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Creches e COVID-19: comunicação com famílias ajudou a manter vínculos no isolamento

Estudos sobre a pandemia mostram como comunicação, apoio às famílias e condições de trabalho afetaram a educação infantil. Veja o que essas experiências podem ensinar às creches hoje.

Creches e COVID-19: comunicação com famílias ajudou a manter vínculos no isolamento

Durante a pandemia de COVID-19, creches enfrentaram fechamentos, mudanças nas rotinas, desafios de pessoal e novas formas de contato com as famílias. Estudos recentes relatam que a comunicação frequente ajudou a preservar vínculos, enquanto o apoio oferecido e as condições de trabalho também influenciaram as experiências de famílias e profissionais. Esses aprendizados podem orientar práticas de acolhimento e continuidade na educação infantil.

Na Coreia do Sul, pais e mães relataram que a comunicação regular dos programas de educação e cuidado na primeira infância ajudou a manter as relações com as instituições durante as mudanças causadas pela COVID-19 (Byun, 2024). O achado dá um ponto de partida concreto: quando o atendimento muda ou é interrompido, comunicar-se com as famílias pode ajudar a preservar um vínculo importante.

A pandemia não alterou apenas horários e rotinas. Estudos recentes investigaram como fechamentos, mudanças no atendimento, apoio às famílias e condições de trabalho repercutiram em crianças, responsáveis e profissionais. As experiências vieram de diferentes países e sistemas; não são um manual pronto para as creches brasileiras. Ainda assim, ajudam a pensar o que merece atenção quando uma instituição precisa reorganizar o cuidado, manter contato com as famílias ou apoiar sua equipe.

O que são creches e pandemia de COVID-19: funcionamento e cuidados com as crianças e por que importa para o professor?

Creches e outros serviços de educação e cuidado na primeira infância acolhem crianças e organizam experiências de cuidado e educação em parceria com as famílias. Durante a pandemia, essa rotina foi atravessada por fechamentos, alterações no funcionamento e medidas como máscaras, quarentenas e distanciamento social. Para o professor, o tema aparece na comunicação com responsáveis, na continuidade dos vínculos, na organização do trabalho e no bem-estar de quem cuida e educa.

Os estudos reunidos aqui não tratam todos do mesmo aspecto. Alguns investigam como as famílias perceberam as mudanças; outros analisam apoio durante o isolamento, estabilidade do atendimento, condições de trabalho ou consequências do fechamento de um centro. Juntos, ajudam a ampliar a conversa: cuidar das crianças em uma crise também envolve escutar responsáveis, apoiar profissionais e considerar os efeitos da interrupção na comunidade.

O que a pesquisa recente mostra sobre creches e pandemia?

Comunicação e apoio às famílias ajudam a sustentar relações

Na Coreia do Sul, entrevistas com 33 pais e mães de crianças pequenas em diferentes tipos de programas de educação e cuidado buscaram compreender as mudanças percebidas no início da pandemia. Os participantes falaram de alterações estruturais nos serviços, do apoio oferecido por programas e professores e de mudanças na forma como entendiam esses espaços. Alguns demonstraram preocupação com as mudanças e insatisfação com o apoio. Já quando havia comunicação regular, relataram gratidão e disseram que as relações entre famílias e programas não foram interrompidas (Byun, 2024).

O estudo destaca que responsáveis não são apenas destinatários de avisos: suas percepções e participação importam para a relação com o serviço. Isso não significa que uma mensagem, por si só, resolva dificuldades práticas ou emocionais. A pesquisa aponta a relevância de uma comunicação frequente e aberta, que reconheça as famílias como parte da comunidade de educação e cuidado na primeira infância.

Na Finlândia, um questionário respondido por 521 pais durante o isolamento investigou o apoio oferecido por instituições de educação infantil e sua associação com o esgotamento parental. Oitenta e um por cento disseram ter sido contatados por profissionais; 19% não foram contatados, embora 9% desse grupo desejassem contato. As formas de apoio incluíram principalmente orientações para atividades cotidianas das crianças e mensagens ou cartas de saudação. Um terço considerou o apoio útil, 36% o considerou às vezes útil e 31% não o considerou útil (Sorkkila, 2025).

