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Estilos parentais: o papel das atribuições escolares no bem-estar dos adolescentes

Estudos recentes relacionam práticas parentais, desempenho e bem-estar, mas apontam que apoio, contexto e relações sociais também importam. Uma pesquisa com adolescentes brasileiros destaca o papel das atribuições sobre sucesso e fracasso escolar.

Estilos parentais: o papel das atribuições escolares no bem-estar dos adolescentes

Estilos parentais podem se relacionar tanto ao desempenho escolar quanto ao bem-estar dos filhos, mas os efeitos dependem de outros fatores. Em um estudo com adolescentes brasileiros, o estilo autoritativo, as atribuições internas e controláveis sobre o sucesso ou fracasso e o desempenho percebido foram associados ao bem-estar psicológico. Para professores, isso reforça a importância de considerar o contexto familiar sem reduzir o estudante a ele.

Cena hipotética: uma estudante do 9º ano recebe uma nota abaixo do que esperava e, antes da aula começar, conta que em casa a conversa sobre a prova virou uma cobrança para nunca errar. Na mesma turma, outro estudante diz que seus responsáveis perguntaram o que ele aprendeu e como podem ajudar. São situações inventadas, mas tornam visível uma pergunta importante para quem ensina: como a forma de criar os filhos se relaciona com as notas e com o bem-estar na escola?

A pesquisa recente não oferece uma fórmula para classificar famílias nem autoriza o professor a julgar a educação recebida por um aluno. Ela ajuda, porém, a observar como apoio, expectativas, atribuições sobre sucesso e fracasso e relações sociais podem se conectar à experiência escolar. O ponto de partida mais próximo do contexto brasileiro é um estudo com adolescentes do país; outros trabalhos ampliam a conversa a partir de contextos distintos.

O que são estilos parentais e por que importam para o professor?

Estilos parentais são formas percebidas de cuidado, orientação e exercício de autoridade na relação entre responsáveis e filhos. Para o professor, o tema aparece não como uma etiqueta a ser aplicada à família, mas em situações cotidianas: como o estudante interpreta uma nota, se sente que pode pedir ajuda, como reage a um erro ou que tipo de expectativa percebe em casa. Essas experiências podem se relacionar tanto ao desempenho quanto ao bem-estar, sem determinar sozinhas o que acontecerá na escola.

É importante separar conceitos próximos. Um estilo parental descreve uma dimensão da relação familiar; envolvimento parental pode incluir ações concretas, como conversar sobre a escola ou fazer refeições juntos; atribuições causais são as explicações que o estudante dá para o sucesso ou o fracasso. Os estudos reunidos aqui não medem todos esses fenômenos da mesma maneira. Por isso, não cabe transformar resultados sobre uma prática específica em uma afirmação universal sobre “pais bons” ou “pais ruins”.

Também importa o alcance da atuação docente. A escola não controla o contexto familiar, e o professor não precisa assumir o papel de avaliador da parentalidade. Pode, sim, oferecer relações respeitosas, feedback que ajude o estudante a compreender o que pode fazer a seguir e oportunidades para que a família participe sem que a conversa se reduza a notas. Essa distinção é especialmente relevante porque os estudos apontam associações e resultados situados, não uma receita única para cada aluno.

O que a pesquisa recente mostra sobre família, notas e bem-estar?

As atribuições sobre sucesso e fracasso aparecem ligadas ao bem-estar

O estudo mais diretamente ligado ao contexto brasileiro investigou como estilos parentais percebidos, explicações para o sucesso e o fracasso escolar e desempenho percebido se relacionavam ao bem-estar psicológico de adolescentes. Participaram 200 adolescentes brasileiros, que responderam a instrumentos sobre essas dimensões. Os autores relatam que o bem-estar foi predito pelo estilo parental autoritativo, por atribuições internas e controláveis e pelo desempenho escolar percebido (Madalena, 2024).

O resultado merece atenção porque desloca a conversa de uma relação simples entre “estilo da família” e nota. As atribuições internas e controláveis dizem respeito a explicações que relacionam o resultado a fatores que o estudante pode reconhecer e manejar. O estudo testou um modelo em que essas atribuições mediavam a relação entre o estilo autoritativo e o desempenho percebido, que, por sua vez, se relacionava a melhor bem-estar psicológico. É uma cadeia de relações proposta e testada no estudo, não uma prova de que qualquer intervenção isolada produzirá o mesmo efeito para todos.

