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Intervenção precoce na educação infantil: família e continuidade ainda são desafios

Estudos recentes destacam a participação das famílias, o acesso aos serviços e a continuidade do atendimento na intervenção precoce. Veja o que esses achados podem inspirar na creche e na pré-escola.

Intervenção precoce na educação infantil: família e continuidade ainda são desafios

Intervenção precoce na educação infantil reúne apoios e serviços voltados a crianças pequenas com deficiência ou possíveis atrasos no desenvolvimento, em colaboração com suas famílias. Pesquisas recentes destacam desafios de acesso, continuidade dos serviços e participação familiar. Para professores de creche e pré-escola, isso reforça a importância de observar a criança, dialogar com a família e articular apoios, sem assumir sozinhos a avaliação ou o atendimento especializado.

Na educação infantil, reconhecer uma necessidade de apoio é só uma parte do caminho: a participação da família, o acesso aos serviços e a continuidade entre etapas também influenciam a experiência da criança. O que pesquisas recentes dizem sobre esses pontos? Como os profissionais podem envolver as famílias nas avaliações e decisões? E que práticas cabem à creche e à pré-escola sem confundir o papel pedagógico com o dos serviços especializados?

As pesquisas reunidas aqui investigam experiências de famílias e profissionais, acesso a serviços, transições e formação. Elas vêm de contextos distintos e não oferecem uma receita única para escolas brasileiras, mas ajudam a formular perguntas concretas para a rotina: quem participa das decisões, que informações circulam e como se acompanha o percurso de cada criança?

O que é intervenção precoce e educação especial na educação infantil e por que importa para o professor?

Intervenção precoce é um conjunto de serviços e apoios voltados a crianças pequenas com deficiência, atrasos ou outros desafios de desenvolvimento; educação especial na primeira infância envolve apoios educacionais especializados na etapa infantil. Os termos e os limites entre serviços variam de acordo com cada sistema. Para o professor, o tema aparece no cotidiano quando é preciso observar a participação da criança, conversar com a família, combinar estratégias com outros profissionais e preparar mudanças de rotina ou de ambiente.

Isso não significa que o professor da creche ou da pré-escola deva diagnosticar, prescrever terapia ou assumir sozinho o trabalho de outros profissionais. Significa reconhecer que a aprendizagem e o bem-estar da criança acontecem em contextos conectados. Uma conversa cuidadosa com a família, registros pedagógicos compreensíveis e uma troca respeitosa com a equipe podem ajudar a tornar esses contextos menos fragmentados.

A pesquisa recente ajuda a olhar para três dimensões relacionadas: o caminho de acesso aos serviços, a qualidade da relação com as famílias e a continuidade do apoio. Também chama atenção para as condições de trabalho dos profissionais e para o acesso a práticas baseadas em evidências. Não são apenas questões individuais: organização, tempo, comunicação e formação podem facilitar ou dificultar o acompanhamento.

O que a pesquisa recente mostra sobre famílias, acesso e continuidade?

A participação da família precisa atravessar a avaliação, não ficar restrita a uma conversa inicial

Uma avaliação inicial pode envolver informações que a escola não observa diretamente: interesses, formas de comunicação, rotinas, preocupações e experiências da criança em casa. Stein e colegas examinaram, por meio de um levantamento nacional com 1.118 profissionais nos Estados Unidos, práticas relatadas de envolvimento familiar antes, durante e depois de avaliações iniciais para intervenção precoce e educação especial na pré-escola. Os resultados variaram entre os profissionais que participavam de avaliações para cada tipo de serviço. As análises qualitativas também identificaram desafios para incluir as famílias (Stein, 2025).

O estudo não apresenta uma fórmula universal para a participação familiar. Seu valor para a escola está em tratar o envolvimento como um processo com diferentes momentos, em vez de presumir que a família já foi ouvida porque compareceu a uma reunião. Para o professor, a questão prática pode ser: a família teve oportunidade de compartilhar suas prioridades? Entendeu o que será observado? Recebeu uma devolutiva que faça sentido para a vida cotidiana da criança?

