Atividades sobre Relação entre textos com gabarito — 8º ano, 9º ano (EF89LP33)
Quando recebo a EF89LP33 no planejamento, sei que não basta separar um conto e pedir uma interpretação ao final. A habilidade pede que meus alunos leiam com autonomia, escolham estratégias conforme o objetivo e reconheçam que cada gênero convida a uma experiência diferente de leitura.
Na prática, o desafio é transformar uma lista extensa de gêneros em aula possível: texto curto, conversa boa, registro objetivo e uma avaliação que não cobre só “o que aconteceu”. Para isso, eu trabalho comparação de formas de ler, efeitos de sentido e justificativas de preferência. Assim, a turma entende que ler um haicai, um miniconto, uma fábula contemporânea e uma ficção científica não exige exatamente o mesmo olhar.
O que a habilidade EF89LP33 pede, de verdade?
A EF89LP33 espera que o estudante de 8º e 9º ano consiga ler textos literários com crescente independência e faça escolhas conscientes durante a leitura. Em vez de usar uma única estratégia para tudo, ele precisa perceber seu objetivo: localizar uma informação, acompanhar um enredo, apreciar imagens, estranhar uma quebra de expectativa ou avaliar se aquele texto combina com seus interesses. Também precisa considerar o gênero e o suporte: um miniconto pede atenção ao não dito; um poema pode exigir releitura da forma e das imagens; uma narrativa de ficção científica convida a observar o futuro imaginado e a tecnologia; um ciberpoema envolve sua apresentação digital. Por fim, a habilidade vai além da compreensão: o aluno deve sustentar uma avaliação sobre o que leu e explicar preferências por gêneros, temas e autores, com base em características reais do texto, não apenas em “gostei” ou “não gostei”.
“Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes – romances, contos contemporâneos, minicontos, fábulas contemporâneas, romances juvenis, biografias romanceadas, novelas, crônicas visuais, narrativas de ficção científica, narrativas de suspense, poemas de forma livre e fixa (como haicai), poema concreto, ciberpoema, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.”
O objeto de conhecimento é a relação entre textos. Eu leio isso como um convite para colocar produções lado a lado: comparar final de conto e miniconto, discutir forma livre e poema fixo, ou observar como uma mesma situação cotidiana muda de efeito em uma crônica visual e em uma fábula contemporânea.
Como trabalhar EF89LP33 em sala?
- Monte uma estação de gêneros. Levo textos curtos impressos: um haicai, um miniconto, uma fábula contemporânea e um trecho de ficção científica. Em duplas, os alunos registram o objetivo de leitura, uma característica do gênero e o efeito percebido.
- Faça a mesma pergunta para textos diferentes. Pergunto “o que surpreende o leitor?” depois de um poema e de um miniconto. A turma percebe que a resposta depende da forma, da linguagem e do que fica sugerido.
- Use o diário de preferências. Após cada leitura, peço três frases: “eu escolheria ler mais textos assim porque...”; “a característica que mais me chamou atenção foi...” e “eu indicaria para quem...”. Isso qualifica a opinião.
- Compare suporte e estratégia. Um poema no papel e um ciberpoema projetado já rendem conversa: o que muda na leitura quando há movimento, som, tela ou interação? Não é preciso laboratório; uma projeção ou celulares, quando a escola permite, resolvem.
- Proponha um clube de recomendações. Em pequenos grupos, cada estudante recomenda um texto lido sem resumir tudo. A regra é justificar pela linguagem, pelo tema, pelo ritmo ou pelo efeito produzido.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF89LP33 precisa colocar o aluno diante de um texto e pedir que ele relacione características do gênero a uma estratégia, um efeito de sentido ou uma avaliação de leitura. Não basta perguntar o assunto do trecho. Vale cobrar, por exemplo, por que a brevidade do miniconto cria surpresa, como versos livres reforçam uma imagem ou qual pista indica ficção científica.
Eu evito avaliações que tratam preferência como resposta sem critério, como “qual gênero é melhor?”. A preferência precisa ser argumentada: para qual leitor um texto pode agradar e por quê? Também tomo cuidado com alternativas erradas que dependem de conhecimento externo ou que sejam obviamente absurdas. Os distratores mais produtivos recuperam leituras comuns, mas incompletas: confundir cenário com gênero, trocar causa e efeito, inventar uma moral explícita ou ignorar a forma do poema.
Para ampliar o repertório, vale consultar a consulta completa do código EF89LP33. No acervo, o GeraProva reúne 22 questões alinhadas a essa habilidade, úteis para sondagem, revisão e prova.
Questões prontas de EF89LP33 (com gabarito comentado)
1. Em um guia de orientação ao leitor, lê-se: “Ler um manual de instruções é como consultar um mapa em um terreno desconhecido: o leitor busca rapidamente os passos necessários para alcançar um objetivo. Já ler um romance se aproxima de uma viagem por paisagens cheias de detalhes: o percurso é mais demorado, permite observar nuances e permanece aberto a descobertas. Assim, cada gênero textual conduz a uma forma diferente de leitura.” Considerando as analogias e as características de leitura apresentadas no texto, qual alternativa interpreta adequadamente como elas constroem a diferença entre a leitura do manual e a do romance?
