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Intenção empreendedora no ensino médio: atitude e confiança também pesam

Pesquisas indicam que a intenção empreendedora se relaciona a atitudes, confiança para agir e influência social. Veja o que esses resultados sugerem para a escola — e o que ainda precisa ser investigado.

Intenção empreendedora no ensino médio: atitude e confiança também pesam

Intenção empreendedora é a disposição de um estudante para considerar criar um negócio ou seguir uma trajetória empreendedora. Pesquisas com estudantes do ensino médio relacionam essa intenção a fatores como atitude, percepção de capacidade para agir e influência social. Para a escola, isso abre espaço para atividades que ajudem a explorar ideias, possibilidades e desafios, sem pressupor que todos queiram empreender.

O que faz um estudante do ensino médio considerar que pode transformar uma ideia em um empreendimento? Atitude, confiança para agir e influência social aparecem entre os fatores associados a essa intenção. A pesquisa brasileira também aponta diferenças conforme o percurso formativo e o momento do curso.

Isso não significa que todo estudante precise abrir uma empresa, nem que uma atividade isolada produza esse resultado. A seguir, organizo o que os estudos recentes investigaram, o que encontraram e como você pode transformar essas pistas em experiências de aprendizagem, sem confundir sugestões de sala com conclusões científicas.

O que é intenção empreendedora de estudantes do ensino médio e por que importa para o professor?

Intenção empreendedora é a disposição ou o propósito de se envolver futuramente em uma atividade empreendedora. Em linguagem de sala, é diferente de simplesmente ter uma ideia: envolve imaginar que essa ideia pode virar uma ação e considerar que vale a pena tentar. Pesquisas sobre o tema investigam justamente como atitudes, percepções de capacidade e influências do entorno se relacionam com essa disposição.

Para o professor, isso ajuda a ampliar o significado de educação empreendedora. O assunto não precisa ficar restrito à criação de uma empresa ou à venda de um produto. Pode abrir espaço para estudantes identificarem necessidades, elaborarem propostas, avaliarem recursos e conversarem sobre riscos, colaboração e escolhas. Essas atividades são possibilidades pedagógicas; os estudos citados não prescrevem um roteiro único que funcione em qualquer turma.

A intenção também não é a mesma coisa que comportamento realizado. Um estudante pode demonstrar interesse sem chegar a empreender, por razões pessoais, familiares, econômicas ou de oportunidade. Por isso, trabalhar o tema na escola pode significar ajudar a turma a formular perguntas e experimentar processos, não convencer todos a seguir uma carreira empresarial.

O que a pesquisa recente mostra sobre intenção empreendedora?

A pesquisa recente aponta três pistas especialmente úteis para a escola: o campo ainda está se consolidando, diferentes componentes se relacionam à intenção e a formação profissional pode oferecer um contexto particular para investigar esse processo. Os resultados não compõem uma receita universal, mas ajudam a fazer perguntas mais precisas sobre o que os estudantes pensam e sobre as oportunidades que encontram.

Um campo de pesquisa que ainda está construindo suas perguntas

Uma revisão sistemática analisou a produção acadêmica sobre intenção empreendedora no ensino médio entre 2000 e 2022. Depois de uma triagem, os pesquisadores selecionaram 33 artigos e organizaram a literatura em quatro linhas: teste de modelos conceituais de intenção empreendedora; influência de diferentes fatores; estudo da intenção por meio de construtos variados; e validação de questionários usados para medi-la (Angelo, 2025).

O ponto importante para o professor não é decorar esses nomes. É perceber que pesquisadores ainda estão explorando como definir e investigar a intenção empreendedora nessa etapa escolar. A revisão descreve pouca atenção acadêmica ao tema e uma lacuna na análise da produção sobre estudantes do ensino médio. Portanto, convém desconfiar de afirmações simples como “uma atividade desperta o empreendedor que existe em cada aluno”. O campo reúne perguntas diferentes, instrumentos diferentes e fatores diversos.