Uma perspectiva complementar vem de uma pesquisa qualitativa com oito pais na Turquia, realizada durante a COVID-19. Os pais relataram dificuldades com programas de intervenção precoce e educação especial, necessidade de serviços individualizados e funcionais, interesse por programas inclusivos de qualidade e desejo de aprender mais sobre como apoiar o desenvolvimento dos filhos. Também destacaram a importância de educadores bem preparados e de incluir a voz das famílias (Acar, 2025).

O contexto turco e o período de pandemia delimitam a leitura: não se deve transpor automaticamente as experiências para famílias brasileiras. Ainda assim, o estudo reforça uma pergunta pertinente à prática: a comunicação com os responsáveis permite compreender o que é funcional e importante para aquela criança, ou se limita a transmitir decisões já tomadas?

O acesso depende também de barreiras e da continuidade entre serviços

Harrison e colegas investigaram fatores relacionados à matrícula em intervenção precoce e educação especial na primeira infância. O estudo considerou relatos de pais de crianças do nascimento aos seis anos (n = 60) e examinou relações entre barreiras e aspectos como idade em que o atraso foi identificado, idade no início dos serviços e quantidade de horas e tipos de atendimento. Níveis mais altos de defesa dos direitos da criança pelos pais estiveram significativamente relacionados ao início dos serviços em idade menor e a um número maior de tipos de intervenção utilizados (Harrison, 2024).

Esse resultado aponta uma relação, não uma instrução para transferir às famílias a responsabilidade de garantir o acesso. Se a participação ativa dos pais está associada a diferenças no acesso, a escola pode perguntar se as informações sobre encaminhamentos, avaliações e apoios são compreensíveis e se a família sabe a quem recorrer. A pesquisa não autoriza concluir que a defesa familiar, sozinha, cause o acesso; evidencia que essa dimensão está relacionada aos resultados observados.

Em Québec, no Canadá, Rivard e colegas estudaram a perspectiva de 91 pais sobre a trajetória de serviços para crianças pequenas com autismo em um sistema público de saúde e serviços sociais. Cerca de três quartos das famílias receberam serviços provisórios, como intervenções pontuais de terapia da fala; avaliaram-nos, em geral, de neutros a positivos, mas apontaram validade e continuidade relativamente baixas. Aproximadamente um quarto não recebeu a intervenção comportamental precoce a que, segundo o resumo, todas as crianças diagnosticadas tinham direito naquele sistema. Entre as famílias que receberam esse serviço, as avaliações foram positivas em todas as dimensões consideradas. A empatia nas relações entre pais e profissionais teve a avaliação mais alta tanto nos serviços provisórios quanto na intervenção comportamental precoce (Rivard, 2025).

O estudo canadense trata de um sistema público específico, não do funcionamento dos serviços brasileiros. Mas torna visível uma tensão importante: receber algum apoio não garante, por si só, continuidade ou percepção de qualidade. Para a escola, acompanhar transições e comunicar o que está funcionando pode ser relevante, sem prometer que o professor consiga resolver sozinho lacunas de serviços externos.

Transições e formação pedem colaboração, tempo e conhecimento compartilhado

Uma turma de transição descrita por Mahurin-Smith e Lorio oferece uma ponte entre serviços de intervenção precoce e educação especial na pré-escola em uma agência do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Nesse sistema, crianças que recebiam intervenção precoce podiam participar a partir de dois anos e seis meses. Os pesquisadores analisaram relatórios semanais sem identificação de 40 crianças que frequentaram ao menos seis aulas. Os participantes apresentaram mudanças consideradas altamente significativas ao longo do tempo na tolerância à separação dos cuidadores e na participação em atividades estruturadas. Os autores interpretam os resultados preliminares como sugestivos de que uma turma estruturada, conduzida por profissionais conhecidos, pode apoiar habilidades necessárias à transição (Mahurin-Smith, 2025).