Para a escola, uma leitura útil é que a maneira como o estudante entende um resultado escolar pode fazer parte da conversa sobre bem-estar. Isso não significa dizer que a nota depende apenas de esforço individual: condições de aprendizagem, oportunidades e apoio também contam, embora não sejam o foco desse resumo. A pesquisa brasileira destaca a relevância de considerar, junto com o desempenho percebido, as explicações que adolescentes dão ao próprio sucesso e fracasso.

Envolvimento familiar pode ajudar, mas as formas de participação não são equivalentes

Em escolas secundárias do Camboja, um estudo examinou quatro atividades domésticas: conversar sobre desempenho, fazer refeições juntos, incentivar boas notas e conversar sobre educação futura. Os resultados indicaram correlação positiva entre notas nos testes e as três primeiras atividades. Já conversas frequentes sobre planos educacionais futuros estiveram associadas negativamente ao desempenho (Sara, 2026).

Esse contraste é importante: “participar mais” não aparece como uma categoria única, com efeito sempre igual. Uma conversa sobre o que aconteceu na escola ou um momento compartilhado de refeição não é necessariamente equivalente a falar com frequência sobre planos futuros. Como o estudo relata associações, não permite concluir que as conversas sobre futuro causem notas menores; pode haver outros fatores relacionados a esses padrões de conversa.

Uma intervenção qualitativa em uma vila rural chinesa investigou oficinas coparticipativas entre pais e filhos, voltadas a cuidadores com baixo nível socioeconômico e a estudantes do ensino fundamental II. O estudo relata melhora significativa nos resultados acadêmicos e indica que as oficinas ampliaram a compreensão dos cuidadores sobre práticas educativas, permitindo apoio acadêmico e emocional apesar da escolarização limitada dos adultos participantes (Deng, 2025). O achado aponta uma possibilidade de apoiar famílias sem pressupor que elas já dominem conteúdos ou práticas escolares.

Os dois trabalhos não são equivalentes: um analisa associações entre atividades familiares e resultados acadêmicos; o outro investiga um programa localizado. Em conjunto, ajudam a evitar uma leitura culpabilizadora. A relação família-escola pode ser apoiada com oportunidades de comunicação e participação, e o tipo de atividade parece importar. Não se deve transportar diretamente para o Brasil o formato de uma intervenção realizada em uma vila chinesa nem tratar as associações encontradas no Camboja como regra universal.

Expectativas escolares também podem produzir incerteza e pressão

Uma pesquisa sobre parentalidade e transições educacionais em Singapura examinou como pais lidam com incerteza e risco na educação dos filhos. O estudo relata que as expectativas educacionais podem ser paradoxais: o desempenho acadêmico continua sendo considerado fundamental, enquanto políticas educacionais passaram a dar mais atenção às competências socioemocionais e à educação integral. Nos relatos dos pais, medo de arrependimento e culpa se intensificaram em transições específicas, como o exame de conclusão do ensino primário (Göransson, 2025).

O estudo não avalia diretamente o efeito de um estilo parental sobre notas ou bem-estar dos estudantes. Sua contribuição para esta conversa está em mostrar que expectativas e transições podem ser vividas pelos adultos com incerteza e pressão. Isso convida o professor a não interpretar toda cobrança familiar como simples desinteresse pelo bem-estar: às vezes, a família pode estar tentando responder a exigências que parecem difíceis de conciliar.

O cenário de Singapura não é o brasileiro. O exame mencionado e o sistema educacional daquele país não devem ser tratados como equivalentes às transições escolares daqui. Ainda assim, a tensão entre desempenho e desenvolvimento integral pode servir como ponto de reflexão, sem presumir que as famílias brasileiras vivam a mesma situação ou com a mesma intensidade.

Bem-estar escolar também se relaciona com os vínculos e com o momento do estudante

Um estudo longitudinal sobre bem-estar escolar de estudantes do ensino fundamental II identificou quatro perfis e investigou se eles se mantinham estáveis ao longo do ano. O perfil menos favorável foi também o menos estável. Relações sociais mais positivas estiveram associadas à classificação ou à transição para perfis de maior bem-estar; o desempenho acadêmico também se associou à probabilidade de transição, mas os efeitos foram relativamente pequenos e heterogêneos (Obermeier, 2026).

