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Atividades sobre As questões indígena e negra e a ditadura com gabarito — 9º ano (EF09HI21)

Atividades sobre As questões indígena e negra e a ditadura com gabarito — 9º ano (EF09HI21)

Quando recebo a EF09HI21 no planejamento do 9º ano, sei que não basta listar obras da ditadura ou pedir uma definição de desenvolvimentismo. Preciso ajudar a turma a enxergar quem pagou o preço de estradas, barragens, expansão agropecuária e ocupação territorial apresentadas como sinais de progresso.

Na prática, eu transformo esse código em perguntas bem concretas: desenvolvimento para quem? Quem decidiu onde uma rodovia passaria? O que acontece quando uma obra invade um território tradicional? A partir daí, a aula deixa de ser uma sequência de nomes e datas e passa a discutir território, direitos, resistência e memória.

O que a habilidade EF09HI21 pede, de verdade?

A EF09HI21 pede que o estudante identifique as reivindicações de povos indígenas e comunidades quilombolas durante a ditadura civil-militar e estabeleça uma relação clara entre essas demandas e a crítica ao modelo desenvolvimentista do regime. Em linguagem de sala de aula, eu quero que a turma compreenda que grandes projetos — rodovias, barragens, colonização e expansão do agronegócio — não foram neutros: afetaram terras, roças, rios, áreas sagradas, formas de trabalho e modos de vida. Também quero que os alunos percebam que indígenas e quilombolas não aparecem apenas como vítimas desses processos. Eles se organizaram, denunciaram violações, defenderam a demarcação e o reconhecimento de seus territórios, reivindicaram autonomia e participação nas decisões. Portanto, a habilidade cobra a conexão entre uma política de Estado, seus impactos sociais e ambientais e as formas de resistência coletiva construídas por essas populações.

“Identificar e relacionar as demandas indígenas e quilombolas como forma de contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura.”

Ela integra a unidade temática Modernização, ditadura civil-militar e redemocratização: o Brasil após 1946 e o objeto de conhecimento As questões indígena e negra e a ditadura. Para consultar o texto, o contexto e mais itens alinhados, uso a consulta completa do código EF09HI21.

Como trabalhar EF09HI21 em sala?

1. Começo com um mapa e uma pergunta. Posso projetar ou desenhar no quadro um mapa simples da Amazônia e localizar a Transamazônica. Pergunto: “Se uma estrada atravessa uma região ocupada por comunidades, quais mudanças ela pode provocar?” A turma costuma levantar acesso, comércio e empregos; então acrescentamos desmatamento, grilagem, invasões e conflitos. O importante é analisar consequências, não tratar a obra como sinônimo automático de progresso.

2. Faço leitura de reivindicações. Entrego pequenos cartões com palavras como demarcação, consulta, autonomia, preservação dos modos de vida, educação intercultural e reconhecimento territorial. Em duplas, os alunos explicam por que cada demanda questiona uma obra imposta de cima para baixo. É uma atividade simples, com papel e caneta, mas que organiza muito bem o raciocínio.

3. Proponho um conselho comunitário simulado. Divido a classe entre representantes de comunidades, governo, trabalhadores de uma obra e imprensa. A situação é a construção de uma barragem ou estrada. Cada grupo prepara três argumentos e uma proposta. Eu fecho retomando que a habilidade não pede que o aluno apenas “opine”, mas que relacione as falas às disputas por território e aos impactos do desenvolvimentismo.

4. Construo uma linha do tempo com permanências. Nela, entram a ditadura, os grandes projetos dos anos 1970, as mobilizações sociais, a redemocratização e a Constituição de 1988. Depois pergunto quais demandas continuam atuais. Isso ajuda a evitar que o tema fique preso ao passado e permite discutir direitos sem perder o recorte histórico.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EF09HI21 precisa apresentar uma situação histórica ou uma fonte e pedir que o estudante relacione projeto desenvolvimentista, impacto sobre territórios e demanda indígena ou quilombola. Não basta cobrar a memorização de que a Transamazônica existiu. Vale perguntar quais efeitos ela produziu, que interesses orientavam a obra e por que a defesa da terra era uma contestação política.

Eu evito dois erros comuns. O primeiro é transformar a avaliação em lista de siglas, datas e obras, sem dar espaço para a relação entre causa e consequência. O segundo é romantizar a resistência: as comunidades tiveram agência, mas enfrentaram violência, remoções e decisões autoritárias. Nas questões, os distratores devem ser plausíveis, mas não podem confundir autonomia comunitária com aceitação dos projetos ou reduzir as reivindicações a compensações financeiras.

Para montar uma atividade rapidamente, há 52 questões alinhadas a esta habilidade no acervo. Eu consigo selecionar, editar e gerar versões no gerador de provas do GeraProva, conforme o tempo da aula e o perfil da turma.

Questões prontas de EF09HI21 (com gabarito comentado)

1. Avalie de que forma projetos de modernização territorial da década de 1970, como a Transamazônica, foram motivados por ideais desenvolvimentistas e quais consequências geraram para povos indígenas e ecossistemas.