É um resultado situado em um programa específico dos Estados Unidos, não uma prova de que toda criança precise de uma turma de transição ou de que a mesma organização funcione no Brasil. A contribuição prática é considerar que mudanças de ambiente podem ser preparadas e acompanhadas, e que familiaridade com profissionais e rotinas pode fazer parte dessa preparação.

Outros estudos deslocam o foco da criança para as condições que sustentam o trabalho profissional. Kong e colegas ouviram 223 profissionais que atendiam crianças do nascimento aos oito anos nos Estados Unidos. A maioria dos respondentes, nos diferentes grupos profissionais, disse estar familiarizada ou parcialmente familiarizada com evidências relativas às próprias práticas. A conversa com colegas foi a estratégia mais utilizada para conhecer uma prática nova e tomar decisões sobre ela (Kong, 2024). O resultado descreve o que os participantes relataram; não significa que conversar com colegas substitua formação ou avaliação das evidências.

Passmore e colegas investigaram experiências e percepções de 30 profissionais de intervenção precoce e educação especial na primeira infância sobre liderança. Os resultados destacaram habilidades interpessoais, conhecimento específico da área e formas informais de liderança, como mentoria, orientação e colaboração. Ao mesmo tempo, falta de tempo e desvalorização profissional foram apontadas como barreiras, e os autores destacaram disparidades nas oportunidades de liderança (Passmore, 2026). Em conjunto, esses estudos lembram que uma boa prática depende tanto do conhecimento quanto das condições para conversar, planejar e colaborar.

Quais estudos foram analisados lado a lado?

A tabela resume os estudos citados e mantém visíveis seus contextos. As diferenças entre etapas, sistemas de serviços e participantes importam: uma experiência relatada em outro país pode inspirar perguntas para a escola brasileira, mas não deve ser tomada como descrição direta da nossa realidade.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Stein, 2025Práticas relatadas para envolver famílias em avaliações iniciais.As práticas variaram entre avaliação para intervenção precoce e para educação especial na pré-escola; profissionais relataram desafios.Levantamento nacional nos Estados Unidos; 1.118 profissionais; primeira infância.
Acar, 2025Experiências de pais de crianças com deficiência durante a COVID-19.Pais relataram dificuldades, busca por serviços individualizados e funcionais, inclusão e preparo profissional.Turquia; entrevistas virtuais com oito pais.
Harrison, 2024Barreiras e fatores relacionados à matrícula e ao acesso a serviços.Maior defesa dos direitos da criança pelos pais esteve relacionada a início mais cedo e a mais tipos de intervenção.Estados Unidos; relatos de pais de crianças do nascimento aos seis anos; n = 60.
Rivard, 2025Perspectiva parental sobre trajetórias de serviços para autismo.Serviços provisórios tiveram continuidade relativamente baixa; empatia recebeu avaliações altas; nem todas as famílias receberam a intervenção estudada.Québec, Canadá; 91 pais; serviços de primeira infância.
Mahurin-Smith, 2025Uma turma de transição entre intervenção precoce e educação especial pré-escolar.Os participantes apresentaram mudanças na tolerância à separação e na participação em atividades estruturadas.Agência no Meio-Oeste dos Estados Unidos; relatórios de 40 crianças.
Kong, 2024Familiaridade e busca por práticas baseadas em evidências.A maioria relatou familiaridade total ou parcial; conversas com colegas foram a estratégia mais usada.Estados Unidos; questionário com 223 profissionais que atendem crianças do nascimento aos oito anos.
Passmore, 2026Experiências de liderança profissional em intervenção precoce e educação especial.Colaboração, habilidades interpessoais e conhecimento da área foram destacados; tempo e desvalorização apareceram como barreiras.30 profissionais de intervenção precoce e educação especial na primeira infância.

O que os estudos têm em comum e onde divergem?

