu uma criança com autismo e uma intervenção específica. Como aplicação, ele pode inspirar perguntas sobre clareza das instruções e acompanhamento individual, mas não autoriza replicar um protocolo sem considerar a criança, a família e os profissionais envolvidos. Em uma turma hipotética, duas crianças podem responder de formas distintas à mesma proposta. Registrar essa variação ajuda a equipe a ajustar o apoio sem transformar uma diferença individual em julgamento sobre o programa inteiro.
7. Combine diferentes fontes de informação com cuidado
Uma forma de aplicação é reunir observação da rotina, registros simples e conversa entre profissionais, distinguindo o que cada fonte permite afirmar. Se um educador percebe mais autonomia durante a refeição, vale registrar em que situação ocorreu e comparar com observações posteriores. Um relato é informação relevante, mas não é igual a uma medida padronizada; uma pontuação também não explica sozinha por que a mudança aconteceu. A combinação de fontes pode dar contexto, desde que a equipe não trate percepções como prova definitiva.
O que muda quando pensamos no contexto brasileiro?
Os estudos sobre alimentação responsiva ocorreram em instituições de duas províncias do Canadá; o estudo sobre tempo de tela foi feito em uma escola de Tamil Nadu, na Índia; e o caso de treinamento de cooperação aconteceu na Noruega. Os resumos não detalham todos os elementos culturais e institucionais desses contextos. Por isso, seus resultados podem orientar perguntas, mas não devem ser tratados como instruções automaticamente transferíveis para uma escola brasileira.
No Brasil, a organização da educação infantil, a disponibilidade de profissionais, os horários, a relação com as famílias e as condições materiais variam entre redes e instituições. Uma prática que depende de mentoria mensal ou de recursos tecnológicos pode exigir adaptações para caber na realidade local. Antes de adotar uma proposta, vale verificar se ela é viável, respeitosa e compatível com a rotina, e se a equipe consegue mantê-la sem sobrecarga.
Também é importante não importar como regra brasileira recomendações ou políticas que apareçam em pesquisas de outros países. No estudo indiano, por exemplo, o resumo menciona uma recomendação da Organização Mundial da Saúde sobre tempo de tela para menores de cinco anos; isso não transforma o estudo em avaliação de uma política brasileira. Para decisões locais sobre saúde e desenvolvimento, professores podem dialogar com as orientações profissionais e institucionais pertinentes, sem atribuir a esses estudos recomendações que eles não investigaram.
Uma adaptação responsável começa por preservar a pergunta central, não necessariamente o formato da intervenção. Se a meta é observar autonomia durante a alimentação, uma instituição pode identificar práticas viáveis no seu próprio contexto e acompanhar se os adultos conseguem sustentá-las. Se o objetivo é promover partilha, pode-se observar atividades adequadas à idade e à rotina local. Em ambos os casos, é preciso avaliar o comportamento definido, sem presumir que a resposta será igual à observada em outro país.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis na fonte indicada, e não na leitura integral dos artigos. Os resumos permitem identificar objetivos, características principais e resultados relatados, mas nem sempre apresentam detalhes suficientes para avaliar todos os instrumentos, procedimentos, análises ou condições de aplicação.
Ficam em aberto perguntas importantes: quanto tempo duram as mudanças em cada intervenção? Quais componentes são indispensáveis? Como os resultados variam entre instituições e crianças? Que efeitos aparecem quando o programa é aplicado por equipes com diferentes recursos? Também é necessário distinguir a percepção dos profissionais de mudanças observadas diretamente nas crianças e verificar se um resultado se mantém fora da situação em que foi medido.
Faz sentido consultar o estudo completo quando a escola pretende adotar um programa específico, adaptar um protocolo, comparar custos e condições de implementação ou usar os resultados para orientar uma decisão institucional. Nesses casos, detalhes metodológicos e limitações podem mudar a interpretação prática. Para uma conversa inicial entre professores, os resumos oferecem pistas; para uma decisão de maior alcance, a leitura integral é mais apropriada.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
O GeraProva pode apoiar o professor na criação de atividades e avaliações relacionadas aos objetivos trabalhados com a turma, mas uma prova, sozinha, não demonstra que um comportamento mudou ou se manteve. Para explorar conteúdos e verificar aprendizagens de forma planejada, conheça o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.
Perguntas frequentes sobre mudança de comportamento na pré-escola
Como saber se um programa realmente mudou o comportamento de uma criança?
Comece por definir uma ação observável, a situação em que ela será observada e o período de comparação. Os estudos reunidos usaram medidas diferentes: partilha de adesivos antes e depois de histórias, instruções seguidas em até dez segundos, observações de práticas de alimentação e tempo de tela. Isso mostra que não existe um indicador único para qualquer objetivo. Uma observação isolada pode ser insuficiente; sempre que viável, compare momentos semelhantes e observe novamente depois que a intervenção terminar.
