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Mães e desempenho escolar: o que conversas, brincadeiras e contexto revelam

Estudos recentes apontam relações entre conversas familiares, brincadeiras, língua de casa e habilidades das crianças. Mas envolvimento materno não é uma fórmula única nem substitui o papel da escola.

Mães e desempenho escolar: o que conversas, brincadeiras e contexto revelam

O envolvimento das mães pode se relacionar às habilidades das crianças de maneiras diferentes — e nem todas aparecem como nota ou resultado de prova.

Estudos recentes investigam conversas sobre experiências vividas, brincadeiras, escolaridade materna, língua falada em casa e relações entre famílias e escolas. Em conjunto, eles sugerem que vale olhar para as condições e interações que cercam a aprendizagem, sem transformar uma associação em causa nem reduzir o desempenho a uma medida da dedicação materna.

O que é a relação entre mães e o desempenho dos alunos e por que importa para o professor?

A relação entre mães e desempenho escolar abrange as formas pelas quais experiências familiares podem estar associadas ao desenvolvimento, à participação e às habilidades das crianças. Na rotina escolar, isso pode aparecer quando uma criança conta histórias com facilidade, usa estratégias para lembrar, participa de brincadeiras com colegas ou aprende em mais de uma língua. A expressão “desempenho” não precisa significar apenas nota: os estudos aqui reunidos também observam memória, linguagem, habilidades sociais, emoções e brincadeira.

Para o professor, o ponto prático é perceber que as crianças chegam à escola com experiências variadas, sem presumir que todas tiveram as mesmas oportunidades de conversar, brincar ou apoiar tarefas. Uma mãe pode contribuir para a aprendizagem de diferentes maneiras, mas os resumos não sustentam uma regra única sobre o que toda família deve fazer. Também não permitem concluir que uma mãe com menos tempo, escolaridade ou recursos seja menos interessada.

É importante distinguir influência, associação e causalidade. Em alguns estudos, características familiares aparecem relacionadas a resultados das crianças; isso não demonstra, por si só, que uma característica tenha causado o resultado. Essa distinção protege tanto a leitura da pesquisa quanto a relação com as famílias: o papel da escola é compreender contextos e oferecer condições de aprendizagem, não atribuir culpa.

O que a pesquisa recente mostra sobre mães e aprendizagem infantil?

Os estudos apontam diferentes caminhos de relação entre experiências maternas e desenvolvimento. Alguns analisam o modo de conversar sobre acontecimentos, outros observam brincadeira e consumo de mídia, e outros descrevem associações entre escolaridade materna, língua de casa e perfis de habilidades. Não são peças de uma única pesquisa nem medem o mesmo resultado; cada contribuição precisa ser entendida dentro de seu recorte.

Conversar sobre experiências pode se relacionar ao uso de estratégias de memória

Um estudo com 51 crianças que ingressavam na educação infantil, em três escolas do Sudeste dos Estados Unidos, examinou a memória autobiográfica e a memória deliberada. Crianças e responsáveis conversaram sobre dois acontecimentos vividos em conjunto, e os responsáveis foram classificados conforme o estilo de rememoração fosse mais ou menos elaborativo. O estudo encontrou uma associação entre esse estilo e o desempenho em uma tarefa de recordação que incluía treinamento de estratégias de organização (Cook, 2023).

A nuance é importante: no início da escolarização, o estilo elaborativo não apareceu associado ao uso espontâneo de estratégias nem ao desempenho inicial de recordação. Depois do treinamento, porém, as crianças cujas mães apresentavam estilo mais elaborativo mostraram níveis mais altos de uso de estratégias e pontuações de recordação superiores às das crianças cujas mães apresentavam estilo menos elaborativo. Os autores interpretam os resultados como uma relação entre conversas rememorativas e a apropriação de estratégias cognitivas, não como prova de que conversar de determinada forma garante sucesso escolar.

Para a escola, a ideia relevante é que aprender uma estratégia e conseguir usá-la pode depender de mais do que a explicação dada em uma atividade. O estudo se concentra em tarefas de memória, não em notas gerais, leitura ou matemática. Portanto, é mais preciso dizer que investigou uma relação específica entre estilo de conversa e desempenho após treinamento do que afirmar que conversas maternas elevam o desempenho acadêmico em todas as áreas.