Os autores também apontam implicações para a prática: diretores, coordenadores e professores podem usar essa agenda para refletir sobre a centralidade do estudante no ensino e na aprendizagem e sobre o desenvolvimento de competências e habilidades empreendedoras (Angelo, 2025). Isso não determina uma metodologia específica. Sugere, antes, que a experiência dos estudantes e seu envolvimento na aprendizagem merecem atenção quando a escola decide como abordar o assunto.

Atitude, controle percebido e normas sociais aparecem juntos

Um estudo com estudantes do ensino médio técnico profissionalizante especializado em gastronomia investigou como se formam aspirações ligadas ao empreendedorismo culinário. A pesquisa analisou educação empreendedora, atitude diante da atividade, controle comportamental percebido, normas subjetivas e intenção de se envolver nesse tipo de empreendedorismo. Os resultados indicaram que atitude, controle percebido e normas subjetivas impactaram significativamente as intenções dos estudantes (Mahfud, 2025).

Em termos cotidianos, atitude se relaciona à maneira como o estudante avalia a possibilidade de empreender; controle percebido diz respeito à percepção de que conseguiria realizar a ação; e normas subjetivas envolvem o que ele percebe como expectativas ou influência de outras pessoas relevantes. O estudo relata também que a educação empreendedora influencia a intenção por meio desses três antecedentes (Mahfud, 2025). É uma pista para não tratar a formação como simples transmissão de conceitos: a forma como o estudante avalia a atividade, sua percepção de capacidade e o ambiente social entram na análise.

Esse resultado se refere a estudantes profissionalizantes ligados à gastronomia, e não a todas as áreas ou modalidades do ensino médio. O resumo não identifica o país desse estudo. Por isso, é mais seguro usar o achado como uma lente para pensar perguntas de sala — por exemplo, o que parece atraente, viável ou apoiado — do que como prova de que os mesmos fatores terão o mesmo peso em qualquer escola.

No Brasil, formação técnica e etapa do curso se relacionam à intenção

Uma pesquisa realizada com estudantes do ensino médio e de cursos técnicos de institutos federais brasileiros coletou questionários digitais de 127 participantes. Os resultados apontaram preferência predominante por escolhas profissionais que promovam qualidade de vida. A participação na educação profissional técnica se correlacionou positivamente com as intenções empreendedoras; estudantes mais velhos e estudantes em anos mais avançados dos cursos também demonstraram maior interesse pelo empreendedorismo (Ferreira, 2024).

O estudo encontrou ainda que atitude, normas subjetivas e controle comportamental percebido foram preditores significativos das intenções nesse grupo. Os autores destacam a necessidade de integrar de maneira mais consistente a educação empreendedora aos currículos do ensino médio e dos institutos técnicos (Ferreira, 2024). Essa conclusão ajuda a pensar continuidade: o tema pode ser retomado e aprofundado ao longo do percurso, em vez de aparecer apenas como uma atividade pontual.

Há uma nuance relevante para a prática. A preferência por qualidade de vida aparece junto à investigação sobre intenção empreendedora; não é apresentada como oposição automática ao empreendedorismo. Isso convida a evitar a ideia de que empreender é necessariamente o objetivo mais desejável para todo jovem. Uma conversa pedagógica pode explorar como estudantes definem uma vida profissional satisfatória e que lugar, se algum, atribuem a projetos empreendedores.

Projetos em equipe e criatividade: uma contribuição próxima, mas não idêntica

Uma pesquisa com 192 estudantes do ensino médio técnico de Surakarta, na Indonésia, avaliou uma proposta de aprendizagem que combinava sala de aula invertida e projetos em equipe na educação empreendedora. O estudo investigou habilidades de pensamento criativo, comparando medidas anteriores e posteriores à intervenção. Os autores relataram melhora significativa nas habilidades criativas após a experiência e destacaram o papel da colaboração em equipe para gerar, desenvolver e aprimorar ideias (Saputro, 2026).