Uma atividade que funcionou em um estudo vai funcionar com minha turma?
Não necessariamente. Os estudos investigaram intervenções e contextos diferentes: leitura com realidade aumentada, treinamento individual de cooperação, mentoria em instituições e técnicas ligadas ao tempo de tela. Os resultados não permitem afirmar que qualquer uma dessas propostas produzirá o mesmo efeito em outra turma ou país. Podem servir como referência para formular uma meta e escolher o que observar. Antes de adotar uma estratégia, considere a idade, a rotina, os recursos disponíveis e a participação dos profissionais e das famílias.
Por que avaliar a manutenção depois da intervenção?
Uma mudança percebida durante uma atividade pode não continuar quando essa atividade termina. O caso de treinamento de cooperação relatou manutenção e generalização parcial onze semanas depois; a avaliação de alimentação responsiva indicou manutenção das principais práticas das instituições no acompanhamento de seis meses. Esses exemplos mostram que acompanhar o que acontece posteriormente acrescenta informação. A manutenção não deve ser presumida só porque houve uma melhora inicial. Para a escola, uma observação posterior ajuda a avaliar se a prática cabe na rotina e continua sendo usada.
Como diferenciar uma mudança na criança de uma mudança na prática do adulto?
É importante nomear separadamente os resultados. No estudo de alimentação responsiva, foram observadas melhorias nas práticas e os profissionais relataram mudanças na ingestão e autonomia das crianças. A observação de uma prática adulta não é idêntica à medição direta de cada comportamento infantil. Na rotina escolar, o professor pode registrar tanto o que fez quanto o que a criança fez, sem tratar uma coisa como prova automática da outra. Essa distinção ajuda a entender onde o programa parece estar avançando e que evidências ainda faltam.
O estudo sobre cooperação com uma criança com autismo pode ser aplicado a todas as crianças?
Não. A pesquisa examinou um caso único: um menino de quatro anos com autismo em uma instituição norueguesa. Os autores relataram aumento de cooperação e manutenção parcial em contextos naturais, mas esse resultado não demonstra que o mesmo treinamento seja apropriado para todas as crianças. O estudo pode estimular uma reflexão sobre como definir instruções e acompanhar respostas, mas qualquer aplicação precisa considerar necessidades individuais, contexto e orientação profissional pertinente. Evite transformar um achado de caso em regra geral para a turma.
O que fazer quando a equipe não consegue manter uma intervenção?
Os resultados da avaliação CELEBRATE ajudam a lembrar que obstáculos organizacionais também contam: foram relatados problemas de comunicação, dificuldades de organizar horários e rotatividade de educadores. Como aplicação, a equipe pode revisar se todos conhecem a prática combinada, se há tempo e recursos e se a orientação continua disponível. Isso não prova que qualquer dificuldade de implementação explica a ausência de mudança, mas permite identificar barreiras concretas antes de concluir que a estratégia falhou. Se a decisão tiver grande alcance, consulte os detalhes do estudo completo e avalie a adequação local.
Referências
- Hü (2026). Efeito de histórias enriquecidas com realidade aumentada sobre o comportamento altruísta de partilha (The Effect of Augmented Reality-Enriched Stories on Altruistic Sharing Behavior). Education and Information Technologies. Link.
- Lyftingsmo (2026). Treinamento de cumprimento sem erros (ECT) em habilidades de cooperação em uma criança pré-escolar com autismo (Errorless Compliance Training (ECT) in Cooperative Skills in a Preschool Child with Autism). International Electronic Journal of Elementary Education. Link.
- Campbell (2026). Apoio à alimentação responsiva em instituições de educação infantil: avaliação de processo da intervenção de alimentação CELEBRATE com o uso do modelo RE-AIM (Supporting Responsive Feeding in Early Childhood Education Centres: A Process Evaluation of the CELEBRATE Feeding Intervention Using the RE-AIM Framework). Health Education Research. Link.
- C. (2024). Estudo para avaliar a eficácia de técnicas de mudança de comportamento sobre a duração do tempo de tela entre crianças em idade pré-escolar e os níveis de satisfação dos pais em uma escola selecionada no distrito de Kanniyakumari, Tamil Nadu (A Study to Assess the Effectiveness of Behavior Change Techniques on Screen Time Duration among Preschoolers and Parent Satisfaction Levels at a Selected School in Kanniyakumari District, Tamil Nadu). Journal on School Educational Technology. Link.
Se esse tema aparece na sua rotina, escolha um comportamento concreto para observar e converse com a equipe sobre como acompanhar a mudança sem rotular a criança. Boa investigação e bom trabalho!
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