Brincadeira, mídia e habilidades se conectam na primeira infância

Outra pesquisa investigou consumo de mídia, frequência e parceiros de brincadeira, habilidades motoras e sociais e reconhecimento de emoções. Participaram 200 crianças de quatro a oito anos, suas mães e seus professores. As mães responderam a questionários sobre mídia e tendências de brincadeira; professores avaliaram habilidades motoras e sociais, e as crianças realizaram uma tarefa de compreensão das emoções (Orr, 2023).

Os resultados relatam que alto consumo de mídia estava relacionado a níveis menores de habilidades motoras, sociais e emocionais e a menor frequência de brincadeiras. Os autores destacam a importância de restringir o consumo de mídia na primeira infância em favor de atividade motora, envolvimento social e tempo para brincadeiras ativas. O resumo apresenta relações entre essas dimensões; não permite afirmar que o consumo de mídia, sozinho, tenha causado cada diferença observada.

Também não se deve ler essa conclusão como julgamento sobre uma família específica. O estudo não autoriza presumir que toda criança que usa mídia brinque pouco ou tenha dificuldades, nem fornece uma regra universal sobre tempo de tela para aplicar a cada contexto. Para o professor, o achado convida a observar se a rotina escolar oferece oportunidades variadas de movimento, interação e brincadeira, além de conversar com as famílias sem acusação.

Escolaridade materna e língua de casa aparecem em perfis diferentes de habilidades

Uma análise de 692 estudantes do 1º, 2º e 3º ano identificou quatro perfis a partir de habilidades gerais de linguagem, linguagem matemática e matemática. Em seguida, os pesquisadores examinaram como os perfis se relacionavam com escolaridade materna e língua usada em casa. No perfil de menor desempenho nas três habilidades, as crianças tinham mães com baixa escolaridade e frequentemente falavam em casa uma língua diferente da língua de instrução; no perfil de maior desempenho, as mães tinham alta escolaridade e era mais frequente que as crianças falassem em casa apenas a língua de instrução (Keersmaeker, 2026).

Os dois perfis intermediários impedem uma leitura simplista. As crianças desses grupos tinham resultados intermediários em linguagem matemática, mas combinações diferentes de linguagem geral e matemática. Seus contextos de língua falada em casa diferiam, enquanto a escolaridade materna era comparável, de média a alta. Os autores concluem que relações positivas entre as habilidades são mais matizadas do que uma associação geral poderia sugerir e indicam que crianças cujas mães têm menor escolaridade — especialmente aquelas que crescem com outra língua em casa — podem precisar de apoio mais direcionado.

Esse estudo oferece um retrato de agrupamentos e associações, não uma explicação causal para o desempenho individual. Escolaridade materna não deve funcionar como rótulo de capacidade familiar, e falar outra língua em casa não é uma deficiência. O próprio resultado mostra perfis variados: linguagem e matemática não caminham sempre juntas, e fatores do contexto podem coexistir de modos diferentes.

As relações com a escola também dependem das realidades das mães

Uma pesquisa qualitativa ouviu oito mães solo de Hong Kong sobre escolarização dos filhos. Por meio de entrevistas aprofundadas, explorou como elas administravam prioridades ligadas à criação, justificavam crenças e práticas e lidavam com professores, escolas e comunidade. O estudo procura tornar visíveis aspectos do cotidiano que costumam ficar pouco representados quando pesquisas sobre família e escola se apoiam principalmente em famílias com dois responsáveis (Tsz-lok Lee, 2023).

O resumo não relata uma medida de desempenho escolar nem apresenta um efeito quantificado das mães sobre resultados acadêmicos. Sua contribuição está em explorar experiências e indicar formas pelas quais escolas e professores podem apoiar famílias de mães solo. Isso amplia a pergunta: em vez de avaliar apenas quanto uma mãe participa, convém considerar como a escola organiza a comunicação e que prioridades e limites compõem a vida familiar.

O contexto do estudo é Hong Kong, e as experiências descritas não devem ser tomadas como retrato automático das famílias brasileiras. Ainda assim, a pesquisa ajuda a lembrar que formatos familiares diversos precisam ser considerados nas relações escola-família. O resumo não oferece uma lista de intervenções prontas, mas sustenta a importância de compreender diferentes realidades e de pensar em apoio escolar compatível com elas.