É importante separar esse achado do tema principal deste artigo. O estudo avaliou pensamento criativo, não intenção empreendedora. Ele não permite concluir que a proposta aumentou a intenção dos estudantes de empreender. Ainda assim, oferece uma pista complementar sobre como organizar experiências de aprendizagem associadas à educação empreendedora: projetos, preparação prévia e colaboração podem ser explorados como formatos para trabalhar criatividade, desde que o professor avalie se fazem sentido para sua turma.

O contexto é uma escola técnica de Surakarta, na Indonésia. Assim, o resultado não deve ser transplantado como garantia para escolas brasileiras. A contribuição mais prudente é reconhecer que a criatividade pode ser investigada como parte de experiências de educação empreendedora, mas permanece diferente de intenção, comportamento e criação efetiva de negócios.

Os estudos lado a lado: o que cada pesquisa investigou?

Os quatro estudos citados abordam partes diferentes do tema. A revisão organiza a produção; duas pesquisas examinam fatores associados à intenção; e uma investigação sobre projetos em equipe analisa criatividade como resultado próximo, mas distinto. A tabela ajuda a manter claras essas diferenças.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Angelo, 2025Produção acadêmica sobre intenção empreendedora no ensino médio entre 2000 e 2022.Selecionou 33 artigos e organizou quatro linhas temáticas: modelos, fatores, construtos e validação de questionários.Revisão de estudos em Scopus, Web of Science e ERIC; período analisado de 2000 a 2022.
Mahfud, 2025Formação da intenção de empreendedorismo culinário entre estudantes profissionalizantes de gastronomia, a partir da Teoria do Comportamento Planejado.Atitude, controle comportamental percebido e normas subjetivas impactaram significativamente a intenção; a educação empreendedora influenciou-a por meio desses antecedentes.Ensino médio técnico profissionalizante em gastronomia; país não informado no resumo.
Ferreira, 2024Intenção empreendedora e educação entre estudantes do ensino médio e de cursos técnicos dos institutos federais.Encontrou correlação positiva com a participação na educação profissional técnica; idade, etapa do curso, atitude, normas subjetivas e controle percebido também se relacionaram às intenções.Brasil; 127 estudantes de institutos federais.
Saputro, 2026Efeitos de projetos em equipe com sala de aula invertida sobre pensamento criativo na educação empreendedora.Relatou melhora significativa da criatividade após a intervenção e destacou a colaboração; não mediu intenção empreendedora.192 estudantes do ensino médio técnico de Surakarta, Indonésia.

Pontos em comum e divergências entre os estudos: o que ainda não está resolvido?

Um ponto em comum é que a intenção não aparece como algo explicado por uma única característica isolada. A revisão de literatura mapeia diferentes fatores e modelos; os estudos com estudantes investigam componentes como atitude, percepção de controle e influência social (Angelo, 2025; Mahfud, 2025; Ferreira, 2024). Para a escola, isso sugere olhar para o estudante e para o contexto em conjunto, sem reduzir o interesse empreendedor a “ter perfil” ou “não ter perfil”.

Há também convergência entre o estudo de gastronomia e a pesquisa brasileira quanto à relevância dos três componentes associados à Teoria do Comportamento Planejado: atitude, normas subjetivas e controle percebido aparecem como fatores significativos nos grupos investigados (Mahfud, 2025; Ferreira, 2024). Essa semelhança é útil, mas não prova que a relação tenha a mesma força em qualquer modalidade. Um grupo está ligado à formação profissional em gastronomia; o outro reúne estudantes de institutos federais brasileiros.

As diferenças de foco são igualmente importantes. Ferreira e Mahfud estudam intenção empreendedora; Saputro examina pensamento criativo depois de uma proposta pedagógica. Criatividade pode ser pertinente à educação empreendedora, mas não é sinônimo de intenção de empreender. A revisão, por sua vez, não testa uma intervenção específica: organiza o que a literatura selecionada pesquisou (Angelo, 2025).