  • ❌ A) A modernização territorial melhorou as condições de vida dos indígenas na Amazônia. Isso é falso: houve degradação e perda de terras, piorando suas vidas.
  • ❌ B) Os projetos de modernização tinham o objetivo de preservar os ecossistemas da Amazônia. O foco era exploração econômica, não preservação ambiental.
  • ❌ C) A Transamazônica foi idealizada para garantir direitos aos povos indígenas. Ao contrário, a obra resultou em conflitos e perda de terras indígenas.
  • ❌ D) Os ideais desenvolvimentistas buscavam a manutenção da cultura indígena na Amazônia. Os projetos visavam integração e exploração, ignorando culturas.
  • ✅ E) Causa: ideologia desenvolvimentista do Estado visando integrar e explorar territórios; consequência: desmatamento, perda de terras indígenas, conflitos fundiários e impacto ambiental duradouro. As obras integraram a Amazônia à economia nacional, com invasões territoriais e impactos persistentes.

2. No final da década de 1970, lideranças indígenas e representantes de comunidades quilombolas denunciaram projetos agropecuários, rodoviários e de barragens. Qual foi a principal demanda apresentada como contestação ao modelo desenvolvimentista?

  • ❌ A) A remoção das comunidades e a continuidade dos grandes projetos. O texto denuncia justamente a expulsão das famílias.
  • ❌ B) A substituição das formas comunitárias por propriedade individual comercial. O documento defende as formas próprias de organização comunitária.
  • ❌ C) A concentração das decisões em órgãos governamentais. As lideranças criticavam decisões sem participação das populações afetadas.
  • ✅ D) O reconhecimento dos territórios tradicionais e a participação das comunidades nas decisões sobre empreendimentos que afetassem suas áreas. Essa é a demanda que confronta obras impostas sem consulta.
  • ❌ E) A aceitação dos empreendimentos mediante compensações financeiras. O texto questiona a expulsão, e não propõe pagamento como solução.

3. Entre 1964 e 1985, diferentes estratégias foram usadas contra barragens. Qual contestou de forma mais direta a implantação dessas obras?

  • ✅ A) Ocupação temporária de fazendas destinadas ao alagamento. Segundo o texto-base, foi a única iniciativa que impediu diretamente o alagamento em parte dos empreendimentos.
  • ❌ B) Envio de correspondências coletivas a organismos internacionais. Ampliava a denúncia e a pressão, mas não bloqueava diretamente o alagamento.
  • ❌ C) Organização de paralisações de trabalhadores em obras estatais. O texto não afirma que elas impediram diretamente o alagamento.
  • ❌ D) Promoção de boicotes a produtos vinculados às barragens. Podia afetar a legitimidade do projeto, mas não bloqueava sua implantação.
  • ❌ E) Criação de escolas comunitárias para preservar identidades. Era uma ação de preservação cultural, sem efeito direto sobre as obras.

4. Em 1978, comunidades indígenas e quilombolas denunciaram estradas e barragens construídas sem consulta. Como suas reivindicações contestavam o desenvolvimentismo da ditadura?

  • ❌ A) Exigir assistência educacional padronizada, sem relação com terras ou autonomia. Esse tema não expressa a contestação territorial descrita.
  • ❌ B) Exigir preservação cultural sem contestar as obras. O texto mostra oposição também às estradas e barragens.
  • ❌ C) Exigir apoio financeiro ao agronegócio local. As comunidades se opunham aos impactos desse modelo.
  • ✅ D) Exigir demarcação de terras e autonomia para comunidades, contrapondo-se a projetos governamentais de obras em larga escala. A demanda confronta diretamente obras sem consulta e a destruição de modos de vida.
  • ❌ E) Exigir participação em conselhos estatais, validando as políticas do regime. Isso contradiz a denúncia e a resistência presentes no texto.

5. Cite o projeto do regime militar, na década de 1970, cuja execução acelerou invasões de terras e conflitos com populações indígenas e camponesas na Amazônia.

  • ✅ A) A construção da rodovia Transamazônica (BR-230). A obra estimulou colonização, grilagem e entrada de madeireiros e posseiros, agravando conflitos.
  • ❌ B) A realização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 1980. A CNBB é uma entidade religiosa, não um projeto militar de ocupação territorial.
  • ❌ C) A construção da BR-101, que liga o Sul ao Nordeste. Não corresponde ao projeto amazônico da década de 1970 indicado no enunciado.
  • ❌ D) O programa Bolsa Família, criado nos anos 2000. É um programa social posterior, sem relação com o período.
  • ❌ E) A construção da Usina de Belo Monte. Não foi uma rodovia construída nos anos 1970.

6. Na transição democrática brasileira, de que maneira mobilizações indígenas e quilombolas entre 1985 e 1995 influenciaram políticas educacionais e alfabetização?

  • ✅ A) Impulsionaram demandas por educação intercultural e alfabetização de adultos, resultando em programas públicos e inclusão de propostas bilíngues nos anos 1988–1995. As mobilizações defenderam línguas, saberes locais e inclusão educacional.
  • ❌ B) Resultaram na eliminação da presença indígena nas escolas públicas. O sentido das mobilizações era inclusão e valorização.
  • ❌ C) As comunidades não tinham interesse em educação. Elas buscaram educação que respeitasse e fortalecesse suas culturas.
  • ❌ D) A transição democrática não afetou as políticas educacionais. As pressões sociais e a Constituição de 1988 produziram mudanças importantes.
  • ❌ E) Pediam a exclusão de culturas locais do sistema educacional. A reivindicação era justamente por educação intercultural.

Próximos passos

Eu usaria essas questões depois de uma conversa inicial sobre território e grandes obras, alternando itens de reconhecimento com questões que peçam relação entre causa, consequência e resistência. Se a turma precisar de mais prática, a página da habilidade reúne outras possibilidades de trabalho.

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