Atividades sobre Colocação Pronominal com gabarito — 9º ano (EF09LP10)
Quando recebo a EF09LP10 no planejamento do 9º ano, sei que não adianta transformar a aula numa lista de regras para decorar. Na prática, meus alunos já usam pronomes o tempo todo: dizem “me chama depois”, “ela me viu” e “não me contou”. O desafio é ajudá-los a perceber que essas escolhas mudam conforme a situação de comunicação, especialmente quando passamos da conversa para um texto formal.
Eu costumo partir justamente desse contraste. Em vez de tratar a fala cotidiana como erro, proponho comparação: como falamos, como a norma-padrão orienta certos textos escritos e por que vale a pena conhecer os dois usos. Assim, a habilidade vira uma conversa concreta sobre adequação linguística, revisão e autoria.
O que a habilidade EF09LP10 pede, de verdade?
A EF09LP10 pede que o estudante compare, de modo consciente, as regras de colocação dos pronomes oblíquos na norma-padrão com o uso efetivo no português brasileiro coloquial. Isso significa ir além de marcar “certo” ou “errado”: a turma precisa reconhecer quando aparece a próclise, como em “ela me viu”, e quando a escrita formal pode preferir a ênclise, como em “ela viu-me”. Também precisa entender que palavras como “não” atraem o pronome na norma-padrão (“não lhe entregará”), enquanto, na fala brasileira, iniciar uma frase com “me” é muito comum, embora seja evitado em textos formais tradicionais. Eu trabalho a habilidade mostrando que há contextos, intenções e convenções diferentes, sem desvalorizar a variedade que os alunos dominam. O objetivo é ampliar repertório para que revisem uma notícia, um memorando ou uma carta formal com mais autonomia.
“Comparar as regras de colocação pronominal na norma-padrão com o seu uso no português brasileiro coloquial.”
Ela está situada no objeto de conhecimento Coesão, em Língua Portuguesa, para o 9º ano. Faz sentido: os pronomes retomam termos e organizam relações no texto, mas sua posição também revela escolhas de registro. Para ver o recorte completo e o banco disponível, acesso a consulta completa do código EF09LP10.
Como trabalhar EF09LP10 em sala?
- Começo com duas versões da mesma mensagem. Escrevo no quadro “Me avisaram da reunião” e “Avisaram-me da reunião”. Peço que a turma diga onde cada uma poderia aparecer: conversa de WhatsApp, bilhete, reportagem, comunicado escolar. O foco não é constranger ninguém, mas discutir efeito de formalidade e adequação.
- Faço uma oficina de revisão. Levo frases de um suposto jornal da escola, com ocorrências como “Me disseram para mim ir”. Em duplas, os alunos revisam e justificam: “Disseram-me para eu ir”. Depois, debatemos que há duas questões na frase: a posição de “me” e o uso de “eu” como sujeito de “ir”.
- Uso cartões de contexto. Em papéis simples, escrevo situações como “aviso no mural”, “fala de personagem”, “e-mail à direção” e “mensagem para colega”. Cada grupo recebe uma frase com pronome e decide se a redação pede maior aproximação da norma-padrão ou se reproduz adequadamente a oralidade de uma personagem.
- Crio um mural de transformações. Uma coluna traz formas coloquiais frequentes, como “Você me viu ontem”; a outra, formas de registro mais formal, como “Você viu-me ontem”. Incluo também casos com atrativos: “Não lhe entregarei o relatório”. A visualização ajuda a turma a não decorar regras isoladas.
- Fecho com produção curta. Peço um aviso formal de três linhas e uma fala de personagem sobre o mesmo assunto. Na revisão, o aluno explica uma escolha de colocação pronominal. É uma atividade simples, que me mostra se ele consegue transferir a comparação para a escrita.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF09LP10 precisa apresentar contexto de uso e pedir comparação, não apenas caça-regra. Eu procuro incluir textos formais, falas cotidianas e situações de revisão, para verificar se o estudante identifica próclise e ênclise, reconhece fatores que atraem o pronome — como a negação — e percebe diferentes efeitos de registro.
Um erro comum é cobrar só nomenclatura. Saber dizer “próclise” ajuda, mas não basta se o aluno não consegue explicar por que “não lhe entregará” atende à norma-padrão tradicional ou por que “me disseram” é recorrente no português brasileiro coloquial. Outro erro é apresentar o uso coloquial como sinal de incapacidade linguística. Na avaliação, eu deixo claro que se trata de adequação ao contexto e de domínio de repertórios. Também evito alternativas ambíguas e frases artificiais demais.
Se quiser montar uma lista, atividade diagnóstica ou prova rapidamente, o gerador de provas do GeraProva reúne 37 questões alinhadas a esta habilidade. Isso me permite selecionar níveis diferentes e adaptar o instrumento ao momento da turma.
Questões prontas de EF09LP10 (com gabarito comentado)
1. Uma comissão escolar redigirá um memorando formal para informar que não entregará determinado relatório a um representante da comunidade. Na revisão do documento, o redator deve substituir a expressão “a ele” pelo pronome oblíquo correspondente, seguindo a norma-padrão tradicional da escrita formal. Observe que a oração contém a palavra “não”, que interfere na colocação do pronome. Considerando o contexto e a norma-padrão tradicional, qual frase apresenta corretamente a substituição de “a ele” por um pronome oblíquo e sua respectiva colocação pronominal?