Os autores encontraram associação entre maior apoio recebido e menor nível de esgotamento parental. Ajuda alimentar e orientação para procurar a instituição quando necessário também estiveram associadas a níveis menores de esgotamento. É importante manter o sentido do resultado: trata-se de associação, não de prova de que um tipo específico de contato, isoladamente, causou a redução do esgotamento. Mesmo assim, o estudo mostra que apoio pode ter dimensões concretas, para além de compartilhar atividades.

O fechamento e as regras de funcionamento podem distribuir impactos de forma desigual

Um estudo de caso analisou o fechamento de um centro de educação infantil afetado pela gentrificação e pela COVID-19. O trabalho examinou como a instituição encerrou as atividades e os efeitos desse processo sobre a diretora, professores, crianças e famílias. Seus resultados apontam que o fechamento de um centro pode deixar efeitos duradouros na comunidade, tanto pessoais quanto sociais (Ku, 2025). O resumo não detalha cada consequência, mas chama atenção para algo que pode passar despercebido quando se olha apenas para a interrupção do serviço: uma instituição também está ligada às relações e à vida comunitária.

Outro estudo examinou políticas que permitiam a centros de educação infantil permanecer abertos mediante a obtenção de dispensas de determinações de fechamento. A pesquisa associou o ônus administrativo do processo à estabilidade do atendimento, observada por meio das matrículas em centros que obtiveram dispensa. Crianças negras tinham probabilidade significativamente menor do que crianças brancas de estar matriculadas nesses centros, e a diferença era ainda maior no início da pandemia. As taxas de matrícula eram menores onde os centros enfrentavam maior ônus administrativo; as disparidades raciais estavam ligadas à concentração de crianças negras em comunidades onde solicitar a dispensa era mais oneroso (Hollett, 2024).

Esse resultado desloca a pergunta de “quais centros conseguiram ficar abertos?” para “quem teve acesso a esses centros e que obstáculos pesaram no processo?”. A pesquisa trata de políticas de dispensa em seu contexto, não de regras brasileiras. Ainda assim, a associação entre exigências administrativas, localização e estabilidade do atendimento serve como alerta: procedimentos aparentemente neutros podem ter efeitos diferentes conforme as condições das comunidades.

O cuidado depende também das condições de trabalho e da capacidade de manter equipes

Em Ohio, nos Estados Unidos, um estudo com 53 profissionais atuais ou recentes da educação infantil, entre professores e gestores, investigou experiências com iniciativas de recrutamento e retenção no período pós-pandemia. Os temas incluíram motivos para entrar, permanecer ou sair da área, desafios de equipe, impactos da pandemia e fatores associados à rotatividade. Os resultados reforçam que baixos salários e exigências elevadas afetam o recrutamento e a permanência dos profissionais, e que esses problemas foram agravados pela pandemia (Rowland, 2026).

Em outro estudo nos Estados Unidos, 27 diretores responderam a perguntas sobre efeitos da pandemia em funcionários, crianças, famílias e rotinas dos centros. Problemas de pessoal, estresse elevado, menor participação dos pais e baixa matrícula apareceram como temas recorrentes. Os diretores também trataram de máscaras, quarentenas e distanciamento social. Alguns estavam otimistas, enquanto outros duvidavam de conseguir manter as portas abertas. Muitos sentiam dificuldade para competir com o comércio varejista e restaurantes na oferta de salários e retenção de professores; os mais otimistas buscavam recursos para enfrentar as adversidades (Hoffman, 2024).

Os dois estudos abordam contextos dos Estados Unidos e não descrevem a realidade de todas as creches brasileiras. Em conjunto, porém, mostram que a continuidade do cuidado não depende apenas de decisões sobre protocolos: a capacidade de atrair e manter profissionais também afeta o funcionamento. A valorização das equipes aparece, portanto, como parte da conversa sobre qualidade e resiliência dos serviços.

