Atividades sobre participação social e intervenções urbanas com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, MACKENZIE, UECE, UEL, UERJ, UFPR, UNESP (EM13LP24)
Atividades com gabarito comentado para trabalhar participação social, culturas juvenis e intervenções urbanas em Língua Portuguesa. Veja como transformar a EM13LP24 em aula e avaliação.
Quando recebo um código da BNCC no planejamento, a primeira sensação é de que ele está distante da realidade da minha sala. Foi assim com a EM13LP24. Ao ler que devo analisar formas não institucionalizadas de participação social, pensei: como transformar isso em aula e em avaliação sem cair no abstrato?
A resposta veio quando percebi que meus alunos já convivem com essas práticas: um mural no muro do bairro, um sarau na praça, uma roda de poesia na escola. O trabalho é ajudá-los a enxergar essas ações como texto, com posicionamento, intenção e público.
O que a habilidade EM13LP24 pede, de verdade?
Analisar formas não institucionalizadas de participação social, sobretudo as vinculadas a manifestações artísticas, produções culturais, intervenções urbanas e formas de expressão típica das culturas juvenis que pretendam expor uma problemática ou promover uma reflexão/ação, posicionando-se em relação a essas produções e manifestações.
Traduzindo para a linguagem da sala de aula: a habilidade pede que o aluno saiba reconhecer quando um grupo de pessoas se organiza fora de instituições formais (órgãos públicos, empresas, ONGs cadastradas, igrejas) para agir sobre um problema da comunidade, e que consiga analisar essa ação, dizendo o que ela denuncia, o que propõe e qual posição assume. Não se trata de decorar definições, mas de ler criticamente murais, convites, publicações e reportagens que mostram gente se mobilizando. O aluno precisa identificar quem age, onde age, com que linguagem e com qual objetivo, e então se posicionar sobre aquela produção.
Como trabalhar EM13LP24 em sala?
Algumas ideias que funcionaram na minha turma, todas com material simples:
- Leitura de murais e cartazes do bairro. Levo fotos de grafites e lambes da própria cidade e peço que os alunos respondam: quem fez, para quem, contra o quê?
- Análise de convites. Chamadas de adesão em redes sociais são ótimas para estudar o uso de imperativos e pronomes que convocam o leitor.
- Roda de comparação. Colocamos lado a lado uma ação institucional (uma campanha de prefeitura) e uma ação coletiva independente, e discutimos as diferenças de organização e de linguagem.
- Produção de um texto de posicionamento. Cada aluno escolhe uma intervenção e escreve um texto defendendo ou criticando seu propósito.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão desse código precisa cobrar que o aluno relacione o texto a uma forma de participação social, identifique marcas linguísticas de coletividade (como a primeira pessoa do plural e o imperativo) e diferencie ações institucionalizadas das não institucionalizadas. Os erros mais comuns que vejo em avaliações são: confundir qualquer ação em espaço público com intervenção urbana, achar que a presença de uma estatística ou de uma metáfora já comprova participação, e tratar ações de ONGs cadastradas como se fossem independentes. Vale desenhar as alternativas de modo que cada distrator explore uma dessas confusões.
Questões prontas de EM13LP24 (com gabarito comentado)
A seguir, as seis questões do acervo do GeraProva alinhadas a esse código. Leia o enunciado, tente resolver e depois confira a explicação de cada alternativa.
Questão 1: intervenção urbana não institucionalizada
Cartazes da Subprefeitura convidavam os moradores da Zona Oeste paulistana para uma programação cultural sobre memória e pertencimento. Entre as atividades divulgadas, o coletivo informal Vozes do Asfalto ocupou um beco da Vila Madalena e grafitou trechos de poemas urbanos, sem vínculo com órgãos públicos ou empresas. No mesmo período, centros culturais municipais organizaram saraus itinerantes em ônibus; uma associação religiosa promoveu ciclos de cânticos em praças; uma ONG cadastrada coordenou feiras de troca de roupas; e escolas públicas realizaram oficinas de pintura sobre histórias do bairro. Embora todas essas iniciativas estimulassem a participação comunitária, elas apresentavam diferentes formas de organização e de relação com instituições.
Com base no texto, qual das ações descritas caracteriza uma intervenção urbana não institucionalizada como forma de participação social?
- ❌ A) Coordenar feiras de troca de roupas por uma ONG cadastrada. — A feira propõe trocas comunitárias, mas é coordenada por uma ONG cadastrada, portanto possui organização institucionalizada.