Continuam abertas perguntas sobre como os fatores se combinam em diferentes escolas, áreas de formação e etapas da adolescência; que experiências ajudam estudantes a perceber possibilidades reais; e se intenções declaradas se transformam em ações futuras. Os estudos disponíveis nos resumos não respondem de forma definitiva a essas questões. Essa incerteza não impede a prática: pede que professores observem o contexto e evitem prometer resultados garantidos.

O que isso significa para a sala de aula?

Os estudos não oferecem uma sequência didática pronta para qualquer turma. As sugestões abaixo são aplicações pedagógicas inspiradas nas perguntas e nos resultados das pesquisas, não intervenções comprovadas pelos estudos citados. Você pode adaptá-las à idade, à modalidade, aos recursos disponíveis e aos objetivos de aprendizagem da escola.

1. Comece pela atitude: o que torna uma ideia interessante ou pouco atraente?

Uma forma de usar isso em sala é propor que a turma avalie uma necessidade cotidiana e discuta diferentes respostas possíveis. Imagine um grupo que observa desperdício de materiais em uma atividade escolar. Antes de criar uma solução, os estudantes podem conversar sobre o que seria valioso nela, para quem faria diferença e quais aspectos poderiam desanimar alguém de participar. A proposta não é convencer todos a gostar de empreender, mas tornar visíveis as razões pelas quais uma iniciativa parece desejável ou não.

Essa conversa pode ser registrada por meio de justificativas orais, pequenos textos ou debates em duplas. O professor pode observar se os estudantes conseguem diferenciar gosto pessoal, benefício coletivo e viabilidade percebida. Essa é uma sugestão de aplicação baseada na relevância da atitude encontrada nos estudos, não um teste validado para medir intenção empreendedora.

2. Torne o controle percebido uma pergunta concreta

Uma forma de aplicar a pesquisa é perguntar: “O que já sabemos fazer e o que precisaríamos aprender para testar essa ideia?”. Imagine uma turma que considera organizar uma troca de brinquedos, jogos ou materiais em bom estado. Os grupos podem listar etapas, recursos, autorizações e dificuldades, e depois escolher um primeiro passo possível. Assim, a percepção de capacidade deixa de ser uma impressão abstrata e vira uma conversa sobre tarefas identificáveis.

O cuidado é não transformar a atividade numa competição para ver quem se declara mais confiante. Um estudante pode perceber obstáculos reais e, ainda assim, estar envolvido e fazendo boas perguntas. Uma aplicação equilibrada valoriza tanto a identificação de limites quanto a elaboração de caminhos para lidar com eles. Os estudos apontam a relevância do controle percebido; não afirmam que uma lista de tarefas, por si só, aumente a intenção.

3. Inclua o entorno social sem deixar que ele decida pelo estudante

Como as normas subjetivas aparecem nos estudos de intenção, uma forma de usar essa pista é explorar que mensagens sobre trabalho e empreendedorismo os jovens escutam. Imagine uma turma que entrevista familiares ou funcionários da escola sobre diferentes trajetórias profissionais, sem pedir que todos defendam a abertura de um negócio. Depois, os estudantes podem comparar apoios, expectativas e dúvidas que surgiram.

Essa proposta pode ajudar a turma a perceber que escolhas profissionais são conversadas em contextos sociais. Mas influência não deve virar pressão. O objetivo pedagógico é ampliar repertórios e reconhecer perspectivas, não afirmar que família, colegas ou professor devam escolher pelo estudante. Convém também oferecer alternativas para quem não quiser compartilhar informações pessoais ou familiares.

4. Trate a intenção como percurso, não como rótulo de personalidade

Uma forma de aplicar essa ideia é acompanhar perguntas e revisões ao longo de um projeto, em vez de classificar estudantes como empreendedores ou não empreendedores. Imagine que grupos proponham soluções para um desafio da comunidade escolar. Em diferentes momentos, cada estudante pode rever o que considera interessante, o que acredita ser viável e que apoio precisaria para avançar.

Esse acompanhamento conversa com a variedade de fatores mapeados pela revisão e com a relação entre etapa do curso e interesse observada na pesquisa brasileira (Angelo, 2025; Ferreira, 2024). É uma aplicação, não a reprodução de um método avaliado por esses estudos. Para evitar rótulos, o professor pode registrar mudanças de raciocínio, participação e qualidade das justificativas, sem tratar uma resposta positiva como prova de que o estudante seguirá carreira empreendedora.