Qualidade envolve relações, não apenas a existência de uma vaga

Na Inglaterra, pesquisadores investigaram como o acesso à creche durante a pandemia repercutiu em pais ou responsáveis e crianças, em um centro comunitário de pesquisa localizado em área de vulnerabilidade econômica e social. A análise de entrevistas sugeriu que o acesso ao atendimento e as relações positivas, pautadas pela confiança, tiveram impacto transformador sobre crianças e responsáveis. O estudo propõe compreender a qualidade de maneira holística e relacional, em vez de reduzir a creche ao serviço de cuidado oferecido (Demissie, 2025).

Esse foco complementa as pesquisas sobre comunicação e apoio. Uma vaga permite acesso ao serviço, mas a experiência das famílias também se constrói na confiança e na qualidade das relações. O estudo não oferece uma fórmula única para produzir essa confiança; contribui com uma perspectiva para pensar o valor dos centros integrados de cuidado e educação, especialmente em áreas de vulnerabilidade.

Na Colômbia, uma avaliação experimental examinou o programa Think Equal, voltado a habilidades socioemocionais de crianças de 3 a 6 anos. Diante da COVID-19, o programa foi adaptado para alternar atividades presenciais e remotas e envolver as famílias. Os pesquisadores encontraram efeitos positivos no comportamento pró-social, na autoconsciência e na aprendizagem cognitiva das crianças. Também relataram impactos nos profissionais e cuidadores envolvidos: entre outros resultados, melhores práticas pedagógicas e de estimulação em comparação aos grupos de controle, além de menos sintomas negativos de saúde em certos grupos (Näslund-Hadley, 2024).

O caso colombiano mostra uma adaptação específica de programa, não uma recomendação para que toda creche adote o mesmo formato híbrido. Seu interesse está em indicar que a combinação de atividades presenciais e remotas foi avaliada em uma intervenção planejada e que a implementação envolveu também famílias e cuidadores. Para aplicar qualquer proposta semelhante, é preciso considerar recursos, condições de acesso e necessidades locais.

Como os estudos se comparam?

Os estudos observam dimensões diferentes da experiência de creches na pandemia: comunicação, apoio familiar, fechamento, acesso, trabalho profissional e intervenção pedagógica. A tabela resume o foco e o contexto de cada pesquisa citada.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Byun (2024)Percepções de pais e mães sobre mudanças nos serviços de primeira infância.Alguns expressaram preocupação; comunicação regular foi associada à continuidade das relações com os programas.Coreia do Sul; 33 responsáveis; início da pandemia.
Sorkkila (2025)Apoio das instituições às famílias durante o isolamento e associação com esgotamento parental.Contato, orientações e apoio prático; maior apoio associado a menor esgotamento.Finlândia; questionário com 521 pais.
Ku (2025)Fechamento de um centro afetado por gentrificação e COVID-19.O fechamento pode ter efeitos duradouros pessoais e sociais na comunidade.Estudo de caso; local não especificado no resumo.
Hollett (2024)Ônus administrativo das dispensas e estabilidade do atendimento.Maior ônus associado a taxas menores de matrícula em centros com dispensa; disparidades raciais.Políticas de dispensa; o país não é especificado no resumo.
Rowland (2026)Recrutamento e retenção de profissionais no período pós-pandemia.Baixa remuneração e exigências elevadas afetam recrutamento e permanência.Ohio, Estados Unidos; 53 profissionais.
Hoffman (2024)Experiências e desafios relatados por diretores de centros.Problemas de equipe, estresse, menor participação familiar e baixa matrícula foram recorrentes.27 respostas de diretores; contexto dos Estados Unidos.
Demissie (2025)Relação entre acesso à creche, famílias e crianças durante a pandemia.Acesso e relações de confiança foram associados a impacto transformador.Inglaterra; centro comunitário em área vulnerável.
Näslund-Hadley (2024)Avaliação experimental do programa Think Equal adaptado durante a COVID-19.Efeitos positivos em habilidades infantis e resultados para implementadores e cuidadores.Colômbia; crianças de 3 a 6 anos; formato híbrido.

