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Isolamento social do aluno: por que o engajamento pode pesar mais que a participação visível

Estudos recentes associam solidão e ostracismo a menor engajamento e desempenho acadêmico, mas mostram que nem toda forma de participação explica essa relação. Veja o que esses achados podem orientar na prática docente.

Isolamento social do aluno: por que o engajamento pode pesar mais que a participação visível

Estudos recentes associam isolamento social, solidão e ostracismo a menor engajamento escolar e, em alguns contextos, a desempenho acadêmico inferior. A relação não é igual para todas as formas de engajamento: evidências apontam papel do envolvimento emocional e cognitivo, enquanto a participação comportamental visível nem sempre explica a ligação entre exclusão e desempenho.

As pesquisas recentes sobre isolamento social e aprendizagem têm colocado lado a lado duas dimensões que, na rotina, nem sempre aparecem juntas: a experiência de se sentir sozinho ou excluído e o modo como o estudante se envolve com as tarefas. Isso importa porque a participação que o professor consegue observar não revela necessariamente todo o esforço mental, o interesse ou a sensação de pertencimento do aluno.

Para quem dá aula, essa diferença pode surgir em situações comuns: um estudante entrega as atividades, mas parece desconectado; outro fala pouco, embora acompanhe o raciocínio; um terceiro evita se expor diante dos colegas. Estudos recentes ajudam a compreender como solidão, ostracismo, engajamento e desempenho podem se relacionar — sem transformar um comportamento isolado em diagnóstico nem oferecer uma explicação única para cada dificuldade escolar.

O que é isolamento social e engajamento na aprendizagem como fatores do desempenho acadêmico e por que importa para o professor?

Isolamento social, no contexto deste artigo, diz respeito a experiências como solidão e ostracismo, isto é, sentir-se excluído ou deixado de lado. Engajamento na aprendizagem é o envolvimento do estudante com a vida escolar e com as tarefas; pode incluir dimensões emocionais, cognitivas e comportamentais. O desempenho acadêmico, por sua vez, aparece nos estudos por meio de resultados de aprendizagem ou notas. Para o professor, a questão importa porque essas dimensões podem se relacionar, mas não são intercambiáveis: estar presente ou cumprir uma atividade não mostra, por si só, o que o aluno sente ou pensa.

Na prática, uma criança pode participar de uma tarefa em grupo sem se sentir incluída, ou pode estar concentrada e fazendo esforço mental mesmo sem falar muito. Também é possível que a solidão apareça junto de menor disposição para se envolver, sem que isso explique sozinha todas as dificuldades de desempenho. A pesquisa convida a observar o estudante de modo mais amplo: não apenas o resultado final, mas também como se sente na turma e que tipo de participação a atividade permite.

O que a pesquisa recente mostra sobre isolamento, engajamento e desempenho?

Solidão e exclusão aparecem associadas a formas de menor engajamento

Dois estudos ajudam a aproximar a experiência social do que acontece durante a aprendizagem. Com estudantes dos anos finais do ensino fundamental nos Estados Unidos, Shim e colegas investigaram como diferentes metas sociais de realização se relacionavam com adaptação acadêmica e com sentimentos de estresse social e solidão. Metas de desenvolvimento social mais elevadas se associaram a menos estresse e solidão, e esses fatores se relacionaram a maior engajamento em sala. Já metas de evitar demonstrar competência apareceram associadas a mais solidão e estresse, ligados a menor engajamento (Shim, 2025).

O estudo também encontrou uma nuance importante: a mediação não ficou clara para metas de aproximação da demonstração de competência, embora essas metas apresentassem associações diretas com indicadores desfavoráveis de engajamento. Portanto, não basta classificar toda busca por reconhecimento como positiva ou negativa. O que parece relevante é como as metas sociais se articulam com o estresse, a solidão e a experiência de participar da aula.

