Atividades sobre O eu, o outro e o nós com gabarito — Bebês (0-1a6m) (EI01EO04)
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Alexandre Lombardi dos Santos 24 de outubro de 2026 7 min de leitura 2
Veja como transformar a EI01EO04 em propostas de interação e observação adequadas aos bebês. Reuni ideias práticas e questões com gabarito comentado para apoiar seu planejamento.
Quando recebo a EI01EO04 no planejamento, a primeira pergunta que me faço é: como vou perceber a comunicação de um bebê que ainda não usa palavras? Na rotina, a resposta aparece em gestos, olhares, sons, movimentos e expressões que às vezes passam despercebidos quando estamos com pressa.
Também preciso lembrar que avaliar bebês não é aplicar uma prova tradicional. Meu trabalho é organizar situações acolhedoras, observar como cada criança se comunica e registrar o que acontece. As questões deste post ajudam a conversar sobre a habilidade e podem apoiar o planejamento; para essa faixa etária, eu as adapto à observação e à interação, sem exigir que o bebê leia ou escolha alternativas.
O que a habilidade EI01EO04 pede, de verdade?
“Comunicar necessidades, desejos e emoções, utilizando gestos, balbucios, palavras.”
Em linguagem de sala, essa habilidade me convida a observar como o bebê tenta dizer o que precisa, quer ou sente, mesmo antes de falar. Pode ser estender os braços para pedir colo, olhar para um adulto e vocalizar diante de um brinquedo, afastar o rosto quando não quer algo ou sorrir ao reconhecer uma pessoa. O importante não é esperar uma palavra correta nem comparar o ritmo de uma criança com o de outra. Eu presto atenção à intenção comunicativa e ao contexto: o que aconteceu antes, para quem o bebê dirigiu o gesto ou o som e como respondeu à interação? A habilidade está no campo “O eu, o outro e o nós” e é destinada a Bebês (0-1a6m). Por isso, a avaliação acontece principalmente na convivência e nas oportunidades de troca que ofereço ao longo do dia.
Como trabalhar EI01EO04 em sala?
Não preciso de materiais caros para criar oportunidades de comunicação. O que faz diferença é estar disponível, dar tempo para a resposta do bebê e acolher diferentes formas de expressão. Algumas propostas que consigo incorporar à rotina são:
Oferecer escolhas simples: durante a brincadeira, mostro dois objetos conhecidos, como uma bola e um chocalho. Espero o olhar, o gesto, o movimento ou a vocalização que indique interesse, sem transformar a escolha em teste.
Nomear o que observo: se o bebê estende os braços, posso dizer “Você quer colo?” e responder com cuidado. Assim, relaciono uma ação a palavras e demonstro que estou atento à tentativa de comunicação.
Fazer pausas nas interações: em uma cantiga ou brincadeira de esconder o rosto, interrompo por alguns segundos e observo se a criança olha, sorri, balbucia ou faz um movimento para pedir que eu continue.
Acompanhar a rotina com conversa: na troca, na alimentação e na hora de guardar brinquedos, digo o que está acontecendo e aguardo sinais de aceitação, recusa, interesse ou desconforto. São situações reais, não atividades artificiais.
Registrar episódios concretos: anoto o contexto e o que a criança fez, por exemplo: “Ao ver a garrafa, olhou para a educadora, apontou e vocalizou”. Um registro assim ajuda a planejar próximos passos sem rotular o bebê.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa proposta de avaliação para a EI01EO04 observa se o bebê comunica uma necessidade, um desejo ou uma emoção por algum meio disponível para ele: gesto, balbucio, palavra, expressão ou combinação desses recursos. Eu descrevo o contexto e considero que a comunicação pode ser dirigida a um adulto ou a outra criança. Também observo se há oportunidades para a criança se expressar e se os adultos respondem de maneira acolhedora.
Um erro comum é avaliar apenas a fala, como se a criança precisasse nomear o que quer. Outro é exigir que todos os bebês demonstrem a mesma resposta ou fazê-los escolher alternativas escritas. Também evito interpretar um gesto isolado sem considerar a situação. Nas questões a seguir há exemplos úteis para discutir a habilidade, mas algumas apresentam situações ou vocabulário mais próximos de crianças maiores. Para bebês, uso essas questões como apoio ao planejamento docente e traduzo a ideia em observação, brincadeira e registro, sem aplicá-las diretamente como prova.
Questões prontas de EI01EO04 (com gabarito comentado)
As questões abaixo foram selecionadas do acervo alinhado ao código. Os comentários ajudam a identificar o foco de cada item e a pensar em como adaptar a situação para a faixa etária dos bebês.
1. No tapete colorido da sala de atividades, dois bebês observam as mãos um do outro enquanto a cuidadora senta-se ao lado deles. Um dos bebês estica o braço em direção à caixa de brinquedos, olha para a cuidadora e emite sons suaves. A cuidadora inclina-se, sorri e oferece um chocalho. Logo depois, o mesmo bebê acena com a mão para seu colega e produz um som mais alto; este colega, porém, volta-se apenas para o objeto, sem dirigir-se à cuidadora. Em outro momento, o segundo bebê chora baixinho, mas sem procurar o olhar de nenhum adulto. Analise o texto-base e identifique a ação que demonstra o bebê buscando expressar seu desejo de forma a ser compreendido pela cuidadora?
❌ A) Acenar com a mão para o colega e produzir som mais alto sem procurar o olhar da cuidadora. A ação se dirige ao colega, não demonstra a tentativa de obter compreensão da cuidadora.