Em conjunto, os estudos tratam o apoio à criança como algo ligado a relações e organização, não apenas à escolha de uma técnica. Família, profissionais e serviços aparecem como partes da trajetória. A participação dos pais é importante para compreender necessidades e experiências, enquanto a colaboração entre profissionais pode apoiar decisões e circulação de conhecimentos. A continuidade também surge como questão: estudos sobre serviços e transições mostram que o percurso importa, não apenas a existência de um atendimento em algum momento.

As pesquisas, porém, não avaliam a mesma coisa. Stein examina práticas relatadas por profissionais durante avaliações; Acar descreve experiências familiares em período de pandemia; Harrison analisa associações entre defesa familiar e acesso; Rivard aborda a qualidade percebida de trajetórias de serviços; Mahurin-Smith e Lorio estudam uma turma de transição; Kong observa familiaridade e busca por evidências; Passmore investiga liderança. Portanto, não é adequado juntar os resultados como se fossem um único teste de uma intervenção comum.

Também há diferenças de método e de contexto. Alguns estudos usam relatos qualitativos, outros questionários ou registros de progresso. A turma de transição apresenta resultados preliminares; o achado sobre defesa familiar é uma associação; já os estudos de experiência familiar mostram percepções, não uma medida universal de qualidade. Uma pergunta ainda em aberto é como adaptar estratégias de colaboração e continuidade a sistemas com regras, recursos e serviços diferentes. Os resumos disponíveis também não permitem comparar diretamente a efetividade de modelos específicos.

O que esses achados podem significar para a sala de aula?

Os estudos não prescrevem um protocolo para escolas brasileiras. As sugestões abaixo são aplicações possíveis inspiradas nas questões que levantam, e precisam ser ajustadas à realidade da turma, às atribuições profissionais e aos apoios disponíveis.

1. Faça da escuta da família uma prática contínua

Aplicação possível: em vez de concentrar toda a conversa em uma reunião inicial, combine momentos breves para compartilhar observações e ouvir prioridades. Imagine uma criança que participa de uma atividade em pequenos grupos, mas demonstra desconforto em mudanças de rotina. O professor pode perguntar à família o que costuma ajudar em situações parecidas e registrar a informação como contribuição, sem presumir que a experiência de casa se reproduza exatamente na escola. Essa postura dialoga com os desafios de envolvimento identificados por Stein e com a importância da voz familiar destacada por Acar.

2. Explique processos e próximos passos em linguagem simples

Aplicação possível: se a equipe estiver considerando uma avaliação ou conversando sobre serviços, explique o que a escola observou, o que ainda precisa ser compreendido e quem participará do próximo passo. Uma família pode não conhecer os termos usados pelos profissionais; oferecer espaço para perguntas ajuda a evitar que uma conversa técnica vire uma lista de siglas. Isso não significa prometer acesso a um serviço, mas pode tornar a comunicação mais clara. A sugestão se relaciona às barreiras de envolvimento e acesso observadas nos estudos de Stein e Harrison.

3. Registre participação e contexto, não apenas dificuldades

Aplicação possível: em registros pedagógicos, descreva em que atividade a criança se envolve, que apoio estava disponível e o que aconteceu depois. Por exemplo, em vez de escrever apenas “não participou”, a equipe pode registrar que a criança se aproximou da roda após uma antecipação visual ou participou por alguns minutos com um objeto de interesse. Trata-se de uma escolha de registro para apoiar a conversa entre escola e família; não é um resultado testado pelos estudos citados. A ideia é manter informações funcionais para orientar decisões compartilhadas.

4. Planeje mudanças de rotina e transições com antecedência

Aplicação possível: antes de uma mudança de grupo, espaço ou rotina, alinhe com a equipe o que a criança já conhece e como será apresentada a novidade. Uma turma pode experimentar uma visita curta ao novo ambiente acompanhada por um adulto familiar, se isso for adequado às necessidades da criança e à organização da escola. A pesquisa de Mahurin-Smith e Lorio investigou uma turma estruturada de transição e relatou mudanças em duas dimensões específicas; a adaptação sugerida aqui não equivale ao programa estudado nem garante os mesmos resultados.