Em um contexto cultural diferente, uma pesquisa com adolescentes do ensino médio na China examinou o ostracismo, dimensões do engajamento escolar e desempenho acadêmico. O ostracismo se associou negativamente ao desempenho e também a menor engajamento emocional e cognitivo; essas duas dimensões, por sua vez, se relacionaram a desempenho inferior. O engajamento comportamental não mediou a relação entre ostracismo e desempenho nesse estudo (Wang, 2024).

Esse resultado não significa que comportamento e participação não importem. Ele mostra que, naquele estudo, a participação observável não explicou o caminho entre exclusão e desempenho da mesma forma que o envolvimento emocional e cognitivo. Para a observação docente, é um lembrete contra a conclusão apressada de que cumprir instruções equivale a estar plenamente engajado ou de que falar pouco equivale a não aprender.

Pertencimento, escuta e experiências escolares positivas podem abrir espaço para participação

Um artigo sobre artes e aprendizagem discute experiências docentes que integram atividades artísticas para criar oportunidades de criatividade e empatia, além de favorecer experiências ativas e prazerosas. Os autores também apresentam estudos recentes sobre a capacidade das artes de promover fluxo, interesse, esforço e alegria. O texto trata das artes como uma possível resposta ao isolamento e como uma forma de aprofundar aprendizagens em componentes curriculares de outras áreas, mas seu resumo não apresenta um resultado quantitativo único que permita comparar essa abordagem com outras (Foust, 2023).

Em uma direção próxima, um projeto de photovoice com 15 estudantes do ensino médio nos Estados Unidos investigou como os jovens percebiam a finalidade da escola, o que favorecia ou dificultava seu engajamento e qual era o papel dos professores em seu sucesso. As falas apresentadas pelos autores retrataram a escola como espaço de comunidade e oportunidades. O artigo defende pedagogias da escuta, como o photovoice, para que estudantes expressem suas experiências e desenvolvam autoeficácia e participação cidadã (Zenkov, 2026).

Esses trabalhos não devem ser lidos como prova de que uma atividade artística ou uma prática de escuta resolverá, por si só, o isolamento. Eles ajudam a pensar em condições de participação: há espaço para o estudante expressar sua perspectiva? A turma oferece ocasiões de colaboração que não dependam apenas de falar diante de todos? A experiência escolar permite que diferentes interesses e modos de contribuir sejam reconhecidos? São perguntas que podem orientar a construção de atividades sem transformar uma proposta específica em receita universal.

Engajamento não é uma coisa só, e o contexto da tarefa faz diferença

Uma pesquisa com estudantes do ensino médio em aulas de Educação Física examinou a relação entre motivação baseada em expectativa e valor, engajamento cognitivo e aprendizagem sobre hábitos de vida com equilíbrio calórico. Os achados indicaram contribuição das crenças de expectativa para o engajamento cognitivo em tarefas de raciocínio. O envolvimento cognitivo em tarefas descritivas, relacionais e de raciocínio teve efeitos diretos e/ou indiretos sobre a realização de aprendizagem; o engajamento em tarefas de raciocínio mediou a relação entre crenças de expectativa e realização (Song, 2026).

Esse estudo não investigou isolamento social. Sua contribuição para este tema é mais delimitada: ajuda a lembrar que engajamento cognitivo e aprendizagem podem variar conforme o tipo de tarefa, e que motivação e envolvimento mental podem caminhar juntos. Para o professor, isso desaconselha usar uma única medida visível — como levantar a mão — como representação completa do envolvimento do estudante.

Uma pesquisa experimental com professores dinamarqueses também observou como informações sobre engajamento e contexto instrucional influenciam expectativas de desempenho. Os professores se apoiaram em comportamentos observáveis, e o contexto da atividade moldou a maneira como interpretavam o engajamento. Além disso, priorizaram participação visível e execução de tarefas em relação a formas menos visíveis, como esforço mental e autorregulação. O estudo encontrou ainda viés de expectativa relacionado a estudantes de famílias com baixo envolvimento parental (Lomholt, 2026).