- ✅ A) A comissão não lhe entregará o relatório. “Lhe” substitui “a ele” como objeto indireto. A palavra negativa “não” exige próclise na norma-padrão tradicional: “não lhe entregará”.
- ❌ B) A comissão não entregará-lhe o relatório. Há ênclise após “não”, mas a negativa exige próclise na norma-padrão tradicional.
- ❌ C) A comissão não entregar-lhe-á o relatório. A mesóclise é impedida pela presença de “não”, que exige próclise.
- ❌ D) A comissão não entregará o relatório-lhe. O pronome não pode ser posposto ao substantivo “relatório”; sua posição se relaciona ao verbo.
- ❌ E) A comissão lhe não entregará o relatório. Na norma-padrão tradicional, “não” deve vir antes do pronome, atraindo-o para perto do verbo.
2. Durante a revisão de uma entrevista para o jornal da escola, a editora encontrou a frase: “Me disseram para eu ir à reunião”. Como o texto seria publicado em uma reportagem formal, ela decidiu adequá-lo à norma-padrão, mantendo o sentido original da fala. Qual reescrita atende à norma-padrão quanto à colocação pronominal e ao emprego dos pronomes?
- ✅ A) Disseram-me para eu ir à reunião. Sem palavra atrativa antes do verbo, a norma-padrão emprega “me” em ênclise. “Eu” é adequado porque funciona como sujeito de “ir”.
- ❌ B) Disseram-me para mim ir à reunião. “Mim” não pode exercer a ação de ir; como sujeito do infinitivo, usa-se “eu”.
- ❌ C) Disseram-me para eu fui à reunião. Depois de “para eu”, a estrutura exige o infinitivo “ir”, e não “fui”.
- ❌ D) Me disseram para eu ir à reunião. Mantém a próclise no início da oração, posição geralmente evitada em texto formal tradicional sem palavra atrativa.
- ❌ E) Disseram-me para eu vou à reunião. A forma “vou” não cabe nessa construção; o adequado é o infinitivo “ir”.
3. Analise a frase: “Me disseram que você não viria”. Identifique a colocação pronominal e compare com a norma-padrão.
- ❌ A) A frase está na norma-padrão. A frase começa com próclise, uso comum no português brasileiro coloquial e evitado pela norma-padrão tradicional nesse contexto.
- ❌ B) A frase usa ênclise corretamente. Não há ênclise: o pronome “me” está antes do verbo.
- ✅ C) A frase tem próclise, comum no coloquial. “Me” aparece antes de “disseram”, caracterizando próclise frequente na fala cotidiana.
- ❌ D) A frase não tem pronome. Há, sim, o pronome oblíquo átono “me”.
- ❌ E) A norma-padrão exige a próclise. Sem elemento atrativo no início, a forma tradicional esperada é “Disseram-me”.
4. Compare as frases: “Ela me viu” e “Ela viu-me”. Qual a diferença em relação à colocação pronominal?
- ✅ A) Ambas são corretas, mas a segunda é mais formal. A primeira é muito comum no uso brasileiro; a segunda reflete uma preferência da norma-padrão.
- ❌ B) A primeira é errada e a segunda correta. As duas construções são possíveis; o que muda é sobretudo o registro.
- ❌ C) Ambas são coloquiais e aceitas. “Viu-me” é uma forma associada ao registro mais formal.
- ❌ D) A primeira é a norma padrão, a segunda não. “Ela viu-me” também é uma construção de norma-padrão.
- ❌ E) A primeira é mais utilizada em situações formais. No português brasileiro, “ela me viu” é mais característica do uso coloquial.
5. Analise a frase: “Ele me viu na festa.” Qual a colocação pronominal correta?
- ❌ A) Ele viu me na festa. O pronome átono não fica solto depois do verbo nessa construção.
- ❌ B) Me viu ele na festa. A ordem proposta não corresponde à construção esperada na questão.
- ✅ C) Ele me viu na festa. A colocação do pronome antes do verbo está correta nessa frase.
- ❌ D) Na festa me viu ele. A organização da frase desloca o pronome de modo inadequado para o padrão pedido.
- ❌ E) Ele viu na festa me. O pronome no final da oração não tem posição adequada.
6. Na frase “Você viu-me ontem”, como seria a forma coloquial?
- ✅ A) Você me viu ontem. É a forma mais comum no português brasileiro coloquial.
- ❌ B) Viu-me você ontem. A construção mantém registro mais formal, não sendo a forma coloquial pedida.
- ❌ C) Viu você-me ontem. A colocação do pronome não é adequada.
- ❌ D) Me viu você ontem. Pode ocorrer na fala, mas não é a forma mais comum para a situação apresentada.
- ❌ E) Ontem viu-me você. Também mantém uma organização mais formal, distante da formulação coloquial esperada.
Próximos passos
Eu usaria essas seis questões como diagnóstico, retomaria os pontos em que a turma hesitou e, depois, pediria uma reescrita contextualizada. Para ampliar o repertório sem gastar horas montando material, vale consultar as 37 questões da habilidade e criar uma avaliação sob medida. Se ainda não usa a plataforma, faça seu cadastro grátis e experimente organizar a próxima atividade com mais rapidez.
Não existe aprendizado de língua sem escuta do uso real: conheça a norma-padrão, compare-a com a fala cotidiana e ajude sua turma a escolher a melhor linguagem para cada situação.