5. Use projetos colaborativos para explorar criatividade, com objetivo claro

Uma forma de aplicar o estudo indonésio é propor um desafio aberto em equipe, com tempo para levantar ideias, escolher uma possibilidade e refiná-la com comentários dos colegas. Imagine grupos buscando formas de tornar mais acessível uma atividade cultural da escola. O professor pode separar etapas de geração, seleção e aprimoramento das ideias para que a colaboração não vire apenas divisão de tarefas.

Saputro e colegas relatam melhora em pensamento criativo em uma proposta que combinou projetos em equipe e sala de aula invertida, mas não mediram intenção empreendedora (Saputro, 2026). Portanto, use essa experiência como referência possível para trabalhar criatividade, não como garantia de que um projeto colaborativo fará estudantes quererem empreender. A qualidade das perguntas, a participação e o processo de revisão podem ser evidências mais adequadas ao objetivo escolhido.

6. Convide a turma a definir o que significa uma escolha profissional satisfatória

A pesquisa brasileira relata preferência predominante por escolhas profissionais associadas à qualidade de vida (Ferreira, 2024). Uma forma de levar essa questão à sala é propor que os estudantes comparem critérios que valorizam numa trajetória: estabilidade, autonomia, contribuição social, renda, tempo disponível ou possibilidade de aprender. Imagine uma roda de conversa em que diferentes caminhos profissionais sejam analisados sem hierarquia entre eles.

Essa aplicação ajuda a evitar que educação empreendedora seja apresentada como solução superior a todas as outras escolhas. O estudante pode analisar possibilidades de empreender, trabalhar em uma organização ou seguir outro caminho. O professor pode avaliar a capacidade de argumentar e considerar perspectivas, sem avaliar como correta uma preferência profissional específica.

7. Avalie o processo e as justificativas, não a promessa de sucesso

Uma forma de usar os estudos em avaliação é pedir que os grupos expliquem como chegaram a uma proposta, que informações consideraram e o que mudariam após receber devolutivas. Imagine uma atividade em que a turma apresenta uma solução para um problema local, mas não precisa colocá-la em prática nem demonstrar que seria lucrativa. O foco pode estar na clareza do problema, na coerência das escolhas e na capacidade de revisar a proposta.

Essa é uma sugestão pedagógica, não um instrumento validado pelos estudos aqui citados. Ela respeita a diferença entre intenção, criatividade e comportamento realizado. Também evita avaliar estudantes por fatores que não controlam, como acesso a recursos ou disponibilidade familiar. Se a escola decidir medir intenção, deve deixar claro o objetivo e escolher instrumentos adequados, em vez de interpretar uma atividade comum como medida científica.

O que muda no contexto brasileiro?

O estudo com estudantes de institutos federais oferece uma referência diretamente brasileira: nele, participação na educação profissional técnica se correlacionou positivamente com intenção empreendedora, e estudantes mais velhos e em anos mais avançados demonstraram mais interesse (Ferreira, 2024). Ainda assim, os resultados vêm de 127 participantes de institutos federais. Eles não representam automaticamente todo o ensino médio brasileiro, com suas diferenças entre redes, modalidades, territórios e condições de oferta.

A pesquisa sobre gastronomia ajuda a considerar como uma formação profissional específica pode moldar a intenção, mas o resumo não informa o país do estudo (Mahfud, 2025). Já a investigação de projetos colaborativos foi realizada em uma escola técnica de Surakarta, na Indonésia, e examinou criatividade, não intenção empreendedora (Saputro, 2026). A revisão de Angelo e colegas organiza artigos publicados entre 2000 e 2022, sem oferecer uma intervenção única para o Brasil (Angelo, 2025). Portanto, referências de fora do país ou de contextos específicos servem para comparação e formulação de perguntas, não para presumir equivalência.