O que os estudos mostram lado a lado?

Os trabalhos abaixo observam dimensões diferentes, com métodos e contextos distintos. A tabela resume o que investigaram e o que os resumos relatam, sem sugerir que seus resultados possam ser comparados como se fossem uma única medida de desempenho.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Cook, 2023Estilo de rememoração de responsáveis e memória de crianças ingressantes na educação infantil.Estilo mais elaborativo associado a maior uso de estratégias e recordação após treinamento; sem associação com uso espontâneo ou recordação no início.51 crianças de três escolas do Sudeste dos Estados Unidos; ingresso na educação infantil.
Orr, 2023Consumo de mídia, brincadeira e habilidades motoras, sociais e emocionais.Alto consumo de mídia relacionado a menores habilidades motoras, sociais e emocionais e menor frequência de brincadeiras.200 crianças de quatro a oito anos, mães e professores; país não indicado no resumo.
Tsz-lok Lee, 2023Experiências de mães solo com escolarização, criação e relações com professores e escolas.Explora cotidiano e perspectivas; aponta implicações para o apoio escolar a famílias de mães solo, sem medir desempenho.Entrevistas com oito mães solo de Hong Kong.
Keersmaeker, 2026Perfis de linguagem geral, linguagem matemática e matemática em relação à escolaridade materna e à língua de casa.Identifica quatro perfis; relaciona o perfil de menor desempenho a menor escolaridade materna e, frequentemente, outra língua em casa, com combinações intermediárias distintas.692 estudantes do 1º ao 3º ano; país não indicado no resumo.

Quais são os pontos em comum e as diferenças entre os estudos?

Em conjunto, os estudos tratam a aprendizagem como algo situado em relações e contextos, e não apenas como um resultado isolado da criança. Conversas familiares, brincadeiras e condições associadas à língua e à escolaridade aparecem ligados a dimensões distintas do desenvolvimento. A pesquisa sobre mães solo acrescenta que as próprias condições de relação com a escola precisam ser entendidas, e não presumidas.

As diferenças, porém, são grandes. Cook examina memória e treinamento estratégico; Orr estuda mídia, brincadeira e habilidades socioemocionais; Keersmaeker agrupa resultados de linguagem e matemática; Tsz-lok Lee investiga experiências e relações com a escola. Apenas alguns trabalhos medem habilidades das crianças, e o estudo qualitativo de mães solo não busca medir desempenho. Não é correto concluir que os quatro comprovam um mesmo efeito materno.

Há também uma diferença entre identificar associação e explicar por que ela ocorre. Os resumos não permitem separar completamente as características familiares de outras condições que possam acompanhar essas características. No caso de Keersmaeker, por exemplo, escolaridade materna e língua de casa aparecem relacionadas a perfis, mas isso não autoriza atribuir o desempenho a uma causa familiar única. Em Orr, associação entre mídia e habilidades tampouco equivale a uma demonstração de causalidade.

O que permanece em aberto inclui como essas relações se desenvolvem ao longo do tempo, quais aspectos podem ser modificados por práticas escolares e como os resultados variam em contextos brasileiros. Também é preciso saber mais sobre famílias diversas, além dos recortes específicos de cada estudo. Para o trabalho docente, a conclusão mais segura é usar os achados como lentes para observar e planejar, não como critérios para classificar mães ou crianças.

Como aplicar essas ideias na sala de aula?

Os estudos não testaram as propostas pedagógicas abaixo. As sugestões são formas possíveis de traduzir perguntas levantadas pelas pesquisas para a rotina escolar, sem apresentá-las como intervenções comprovadas por esses trabalhos.

1. Ensine estratégias de memória de modo explícito

Como aplicação, depois de uma leitura ou experiência coletiva, o professor pode modelar como organizar uma lembrança: identificar o que aconteceu primeiro, o que veio depois e qual foi o desfecho. Imagine uma turma de educação infantil reconstruindo oralmente uma atividade de plantio. O adulto pode demonstrar uma estratégia simples e convidar as crianças a experimentá-la. A relação observada por Cook envolveu treinamento estratégico e recordação; não prova que essa atividade específica produzirá o mesmo resultado, mas oferece uma razão para tornar estratégias observáveis e praticáveis.