5. Combine a comunicação entre profissionais

Aplicação possível: estabeleça um modo simples de compartilhar observações com os profissionais que acompanham a criança, respeitando o consentimento, a privacidade e os procedimentos da escola. Imagine que diferentes pessoas observem formas distintas de participação: uma percebe iniciativa na brincadeira, outra nota dificuldades em uma atividade estruturada. Uma conversa breve pode ajudar a construir um quadro mais completo, em vez de decisões baseadas em uma única situação. Kong identificou conversas entre colegas como caminho frequente para conhecer práticas; isso inspira colaboração, sem substituir fontes confiáveis ou formação.

6. Diferencie evidência, observação e hipótese

Aplicação possível: ao discutir uma estratégia, diga o que foi observado na turma, o que a equipe sabe sobre a prática e o que ainda é uma hipótese a testar. Por exemplo: “Nesta semana, percebemos mais participação com uma rotina previsível; vamos observar se isso se mantém em outras atividades”. Assim, a equipe evita transformar uma impressão isolada em conclusão definitiva. Essa organização é uma sugestão de aplicação baseada na importância de práticas informadas por evidências e no uso relatado de conversas profissionais por Kong, não uma conclusão experimental do estudo.

7. Proteja tempo para colaboração dentro do possível

Aplicação possível: se não houver reuniões longas, reserve uma troca curta e regular entre os adultos que acompanham a criança, com uma pauta objetiva: o que funcionou, o que dificultou a participação e qual será o próximo ajuste. Passmore relata falta de tempo como uma barreira ao desenvolvimento da liderança profissional. A escola pode não conseguir resolver limitações sistêmicas sozinha, mas reconhecer o tempo de colaboração como parte do trabalho ajuda a não depender apenas de conversas improvisadas nos corredores.

O que muda quando aplicamos essas ideias ao contexto brasileiro?

Os estudos citados vêm principalmente dos Estados Unidos, além de pesquisas no Canadá e na Turquia. Os termos intervenção precoce e educação especial na primeira infância aparecem vinculados a serviços, programas e sistemas próprios desses lugares. Por exemplo, as idades e os caminhos de transição descritos na turma dos Estados Unidos, assim como o direito a um serviço citado no estudo canadense, não devem ser apresentados como regras brasileiras.

No Brasil, as redes de educação, saúde e assistência podem organizar os apoios de formas diferentes. As condições de atendimento, a disponibilidade de profissionais e os procedimentos de avaliação variam entre territórios e instituições. Por isso, a adaptação mais segura é aproveitar as perguntas dos estudos — como a família participa, como se compartilham informações e como se prepara uma transição — sem importar automaticamente o desenho de um programa estrangeiro.

Também é importante evitar responsabilizar a família por obstáculos que dependem da organização dos serviços. O resultado de Harrison relaciona maior defesa parental com indicadores de acesso, mas não prova que os pais devam resolver por conta própria barreiras institucionais. Da mesma forma, os relatos de famílias da Turquia durante a pandemia não descrevem todas as famílias brasileiras. Podem, contudo, lembrar que apoio individualizado, inclusão e preparo dos educadores são preocupações que merecem ser escutadas diretamente em cada comunidade.

Para a escola brasileira, uma aplicação prudente é construir formas de comunicação que respeitem a família, registrar as necessidades e os interesses observados e buscar articulação com os profissionais e serviços disponíveis na rede local. Essas ações não substituem políticas públicas nem garantem acesso a atendimento, mas podem tornar mais clara a contribuição pedagógica da escola e a continuidade das conversas sobre a criança.

Quais são os limites desta leitura?

Esta síntese se baseia nos resumos de sete estudos recentes, e não na leitura integral dos artigos. Os resumos permitem identificar objetivos, participantes e resultados principais, mas não oferecem todos os detalhes necessários para avaliar instrumentos, procedimentos, análises ou limites de cada pesquisa. Além disso, os estudos tratam de populações, serviços e contextos diferentes, então seus resultados não são diretamente intercambiáveis nem representam automaticamente a realidade brasileira.

