Atividades sobre Produção de textos jornalísticos orais com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP11)
Quando recebo a EF69LP11 no planejamento, eu penso logo naquela situação conhecida: a turma até tem opinião sobre tudo — celular, uniforme, recreio, cantina —, mas nem sempre consegue dizer com clareza quem defendeu o quê e qual argumento foi contestado. Transformar isso em aula e avaliação pede mais do que entregar um texto para leitura.
Para mim, o caminho é trazer interações polêmicas que façam sentido para os estudantes e ensinar a escuta atenta. A habilidade aparece em debates televisivos, entrevistas, rodas de conversa e redes sociais, mas também no nosso cotidiano escolar. Abaixo, reuni propostas e questões que ajudam a tornar esse código avaliável sem perder a conversa real de sala.
O que a habilidade EF69LP11 pede, de verdade?
Na prática, a EF69LP11 pede que o estudante acompanhe uma discussão oral, localize os posicionamentos de cada participante, perceba quais ideias recebem apoio ou contestação e construa uma resposta própria diante do tema. Não basta identificar palavras como “concordo” e “discordo”: o aluno precisa ligar a fala ao argumento que ela retoma, distinguir informação de opinião e reconhecer se a resposta rebate totalmente ou apenas parte do que foi dito. Eu trabalho essa habilidade mostrando que debate não é uma disputa para falar mais alto; é uma situação em que se escuta, se compreende o raciocínio do outro e se responde com justificativa. Isso vale para uma entrevista de rádio, uma discussão mediada na escola, um vídeo curto ou uma conversa sobre regras da turma. Ao final, espero que a turma consiga dizer: “Esta pessoa defende isso; aquela contesta por este motivo; eu me posiciono assim porque...”.
“Identificar e analisar posicionamentos defendidos e refutados na escuta de interações polêmicas em entrevistas, discussões e debates (televisivo, em sala de aula, em redes sociais etc.), entre outros, e se posicionar frente a eles.”
O objeto de conhecimento é a produção de textos jornalísticos orais, no componente de Língua Portuguesa, e a habilidade atende do 6º ao 9º ano. Na consulta completa do código EF69LP11, você encontra o alinhamento e todas as questões disponíveis.
Como trabalhar EF69LP11 em sala?
- Roda de posições rápidas. Eu proponho um tema próximo da turma, como uso de celular no intervalo. Cada grupo recebe um cartão com uma posição e precisa defendê-la em um minuto. Quem escuta anota: posição, argumento e possível contraponto.
- Áudio antes da transcrição. Leio ou gravo um pequeno debate sem mostrar o texto inicialmente. Depois, os alunos contam o que entenderam e só então recebem a transcrição para conferir pistas de oposição, como “mas”, “porém”, “não concordo” e “por outro lado”.
- Mapa do debate no caderno. Uso três colunas: “quem fala”, “o que defende” e “como alguém responde”. Essa organização simples ajuda muito quem confunde os argumentos dos participantes.
- Entrevista de corredor. Em duplas, os estudantes entrevistam colegas sobre uma decisão da escola, por exemplo, ampliar o tempo de recreio. Depois, apresentam as posições ouvidas sem distorcê-las e registram sua própria opinião fundamentada.
- Checagem de comentário de rede. Levo comentários fictícios sobre um tema escolar e pergunto: qual é a tese? Há argumento? Qual comentário realmente refuta o anterior? Assim, a turma percebe que discordar não é apenas atacar uma pessoa.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF69LP11 precisa apresentar uma interação com pelo menos duas vozes e cobrar a relação entre elas: quem defende uma ideia, quem a refuta e qual argumento sustenta essa resposta. Em vez de perguntar apenas “qual é o tema?”, eu procuro pedir que o aluno identifique o alvo exato da contestação ou associe uma fala ao seu posicionamento.
Um erro comum é transformar a avaliação em caça a conectivos. “Mas” pode indicar oposição, mas o estudante precisa compreender qual ideia está sendo contrariada. Também evito cobrar opinião pessoal sem antes garantir a compreensão das posições do texto. Por fim, não considero adequado tratar uma resposta como errada só porque o aluno discorda do autor: nessa habilidade, ele deve justificar o próprio ponto de vista com respeito e relação com os argumentos ouvidos.
Para montar versões diferentes, eu usaria o gerador de provas do GeraProva: o acervo tem 58 questões alinhadas a este código, o que facilita variar textos e níveis de complexidade entre turmas.
Questões prontas de EF69LP11 (com gabarito comentado)
1. Em uma entrevista para a rádio da escola, Júlia e Marcos discutem o uso de smartphones nas aulas. Júlia afirma que aplicativos de realidade aumentada ajudam a visualizar fenômenos físicos e históricos. Marcos diz que muitos alunos usam o celular para redes sociais e se distraem. Ao ser perguntado se os aplicativos educacionais compensam esse risco, ele responde “Não”. Qual posicionamento é refutado por Marcos?
- ❌ A) Que aplicativos de realidade aumentada ajudam a visualizar fenômenos. Júlia defende essa ideia, mas Marcos não a contesta diretamente.
