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Atividades sobre Variação linguística com gabarito — 3º ano, 4º ano, 5º ano (EF35LP11)

Atividades sobre Variação linguística com gabarito — 3º ano, 4º ano, 5º ano (EF35LP11)

Quando recebo a EF35LP11 no planejamento, sei que o desafio não é apenas explicar que existem jeitos diferentes de falar. Preciso transformar isso em uma aula em que a turma escute com atenção, perceba sentidos e, principalmente, não trate a fala de ninguém como motivo de deboche. É um trabalho de língua, mas também de convivência.

Na prática, eu penso em cenas que as crianças reconhecem: o jeito de falar da avó, uma palavra ouvida em uma viagem, uma expressão usada por alguém da comunidade ou uma fala presente em um áudio. A partir daí, consigo planejar atividades e avaliações que valorizam a diversidade sem deixar de ensinar adequação ao contexto.

O que a habilidade EF35LP11 pede, de verdade?

A EF35LP11 pede que os estudantes ouçam gravações, canções e textos falados por pessoas de diferentes lugares e grupos, percebendo características regionais, urbanas e rurais da fala. Mais do que identificar palavras diferentes, a turma precisa compreender que essas formas de falar têm história, pertencem a comunidades e comunicam ideias com sentido. Também cabe a nós ensinar que adequar a linguagem à situação é diferente de dizer que um jeito de falar é superior a outro: uma conversa com amigos, um recado para a família e uma apresentação escolar podem pedir escolhas distintas. O ponto decisivo da habilidade é formar escuta respeitosa. Portanto, eu observo se a criança reconhece variações, entende o contexto em que aparecem e rejeita atitudes como rir, imitar para humilhar ou “corrigir” alguém por preconceito linguístico.

“Ouvir gravações, canções, textos falados em diferentes variedades linguísticas, identificando características regionais, urbanas e rurais da fala e respeitando as diversas variedades linguísticas como características do uso da língua por diferentes grupos regionais ou diferentes culturas locais, rejeitando preconceitos linguísticos.”

O objeto de conhecimento é a variação linguística, no componente de Língua Portuguesa, para 3º, 4º e 5º anos. Para conferir o texto oficial, sugestões e o acervo disponível, eu recomendo a consulta completa do código EF35LP11.

Como trabalhar EF35LP11 em sala?

1. Mapa das palavras da turma. Eu peço que cada estudante traga uma palavra ou expressão que escuta em casa ou na comunidade. Pode ser o nome de um alimento, brincadeira, objeto ou cumprimento. Registramos no quadro, conversamos sobre o significado e evitamos a armadilha de transformar a atividade em “caça ao jeito certo”.

2. Escuta de áudios curtos. Com o celular e uma caixa de som, uso trechos breves de entrevistas, canções ou relatos autorizados. Antes de ouvir, proponho uma pergunta simples: “Que pistas essa fala dá sobre a pessoa ou o lugar?” Depois, a turma comenta sem imitar colegas nem reduzir a fala a caricaturas.

3. Mesma mensagem, contextos diferentes. Escrevo no quadro formas como “Passa o sal, por favor” e “Me dá o sal, rápido”. Pergunto quem poderia ouvir cada frase e qual efeito ela produz. Assim, a turma entende que adequação depende de interlocutor, intenção e situação.

4. Roda de respeito linguístico. Apresento situações comuns: alguém ri do sotaque de um colega; uma criança chama a fala de outra de “errada”; um visitante usa uma palavra desconhecida. Em grupos, os estudantes discutem como responder de modo respeitoso e justificam suas escolhas.

5. Slogan para muitas regiões. Proponho a criação de um slogan oral para uma campanha escolar que será ouvida por crianças de todo o país. A turma revisa vocabulário, clareza e possíveis referências muito locais. Aqui, deixo claro: não se trata de apagar regionalismos, mas de escolher a linguagem pensando no público e no objetivo.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EF35LP11 apresenta uma fala, áudio transcrito ou situação comunicativa concreta e pede que o estudante interprete a variação. Ela pode cobrar o reconhecimento de que duas expressões têm o mesmo sentido, a relação entre fala e contexto, a valorização de marcas regionais ou a escolha de linguagem compreensível para um público amplo.

Eu evito questões que peçam apenas para “corrigir” falas populares ou regionais, pois isso desloca o foco da habilidade e pode reforçar preconceitos. Também tomo cuidado com alternativas que tratam toda diferença como erro gramatical. Outro erro comum é usar um exemplo regional sem contexto e esperar que a criança adivinhe sua origem. O essencial é avaliar a compreensão, o respeito e a adequação, não a memorização de sotaques.

Questões prontas de EF35LP11 (com gabarito comentado)

1. Na cozinha de casa, uma criança pede: “Passa o sal, por favor.” Já com um irmão da mesma idade, diz: “Me dá o sal, rápido!”. — O que a diferença entre essas falas evidencia?

  • ✅ A) Mostra que a fala muda conforme a situação, podendo ser mais formal e cuidadosa com algumas pessoas e mais direta com outras. Correta porque considera o contexto e o interlocutor.
  • ❌ B) Mostra que a criança fala de modo diferente porque precisa obedecer às regras gramaticais apenas quando está com adultos. Errada: adequação ao contexto não é obedecer à gramática somente diante de adultos.
  • ❌ C) Mostra que a fala educada acontece só quando a criança quer demonstrar carinho, e a fala direta acontece só quando ela está nervosa. Errada: o texto não permite concluir sentimentos; o foco é a situação.
  • ❌ D) Mostra que a criança fala assim porque uma expressão é correta e a outra é errada em qualquer situação. Errada: as duas podem ser adequadas conforme o contexto.
  • ❌ E) Mostra que a criança usa palavras diferentes porque está aprendendo nomes diferentes para o mesmo objeto ao longo do tempo. Errada: o objeto é o mesmo; muda a forma de pedir.