Esse resultado amplia o foco para além da família. A experiência escolar se relaciona a dimensões sociais, e o bem-estar não aparece como estado fixo. Para o professor, isso sustenta uma postura de acompanhamento: um momento difícil não deve virar uma identidade permanente atribuída ao estudante. Ao mesmo tempo, o resumo não afirma que uma ação docente específica cause a mudança de perfil.

Outro estudo, realizado em escolas secundárias dos Países Baixos e da Bélgica, agrupou estudantes em perfis de agência, bem-estar, estresse e desempenho. Foram identificadas onze combinações, organizadas em três categorias amplas: florescimento, dificuldades e risco. Os estudantes em florescimento apresentavam agência e bem-estar de moderados a altos, ausência de estresse e desempenho acima da média; aqueles em situação de risco mostravam oscilações e desempenho abaixo da média (Schoots-Snijder, 2026).

Agência estudantil é definida nesse estudo como vontade e capacidade de moldar intencionalmente o próprio processo de aprendizagem. Os autores ressaltam que ela é maleável e que o ambiente pode contribuir para ativá-la. A pesquisa não aborda estilos parentais diretamente, mas acrescenta uma peça relevante: desempenho e bem-estar podem aparecer combinados de maneiras diferentes. Um aluno que precisa de apoio não é necessariamente definido por uma única nota ou por uma característica familiar.

O que os estudos mostram lado a lado?

Os estudos abaixo foram selecionados porque ajudam a compreender relações entre práticas familiares, desempenho, bem-estar e contexto escolar. A tabela resume apenas o que os resumos relatam; cada investigação tem foco e desenho próprios, portanto os resultados não são diretamente intercambiáveis.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Madalena, 2024Estilos parentais percebidos, atribuições, desempenho percebido e bem-estar.Estilo autoritativo, atribuições internas e controláveis e desempenho percebido predizem bem-estar; foi testado um modelo de mediação.200 adolescentes brasileiros.
Deng, 2025Intervenção de acompanhamento entre pais e filhos com oficinas coparticipativas.Relata melhora significativa nos resultados acadêmicos e ampliação da compreensão dos cuidadores sobre apoio acadêmico e emocional.Vila rural da China; estudantes do ensino fundamental II; cinco cuidadores de baixo nível socioeconômico.
Göransson, 2025Incerteza, risco e expectativas parentais em transições educacionais.Medo de arrependimento e culpa aparecem nos relatos e se intensificam em transições específicas.Singapura; exame de conclusão do ensino primário citado.
Sara, 2026Atividades de envolvimento parental em casa e desempenho acadêmico.Conversar sobre desempenho, fazer refeições juntos e incentivar boas notas correlacionam-se positivamente com notas; conversas frequentes sobre planos futuros, negativamente.Escolas secundárias do Camboja.
Obermeier, 2026Estabilidade e transições de perfis de bem-estar escolar.Relações sociais positivas associam-se a perfis mais favoráveis; desempenho também se associa às transições, com efeitos pequenos e heterogêneos.Estudantes do ensino fundamental II; amostra de 1.343, idade média de 10,19 anos.
Schoots-Snijder, 2026Perfis de agência estudantil, bem-estar, estresse e desempenho.Identifica onze perfis, agrupados em florescimento, dificuldades e risco, associados a diferentes resultados.1.470 estudantes de três escolas secundárias dos Países Baixos e da Bélgica.

Onde os estudos concordam e onde divergem?

Em conjunto, os estudos sugerem que o desempenho não deve ser lido isoladamente. O trabalho brasileiro liga bem-estar, estilo parental percebido, atribuições e desempenho percebido; os estudos do Camboja e da China olham para práticas concretas de envolvimento familiar; e as pesquisas sobre bem-estar escolar e agência mostram que relações sociais, estresse e participação no próprio processo de aprendizagem também compõem a experiência do estudante.

Uma convergência importante é a complexidade. O envolvimento familiar não é uma variável única: diferentes atividades se associam de maneiras distintas às notas no estudo cambojano. Em Singapura, as expectativas parentais aparecem atravessadas por sentimentos de culpa e medo. No estudo brasileiro, as atribuições escolares ajudam a explicar a relação investigada entre parentalidade percebida, desempenho e bem-estar. Não há base para resumir tudo a “mais cobrança melhora as notas” ou “menos cobrança melhora o bem-estar”.

Há também diferenças de foco e de método. Alguns estudos analisam associações, outros investigam uma intervenção e outros descrevem perfis ou experiências parentais. Uma correlação não demonstra causalidade, e os resultados de uma intervenção com um grupo pequeno e localizado não garantem o mesmo efeito em outras comunidades. Além disso, as populações e os sistemas escolares variam entre países.