Ficam em aberto perguntas importantes: como essas práticas funcionam em diferentes redes brasileiras? Que formas de comunicação são mais acessíveis para famílias com rotinas, línguas e recursos distintos? Como acompanhar a continuidade do apoio sem sobrecarregar professores? E quais componentes de uma estratégia de transição podem ser adaptados com segurança a cada instituição? Para responder a perguntas sobre implementação, comparação de modelos ou aplicação de resultados a um público específico, vale consultar os estudos completos e, quando possível, pesquisas realizadas no contexto brasileiro.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

O GeraProva pode apoiar a criação de provas e atividades para diferentes objetivos pedagógicos, mas não substitui avaliação especializada, observação individual ou diálogo com a família. Uma possibilidade é usar o gerador de provas do GeraProva para preparar atividades com formatos variados e revisar se as instruções são claras e acessíveis à turma; depois, o professor pode adaptar o material às necessidades de cada criança. Para conhecer a plataforma, há também o cadastro grátis.

O que professores perguntam sobre intervenção precoce?

Intervenção precoce é responsabilidade do professor da creche ou da pré-escola?

O professor tem um papel importante na observação pedagógica, na participação da criança nas atividades e na comunicação com a família e a equipe. Isso não significa que deva diagnosticar ou substituir profissionais especializados. Os estudos analisados mostram dimensões complementares: envolvimento familiar nas avaliações (Stein, 2025), acesso a serviços (Harrison, 2024) e colaboração profissional (Passmore, 2026; Kong, 2024). Uma aplicação possível é compartilhar observações concretas e buscar articulação com os apoios disponíveis, respeitando as atribuições de cada profissional e os procedimentos da instituição.

Como posso envolver a família sem transformar a conversa em cobrança?

Comece por perguntas abertas sobre as prioridades e experiências da família, e explique com clareza o que a escola observa. Não presuma que os responsáveis conheçam termos técnicos ou tenham disponibilidade para conduzir processos de acesso a serviços. Stein encontrou variação nas práticas de envolvimento e desafios relatados por profissionais; Acar descreveu pais que desejavam aprender como apoiar o desenvolvimento dos filhos. Esses resultados apoiam uma comunicação participativa, não uma transferência de responsabilidade. Combine formas realistas de contato e verifique se a família teve espaço para perguntar e contribuir.

O que fazer quando a criança precisa de apoio, mas há demora ou interrupção nos serviços?

A escola pode manter registros pedagógicos claros, conversar com a família sobre o que observa e organizar a colaboração possível com os profissionais envolvidos. Não pode, por si só, garantir a oferta ou a continuidade de serviços externos. No estudo de Québec, famílias relataram continuidade relativamente baixa em serviços provisórios e algumas não receberam a intervenção estudada (Rivard, 2025). Esse resultado pertence a um sistema canadense específico, mas evidencia que receber um apoio pontual não resolve necessariamente toda a trajetória. Na prática, vale tornar visíveis as necessidades da criança e os próximos passos disponíveis na rede local.

Uma turma de transição é necessária para toda criança?

Os estudos fornecidos não permitem afirmar isso. Mahurin-Smith e Lorio investigaram uma turma de transição oferecida por uma agência dos Estados Unidos e relataram mudanças na tolerância à separação dos cuidadores e na participação em atividades estruturadas entre os participantes. Os autores descrevem os resultados como preliminares e ligados a uma proposta específica. Isso não demonstra que toda criança precise de uma turma própria nem que o modelo seja adequado a qualquer escola brasileira. Uma aplicação possível é planejar mudanças de ambiente com antecedência e de modo individualizado, observando como cada criança responde.

Conversar com colegas é suficiente para escolher uma prática?