2. Convide as crianças a narrar sem transformar a conversa em teste

Como aplicação, uma roda de conversa pode abrir espaço para relatos de acontecimentos, com perguntas que ajudem a criança a acrescentar detalhes, sem exigir que todas falem do mesmo modo. Imagine uma turma contando o que observou no pátio: o professor pode ajudar a ordenar a narrativa e acolher diferentes níveis de participação. O estudo de Cook examinou conversas rememorativas entre responsáveis e crianças, não uma técnica docente. A proposta é usar a ideia de narrativa compartilhada como oportunidade pedagógica, sem avaliar o envolvimento familiar a partir da fala da criança.

3. Proteja tempos de movimento e brincadeira ativa

Como aplicação, a equipe pode revisar se a rotina oferece momentos suficientes para brincadeiras com movimento e interação, em vez de depender de uma única forma de atividade. Imagine uma turma que alterna brincadeira de construção, jogos de movimento e conversa em pequenos grupos. Orr encontrou uma relação entre alto consumo de mídia e menor frequência de brincadeiras, além de menores habilidades em dimensões avaliadas. Isso não determina a rotina familiar de cada criança; a proposta escolar é garantir oportunidades de brincar e observar como as crianças participam.

4. Observe habilidades separadamente, sem supor que uma prevê todas as outras

Como aplicação, ao acompanhar uma criança, o professor pode registrar separadamente o que percebe em linguagem oral, linguagem matemática e resolução de problemas matemáticos. Imagine um aluno que explica bem uma história, mas precisa de apoio para compreender a linguagem de um problema numérico. Os perfis encontrados por Keersmaeker mostram combinações diferentes entre habilidades gerais, linguagem matemática e matemática. A sugestão é evitar conclusões globais baseadas em uma única atividade e planejar apoios ligados à necessidade observada.

5. Pergunte sobre a língua de casa com respeito

Como aplicação, a escola pode perguntar às famílias quais línguas fazem parte da vida da criança e como ela costuma se comunicar em diferentes situações, sem tratar outra língua como obstáculo. Imagine uma criança que usa em casa uma língua diferente da língua de instrução: o professor pode acolher seu repertório e verificar o que ela compreende e expressa em cada contexto. O estudo de Keersmaeker observou associações entre perfis, escolaridade materna e língua de casa; não conclui que falar outra língua cause baixo desempenho. A pergunta pedagógica deve ser que apoio torna a aprendizagem mais acessível.

6. Ofereça formas variadas de contato com as famílias

Como aplicação, professores podem disponibilizar mais de um caminho de comunicação, considerando que horários, responsabilidades e condições de participação variam. Imagine uma mãe solo que não consegue comparecer a reuniões no horário habitual: a escola pode buscar uma alternativa viável para compartilhar informações e ouvir suas prioridades. A pesquisa de Tsz-lok Lee investigou experiências de mães solo de Hong Kong e aponta a importância de pensar em formas de apoio. Não testou um formato específico de reunião; por isso, qualquer adaptação deve ser construída com as famílias e avaliada no contexto da escola.

7. Faça perguntas antes de interpretar uma participação limitada

Como aplicação, se uma família responde pouco a um canal de comunicação, vale verificar se o canal é acessível, se o horário funciona e se a mensagem deixa claro o que se espera. Imagine uma professora que troca um convite genérico por uma pergunta objetiva sobre como a criança gosta de brincar ou contar histórias. Essa postura não é um resultado experimental dos estudos, mas uma forma de evitar julgamentos apressados sobre interesse. A pesquisa qualitativa sobre mães solo chama atenção para prioridades e relações concretas que podem ficar invisíveis quando a escola presume uma experiência familiar única.

O que muda quando levamos esses estudos para o contexto brasileiro?

Os estudos foram conduzidos em contextos que não representam automaticamente a educação básica brasileira. Cook acompanhou crianças em escolas do Sudeste dos Estados Unidos; Tsz-lok Lee entrevistou mães solo de Hong Kong. O resumo de Orr não informa o país, e o de Keersmaeker também não especifica o local. Portanto, não é possível afirmar que as mesmas relações terão a mesma intensidade ou se manifestarão da mesma forma em escolas brasileiras.