Permanece em aberto como práticas familiares específicas se relacionam com resultados ao longo do tempo em diferentes realidades brasileiras, e quais formas de parceria funcionam melhor para estudantes com necessidades distintas. Os estudos disponíveis também não permitem afirmar que um estilo parental determine uma trajetória escolar. O que oferecem são pistas para observar relações, formular perguntas melhores e evitar explicações apressadas.

O que isso significa para a sala de aula?

Os estudos não prescrevem um método de ensino. As ideias a seguir são aplicações possíveis para a rotina escolar, construídas a partir dos achados e identificadas como sugestões, não como resultados testados pelas pesquisas.

1. Pergunte como o estudante explica um resultado

Aplicação sugerida: após uma avaliação, em vez de concluir que o aluno “não se esforçou”, pergunte qual parte foi mais difícil e o que ele tentaria de outro modo. Em uma turma hipotética, os estudantes podem revisar uma questão e identificar uma estratégia que ajudou ou que precisa ser ajustada. Essa conversa se aproxima do interesse pelo papel das atribuições internas e controláveis investigado com adolescentes brasileiros, sem transformar a nota em medida de valor pessoal.

2. Dê feedback que indique um próximo passo concreto

Aplicação sugerida: ao devolver uma atividade, combine reconhecimento do que funcionou com uma orientação específica para avançar. Por exemplo, em uma resposta incompleta, a devolutiva pode indicar que o estudante organize primeiro as evidências e depois explique sua conclusão. É uma forma de apoiar a reflexão sobre o próprio desempenho; não é uma técnica cuja eficácia tenha sido testada pelos estudos citados.

3. Convide a família a conversar sobre a aprendizagem, não apenas sobre a nota

Aplicação sugerida: em uma comunicação hipotética com responsáveis, proponha perguntas como “o que despertou interesse esta semana?” ou “qual parte merece mais apoio?”. O estudo cambojano encontrou associações positivas entre conversar sobre desempenho e notas, mas não avaliou esse roteiro específico. A sugestão é abrir espaço para uma conversa mais informativa, sem presumir que todas as famílias tenham tempo ou condições iguais para participar.

4. Ofereça formas variadas de participação familiar

Aplicação sugerida: aceite que o contato com a escola possa ocorrer por canais e horários diferentes, e explique com clareza como os responsáveis podem acompanhar uma atividade. A intervenção chinesa relata que oficinas coparticipativas ajudaram cuidadores com escolarização limitada a oferecer apoio acadêmico e emocional. Uma adaptação local deve ser construída com as famílias e considerar os recursos disponíveis, não copiar automaticamente o formato estudado.

5. Trate as transições escolares como momentos que podem exigir conversa

Aplicação sugerida: antes de uma mudança de etapa ou de uma avaliação importante, explique às famílias o que a escola espera e quais apoios estão disponíveis. A pesquisa em Singapura encontrou sentimentos de incerteza, culpa e medo de arrependimento em contextos de transição. O professor brasileiro não precisa presumir que as famílias estejam sob a mesma pressão, mas pode reduzir ruídos com comunicação compreensível e sem alarmismo.

6. Observe vínculos e pertencimento junto com os resultados acadêmicos

Aplicação sugerida: se um estudante demonstra retraimento ou dificuldade recorrente, observe também como se sente nas relações com colegas e adultos. Em uma turma hipotética, uma atividade cooperativa pode ajudar o professor a perceber barreiras de participação e planejar apoios. A associação entre relações sociais positivas e perfis mais favoráveis de bem-estar escolar foi relatada por Obermeier e colaboradores; a atividade sugerida, porém, não foi testada por esse estudo.

7. Evite transformar um momento difícil em rótulo

Aplicação sugerida: registre o que o estudante precisa agora e acompanhe mudanças, em vez de descrevê-lo como “desmotivado” ou “problemático” de forma permanente. A pesquisa sobre perfis de bem-estar mostra que o perfil menos favorável foi o menos estável, enquanto o estudo sobre agência encontrou diferentes combinações de desempenho, estresse e bem-estar. Na prática, isso convida a observar trajetórias e contextos, não a fixar identidades.

O que muda quando aplicamos esses achados ao contexto brasileiro?