- ❌ B) Participar de saraus itinerantes em ônibus organizados por centros culturais municipais. — O sarau é cultural, porém é organizado por centros culturais municipais, logo não é não institucionalizado.
- ❌ C) Realizar oficinas de pintura sobre histórias do bairro em escolas públicas. — As oficinas são realizadas por escolas públicas, instituições formais, e não são apresentadas como intervenção urbana.
- ✅ D) Grafitar trechos de poemas urbanos no beco da Vila Madalena pelo coletivo informal. — Transforma diretamente um espaço urbano por meio de manifestação artística coletiva, realizada por coletivo informal sem vínculo institucional.
- ❌ E) Promover ciclos de cânticos em praças por uma associação religiosa. — Ocorre em espaço público, mas é promovida por uma instituição formal; o uso da praça não basta para caracterizá-la como não institucionalizada.
Questão 2: elemento que evidencia a participação não institucionalizada
Dados ilustrativos: levantamento de 2023 do coletivo Arte Livre apontou que 78% dos moradores do bairro participam de mutirões para criação de murais. O projeto ocupa fachadas abandonadas com grafites que abordam questões como identidade local, diversidade cultural e memória comunitária. Todas as etapas são coordenadas por voluntários sem vínculo com órgãos públicos ou patrocinadores institucionais. Moradores reúnem-se semanalmente para preparar as tintas, planejar temas e registrar cronologicamente o processo em redes sociais. O mural mais recente, com 150 metros de extensão, foi concluído em duas semanas, estimulando o diálogo entre vizinhos e visitantes.
Identifique no texto-base o elemento que evidencia a participação social não institucionalizada na intervenção descrita.
- ✅ A) A menção ao coletivo local — A referência ao coletivo Arte Livre mostra que a ação é organizada fora de instituições formais.
- ❌ B) A presença de verbos no plural — Indica ação coletiva, mas não distingue participação não institucionalizada.
- ❌ C) O uso de adjetivos qualificativos — Valorizam o conteúdo, mas não revelam o caráter social da participação.
- ❌ D) A inclusão de porcentagens estatísticas — Ilustram alcance, mas não atestam que o projeto ocorre sem órgãos oficiais.
- ❌ E) A alusão a políticas públicas — Não há referência a políticas públicas no texto.
Questão 3: criação artística coletiva
Nas primeiras horas da manhã, um beco esquecido ganhou traços coloridos: moradores do bairro Santo Amaro reuniram-se em pequenos grupos, pincel na mão, para cobrir muros com cenas que retratam memórias coletivas. Sem patrocínio oficial, eles compartilham tintas e inspiração enquanto registram episódios de convivência e lutas locais. Ao som de poesia recitada em voz alta, versos contra o esquecimento ecoaram pelas paredes. Essa intervenção artística surgiu em resposta à falta de espaços culturais que representem o sentimento da comunidade. Ao término da pintura, o local passou a ser chamado de Galeria Popular de Rua, convidando transeuntes a registrar depoimentos e desenhos livres.
Considerando a produção das imagens nos muros, qual ação mostra que os moradores participaram diretamente da criação artística coletiva?
- ❌ A) O compartilhamento de tintas, por si só, produziu as imagens do bairro. — O texto atribui a criação das imagens à pintura dos muros, não ao compartilhamento dos materiais.
- ❌ B) Os versos recitados foram a única criação feita em conjunto no beco. — Desconsidera que os moradores também pintaram os muros em grupos.
- ✅ C) Os moradores pintaram juntos cenas ligadas às lembranças e à história do bairro. — A pintura em grupo transforma memórias locais em imagens, evidenciando participação direta.
- ❌ D) Os transeuntes criaram imagens nos muros depois que a galeria foi inaugurada. — Os transeuntes foram convidados a registrar depoimentos após a pintura, não a criar as imagens.
- ❌ E) A falta de espaços culturais foi o acontecimento artístico realizado pelos moradores. — Explica a motivação da intervenção, mas não é uma atividade de criação.
Questão 4: recurso linguístico que reforça a coletividade
Em uma publicação sobre uma intervenção artística comunitária, os moradores de um bairro escreveram: “Nós organizamos a pintura do antigo muro ao lado da praça. Cada participante trouxe materiais, escolheu uma imagem da memória local e ajudou a transformar o espaço. Ao final, divulgamos nossa intervenção com a hashtag #MuralDaMemória, convidando a vizinhança para os próximos encontros”. A publicação foi acompanhada de fotografias do processo e do mural concluído.
Com base no texto, qual recurso linguístico reforça o caráter coletivo da intervenção urbana e contribui para apresentá-la como uma forma de participação social?