❌ B) Aceitar o chocalho oferecido pela cuidadora sem emitir sons ou gestos adicionais. É uma resposta receptiva, não uma iniciativa para expressar o desejo.
❌ C) Observar as mãos do colega sem emitir sons ou buscar contato visual com a cuidadora. Observar, por si só, não mostra uma tentativa de comunicação dirigida ao adulto.
✅ D) Esticar o braço na direção da caixa de brinquedos enquanto olha para a cuidadora e emite sons suaves. O gesto, o olhar e a vocalização combinados indicam comunicação intencional.
❌ E) Chorar baixinho sem direcionar o olhar a nenhum adulto. O choro comunica desconforto, mas o exemplo não mostra busca direcionada à cuidadora como a alternativa D.
Gabarito: D. Eu destacaria a combinação dos sinais e o contexto, sem afirmar que um único padrão é obrigatório para todos os bebês.
2. Qual é um gesto comum de um bebê ao querer atenção?
✅ A) Bebê chora. O choro pode comunicar uma necessidade ou chamar um adulto, embora seja uma vocalização, não um gesto específico.
❌ B) Bebê balbucia. A explicação original trata o balbucio como gesto; tecnicamente, ele é uma vocalização, e o item pede um gesto.
❌ C) Bebê se afasta. Afastar-se pode comunicar recusa ou desconforto, mas não indica necessariamente que deseja atenção.
❌ D) Bebê ri. O riso pode expressar alegria e favorecer a interação, mas não significa necessariamente uma busca por atenção.
❌ E) Bebê dorme. Dormir não é, por si só, um sinal de que o bebê esteja solicitando atenção.
Gabarito indicado: A. A explicação do item reconhece que chorar é uma forma de comunicação, mas não um gesto específico. Com bebês, observo o conjunto de sinais e o contexto, sem tratar o choro como único meio de pedir atenção.
3. Durante a roda de conversa, as crianças compartilham sentimentos. Como você pode perceber que um colega está triste?
❌ A) Ignorar o colega. Ignorar não ajuda a compreender o que ele sente nem demonstra atenção.
✅ B) Perguntar como ele se sente. Perguntar com cuidado demonstra interesse e pode ajudar a entender o sentimento do colega.
❌ C) Falar sobre você mesmo. Isso muda o foco e não ajuda a conhecer o que o colega está sentindo.
❌ D) Rir da situação. Rir pode desconsiderar ou magoar quem está triste, em vez de acolher a emoção.
❌ E) Fazer uma brincadeira para distraí-lo. A distração pode ser uma possibilidade depois, mas não substitui reconhecer e acolher o sentimento.
Gabarito: B. A situação é mais adequada a crianças que já participam de conversas; com bebês, observo expressões e respondo com acolhimento, sem esperar uma resposta verbal.
4. Como você se sente quando encontra um amigo? Escolha a alternativa que melhor comunica esse sentimento.
✅ A) Feliz. A palavra comunica uma emoção positiva possível ao encontrar um amigo.
❌ B) Triste. Pode ser uma emoção real em diferentes situações, mas não é a resposta esperada pelo item sobre encontrar um amigo.
❌ C) Nervoso. Também pode acontecer, porém não é a alternativa esperada para a situação apresentada.
❌ D) Indiferente. Não expressa o sentimento de alegria que o item pretende identificar.
❌ E) Confuso. Não corresponde à resposta esperada para comunicar uma emoção positiva nesse reencontro.
Gabarito: A. Como cada pessoa pode sentir algo diferente, eu não usaria o item para impor uma emoção única. Para bebês, observaria expressões e movimentos ao reencontrar pessoas familiares.
5. Como você se sente quando alguém não te entende?
❌ A) Fico triste e não falo mais. Pode descrever uma reação possível, mas interromper a comunicação não ajuda a esclarecer a mensagem.
✅ B) Tento explicar de novo. A alternativa indica uma tentativa de se fazer compreender por outro meio ou novamente.
❌ C) Mudo de assunto. Mudar o assunto não contribui diretamente para que a outra pessoa entenda o que foi comunicado.
❌ D) Grito para que me entendam. Gritar pode aumentar a tensão e não garante que a mensagem fique mais clara.
❌ E) Ignoro a pessoa. Ignorar não é uma estratégia de comunicação para esclarecer o que se queria dizer.
Gabarito: B. O item permite conversar sobre a importância de tentar comunicar-se novamente. Com bebês, cabe ao adulto observar, fazer perguntas simples e oferecer outras formas de expressão.
6. Qual a melhor maneira de expressar que quer carinho?
❌ A) Empurrar alguém. Empurrar não é uma forma clara e acolhedora de pedir carinho e pode machucar.
✅ B) Abrir os braços e sorrir. O gesto pode comunicar o desejo de proximidade e carinho.
❌ C) Ficar em silêncio. O silêncio, sozinho, não comunica claramente esse desejo.
❌ D) Chorar e se afastar. Afastar-se não é um pedido claro de carinho; o choro também pode indicar diferentes necessidades.
❌ E) Falar “Estou triste”. A frase comunica uma emoção, mas não expressa diretamente um pedido de carinho.
Gabarito: B. Eu acolheria o gesto respeitando também a vontade da criança e perguntando ou observando se ela aceita a aproximação.
As questões são um ponto de partida, não substituem a observação sensível da criança nem o planejamento da sua turma. Use-as com liberdade, adapte o que fizer sentido para os bebês e conte com o GeraProva para apoiar seu trabalho.
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