O estudo de Madalena e colaboradores é o que oferece relação mais direta com adolescentes brasileiros: foram 200 participantes e os resultados destacam estilo parental autoritativo, atribuições internas e controláveis, desempenho percebido e bem-estar psicológico. Mesmo assim, não representa automaticamente todos os adolescentes do país. O resumo não permite tratar os achados como regra para cada região, etapa, grupo social ou configuração familiar.

Os demais estudos ocorreram em Singapura, na China, no Camboja, nos Países Baixos e na Bélgica. Cada contexto tem organização escolar, expectativas e condições próprias. Uma transição ligada a exame em Singapura não equivale necessariamente às transições brasileiras; oficinas em uma vila rural chinesa não podem ser copiadas sem considerar recursos, idioma, horários e necessidades das famílias daqui. As associações observadas no Camboja também não autorizam uma recomendação universal sobre refeições ou conversas familiares.

Para uma escola brasileira, a adaptação mais prudente é usar os estudos como perguntas, não como modelos prontos: que formas de contato são acessíveis às famílias? Como o aluno interpreta o erro? Que apoios estão disponíveis quando a aprendizagem trava? Essa abordagem evita responsabilizar famílias por obstáculos que podem envolver condições sociais, recursos e experiências escolares. Também reconhece que a relação entre casa e escola precisa ser construída com respeito às diferenças.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados pelo ERIC, e não na leitura integral dos trabalhos. Por isso, as descrições de métodos, resultados e contexto se restringem ao que consta nesses resumos. Para interpretar com precisão medidas, procedimentos, análises, limitações específicas e alcance dos resultados, é necessário consultar os estudos completos.

As perguntas em aberto incluem como as relações observadas se desenvolvem ao longo do tempo, quais mecanismos explicam as associações e em que medida os resultados se aplicam a diferentes grupos de estudantes. Também é preciso distinguir correlação de causa: uma associação entre determinada prática familiar e notas não prova que essa prática tenha produzido a diferença. Os estudos reunidos têm objetivos e contextos variados e não devem ser somados como se fossem uma única pesquisa.

Faz sentido ler o estudo completo quando uma escola pretende desenhar um programa de participação familiar, quando um professor quer aprofundar um resultado específico ou quando uma equipe precisa avaliar se uma proposta é adequada à sua comunidade. Em especial, qualquer decisão baseada em intervenção deve considerar como ela foi realizada e para quem, questões que exigem mais do que o resumo consegue mostrar.

Como o GeraProva pode ajudar com este assunto?

Uma forma prática de levar o tema para a rotina é propor atividades que ajudem os estudantes a refletir sobre estratégias, interpretar erros e planejar próximos passos, sem transformar a avaliação em julgamento sobre a família. O GeraProva pode apoiar a criação de provas e atividades alinhadas ao que o professor deseja observar; a ferramenta não substitui a análise docente nem avalia estilos parentais. Conheça o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre estilos parentais e escola

O estilo parental determina as notas de um adolescente?

Os estudos resumidos não sustentam que um estilo parental determine as notas de cada adolescente. A pesquisa brasileira encontrou relações entre estilo parental autoritativo, atribuições sobre sucesso e fracasso, desempenho percebido e bem-estar. Já o estudo cambojano identificou associações diferentes para distintas práticas de envolvimento em casa. Esses resultados indicam que a relação é complexa e depende do que está sendo medido. Para o professor, é mais adequado observar o estudante e suas necessidades do que inferir seu desempenho a partir de uma ideia sobre a família.

O que quer dizer “atribuições internas e controláveis”?

No estudo com adolescentes brasileiros, essas atribuições foram descritas como motivações adequadas para lidar com sucesso e fracasso escolar e apareceram relacionadas ao bem-estar. Em termos simples, são explicações que conectam um resultado a aspectos que o estudante pode reconhecer e manejar. Isso não significa que todo resultado dependa apenas dele: os resumos não autorizam essa conclusão. Na escola, uma aplicação possível é ajudar o aluno a distinguir o que pode tentar de novo daquilo que depende de condições externas ou de apoio adicional.

Conversar muito sobre o futuro escolar faz mal?

Não é possível concluir isso a partir do estudo disponível. No Camboja, conversas frequentes sobre planos educacionais futuros estiveram associadas negativamente ao desempenho, enquanto outras atividades familiares se associaram positivamente. Como se trata de uma associação, o resultado não prova que falar sobre o futuro cause notas mais baixas, nem que conversas desse tipo sejam prejudiciais em todas as famílias. O achado é um convite a considerar que as formas de envolvimento podem ter efeitos distintos e que a frequência, o contexto e a experiência do estudante importam.