O que os estudos têm em comum e onde diferem?

Um ponto em comum é que a experiência das crianças não aparece isolada das condições ao redor. A relação entre instituição e família, a disponibilidade de profissionais e a continuidade do atendimento surgem como dimensões importantes. Os estudos de Byun e Sorkkila olham diretamente para o contato e o apoio às famílias; Demissie destaca relações de confiança; Rowland e Hoffman mostram dificuldades que atravessam as equipes e a gestão.

As pesquisas também convergem ao mostrar que a resposta à crise não se resume a uma medida sanitária. Fechamentos e regras de funcionamento alteraram o acesso, enquanto a falta de pessoal e as pressões sobre os profissionais afetaram a capacidade dos centros. Hollett acrescenta uma dimensão de equidade: exigências administrativas podem se relacionar a diferenças de estabilidade entre grupos. Ku, por sua vez, chama atenção para os efeitos comunitários de um fechamento.

As diferenças estão no foco e no tipo de evidência. Há entrevistas e estudos de caso, questionários, análises de políticas e uma avaliação experimental de programa. Também variam os países e os sistemas de educação e cuidado. Por isso, não é adequado tratar todos os resultados como se medissem a mesma coisa ou como se descrevessem uma única experiência universal.

Continuam em aberto perguntas sobre quais formas de comunicação funcionam melhor para famílias diferentes, como sustentar equipes em contextos de recursos limitados e como políticas de emergência podem evitar ampliar desigualdades de acesso. Os resumos não permitem comparar diretamente a intensidade dos efeitos entre estudos. Tampouco oferecem uma receita única para preparar cada serviço para futuras interrupções.

O que esses estudos sugerem para a sala de aula e a creche?

Os estudos não prescrevem um plano universal de sala de aula. As propostas abaixo são aplicações possíveis para professores e equipes, inspiradas nos achados, e precisam ser ajustadas às condições da instituição e das famílias.

1. Combine canais e frequência de comunicação

Como aplicação, a equipe pode combinar com as famílias como e quando fará contato caso a rotina mude. Imagine uma creche que precise suspender temporariamente parte do atendimento: além do aviso inicial, poderia prever atualizações em horários acordados e abrir um canal para dúvidas. A ideia não é multiplicar mensagens, mas evitar que responsáveis fiquem sem saber onde buscar informação. A experiência relatada na Coreia do Sul dá relevância à comunicação regular, sem garantir que um único modelo funcione para todas as comunidades (Byun, 2024).

2. Pergunte que tipo de apoio é realmente útil

Como aplicação, em vez de presumir que toda família precisa da mesma coisa, o professor ou a gestão pode perguntar se são mais úteis orientações para atividades cotidianas, informação sobre como contatar a instituição ou outro apoio disponível. Em uma situação hipotética de atendimento interrompido, uma família pode precisar de orientações sobre a rotina da criança, enquanto outra pode precisar saber a quem recorrer. O estudo finlandês encontrou avaliações variadas do apoio e destacou associações com formas práticas de ajuda (Sorkkila, 2025).

3. Inclua a escuta das famílias nas mudanças

Como aplicação, ao alterar horários, formas de contato ou combinados de funcionamento, a instituição pode criar uma maneira simples de ouvir os responsáveis e considerar suas preocupações. Imagine que uma creche passe a enviar propostas de atividades para casa: uma conversa breve pode ajudar a entender se as famílias conseguem realizá-las e o que precisa ser ajustado. Isso não significa que toda sugestão possa ser atendida, mas que a comunicação também pode ser de mão dupla, como enfatiza o estudo com pais e mães sul-coreanos (Byun, 2024).