Na prática, vale perguntar que oportunidades e obstáculos existem na comunidade dos estudantes. Uma proposta de atividade pode considerar recursos realmente disponíveis, sem pressupor que todos tenham tempo, dinheiro, internet ou apoio para executar um projeto. Também é importante não reduzir empreendedorismo a negócios lucrativos: os resumos tratam de intenção e educação empreendedora, mas não autorizam impor uma definição única de sucesso ou uma trajetória profissional a todos os jovens.

Uma adaptação cuidadosa começa por escutar a turma e escolher problemas que façam sentido no contexto local. O professor pode permitir diferentes formatos de participação, incluindo pesquisa, planejamento, comunicação e análise. Essas escolhas são recomendações de aplicação; os estudos citados não testaram diretamente um modelo nacional de projeto escolar que possa ser adotado sem ajustes.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis, e não na leitura integral de cada publicação. Por isso, apresenta os objetivos, os contextos e os resultados que os resumos informam, sem afirmar detalhes adicionais sobre procedimentos, instrumentos ou interpretação que não estejam descritos neles. A revisão de Angelo analisa trabalhos publicados até 2022; os outros estudos citados investigam populações e questões específicas.

Ficam em aberto perguntas importantes: como as intenções se transformam — ou não — em comportamentos ao longo do tempo; que experiências funcionam em diferentes tipos de escola; como os resultados variam entre áreas de formação; e que condições materiais favorecem ou limitam a participação. Também seria necessário conhecer melhor os instrumentos e as decisões metodológicas para avaliar até que ponto os resultados podem ser comparados entre pesquisas.

Faria sentido ler os estudos completos se você pretende desenvolver uma pesquisa escolar, escolher um instrumento de avaliação, reproduzir uma intervenção ou fundamentar uma decisão curricular. Para uma atividade cotidiana, os resumos já ajudam a formular questões, desde que sejam usados com prudência e sem transformar associações em garantias de causa e efeito.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

Se você quiser transformar o tema em uma atividade avaliativa, pode criar questões sobre atitude, controle percebido, influência social e diferenças entre intenção, criatividade e comportamento empreendedor. O gerador de provas do GeraProva pode ajudar a preparar uma prova ou atividade com perguntas alinhadas ao conteúdo que você trabalhou; revise e adapte cada questão à sua turma. Para começar, faça seu cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre intenção empreendedora no ensino médio

Intenção empreendedora é o mesmo que abrir uma empresa?

Não. Intenção empreendedora diz respeito à disposição ou ao propósito de se envolver futuramente em uma atividade empreendedora; não comprova que a pessoa abrirá uma empresa ou realizará uma ação. Os estudos citados investigam intenções e fatores associados, não permitem concluir que todos os estudantes interessados vão empreender. Na escola, vale distinguir a vontade declarada, a capacidade percebida, a criatividade e o comportamento efetivamente realizado. Essa separação ajuda a discutir o tema sem pressionar a turma a escolher uma carreira específica ou confundir uma atividade de projeto com a criação de um negócio real.

Quais fatores aparecem associados à intenção empreendedora?

Nos estudos com estudantes de ensino médio profissionalizante e de institutos federais, atitude, controle comportamental percebido e normas subjetivas foram fatores significativos associados à intenção (Mahfud, 2025; Ferreira, 2024). Em termos simples, entram na conversa a avaliação que o estudante faz da atividade, sua percepção de que consegue realizá-la e as influências sociais que percebe. A pesquisa brasileira também relata relações com a participação na educação profissional técnica, a idade e a etapa do curso. Esses resultados pertencem aos grupos investigados e não devem ser tratados como uma fórmula universal para toda escola.

Uma aula de empreendedorismo aumenta necessariamente a intenção?