- ❌ B) Que muitos alunos usam o celular para acessar redes sociais. Marcos usa essa informação para apoiar sua preocupação.
- ❌ C) Que recursos didáticos perdem valor com o entretenimento. Essa é a conclusão defendida por Marcos.
- ❌ D) Que muitos alunos se distraem durante o uso do celular. Marcos apresenta a distração como problema, sem negá-la.
- ✅ E) Que aplicativos educacionais compensam o risco de dispersão. Marcos responde “Não” a essa possibilidade e a rejeita.
2. Durante um debate sobre uniforme, Ana afirma que ele limita a personalidade dos estudantes. Eva responde que, mesmo usando uniforme, os alunos podem expressar ideias e talentos, além de diminuir comparações econômicas. Qual argumento de Ana foi contestado diretamente por Eva?
- ❌ A) A falta de uniforme pode aumentar comparações. É uma justificativa apresentada por Eva.
- ❌ B) O uniforme padroniza a aparência. Ana menciona isso, mas Eva não responde diretamente a esse ponto.
- ❌ C) O uniforme diminui diferenças econômicas. Esse é um argumento de Eva.
- ✅ D) O uniforme limita a expressão da personalidade. Eva rebate essa ideia ao afirmar que ideias e talentos continuam sendo expressos.
- ❌ E) O uniforme ajuda a mostrar talentos. Essa não é uma afirmação de Ana.
3. Em um debate, um aluno diz que o uniforme limita a expressão individual. O coordenador afirma que os estudantes podem usar acessórios para personalizá-lo sem alterar o padrão e informa sobre trocas de peças usadas. Qual trecho refuta a opinião sobre expressão individual?
- ❌ A) O debate ocorreu entre estudantes e coordenador. Apenas informa participantes.
- ❌ B) Outro estudante reclamou do custo. Trata de preço, não de individualidade.
- ❌ C) Houve informação sobre trocas de peças. A medida responde ao custo.
- ❌ D) Um aluno afirmou que o uniforme limita a expressão. Esta é a opinião a ser refutada.
- ✅ E) Os alunos podem usar acessórios para personalizar o uniforme. A possibilidade de personalização contradiz a ideia de limitação total.
4. No grêmio, o Estudante 1 diz que celulares distraem constantemente, dificultam a concentração, reduzem a interação e tornam aulas menos participativas. O Estudante 2 declara discordar da afirmação de que distraem constantemente. Qual afirmação ele refuta explicitamente?
- ✅ A) Os celulares distraem os alunos constantemente. É exatamente a afirmação que o segundo estudante diz contestar.
- ❌ B) Os celulares podem contribuir para a aprendizagem. Essa é a posição defendida pelo segundo estudante.
- ❌ C) Os celulares dificultam a concentração. A fala não contesta esse ponto de modo específico.
- ❌ D) Os celulares reduzem a interação presencial. A ideia não é retomada diretamente.
- ❌ E) Os celulares tornam as aulas menos participativas. Também não é o alvo explícito da discordância.
5. Em uma discussão sobre a cantina, João defende salgadinhos industrializados; Lucas sugere elevar preços para ingredientes orgânicos; Maria propõe frutas e legumes frescos; Beatriz quer preços baixos; Rafael sugere manter o cardápio até o fim do debate. Qual posição Maria defende?
- ❌ A) Conservar o cardápio. É a sugestão de Rafael.
- ❌ B) Manter salgadinhos industrializados. É a posição de João.
- ✅ C) Incluir frutas e legumes frescos para cuidar da saúde. Essa é a proposta apresentada por Maria.
- ❌ D) Aumentar preços para ingredientes orgânicos. É a proposta de Lucas.
- ❌ E) Manter preços baixos. É a preocupação de Beatriz.
6. Em debate sobre o recreio, o coordenador afirma que reduzi-lo prejudica a socialização. A representante do grêmio responde que diminuir o intervalo aumenta o tempo de aulas, essencial para a aprendizagem. Qual posicionamento foi refutado por ela?
- ❌ A) O mediador deve equilibrar os argumentos. É uma ação descrita, não posição refutada.
- ✅ B) A redução do recreio prejudica a socialização dos estudantes. A representante se opõe a essa ideia ao defender a ampliação do tempo de aulas.
- ❌ C) Cada proposta apresenta vantagens e desvantagens. É um resumo, não o alvo da resposta.
- ❌ D) Diminuir o intervalo aumenta o tempo de aulas. É o argumento da representante.
- ❌ E) O tempo de aulas é essencial para o aprendizado. Também integra a defesa da representante.
Próximos passos
Eu começaria com uma escuta curta, faria o mapa das posições e aplicaria duas ou três questões para verificar onde a turma ainda se confunde. Depois, vale avançar para um debate mediado com registro individual. Se quiser ganhar tempo no planejamento, faça seu cadastro grátis e monte atividades alinhadas ao código.
Use estas questões como ponto de partida e adapte os temas à realidade da sua turma. O mais importante é criar espaço para escutar, argumentar e discordar com respeito.