Uma adaptação responsável começa por não importar conclusões como receitas. A relação entre língua de casa e língua de instrução, por exemplo, precisa ser compreendida a partir das línguas e trajetórias reais das crianças atendidas pela escola. O estudo de Keersmaeker aponta perfis associados a diferentes combinações de habilidades, escolaridade materna e língua falada em casa; não oferece uma medida que permita prever o desempenho de uma criança brasileira por seu contexto familiar.

Também é necessário evitar que “envolvimento materno” vire uma cobrança individual. Os estudos não dizem que a mãe deve assumir o ensino formal, nem que a família pode compensar qualquer dificuldade da escola. Uma conversa afetiva, uma brincadeira ou uma rotina de estudo dependem de condições concretas. A escola pode contribuir oferecendo atividades acessíveis, comunicação respeitosa e maneiras variadas de participação, sem pressupor que todas as famílias têm o mesmo tempo ou os mesmos recursos.

Para quem trabalha com turmas brasileiras, uma aplicação prudente é usar esses resultados para formular perguntas: que habilidades estou observando? Que oportunidades de interação e brincadeira a escola oferece? Como a criança se expressa em diferentes situações? A família consegue dialogar conosco por algum canal acessível? Essas perguntas ajudam a transformar pesquisa em reflexão situada, sem confundir achados de outros lugares com descrição direta da realidade local.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados pelo ERIC, e não na leitura integral dos trabalhos. Por isso, apresenta apenas objetivos, métodos e resultados que aparecem nesses resumos. Alguns detalhes necessários para avaliar plenamente a força das conclusões, as medidas usadas e as condições das pesquisas podem não estar disponíveis nesta leitura.

Os estudos também diferem em tamanho e tipo de pesquisa: há investigação com 51 crianças, pesquisa com 200 crianças e questionários, análise de 692 estudantes em agrupamentos e entrevistas com oito mães solo. Não se deve tratar esses recortes como igualmente representativos, nem generalizar um resultado para todas as mães, crianças, etapas ou escolas. Em particular, associação não comprova causa, e os resultados de memória, brincadeira, linguagem e matemática não são medidas intercambiáveis de desempenho.

Ficam em aberto perguntas importantes: como os resultados se comportam em escolas brasileiras; quais práticas de sala de aula influenciam essas relações; como as experiências variam entre diferentes configurações familiares; e que efeitos persistem ao longo do tempo. Ler os estudos completos faria sentido para quem pretende planejar uma pesquisa, adotar uma intervenção baseada em evidências ou avaliar com mais profundidade métodos, limitações e detalhes de cada contexto.

Como o GeraProva pode ajudar com este assunto?

As pesquisas reunidas não avaliam o GeraProva nem demonstram que uma ferramenta de provas altere o envolvimento familiar. A plataforma pode apoiar uma parte prática do trabalho docente: preparar provas e atividades para observar o que os alunos aprenderam e identificar pontos que merecem retomada. Você pode conhecer o gerador de provas do GeraProva ou fazer o cadastro grátis para explorar os recursos disponíveis.

Perguntas frequentes sobre mães e desempenho escolar

As respostas a seguir sintetizam o que os estudos permitem afirmar e distinguem esses achados de propostas de aplicação pedagógica.

O envolvimento da mãe melhora necessariamente as notas da criança?

Os estudos apresentados não permitem afirmar isso. Eles investigaram resultados diferentes, como memória após treinamento, frequência de brincadeiras, habilidades motoras, sociais e emocionais, além de perfis de linguagem e matemática. Cook encontrou uma associação específica entre estilo mais elaborativo de rememoração materna e desempenho superior em uso de estratégias e recordação após treinamento. Isso não equivale a um efeito comprovado sobre notas gerais. A leitura mais adequada é que algumas experiências familiares se relacionam a habilidades específicas, sem garantir determinado resultado acadêmico.

Conversar sobre acontecimentos ajuda a criança a aprender?

Cook investigou conversas entre responsáveis e crianças sobre acontecimentos vividos em conjunto. O estilo mais elaborativo das mães se associou a maior uso de estratégias e melhor recordação depois de um treinamento de organização. No início da escolarização, esse estilo não esteve associado ao uso espontâneo de estratégias nem ao desempenho de recordação. Assim, o estudo oferece um resultado específico sobre memória e treinamento, não uma regra que prove que qualquer conversa familiar melhora a aprendizagem em todas as áreas.