Não é isso que os estudos permitem afirmar. Mahfud relata que a educação empreendedora influenciou as intenções por meio de atitude, controle percebido e normas subjetivas em estudantes profissionalizantes de gastronomia. Esse achado é específico daquele contexto e não demonstra que qualquer aula isolada produza o mesmo efeito. A revisão de Angelo também mostra um campo amplo, com diferentes modelos e fatores de investigação. Uma aplicação prudente é criar oportunidades para estudantes analisarem ideias e capacidades, observando suas respostas, sem prometer que uma atividade aumentará a intenção ou levará alguém a empreender.

Projetos em grupo ajudam a desenvolver intenção empreendedora?

Um estudo com estudantes de ensino médio técnico na Indonésia encontrou melhora significativa no pensamento criativo após uma proposta de projetos em equipe com sala de aula invertida. Os autores destacaram a colaboração na geração e no aprimoramento de ideias (Saputro, 2026). Porém, o estudo avaliou criatividade, não intenção empreendedora. Portanto, não é correto dizer que demonstrou aumento da intenção de empreender. Você pode experimentar projetos colaborativos como uma forma de trabalhar criação e revisão de ideias, deixando claro para a turma qual é o objetivo da atividade e avaliando resultados compatíveis com esse objetivo.

O que a pesquisa brasileira encontrou?

Ferreira investigou 127 estudantes do ensino médio e de cursos técnicos de institutos federais do Brasil. O estudo relata uma preferência predominante por escolhas profissionais que promovam qualidade de vida e uma correlação positiva entre participação na educação profissional técnica e intenções empreendedoras. Estudantes mais velhos e em anos mais avançados também demonstraram maior interesse; atitude, normas subjetivas e controle percebido foram preditores significativos no grupo (Ferreira, 2024). Como a pesquisa se concentrou em estudantes de institutos federais, seus resultados não representam automaticamente todos os jovens brasileiros nem todas as redes de ensino.

Como avaliar o tema sem incentivar todos a empreender?

Uma forma de aplicação é avaliar a análise e a argumentação dos estudantes, não a escolha de uma carreira. Você pode pedir que grupos expliquem um problema, comparem soluções, indiquem recursos necessários e revisem uma proposta após receber comentários. Os estudos mostram que a intenção envolve fatores como atitude, controle percebido e influência social, mas não prescrevem uma rubrica escolar única. Por isso, deixe explícito o objetivo da tarefa e valorize diferentes trajetórias profissionais. Um estudante pode aprender a analisar possibilidades empreendedoras sem declarar que pretende abrir um negócio.

Referências

  1. Angelo, Marly Aparecida Machado; Aranha, Elzo Alves (2025). Intenção empreendedora no ensino médio: revisão sistemática da literatura do período de 2000 a 2022 (Entrepreneurial Intention in High School: Systematic Literature Review of the Period 2000-2022). Journal of Education and Learning. Link.
  2. Mahfud, Tuatul; Kusuma, Bambang Jati; Channa, Khieng; Dang, Vu Hung (2025). Impacto da Educação Empreendedora na Intenção Empreendedora: Abordagem da Teoria do Comportamento Planejado (Entrepreneurship Education Impact on Entrepreneurial Intention: Theory of Planned Behaviour Approach). Journal of Education and Learning (EduLearn). Link.
  3. Ferreira, Aleciane da Silva Moreira; Smail, Linda (2024). Intenção empreendedora e educação entre estudantes do ensino médio e de cursos técnicos dos institutos federais do Brasil (Entrepreneurial Intention and Education among High School and Technical Students from Federal Institutes in Brazil). Journal of Education and Work. Link.
  4. Saputro, Ida Nugroho; Priyono, Diva Jaira Arlesa; Sumarni, Sri; Sukatiman; Budiarto, Mochamad Kamil (2026). Potencializando o Pensamento Criativo dos Estudantes por meio do Modelo de Aprendizagem por Projetos em Equipe com Sala de Aula Invertida na Educação Empreendedora (Enhancing Students' Creative Thinking Skills through Flipped Classroom-Based Team Project Learning Model in Entrepreneurship Education). Journal of Educators Online. Link.

Se este tema conversa com sua turma, experimente começar por uma pergunta próxima da realidade dos estudantes e observe o que eles descobrem juntos. Boa aula!

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