4. Trate o bem-estar da equipe como parte da continuidade do cuidado

Como aplicação, reuniões de equipe podem reservar espaço para identificar sobrecarga, necessidades de apoio e dificuldades de organização, em vez de olhar apenas para tarefas concluídas. Imagine uma equipe que, após uma mudança de rotina, esteja acumulando demandas de contato com famílias e reorganização das atividades. Rever responsabilidades pode ajudar a tornar os desafios visíveis. Essa proposta é uma aplicação dos estudos que relatam estresse, problemas de pessoal e dificuldades de retenção; não substitui medidas institucionais sobre condições de trabalho (Hoffman, 2024; Rowland, 2026).

5. Planeje alternativas sem presumir que todas as famílias têm os mesmos recursos

Como aplicação, caso a instituição proponha atividades remotas, pode oferecer alternativas simples e perguntar às famílias o que é viável. Uma equipe poderia, por exemplo, combinar orientações por mensagens com propostas que não dependam de materiais específicos. O estudo colombiano avaliou uma intervenção híbrida planejada que envolvia as famílias, mas não autoriza concluir que qualquer atividade remota será acessível ou eficaz em qualquer contexto. A adaptação precisa partir das condições concretas da comunidade (Näslund-Hadley, 2024).

6. Observe quem pode ficar de fora quando as regras mudam

Como aplicação, ao revisar procedimentos de matrícula, atendimento ou acesso a informações, a equipe pode perguntar se algum grupo enfrenta obstáculos adicionais. Imagine uma mudança que exija formulários ou etapas extras: vale verificar se a exigência é compreensível e se há apoio para completá-la. O estudo sobre dispensas encontrou associação entre maior ônus administrativo e menor estabilidade da matrícula, além de disparidades raciais no contexto analisado. A proposta aqui é usar essa evidência como alerta para revisar barreiras, não importar regras de outro país (Hollett, 2024).

7. Pense na instituição como parte da comunidade

Como aplicação, uma equipe pode mapear com quem as famílias contam e quais relações a creche ajuda a sustentar, respeitando a privacidade e sem presumir que conhece todas as necessidades. Em uma situação hipotética de fechamento ou mudança importante, a gestão poderia planejar como comunicar a decisão e encaminhar dúvidas de forma cuidadosa. O estudo de caso sobre encerramento destaca efeitos pessoais e sociais duradouros; a aplicação prática é reconhecer que a transição pode exigir atenção às pessoas e relações, além da logística (Ku, 2025).

O que muda quando aplicamos esses aprendizados ao contexto brasileiro?

Os estudos vêm de contextos internacionais: Coreia do Sul, Finlândia, Inglaterra, Colômbia, Ohio e, em algumas pesquisas, um contexto não identificado no resumo. As políticas, os serviços e as condições de trabalho desses lugares não devem ser apresentados como regras brasileiras. Os resultados ajudam a formular perguntas para nossas creches, mas não provam que as mesmas respostas se repetiriam aqui.

Na prática brasileira, cada instituição precisa considerar sua rede de atendimento, os canais de comunicação disponíveis, as condições materiais das famílias e a composição de sua equipe. Antes de adotar uma proposta remota ou um novo procedimento, vale verificar se as famílias conseguem acessar o canal escolhido e se a equipe tem condições de manter o contato. Essa é uma orientação de aplicação, não um resultado específico dos estudos.

Também é importante não transformar a comunicação em substituto para o atendimento, nem atribuir ao professor sozinho a responsabilidade por problemas de pessoal, remuneração ou acesso. As pesquisas apontam fatores institucionais e comunitários que vão além da ação individual. Uma conversa com responsáveis pode ajudar a compreender necessidades, mas não resolve, por si só, barreiras estruturais. O aprendizado mais transferível é usar a evidência para fazer perguntas locais e ajustar respostas com escuta e cuidado.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes, não na leitura integral de cada pesquisa. Os resumos permitem identificar objetivos, contextos e resultados principais, mas não oferecem todos os detalhes necessários para avaliar instrumentos, análises, limitações específicas ou como cada resultado foi medido. Por isso, as conclusões foram apresentadas dentro do que os resumos relatam, sem extrapolar para situações não investigadas.

