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Atividades sobre As questões indígena e negra e a ditadura com gabarito — 9º ano (EF09HI21)

Atividades com gabarito para trabalhar as questões indígena e negra durante a ditadura no 9º ano. Veja como transformar a habilidade EF09HI21 em aula, debate e avaliação com foco em territórios, resistência e direitos.

Atividades sobre As questões indígena e negra e a ditadura com gabarito — 9º ano (EF09HI21)

Quando recebi o código EF09HI21 no planejamento do 9º ano, confesso que minha primeira reação foi pensar: como vou transformar essa habilidade em uma aula que os alunos realmente entendam? O texto oficial fala em demandas indígenas e quilombolas e em contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura, e não é difícil ficar preso na formalidade da frase.

Na prática, precisei traduzir isso para a realidade da sala: obras de estradas, barragens e mineração avançando sobre roças, cemitérios e caminhos usados há gerações. Foi a partir daí que consegui montar uma sequência que fizesse sentido e uma avaliação que cobrasse o que de fato importa.

O que a habilidade EF09HI21 pede, de verdade?

A habilidade pede que o aluno identifique e relacione as demandas indígenas e quilombolas como forma de contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura. Na linguagem de sala de aula, isso significa mostrar que essas comunidades não apenas sofreram os efeitos dos grandes projetos do regime, mas também reagiram a eles, defendendo seus territórios e seus modos de vida.

"Identificar e relacionar as demandas indígenas e quilombolas como forma de contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura." (BNCC, EF09HI21)

Em outras palavras, o aluno precisa sair da aula sabendo que a pergunta central não é apenas "o que aconteceu com os indígenas e quilombolas", mas "o que essas comunidades reivindicaram e por que suas reivindicações questionavam a lógica de integração e exploração do país". Isso exige articular três elementos: a obra ou projeto do Estado, o impacto sobre o território e a reivindicação coletiva que surge como resposta. Quando o aluno consegue ligar esses três pontos, ele demonstra compreensão histórica de verdade, e não apenas memorização de datas e nomes de rodovias.

Esse objeto de conhecimento também dialoga com a discussão sobre os anos 1960 e a resistência à ditadura, o que permite ampliar o olhar para além das cidades e dos movimentos estudantis que costumam dominar os livros didáticos.

Como trabalhar EF09HI21 em sala?

Algumas ideias que funcionaram para mim, sem exigir material caro:

  • Leitura de cartas e relatos (adaptados): trago trechos curtos de documentos da época, com a linguagem simplificada, e peço que os alunos identifiquem o pedido central de cada comunidade.
  • Mapa da própria cidade ou região: pergunto se há algum projeto de estrada, barragem ou mineração perto da escola. Quase sempre aparece algum exemplo, e a discussão fica muito mais viva.
  • Comparação de reivindicações: coloco lado a lado uma demanda indígena e uma quilombola e peço que os alunos apontem o que as aproxima. Esse exercício ajuda muito na habilidade de relacionar.
  • Debate com papéis: divido a turma entre representantes do governo, de empresas e de comunidades, e cada grupo defende sua posição. Os alunos percebem rapidamente por que o conflito era tão intenso.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão sobre EF09HI21 precisa cobrar que o aluno relacione fatos, e não apenas reconheça nomes. Ela deve pedir que o estudante compare reivindicações, identifique a estratégia de resistência mais efetiva ou analise como as demandas contestavam o desenvolvimentismo. Questões que apenas perguntam "quando ocorreu tal obra" tendem a medir memória, não compreensão.

Erros comuns que percebi nas minhas próprias provas: colocar alternativas que descrevem reivindicações individuais quando o texto fala em direitos coletivos; apresentar a aceitação de compensações como se fosse resistência; e confundir denúncia e pressão política com intervenção direta no território. Cuidar desses detalhes faz toda a diferença na qualidade da avaliação.

Questões prontas de EF09HI21 (com gabarito comentado)

Reuni abaixo seis questões alinhadas a essa habilidade. Use-as como estão ou adapte o enunciado para a sua turma.