O estudo sobre mídia prova que telas prejudicam todas as crianças?

Não. Orr relata que alto consumo de mídia estava relacionado a menores habilidades motoras, sociais e emocionais e a uma frequência menor de brincadeiras. O resumo não permite concluir que a mídia, isoladamente, causou essas diferenças ou que o resultado se aplica igualmente a todas as crianças. Os autores destacam a importância de atividade motora, envolvimento social e tempo suficiente para brincadeiras ativas. Na escola, isso pode inspirar a oferta de experiências variadas, sem transformar o achado em julgamento sobre as escolhas de cada família.

Falar outra língua em casa significa que a criança terá dificuldade?

Não. Keersmaeker identificou perfis distintos de habilidades e encontrou associação entre o perfil de menor desempenho, menor escolaridade materna e uso frequente de uma língua em casa diferente da língua de instrução. Os perfis intermediários também mostraram combinações diferentes de linguagem e matemática. O estudo não demonstra que falar outra língua cause dificuldade. Para o professor, é mais útil conhecer o repertório linguístico da criança e observar suas habilidades em situações concretas do que tratar a língua de casa como um problema.

Como a escola pode apoiar mães solo?

O estudo de Tsz-lok Lee ouviu oito mães solo de Hong Kong sobre prioridades familiares, práticas de criação e relações com professores, escolas e comunidade. Ele não avalia uma estratégia específica de comunicação nem mede desempenho escolar, mas aponta implicações para o apoio escolar a essas famílias. Como aplicação, a equipe pode conversar com cada responsável sobre formas viáveis de contato, evitando presumir disponibilidade para reuniões em horários fixos. As necessidades variam, então o diálogo deve orientar a escolha de alternativas, em vez de partir de uma solução única.

Essas pesquisas se aplicam diretamente às escolas brasileiras?

Não de forma automática. Um estudo foi realizado com crianças de escolas do Sudeste dos Estados Unidos e outro ouviu mães solo de Hong Kong; os resumos de Orr e Keersmaeker não especificam o país. Diferenças de contexto podem alterar como as experiências familiares e escolares se organizam. Os resultados servem como referências para pensar em memória, brincadeira, linguagem e parceria com as famílias, mas não descrevem por si só as escolas brasileiras. Para aplicar as ideias, é preciso observar a realidade da turma e dialogar com as famílias atendidas.

Referências dos estudos citados

As referências abaixo correspondem somente aos estudos citados no texto. Os títulos originais aparecem entre parênteses para facilitar a localização dos registros.

  1. Cook, Olivia K.; Coffman, Jennifer L.; Ornstein, Peter A. (2023). O desenvolvimento da memória autobiográfica e deliberada das crianças por meio das conversas rememorativas entre mães e filhos (The Development of Children's Autobiographical and Deliberate Memory through Mother-Child Reminiscing). Journal of Cognition and Development. Link.
  2. Orr, Edna; Caspi, Rinat. (2023). A associação entre o consumo de mídia e as tendências de brincadeira e as habilidades socioemocionais das crianças (The Association between Media Consumption and Children's Play Tendencies and Socioemotional Skills). European Early Childhood Education Research Journal. Link.
  3. Tsz-lok Lee, Trevor. (2023). Em direção a uma abordagem sociológica textural das vozes de mães solo: um estudo com mães de Hong Kong (Towards a Textural Sociological Approach to Single Mothers' Voices: A Study of Hong Kong Mothers). Discourse: Studies in the Cultural Politics of Education. Link.
  4. De Keersmaeker, Karen; Onghena, Patrick; Van den Branden, Kris; Van Dooren, Wim. (2026). Desempenho de crianças em matemática e linguagem: análise do papel da escolaridade materna e da língua falada em casa (Children's Performance in Math and Language: Examining the Role of Maternal Education and Home Language). European Journal of Psychology of Education. Link.

Use essas pesquisas como ponto de partida, não como receita: observe sua turma, converse com as famílias e escolha uma pequena ação que faça sentido para a realidade da sua escola.

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