O trabalho não examina diretamente o efeito do isolamento sobre as notas dos alunos. Ele é relevante porque mostra como a própria leitura docente do engajamento pode ser influenciada pelo formato da aula e pela visibilidade do comportamento. Um estudante pode parecer mais engajado em uma atividade centrada nos alunos do que em outra dirigida pelo professor; isso não permite concluir automaticamente que sua capacidade mudou. O contexto da tarefa precisa entrar na interpretação.

O prazer de ir à escola também se relaciona ao desempenho, mas não é sinônimo de inclusão

Com dados longitudinais de mais de 8.000 estudantes na Alemanha, Grecu e colegas acompanharam o prazer em relação à escola entre o quarto ano da escola primária e o sétimo ano do ensino secundário inferior. O estudo identificou uma queda desse prazer ao longo do período, mais acentuada entre os meninos do que entre as meninas. Também encontrou associações positivas entre prazer escolar e desempenho, medido por notas de língua alemã e matemática (Grecu, 2026).

A pesquisa ajuda a ampliar a conversa para além da solidão: a experiência afetiva de estar na escola se relacionou ao desempenho durante uma etapa de transição. Mas prazer escolar, pertencimento e ausência de isolamento não são conceitos idênticos. O achado não autoriza presumir que todo estudante com baixo desempenho esteja infeliz, nem que melhorar o prazer escolar, isoladamente, produza uma mudança garantida nas notas. Ele reforça a importância de acompanhar como a experiência escolar se transforma ao longo do tempo.

O que os estudos mostram lado a lado?

A tabela reúne os estudos citados e delimita o que cada um acrescenta. Os contextos e as etapas variam, por isso os resultados não devem ser tratados como se viessem de uma única população ou de uma mesma metodologia.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Shim, 2025Metas sociais, estresse, solidão e engajamento acadêmico.Metas de desenvolvimento social associaram-se a menos estresse e solidão e a maior engajamento; metas de evitação, a mais sofrimento social e menor engajamento.Estudantes dos anos finais do ensino fundamental nos Estados Unidos; dois estudos.
Wang, 2024Ostracismo, dimensões do engajamento escolar e desempenho.O ostracismo associou-se a desempenho inferior; engajamento emocional e cognitivo mediaram a relação, mas o comportamental não.Adolescentes do ensino médio na China; 728 participantes.
Foust, 2023Uso das artes para abordar isolamento, pertencimento e aprendizagem prazerosa.Relata experiências docentes e discute artes, criatividade, empatia, fluxo, interesse, esforço e alegria.Artigo sobre escolas e redes dos Estados Unidos; não informa etapa única.
Zenkov, 2026Escuta, percepções juvenis sobre a escola e fatores que afetam o engajamento.As falas retrataram a escola como espaço de comunidade e oportunidades; os autores defendem pedagogias da escuta.Projeto de photovoice com 15 estudantes do ensino médio nos Estados Unidos.
Song, 2026Motivação, engajamento cognitivo e realização de aprendizagem.O engajamento cognitivo em diferentes tarefas relacionou-se à realização; o raciocínio mediou a relação entre expectativa e aprendizagem.575 estudantes de seis escolas de ensino médio; aulas de Educação Física.
Lomholt, 2026Como professores formam expectativas a partir de informações sobre estudantes e contexto.Expectativas se apoiaram em comportamentos observáveis; contexto instrucional e viés relacionado ao envolvimento parental também apareceram.403 professores do ensino fundamental na Dinamarca, de 45 escolas.
Grecu, 2026Desenvolvimento do prazer escolar e relação com desempenho.O prazer caiu ao longo do período estudado; maior prazer associou-se a notas mais altas em língua alemã e matemática.Mais de 8.000 estudantes na Alemanha, do quarto ao sétimo ano.

Quais são os pontos em comum e as divergências entre os estudos?