Questão 1: modernização territorial e a Transamazônica

Avalie de que forma projetos de modernização territorial da década de 1970, como a Transamazônica, foram motivados por ideais desenvolvimentistas e quais consequências geraram para povos indígenas e ecossistemas.

  • ❌ A) A modernização territorial melhorou as condições de vida dos indígenas na Amazônia. — Totalmente falso, houve degradação e perda de terras, piorando suas vidas.
  • ❌ B) Os projetos de modernização tinham o objetivo de preservar os ecossistemas da Amazônia. — Incorreto, o foco era exploração econômica e não preservação ambiental.
  • ❌ C) A Transamazônica foi idealizada para garantir direitos aos povos indígenas. — Factualmente errado, resultou em conflitos e perda de terras indígenas.
  • ❌ D) Os ideais desenvolvimentistas buscavam a manutenção da cultura indígena na Amazônia. — Incorreto, os projetos visavam integração e exploração, ignorando culturas.
  • ✅ E) Causa: ideologia desenvolvimentista do Estado visando integrar e explorar territórios; Consequência: desmatamento, perda de terras indígenas, conflitos fundiários e impacto ambiental duradouro. — As obras dos anos 1970 foram orientadas pelo projeto de integrar a Amazônia à economia nacional; isso provocou invasões de territórios indígenas, destruição de habitats e conflitos sociais que produziram impactos ambientais e demográficos persistentes.

Questão 2: estratégias de resistência indígena e quilombola

Entre 1964 e 1985, a construção de grandes reservatórios deslocou comunidades indígenas e quilombolas de áreas consideradas estratégicas para o projeto desenvolvimentista do regime militar. Registros do período indicam que essas comunidades utilizaram diferentes formas de resistência: realizaram ocupações temporárias de fazendas destinadas ao alagamento, enviaram correspondências coletivas a organismos internacionais, organizaram paralisações de trabalhadores em obras estatais, criaram escolas comunitárias e promoveram boicotes a produtos vinculados às barragens. Segundo os registros, as ocupações foram a única dessas iniciativas que impediram diretamente o alagamento de áreas tradicionais em parte dos empreendimentos, enquanto as demais estratégias contribuíram principalmente para denunciar os impactos, preservar identidades ou ampliar a pressão política.

Com base no texto-base, qual estratégia indígena e quilombola mais efetivamente contestou, de forma direta, a implantação das barragens pelo regime militar?

  • ✅ A) Ocupação temporária de fazendas destinadas ao alagamento — O texto afirma expressamente que as ocupações foram a única estratégia que impediu diretamente o alagamento de áreas tradicionais em parte dos empreendimentos. As demais ações tiveram efeitos de denúncia, pressão política, preservação cultural ou boicote, mas não bloquearam diretamente a implantação das barragens.
  • ❌ B) Envio de correspondências coletivas a organismos internacionais — Este distrator confunde denúncia e internacionalização da causa com intervenção direta no território. O texto atribui às correspondências a função de ampliar a pressão política, não de impedir o alagamento.
  • ❌ C) Organização de paralisações de trabalhadores em obras estatais — Este distrator associa a interrupção do trabalho à interrupção da construção. Entretanto, o texto não afirma que as paralisações tenham impedido diretamente o alagamento das áreas tradicionais.
  • ❌ D) Promoção de boicotes a produtos vinculados às barragens — Este distrator atribui ao boicote um efeito territorial que o texto não sustenta. A ação podia atingir a legitimidade ou o apoio aos empreendimentos, mas não bloqueava diretamente sua implantação.
  • ❌ E) Criação de escolas comunitárias para preservar identidades — Este distrator interpreta a preservação cultural como oposição direta à construção das barragens. O texto, porém, apresenta as escolas como iniciativa de preservação de identidades, sem efeito direto sobre as obras.