Ficam abertas perguntas importantes: que formas de comunicação atendem melhor famílias com necessidades diferentes? Como condições de trabalho e recursos institucionais variam entre redes? Que adaptações são viáveis em cada território brasileiro? Para responder a questões de implementação, comparar políticas ou decidir a adoção de um programa, faz sentido consultar os estudos completos e buscar evidências diretamente ligadas ao contexto da instituição. Os resultados de um país ou de um centro não devem ser tratados como regra geral.

Como o GeraProva pode ajudar com este assunto?

O tema pode render atividades de leitura, discussão e avaliação sobre comunicação, cuidado, relações com as famílias e análise de evidências. Uma possibilidade é pedir aos estudantes que comparem perspectivas de diferentes grupos ou que distingam um achado de pesquisa de uma proposta de aplicação. Para preparar questões e adaptar atividades à sua turma, você pode usar o gerador de provas do GeraProva ou fazer o cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre creches e COVID-19

A comunicação com as famílias ajudou durante o isolamento?

Em um estudo qualitativo realizado na Coreia do Sul, pais e mães disseram que, quando os programas mantiveram comunicação regular durante as mudanças iniciais da pandemia, sentiram-se gratos e as relações entre famílias e instituições não foram interrompidas. Alguns responsáveis, por outro lado, expressaram preocupação com as mudanças e insatisfação com o apoio recebido. O resultado reforça a importância de comunicação frequente e aberta, mas não indica que mensagens, sozinhas, resolvam todas as necessidades. A experiência de cada família e o tipo de apoio disponível também importam (Byun, 2024).

Que tipo de apoio às famílias foi investigado?

Na Finlândia, o apoio relatado por pais durante o isolamento consistiu principalmente em orientações para as atividades cotidianas das crianças e em comunicação por cartas e mensagens de saudação. O estudo também registrou ajuda alimentar e orientações para procurar a instituição quando necessário. As avaliações variaram: parte dos pais considerou o apoio útil, parte o considerou às vezes útil e parte não o considerou útil. Os pesquisadores encontraram associação entre maior apoio e menor esgotamento parental, sem que isso signifique que todo tipo de apoio produza o mesmo efeito em qualquer contexto (Sorkkila, 2025).

O que a pandemia revelou sobre o trabalho dos profissionais de creche?

Estudos com profissionais e diretores em contextos dos Estados Unidos relataram problemas de pessoal, estresse e dificuldades para recrutar e reter trabalhadores. Em Ohio, baixos salários e exigências elevadas apareceram como fatores que afetavam a permanência na área, com problemas agravados pela pandemia. Diretores também mencionaram dificuldades para competir com outros setores na oferta de salários. Esses achados não descrevem automaticamente as condições de todas as creches brasileiras, mas mostram por que a continuidade do atendimento deve ser pensada junto com as condições de trabalho das equipes (Rowland, 2026; Hoffman, 2024).

Os fechamentos afetaram apenas o atendimento às crianças?

Não é assim que os estudos apresentam o problema. Um estudo de caso sobre o fechamento de um centro de educação infantil relata efeitos duradouros na comunidade, em dimensões pessoais e sociais, envolvendo diretora, professores, crianças e famílias. A pesquisa não detalha no resumo cada consequência, então não cabe atribuir ao caso efeitos específicos além dos relatados. O achado, ainda assim, convida a considerar que uma instituição também reúne relações e tem presença comunitária. Por isso, planejar uma interrupção ou encerramento pede atenção à comunicação e às pessoas afetadas (Ku, 2025).

Uma atividade híbrida pode funcionar na educação infantil?

Uma avaliação experimental na Colômbia estudou o programa Think Equal, adaptado durante a COVID-19 para alternar atividades presenciais e remotas e envolver as famílias. Os autores encontraram efeitos positivos em comportamento pró-social, autoconsciência e aprendizagem cognitiva das crianças, além de resultados para profissionais e cuidadores participantes. Isso é evidência sobre uma intervenção planejada e específica, não uma garantia de que qualquer proposta híbrida terá os mesmos resultados. Para considerar uma adaptação, a equipe precisaria avaliar as condições de acesso, os objetivos e o apoio disponível às famílias (Näslund-Hadley, 2024).