- ✅ A) O emprego de formas verbais e pronominais na primeira pessoa do plural, como “organizamos”, “divulgamos” e “nossa”. — Essas formas constroem um sujeito coletivo e reforçam a dimensão participativa da ação.
- ❌ B) A metáfora que apresenta o muro como espaço de transformação da memória local. — É um efeito figurado, mas não é a marca linguística que indica a participação de um grupo.
- ❌ C) O predomínio de verbos no pretérito perfeito, como “trouxe” e “ajudou”. — O pretérito perfeito situa ações concluídas, mas não constrói sozinho a ideia de coletividade.
- ❌ D) A hashtag “#MuralDaMemória”, usada para ampliar a divulgação. — Favorece a circulação, mas sua função principal é divulgar, não marcar a coletividade gramaticalmente.
- ❌ E) A descrição dos materiais e das fotografias que acompanham a publicação. — Registra o processo, mas não estabelece linguisticamente quem realiza a ação em conjunto.
Questão 5: recursos de convocação do leitor
Como promover a arte urbana como ferramenta de diálogo comunitário? Buscando resposta, um grupo de moradores lançou nas redes sociais o projeto “MuraLuzes”: intervenções em muros abandonados que reúnem voluntários para pintar painéis narrando memórias locais. Na chamada de adesão, lê-se: “Junte-se a nós! Traga seu pincel e sua história! Vamos colorir nossas ruas!”. A publicação prossegue com #MuraLuzes #ArteQueUne e orienta horários e pontos de encontro. Em poucos dias, mais de 50 pessoas confirmaram presença, entre artistas, estudantes e aposentados, atraídos pelo convite aberto e pelo apelo coletivo.
Analise o texto-base e identifique qual recurso linguístico do convite estimula diretamente a participação coletiva.
- ❌ A) A presença de pronomes de segunda pessoa plural para criar proximidade. — O pronome “nós” aproxima, mas não é o principal estímulo à participação.
- ❌ B) A inclusão de dados estatísticos que demonstram o impacto social. — Não há estatísticas no trecho, apenas o número de confirmados.
- ❌ C) O emprego de metáforas que associam pintura à construção de memória. — Não há metáforas no trecho; o foco está em convites diretos.
- ❌ D) A repetição de hashtags que reforçam a identidade do movimento. — As hashtags promovem identificação, mas não convidam diretamente à ação.
- ✅ E) O uso de verbos no imperativo que convocam diretamente os leitores. — “Junte-se”, “traga” e “vamos” funcionam como convite direto à ação coletiva.
Questão 6: apropriação do espaço público para manifestação cultural
Por que alguns espaços urbanos abandonados ganham murais coloridos em vez de anúncios publicitários? Um coletivo de jovens grafiteiros tomou a iniciativa de revitalizar muros degradados em uma periferia. A ação incluiu oficinas abertas à comunidade para escolher temas ligados à memória local e direitos sociais. Um levantamento local revelou que 72% dos moradores passaram a frequentar a rua como ponto de encontro cultural após a intervenção.
Analise as estratégias de participação social descritas no texto-base e identifique aquela que exemplifica a apropriação do espaço público para manifestação cultural.
- ❌ A) Distribuição de panfletos na avenida principal. — Panfletagem não corresponde à intervenção artística descrita.
- ❌ B) Protocolação de petição em sindicato local. — Não há menção a petições ou atos formais no texto.
- ❌ C) Mobilização de buzinaço em frente à prefeitura. — Buzinaço político não caracteriza a ação cultural nos muros.
- ✅ D) Realização de mural coletivo em muros degradados. — É a ação artística comunitária que requalifica o espaço público.
- ❌ E) Organização de campanha de doação em igreja. — Não aparece no texto nem reflete a intervenção urbana descrita.
Fechamento: próximos passos
Se você quer trabalhar essa habilidade na próxima semana, meu conselho é começar pela leitura de um mural do próprio bairro e pela pergunta “quem fez e por quê?”. Depois, use as questões acima como ponto de partida para montar sua avaliação. Você pode consultar a consulta completa do código EM13LP24, com todas as questões alinhadas, ou gerar uma prova personalizada no o gerador de provas do GeraProva. Se ainda não tem conta, o cadastro grátis leva poucos minutos.
Este conteúdo é um apoio para o seu planejamento. Revise as questões conforme o seu currículo e o perfil da sua turma antes de aplicá-las. O GeraProva existe para economizar o seu tempo, não para substituir o seu olhar de professor.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Protocolos de leitura, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