Questão 3: o projeto militar que acelerou conflitos na Amazônia

Cite o projeto do regime militar (década de 1970) cuja execução acelerou invasões de terras e conflitos com populações indígenas e camponesas na Amazônia.

  • ✅ A) A construção da rodovia Transamazônica (BR-230). — A obra, incentivada na década de 1970, estimulou colonização, grilagem e entrada de madeireiros e posseiros, gerando confrontos e violência contra indígenas e camponeses na região.
  • ❌ B) A realização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 1980. — A CNBB é uma entidade religiosa, não um projeto do governo militar, e não causou invasões de terras.
  • ❌ C) A construção da BR-101, que liga o Sul ao Nordeste. — A BR-101 é uma rodovia antiga, já existente antes da década de 70, sem relação direta com o regime.
  • ❌ D) O programa Bolsa Família, criado nos anos 2000. — Bolsa Família é um programa social recente, sem relação com a década de 70 ou conflitos na Amazônia.
  • ❌ E) A construção da Usina de Belo Monte. — Belo Monte é uma usina hidrelétrica, não uma rodovia, e não foi construída nos anos 70.

Questão 4: comparando duas reivindicações territoriais

Que "progresso" e esse que chega com sirenes e cercas? Em meados da ditadura, uma estrada e uma usina passaram a ser apresentadas como obras "estratégicas" para integrar e modernizar o país. Em documentos da época (trechos adaptados), um grupo indígena escreveu que a equipe de engenharia marcou piquetes dentro de suas roças e limitou a circulação perto do rio, prometendo "mudança para outra área" e pagamento a algumas famílias. O texto pedia que a obra fosse revista e que o governo reconhecesse, por escrito, os limites usados tradicionalmente pelo grupo.

Em outro estado, uma associação de moradores de um antigo quilombo relatou que topógrafos mediram terrenos e anunciaram desapropriações para um projeto de mineração, oferecendo contratos individuais e insistindo que "o interesse nacional" deveria prevalecer. A carta reivindicava permanecer na área, proteger um cemitério antigo e negociar coletivamente com o Estado.

Compare as duas reivindicações apresentadas no texto-base e identifique o aspecto comum que as aproxima como contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura.

  • ❌ A) Defesa da propriedade individual como fundamento central das reivindicações comunitárias — Essa leitura atribui às comunidades uma reivindicação individual. No texto, o grupo indígena pede o reconhecimento de limites tradicionais, e a associação quilombola reivindica permanecer na área e negociar coletivamente.
  • ✅ B) Defesa do direito coletivo ao território tradicional diante de obras estatais impostas — As duas reivindicações contestam intervenções que ameaçam a permanência das comunidades em seus territórios e defendem que seus direitos coletivos sejam reconhecidos diante de projetos impostos pelo Estado.
  • ❌ C) Aceitação do reassentamento como solução comum para os conflitos territoriais — O texto menciona uma promessa de mudança para outra área, mas o grupo indígena pede revisão da obra, e a associação quilombola reivindica permanecer no território. Portanto, não há aceitação comum do reassentamento.
  • ❌ D) Prioridade ao controle estatal da circulação como motivo comum das reivindicações — A passagem sobre a circulação aparece apenas no relato do grupo indígena. A reivindicação da associação quilombola trata da permanência na área, da proteção do cemitério e da negociação coletiva.
  • ❌ E) Reconhecimento apenas dos danos materiais causados pelos projetos às comunidades — A resposta reduz as reivindicações a danos materiais. O texto também apresenta demandas territoriais e coletivas, como reconhecer limites tradicionais, permanecer na área e proteger um cemitério.

Questão 5: a síntese do dossiê didático

"Não somos obstáculo ao país; é o país que nos retira o lugar de viver", registra uma carta atribuída a moradores de uma comunidade indígena, reunida em um dossiê didático ficcional sobre a década de 1970. No mesmo conjunto, famílias negras rurais relatam que documentos de propriedade e a chegada de empresas ameaçavam roças, cemitérios e caminhos usados coletivamente havia gerações. Em ambos os casos, agentes públicos defendiam estradas, exploração de recursos e expansão da produção como sinais de integração nacional. As famílias solicitavam proteção de suas áreas de uso tradicional e denunciavam a perda de condições materiais para manter seus modos de vida.