O ponto em comum mais útil para a docência é que o desempenho não aparece isolado das experiências e dos processos que acontecem durante a aprendizagem. Nos estudos que examinam diretamente solidão ou ostracismo, o sofrimento social se relaciona a menor engajamento ou a resultados acadêmicos menos favoráveis. Outras pesquisas destacam que prazer escolar, motivação, escuta e condições de participação também merecem atenção, embora investiguem perguntas diferentes e não possam ser somadas como se fossem evidências do mesmo tipo.

As divergências ajudam a evitar simplificações. Em Wang, o engajamento emocional e cognitivo mediou a relação entre ostracismo e desempenho, enquanto o comportamental não apresentou esse efeito. Em Shim, diferentes metas sociais se relacionaram de maneiras distintas à solidão, ao estresse e ao engajamento. Já Lomholt mostra que aquilo que o professor consegue observar depende do contexto instrucional e pode levar a valorizar mais a participação visível do que o esforço mental.

Também variam os países, as etapas, os métodos e os focos. Há estudos sobre adolescentes na China e nos Estados Unidos, sobre estudantes em transições escolares na Alemanha e sobre expectativas docentes na Dinamarca. Foust e Zenkov discutem práticas e experiências, enquanto outros trabalhos examinam associações entre variáveis ou dados longitudinais. Ainda não está resolvido até que ponto uma mesma intervenção de pertencimento funcionaria de modo semelhante em diferentes escolas, nem como separar os efeitos do isolamento de outros fatores da experiência escolar. Os resumos permitem identificar relações e perguntas relevantes, não estabelecer uma causa única para o desempenho de cada estudante.

O que isso significa para a sala de aula?

Os estudos não oferecem uma lista pronta de intervenções testadas para toda escola. As propostas abaixo são aplicações pedagógicas inspiradas nos temas pesquisados, não resultados comprovados por esses estudos em qualquer turma. A ideia é observar com mais cuidado, abrir possibilidades de participação e evitar que uma impressão isolada se transforme em rótulo.

1. Observe mais de uma forma de engajamento

Como aplicação, registre não apenas quem fala ou termina primeiro, mas também quem acompanha uma explicação, revisa uma resposta, faz perguntas por escrito ou demonstra esforço em uma tarefa desafiadora. Imagine uma turma em que um aluno participa pouco na discussão oral, mas resolve as etapas propostas e melhora a explicação quando conversa em dupla. Esses sinais não provam que ele esteja isolado, mas ajudam a construir uma leitura menos estreita do envolvimento.

2. Varie os caminhos para contribuir

Como aplicação, ofereça momentos individuais, em dupla e em pequenos grupos, além de oportunidades de compartilhar ideias sem exigir sempre uma fala diante da turma inteira. Em uma atividade hipotética de Ciências, os alunos poderiam primeiro formular uma resposta sozinhos, depois compará-la com um colega e, por fim, escolher uma ideia para apresentar em grupo. Isso amplia as formas de participação disponíveis sem pressupor que todos aprendam ou se sintam à vontade do mesmo modo.

3. Trate a escuta como parte da atividade

Como aplicação, reserve um espaço para perguntar aos estudantes o que facilita ou dificulta seu envolvimento e acolha as respostas sem prometer soluções que a escola não pode garantir. Uma turma poderia escolher imagens, objetos ou exemplos para representar o que torna uma atividade acessível ou difícil, inspirando-se de maneira ampla em práticas de expressão estudantil discutidas por Zenkov. O propósito seria compreender perspectivas, não transformar a conversa em avaliação pública de quem está ou não integrado.

4. Planeje tarefas com espaço para criação e colaboração

Como aplicação, proponha atividades artísticas ou criativas ligadas a objetivos curriculares e observe como diferentes estudantes se envolvem. Por exemplo, uma turma poderia representar visualmente uma ideia estudada antes de explicá-la em palavras. Foust discute possibilidades das artes para criatividade, empatia, interesse, esforço e aprendizagem prazerosa, mas isso não significa que qualquer atividade artística produza automaticamente esses efeitos. Vale observar a resposta da turma e ajustar a proposta.