Como envolver famílias com pouca escolarização formal?

Um estudo qualitativo realizado em uma vila rural chinesa investigou oficinas coparticipativas entre pais e filhos. Os autores relatam melhora significativa nos resultados acadêmicos dos estudantes e ampliação da compreensão dos cuidadores sobre práticas educativas, com apoio acadêmico e emocional possível apesar da escolarização limitada. Isso sugere que a participação familiar não precisa depender de domínio de conteúdos escolares avançados. No Brasil, uma escola pode pensar em formas acessíveis de diálogo e acompanhamento, mas deve adaptar qualquer proposta à comunidade em vez de reproduzir automaticamente a intervenção estudada.

O bem-estar escolar muda ao longo do ano?

O estudo de Obermeier e colaboradores investigou mudanças em perfis de bem-estar escolar e encontrou que o perfil menos favorável era o menos estável. Relações sociais mais positivas se associaram a perfis mais favoráveis ou a transições para eles, enquanto o desempenho também se relacionou às transições, com efeitos pequenos e heterogêneos. Isso aponta que o bem-estar não deve ser tratado como uma característica fixa. Ainda assim, o estudo não prova que uma ação específica de sala de aula produza a mudança; acompanhamento e atenção ao contexto são aplicações prudentes.

Esses resultados podem ser aplicados diretamente em qualquer escola brasileira?

Não. Um dos estudos citados foi realizado com adolescentes brasileiros, mas os demais ocorreram em outros países e em populações e sistemas escolares distintos. O estudo brasileiro também não representa automaticamente todos os estudantes do país. Os achados podem ajudar a formular perguntas e orientar uma reflexão, mas precisam ser interpretados considerando a comunidade, a etapa escolar e os recursos disponíveis. Antes de adotar uma intervenção, vale consultar o estudo completo e conversar com estudantes e famílias sobre a pertinência da proposta.

Referências

  1. Madalena, A. P. et al. (2024). Bem-Estar Psicológico na Adolescência: O Papel dos Estilos Parentais, das Atribuições Causais de Sucesso/Fracasso Escolar e do Desempenho Escolar Percebido (Psychological Well-Being among Adolescents: The Role of Parenting Styles, Causal Attributions of Academic Success/Failure, and Perceived School Performance). Journal of Psychoeducational Assessment. Link.
  2. Deng, L.; Hsu, A. H.-F. (2025). Capacitando as mães para reduzir a desigualdade educacional na zona rural da China: um estudo qualitativo sobre o acompanhamento entre pais e filhos (Empowering Mothers to Remedy Educational Inequality in Rural China: A Qualitative Study on Parent-Child Companionship). AERA Online Paper Repository. Link.
  3. Göransson, K. (2025). “A grande encruzilhada”: parentalidade, risco e transições educacionais em Singapura (“The Big Crossroad”: Parenting, Risk and Educational Transitions in Singapore). Global Studies of Childhood. Link.
  4. Sara, T.; Ogawa, K.; Chea, P. (2026). O papel do envolvimento parental no contexto familiar na aprendizagem dos estudantes em escolas secundárias do Camboja (The Role of Home-Based Parental Involvement in Student Learning in Cambodian Secondary Schools). SAGE Open. Link.
  5. Obermeier, R.; Hagenauer, G.; Gläser-Zikuda, M. (2026). Explorando e explicando mudanças no bem-estar escolar de estudantes do ensino fundamental II: uma abordagem centrada na pessoa por meio da análise de transição latente (Exploring and Explaining Changes in Secondary Students' Well-Being at School: A Person-Centered Approach by Applying Latent Transition Analysis). Social Psychology of Education: An International Journal. Link.
  6. Schoots-Snijder, A. J. M.; Tigelaar, E. H.; Admiraal, W. F. (2026). Reconhecendo o potencial de agência na educação secundária: explorando perfis situados de agência estudantil e resultados esperados (Recognizing Agentic Potential in Secondary Education: Exploring Situated Profiles of Student Agency and Anticipated Outcomes). European Journal of Psychology of Education. Link.

Se este tema aparece nas conversas com seus estudantes, escolha uma pergunta para levar à próxima aula e observe o que ela ajuda a compreender. A troca entre professores também pode abrir caminhos mais cuidadosos de apoio.

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