Elabore uma síntese para o dossiê, identificando a formulação que relaciona as reivindicações apresentadas à contestação do desenvolvimentismo durante a ditadura.

  • ❌ A) Defender a remoção das famílias para áreas distantes a fim de liberar os empreendimentos. — Erro de descontextualização: deslocar os grupos rompe os vínculos territoriais que indígenas e quilombolas buscavam preservar.
  • ❌ B) Defender a concessão de direitos individuais apenas aos moradores empregados nos projetos. — Erro de individualização: reduz demandas coletivas por território e autonomia a benefícios individuais ligados aos empreendimentos.
  • ❌ C) Defender a ocupação produtiva das terras sem reconhecer vínculos históricos das comunidades. — Erro de inversão: reproduz a lógica desenvolvimentista criticada nos relatos, ao priorizar a exploração econômica do território.
  • ❌ D) Defender a substituição das atividades tradicionais por empregos oferecidos pelas empresas. — Erro de assimilação: supõe que as comunidades desejavam integrar-se ao projeto empresarial, ignorando a defesa de seus modos de vida.
  • ✅ E) Defender territórios de uso coletivo como limite à expansão econômica imposta pelo Estado. — Correta. As demandas por permanência territorial contestavam projetos que tratavam essas áreas como disponíveis para integração econômica.

Questão 6: mobilização e defesa do território no Tapajós

Durante a construção da usina hidrelétrica no rio Tapajós, na década de 1970, comunidades indígenas e quilombolas sofreram deslocamento compulsório de suas terras. Lideranças dessas populações organizaram assembleias e enviaram cartas ao governo denunciando a perda de florestas, seus modos de vida tradicionais e a falta de consulta prévia. Ao mesmo tempo, quilombolas pediam a regularização fundiária de seus territórios, enquanto índios exigiam respeito aos seus direitos de posse ancestral. Esses protestos ganharam repercussão em jornais alternativos e se somaram a outras vozes críticas ao crescimento acelerado imposto pelo regime militar.

Analise o texto-base e identifique como as reivindicações indígenas e quilombolas se configuraram como forma de contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura?

  • ❌ A) Realizando parcerias com empresas para explorar recursos locais — A alternativa apresenta uma parceria econômica como resposta, enquanto o texto descreve oposição aos impactos do empreendimento.
  • ❌ B) Adotando práticas de trabalho assalariado na construção da barragem — O texto trata de reivindicações e denúncias contra os impactos da obra; não apresenta o trabalho assalariado como forma de contestação.
  • ❌ C) Aceitando compensações financeiras para amenizar prejuízos ambientais — A alternativa sugere que as comunidades aceitaram compensações, mas o texto descreve protestos e reivindicações de direitos.
  • ✅ D) Organizando mobilizações para defender direitos territoriais e modos de vida — As comunidades contestaram os efeitos sociais e ambientais da obra por meio de ações coletivas e da defesa de seus territórios e formas de vida.
  • ❌ E) Promovendo festivais patrocinados pela concessionária estatal — O texto menciona assembleias, cartas e repercussão em jornais, não festivais promovidos com apoio da concessionária.

Próximos passos

Depois da aula e da prova, vale retomar as respostas com a turma e pedir que cada aluno explique, com suas palavras, por que a alternativa correta contesta o desenvolvimentismo. Se quiser consultar todas as questões alinhadas a esse código, acesse a consulta completa do código EF09HI21. Para montar sua própria prova com esse conteúdo em poucos minutos, use o gerador de provas do GeraProva, e se ainda não tem conta, o cadastro grátis leva menos de um minuto.

Estas questões são um ponto de partida para o seu planejamento. Ajuste o nível de dificuldade e o contexto à realidade da sua turma, e use seu próprio julgamento pedagógico em cada avaliação.

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