5. Faça perguntas que revelem o pensamento, não apenas a resposta

Como aplicação, inclua etapas em que o estudante explique como chegou a uma conclusão, compare estratégias ou identifique o que ainda precisa entender. Imagine uma atividade de Matemática em que todos escolhem entre duas soluções e justificam a escolha em uma conversa de dupla. Esse formato pode tornar mais visível parte do raciocínio que uma resposta final não mostra. A intenção é ampliar a evidência de aprendizagem, não medir solidão ou engajamento por uma única resposta.

6. Revise as próprias expectativas com base no contexto

Como aplicação, antes de concluir que um estudante está desinteressado, pergunte se a atividade permite que ele demonstre o que sabe e se a avaliação está valorizando apenas comportamentos muito visíveis. Uma aula expositiva, um trabalho em grupo e uma tarefa individual podem oferecer oportunidades diferentes de participação. Lomholt encontrou diferenças ligadas ao contexto instrucional e à valorização do engajamento observável; usar essa ideia como convite à revisão do olhar docente é mais adequado do que adotar um novo rótulo para os alunos.

7. Acompanhe mudanças ao longo do tempo

Como aplicação, observe se o envolvimento muda em determinadas atividades, grupos ou momentos do percurso escolar, em vez de definir o estudante por um episódio. Se um aluno que antes contribuía começa a se afastar das tarefas, uma conversa acolhedora e a busca por apoio da equipe escolar podem ser mais úteis do que uma interpretação imediata. Os estudos associam experiências sociais e afetivas ao engajamento, mas não substituem a escuta individual nem a avaliação cuidadosa das necessidades de cada criança ou adolescente.

O que muda no contexto brasileiro?

Os estudos citados foram realizados em outros países: Estados Unidos, China, Alemanha e Dinamarca, com etapas, contextos culturais e sistemas escolares distintos. Isso não invalida as perguntas que levantam, mas impede transportar resultados como se descrevessem automaticamente as escolas brasileiras. Por exemplo, os achados sobre ostracismo em adolescentes chineses não permitem afirmar que o engajamento comportamental terá o mesmo papel em todas as turmas do Brasil.

Na prática brasileira, a adaptação começa por reconhecer a realidade concreta da escola e evitar soluções importadas como pacote. Turmas numerosas, diferenças de acesso a recursos, organização dos tempos e culturas locais podem mudar as oportunidades de interação e participação. Uma atividade de escuta, criação ou trabalho em grupo precisa ser ajustada às condições disponíveis e aos vínculos já existentes na turma. Também é importante não confundir dificuldades de participação com falta de interesse, nem tratar um aluno como socialmente isolado sem ouvi-lo e considerar outros fatores.

Os estudos oferecem perguntas que podem ser úteis aqui: quem encontra espaço para contribuir? Que formas de engajamento a atividade torna visíveis? O estudante se sente parte do grupo? Essas perguntas podem orientar observações e conversas, mas as respostas devem vir do contexto brasileiro, da escuta dos alunos e do diálogo entre professor, família e equipe escolar quando necessário. Os resultados internacionais funcionam como referência para pensar, não como substituto de conhecimento local.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados pelo ERIC, e não na leitura integral dos artigos. Por isso, as conclusões foram apresentadas dentro do que esses resumos relatam: não se acrescentam detalhes de métodos que não aparecem ali, nem se atribuem efeitos causais quando o resumo descreve associações. Os estudos têm objetivos, populações e desenhos diferentes, e alguns discutem práticas ou experiências sem oferecer uma estimativa única de impacto.

Ficam em aberto perguntas importantes para a aplicação: como as relações observadas se manifestam em diferentes redes brasileiras? Quais formas de apoio reduzem experiências de exclusão sem expor ou estigmatizar estudantes? Como distinguir mudanças reais no engajamento de diferenças no modo de participar? Também seria necessário examinar como foram construídas as medidas, quais fatores foram considerados e que limites os autores discutem em cada pesquisa.