- ❌ A) Generaliza a analogia da viagem para os dois gêneros e ignora a função prática do manual.
- ❌ B) Atribui ao romance a comparação com mapa, que não aparece no texto.
- ❌ C) Mantém as analogias, mas troca seus efeitos: objetividade é do manual, e imersão, do romance.
- ❌ D) Inverte as analogias dadas pelo texto.
- ✅ E) O manual é comparado a um mapa para representar uma leitura objetiva, enquanto o romance é comparado a uma viagem para representar uma leitura imersiva.
2. Texto: “No muro branco / um risco azul / vira asa. / E a tarde, quieta, / passa leve / como água.” Com base no poema, qual efeito de sentido a forma livre contribui para criar?
- ❌ A) Não há rimas marcadas nem ritmo acelerado como efeito principal.
- ❌ B) O poema sugere leveza, não tristeza ou lamento.
- ✅ C) A liberdade dos versos e a distribuição curta das palavras reforçam a delicadeza e a fluidez das imagens poéticas.
- ❌ D) O texto é lírico e imagético, não uma narração objetiva em prosa.
- ❌ E) A forma não é regular nem rígida; ela produz fluidez.
3. Trecho de miniconto: “Quando a chuva parou, o menino abriu a janela e encontrou, no parapeito, um barco de papel ainda navegando.” Com base no texto-base, que efeito de leitura melhor resume a experiência causada pelo miniconto?
- ❌ A) O miniconto não desenvolve uma narrativa ampla e explicativa.
- ✅ B) O texto constrói uma cena breve e sugestiva, em que poucos elementos narrativos criam surpresa e estimulam a imaginação.
- ❌ C) O barco não fez a chuva parar; essa relação foi inventada.
- ❌ D) Não há lição moral explícita no trecho.
- ❌ E) A cena provoca estranhamento e abre interpretações.
4. Trecho de poema de forma livre: “A rua acorda devagar. / Um cachorro espreguiça o silêncio. / E o dia começa sem pressa.” Com base no texto-base, qual avaliação melhor descreve a preferência de um leitor por esse poema?
- ✅ A) É um texto que pode agradar a leitores que valorizam imagens poéticas simples, linguagem sensível e ritmo mais livre, sem rimas obrigatórias.
- ❌ B) A linguagem busca sensações poéticas, não informação objetiva.
- ❌ C) O poema não depende de rimas obrigatórias nem de ritmo acelerado.
- ❌ D) O trecho é breve e não apresenta narrativa detalhada.
- ❌ E) Não segue o modelo fixo de soneto.
5. Texto: “Na varanda do prédio, o cachorro esperava o elevador abrir. Quando a porta enfim se abriu, ele entrou antes do menino que vinha correndo com a guia na mão. O menino riu e disse: ‘Hoje quem chega primeiro sou eu’.” Pelo comportamento dos personagens, qual ideia o texto sugere ao leitor sobre a fábula contemporânea apresentada?
- ❌ A) A cena não é apenas brincadeira: a inversão cria reflexão.
- ❌ B) A alternativa reduz o texto à sequência dos fatos e perde a ironia.
- ❌ C) A fábula contemporânea sugere sentidos, sem moral direta obrigatória.
- ✅ D) O texto transforma uma cena comum em reflexão, usando uma inversão inesperada para produzir ironia e fazer o leitor pensar sobre a situação.
- ❌ E) Generaliza indevidamente uma situação específica.
6. Texto: “No ano de 2140, os alunos não carregavam mochilas. Cada livro aparecia na mesa por comando de voz. Mas, naquele dia, um deles abriu uma gaveta antiga e encontrou um caderno de papel.” A partir do texto, qual elemento indica que se trata de uma narrativa de ficção científica?
- ✅ A) A construção de um futuro imaginado, com tecnologia avançada e acontecimentos que não pertencem à realidade atual.
- ❌ B) A escola é apenas o cenário; ela não define o gênero.
- ❌ C) A surpresa existe, mas não é a marca central de ficção científica.
- ❌ D) O caderno antigo compõe o contraste, mas não caracteriza sozinho o gênero.
- ❌ E) O comando de voz funciona como pista de tecnologia futura, não como simples exagero.
Próximos passos
Eu começaria com duas questões em uma aula curta, recolheria as justificativas e usaria os erros para planejar a próxima leitura. Se você quer variar textos, níveis de complexidade e formatos de avaliação sem recomeçar do zero, experimente o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.
As questões são um ponto de partida: adapte textos, mediações e critérios à sua turma. O mais importante é ajudar cada estudante a descobrir como lê, o que lê e por que uma leitura pode ficar na memória.