2. Dois colegas conversam no recreio. Um deles diz: “Mainha pediu pra eu chegar cedo”. O outro responde: “Minha mãe também falou isso”. — O que o texto evidencia sobre a língua portuguesa usada pelas pessoas?

  • ❌ A) O texto mostra que o lugar onde a pessoa mora sempre muda o assunto da conversa. Errada: muda a maneira de falar, não o assunto.
  • ✅ B) A língua portuguesa pode aparecer de maneiras diferentes em regiões ou grupos diferentes, mas continuar com o mesmo sentido. Correta porque reconhece a variação sem perder o sentido da mensagem.
  • ❌ C) O texto mostra que uma fala mais simples tem sentido errado e precisa ser corrigida para ser entendida. Errada: há variação, não falta de sentido.
  • ❌ D) O texto evidencia que cada pessoa inventa uma língua diferente para dizer a mesma coisa. Errada: são variedades da mesma língua.
  • ❌ E) A língua portuguesa é sempre falada do mesmo jeito por todas as pessoas, em qualquer lugar. Errada: o próprio texto mostra formas diferentes.

3. No programa de rádio da feira do porto, Seu Zeca diz: “Nós foi cedo pra beira do igarapé, mas o peixe tava pouco. Aí a gente trouxe só umas três paneiras”. A apresentadora afirma que sua fala mostra a história do lugar e pede aos ouvintes que não riam nem o corrijam. Analise a fala e a atitude da apresentadora.

  • ❌ A) Identifica a fala urbana e destaca o uso de palavras formais. Errada: há marcas regionais e populares, não formalidade urbana.
  • ❌ B) Interpreta a fala como brincadeira e valoriza apenas o humor do programa. Errada: o foco é respeito, não humor.
  • ❌ C) Relaciona a fala apenas ao tema da pesca e ignora o modo de falar do convidado. Errada: a questão pede observar a variedade linguística.
  • ✅ D) Reconhece a variedade regional e valoriza a fala do convidado. Correta porque a apresentadora relaciona a fala à origem e à comunidade de Seu Zeca.
  • ❌ E) Corrige a variedade regional e apresenta a fala do convidado como erro. Errada: ela faz justamente o contrário, rejeitando esse julgamento.

4. Considerando crianças de diferentes regiões, qual procedimento garante que um slogan oral seja compreendido por todos?

  • ✅ A) Escolher palavras de uso nacional e evitar regionalismos e termos locais. Correta porque amplia a compreensão em uma audiência variada.
  • ❌ B) Incluir gírias locais que só são conhecidas por alguns. Errada: isso pode limitar o entendimento.
  • ❌ C) Substituir todos os substantivos por sinônimos raros. Errada: palavras raras tornam a mensagem mais difícil.
  • ❌ D) Focar em termos científicos que exigem conhecimento prévio. Errada: não é necessário nem adequado ao público infantil.
  • ❌ E) Usar apenas palavras de uma única região do país. Errada: exclui parte do público.

5. Em uma roda de conversa, uma criança diz: “A gente vai amanhã”. Outra diz: “Nós vamos amanhã”. A professora explica que as duas formas podem aparecer em situações diferentes. O que isso mostra sobre o uso da língua portuguesa?

  • ❌ A) Mostra que a diferença acontece porque uma criança falou com erro de concordância verbal. Errada: o texto trata de usos diferentes, não de erro.
  • ❌ B) Mostra que as pessoas sempre falam do mesmo jeito em qualquer lugar. Errada: as duas formas contradizem essa ideia.
  • ❌ C) Mostra que somente a fala formal deve ser usada em casa e na escola. Errada: não existe essa exclusividade no texto.
  • ❌ D) Mostra que só “nós vamos amanhã” é correta, porque a fala em casa não deve ser usada. Errada: confunde adequação com superioridade.
  • ✅ E) Mostra que a língua pode variar conforme a situação de fala, e que diferentes formas de dizer a mesma ideia podem ser usadas em contextos diferentes. Correta porque sintetiza a ideia central.

6. Ao revisar rascunhos de slogans destinados a crianças de diferentes regiões do país, qual critério deve ter prioridade para evitar mal-entendidos culturais e linguísticos?

  • ❌ A) Focar em jargões regionais e gírias locais. Errada: podem confundir quem não conhece essas expressões.
  • ❌ B) Usar apenas referências de uma única região específica. Errada: limita a compreensão de outras crianças.
  • ❌ C) Escolher simplesmente palavras difíceis para enriquecer o texto. Errada: dificuldade não garante clareza.
  • ❌ D) Apenas priorizar estética visual sobre conteúdo textual. Errada: a clareza linguística continua necessária.
  • ✅ E) Escolher vocabulário neutro e referências culturais amplamente compreendidas. Correta porque favorece entendimento entre públicos diversos.

Próximos passos para levar à aula

Eu começaria com uma escuta curta, abriria espaço para a turma falar de suas próprias experiências e, só depois, aplicaria uma questão. Se você quiser ganhar tempo na montagem da atividade ou avaliação, há 47 questões alinhadas a esta habilidade no acervo e você pode organizar tudo no gerador de provas do GeraProva. Para salvar materiais e testar a plataforma, faça seu cadastro grátis.

Use estas propostas como ponto de partida e ajuste os exemplos à realidade da sua turma. Ensinar variação linguística é ajudar cada criança a compreender a língua e a respeitar quem a fala de outro jeito.

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