Vale ler os estudos completos quando a intenção for planejar uma intervenção institucional, comparar instrumentos de avaliação, avaliar a qualidade dos métodos ou usar os resultados em formação e pesquisa. Para uma decisão cotidiana de sala de aula, os resumos ajudam a levantar hipóteses e perguntas; não substituem o acompanhamento dos alunos, o conhecimento da comunidade escolar ou a consulta a profissionais especializados quando houver uma preocupação persistente com o bem-estar de alguém.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

Uma avaliação pode ajudar a identificar o que os estudantes compreenderam, mas não deve ser tomada como medida de pertencimento ou de engajamento social. O gerador de provas do GeraProva pode apoiar a criação de questões e atividades alinhadas ao que você pretende verificar, enquanto observações, conversas e diferentes formas de participação complementam o retrato da aprendizagem. Se quiser conhecer a plataforma, faça seu cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre isolamento social e desempenho escolar

O isolamento social causa baixo desempenho escolar?

Os estudos citados não permitem afirmar que o isolamento cause, sozinho, baixo desempenho em qualquer estudante. A pesquisa de Wang encontrou uma associação negativa entre ostracismo e desempenho entre adolescentes do ensino médio na China, com engajamento emocional e cognitivo mediando essa relação. Shim identificou relações entre metas sociais, solidão, estresse e engajamento entre adolescentes nos Estados Unidos. São resultados importantes, mas vêm de contextos específicos e não explicam todos os fatores que influenciam a aprendizagem. Na escola, a melhor leitura é investigar o que está acontecendo sem transformar associação em diagnóstico individual.

Um aluno quieto está necessariamente desengajado?

Não. Falar pouco é um comportamento observável, mas não revela sozinho o interesse, o esforço mental ou a compreensão do estudante. Wang encontrou que o engajamento comportamental não mediou a relação entre ostracismo e desempenho no contexto investigado; Lomholt também observou que professores tendem a valorizar sinais visíveis, como participação e conclusão de tarefas, em relação a formas menos visíveis, como esforço mental e autorregulação. Como aplicação, vale oferecer mais de um modo de demonstrar aprendizagem e observar o aluno em diferentes atividades, sem presumir isolamento ou desinteresse a partir do silêncio.

Que sinais de engajamento devo observar além de levantar a mão?

Você pode observar, por exemplo, se o estudante acompanha etapas, tenta estratégias, revisa uma resposta, explica seu raciocínio ou participa de uma conversa em dupla. Esses sinais não devem ser tratados como uma lista universal ou como prova definitiva de que alguém está engajado; dependem da tarefa e do contexto. Song investigou engajamento cognitivo em diferentes tipos de tarefa e encontrou relações com a realização da aprendizagem. Lomholt, por sua vez, mostrou que o contexto instrucional influencia como o comportamento é interpretado. Variar as atividades ajuda a tornar visíveis formas diferentes de envolvimento.

Atividades artísticas podem ajudar a reduzir o isolamento?

Foust discute a integração das artes como possibilidade de criar experiências criativas e ativas, favorecer criatividade e empatia e promover interesse, esforço, fluxo e alegria. O artigo trata das artes como uma forma de abordar isolamento e pertencimento, mas o resumo não estabelece que uma atividade específica reduza o isolamento em qualquer turma. Como aplicação, o professor pode experimentar uma produção artística ligada ao conteúdo e observar quem encontra nela uma forma de contribuir. Também convém escutar os estudantes e oferecer alternativas, pois uma única proposta não atende necessariamente a todos.

Como conversar com a turma sobre pertencimento sem expor um aluno?