Não necessariamente. No questionário de Kong e colegas, conversar com colegas foi a estratégia mais usada pelos profissionais para conhecer uma prática nova e tomar decisões sobre ela; a maioria também se declarou familiarizada ou parcialmente familiarizada com evidências da própria área (Kong, 2024). O estudo descreve hábitos relatados, não comprova que uma conversa isolada seja suficiente para decidir. A equipe pode usar a troca profissional para levantar dúvidas e compartilhar observações, e depois consultar fontes de formação e evidências apropriadas antes de adotar uma estratégia de modo mais amplo.

Como posso saber se a criança está participando mais?

Defina com a equipe o que significa participação naquela atividade e registre observações em situações comparáveis: por exemplo, se a criança se aproxima, inicia uma ação, permanece ou aceita apoio. Evite reduzir o acompanhamento a uma impressão geral ou a uma única ocorrência. Mahurin-Smith e Lorio analisaram relatórios semanais e observaram mudanças em dimensões específicas de um programa de transição, mas isso não estabelece um instrumento universal para todas as turmas. Como aplicação, a escola pode escolher indicadores pedagógicos simples e revisar os registros com a família e a equipe, sem confundi-los com diagnóstico clínico.

Referências

  1. Stein, R., Steed, E., & Charlifue-Smith, R. (2025). Práticas relatadas por profissionais para envolver as famílias nas avaliações iniciais para a intervenção precoce e a educação especial na educação infantil (Professionals' Reported Practices to Involve Families in Initial Evaluations for Early Intervention and Early Childhood Special Education: A Mixed Methods Study). Infants and Young Children. Link.
  2. Acar, S., Er, D. M., Volk, K. T., & Spence, C. M. (2025). Experiências de pais de crianças com deficiência: um estudo qualitativo na Turquia durante a COVID-19 (Experiences of Parents Who Have Children with Disabilities a Qualitative Study from Türkiye during COVID-19). Infants and Young Children. Link.
  3. Harrison, A. J., Bhimani, S. K., Allen, F. E., Lieberman-Betz, R., & Neuharth-Pritchett, S. (2024). Identificação de fatores relacionados à matrícula bem-sucedida na intervenção precoce e na educação especial na primeira infância (Identifying Factors Related to Successful Enrollment in Early Intervention and Early Childhood Special Education). Early Childhood Education Journal. Link.
  4. Rivard, M., Mello, C., Patel, S., Morin, M., & Morin, D. (2025). Uma janela para o uso de serviços pós-diagnóstico para o autismo e a perspectiva dos pais sobre a qualidade da trajetória dos serviços na primeira infância em uma província canadense (A Window into the Use of Post-Diagnostic Services for Autism and Parents' Perspective on the Quality of Early Childhood Services Trajectory in a Canadian Province). Journal of Autism and Developmental Disorders. Link.
  5. Mahurin-Smith, J., & Lorio, C. (2025). Turma de transição: uma ponte entre a intervenção precoce e a educação especial na primeira infância (Transition Class: A Bridge from Early Intervention to Early Childhood Special Education). Education 3-13. Link.
  6. Kong, N. Y., Parks, S., Lindeman, D. P., Horn, E. M., & Hurless, N. (2024). Compreendendo o acesso e a utilização de práticas baseadas em evidências por profissionais da intervenção precoce e da educação especial na primeira infância (Understanding Early Intervention and Early Childhood Special Education Professional Access to and Utilization of Evidence-Based Practices). Exceptionality. Link.
  7. Passmore, A. H., Kang, V., Hughes, M. T., & Safarha, E. (2026). Do profissional à liderança: investigando trajetórias para a liderança exercida por profissionais na intervenção precoce e na educação especial na primeira infância (From Provider to Leader: Investigating Pathways to Provider-Based Leadership in EI/ECSE). Journal of Early Intervention. Link.

Se este tema faz parte da sua rotina, escolha uma pergunta para levar à próxima conversa com a família ou com a equipe. Pequenos passos de escuta e articulação também ajudam a construir apoios mais coerentes para cada criança.

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