O que os estudos dizem sobre desigualdade no acesso?

Um estudo sobre políticas de dispensa de fechamento encontrou que crianças negras tinham probabilidade menor do que crianças brancas de estar matriculadas em centros que obtiveram dispensa, com diferença ainda maior no início da pandemia. As taxas de matrícula também eram menores nos centros sujeitos a maior ônus administrativo, e a pesquisa relacionou as disparidades à concentração de crianças negras em comunidades onde solicitar a dispensa era mais oneroso. O resultado diz respeito ao contexto estudado e a essas políticas; não deve ser convertido diretamente em uma descrição do Brasil. Ele alerta para examinar como regras e procedimentos podem criar barreiras (Hollett, 2024).

Referências

  1. Byun, Sooyeon; Jeong, JaeYun; Jeon, Lieny (2024). Mudanças nos contextos de cuidado e educação na primeira infância durante a COVID-19: vozes de pais e mães (Changes in Early Care and Education Settings Amid COVID-19: Voices of Parents). Early Education and Development. Link
  2. Demissie, Fufy; Pearse, Sally (2025). Envolvimento dos pais e transformação como indicadores de qualidade na Educação Infantil (Parental Engagement and Transformation as a Marker of Quality in Early Childhood Education and Care). Journal of Early Childhood Research. Link
  3. Hoffman, Tracey K.; Poll, Gerard H. (2024). Desafios enfrentados por diretores de centros de educação infantil durante a COVID-19: liderar em meio a uma pandemia global (Challenges Faced by Childcare Directors during COVID-19: Leading during a Global Pandemic). Early Childhood Education Journal. Link
  4. Hollett, Karen Babbs (2024). Associações entre o ônus administrativo e a estabilidade da Educação Infantil das crianças durante a pandemia de COVID-19 (Associations between Administrative Burden and Children's ECE Stability during the COVID-19 Pandemic). Educational Policy. Link
  5. Ku, Da Hei (2025). Um estudo de caso sobre o fechamento de um centro de educação infantil devido à gentrificação e à COVID-19 (A Case Study of an Early Childcare Center Closure Due to Gentrification and COVID-19). AERA Online Paper Repository. Link
  6. Näslund-Hadley, Emma; Mateo-Berganza, Mercedes; Santos, Humberto; Cabra, Margarita; Vélez, Laura (2024). Aprendizagem socioemocional na educação infantil: evidências experimentais da implementação do programa Think Equal na Colômbia (Socioemotional Learning in Early Childhood Education: Experimental Evidence from the Think Equal Program's Implementation in Colombia). Early Childhood Education Journal. Link
  7. Rowland, Tiffany; Wolfe, Amy; Creque-Blackburn, Jennifer (2026). Salários e bem-estar: experiências de profissionais da educação infantil de Ohio com iniciativas de recrutamento e retenção de profissionais no período pós-pandemia (Wages and Well-Being: Ohio Child Care Providers' Experiences with Staffing Recruitment and Retention Efforts during the Post-Pandemic Era). Early Childhood Education Journal. Link
  8. Sorkkila, Matilda; Alasuutari, Maarit; Saranko, Lotta; Aunola, Kaisa (2025). Como a educação infantil pode apoiar as famílias e prevenir o esgotamento parental durante a crise da COVID-19 na Finlândia? (How Can Early Childhood Education and Care Support Families and Prevent Parental Burnout during the COVID-19 Crisis in Finland?). Scandinavian Journal of Educational Research. Link

Se este tema faz parte das conversas da sua equipe, escolha um achado para discutir com calma e pensem juntos no que faz sentido para a realidade da comunidade. Um passo pequeno, construído com escuta, também pode fortalecer vínculos.

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