Como aplicação, faça perguntas para o grupo todo sobre o que facilita a colaboração e ofereça respostas individuais ou anônimas quando isso for viável. Evite pedir que os estudantes identifiquem colegas que ficam de fora ou contem experiências pessoais diante da turma. O projeto de photovoice discutido por Zenkov destaca a escuta das percepções juvenis e apresenta a escola como espaço de comunidade e oportunidades. Essa ideia pode inspirar formas cuidadosas de conhecer a perspectiva dos alunos, mas não significa que seja necessário copiar o projeto. Se houver preocupação específica com alguém, uma conversa reservada é mais apropriada.

Esses resultados podem ser aplicados diretamente às escolas brasileiras?

Não de forma automática. As pesquisas foram realizadas em países e contextos escolares diferentes do brasileiro, e os estudos não examinam uma amostra representativa das escolas do Brasil. Eles podem ajudar o professor a formular perguntas sobre solidão, participação, prazer escolar e esforço mental, mas não determinam a melhor intervenção para toda turma. Ao aplicar uma ideia, considere as condições da escola, os recursos disponíveis e as vozes dos estudantes. Se for preciso tomar decisões institucionais ou avaliar uma intervenção, a leitura dos estudos completos e a busca por evidências adequadas ao contexto local são passos importantes.

Referências

  1. Shim, S. S., Cho, Y., Helsper, C. A., Kiefer, S. M., & Wang, C. (2025). Como as metas sociais de realização afetam o engajamento acadêmico de adolescentes no início da adolescência? O papel do estresse e da solidão (How Do Social Achievement Goals Affect Early Adolescents' Academic Engagement? The Role of Feeling Stressed and Lonely). Journal of Early Adolescence. Link.
  2. Wang, L., Jiang, S., Tan, S., Wan, Y., & Fei, W. (2024). Ostracismo, engajamento escolar e desempenho acadêmico: análise de um modelo de mediação entre estudantes do ensino médio (Ostracism, School Engagement, and Academic Achievement: Examining a Mediation Model among Senior High School Students). School Psychology International. Link.
  3. Foust, B., & O'Neal, I. C. (2023). A urgência das artes no enfrentamento do isolamento dos estudantes e na promoção do pertencimento e de uma aprendizagem prazerosa (The Urgency of the Arts in Addressing Student Isolation, Belonging, and Joyful Learning). Journal for Learning through the Arts. Link.
  4. Zenkov, K., & Rudder, L. (2026). “É da natureza humana buscar algum tipo de companhia”: juventude, photovoice e a teoria do letramento de escuta (“It's Human Nature to Search for Some Kind of Company”: Youth, Photovoice, and the Theory of Listening Literacy). Journal of Adolescent & Adult Literacy. Link.
  5. Song, J., Wang, W.-Y., Shang, C., Moss, A. C., HosseiniKhezri, A., & Chen, A. (2026). Trajetória Motivação-Engajamento-Realização na Aprendizagem de Hábitos de Vida com Equilíbrio Calórico nas Aulas de Educação Física do Ensino Médio: Uma Perspectiva da Teoria de Expectativa-Valor (Motivation-Engagement-Achievement Pathway in Learning Caloric-Balanced Living in High School Physical Education: An Expectancy-Value Perspective). Journal of Teaching in Physical Education. Link.
  6. Lomholt, R. (2026). Formação das expectativas dos professores: evidências de um experimento de survey fatorial que manipula informações sobre os estudantes (Formation of Teacher Expectations: Evidence from a Factorial Survey Experiment Manipulating Student Information). Social Psychology of Education: An International Journal. Link.
  7. Grecu, A., Ghosh, S., & McElvany, N. (2026). O desenvolvimento do prazer dos estudantes em relação à escola no ensino secundário inferior e seus efeitos no desempenho acadêmico (The Development of Students' School Enjoyment in Lower Secondary School and Its Effect on Academic Achievement). Social Psychology of Education: An International Journal. Link.

Se este tema conversa com algo que você observa na sua turma, escolha uma pergunta para levar à próxima aula e continue a investigação junto com seus estudantes.

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