Atividades sobre Reconstrução do contexto de produção, circulação e recepção de textos Caracterização do campo jornalístico e relação entre os gêneros em circulação, mídias e práticas da cultura digit
Quando recebo a EF07LP02 no planejamento do 7º ano, sei que não basta entregar duas notícias e pedir que a turma diga qual gostou mais. O desafio é transformar a habilidade em uma aula em que os estudantes percebam que a mesma enchente, feira ou problema ambiental muda de forma conforme circula no jornal, no rádio, em um blog ou em uma rede social.
Na prática, eu parto de situações próximas: um post compartilhado no grupo da escola, uma notícia local e um áudio de rádio. Assim, a comparação deixa de ser abstrata e vira leitura crítica. Depois, preciso de uma avaliação que cobre observação de linguagem, fontes, recursos visuais e intenção comunicativa — não apenas memória de definições.
O que a habilidade EF07LP02 pede, de verdade?
A EF07LP02 pede que o estudante compare notícias e reportagens sobre o mesmo fato em mídias diferentes, identificando quem produziu o texto, para quem ele parece falar, onde circula e quais recursos usa para informar. Em sala, isso significa perceber que um jornal pode organizar dados, fontes oficiais e explicações em tom impessoal, enquanto uma postagem pode trazer foto, emoji, hashtag, convite ao comentário e opinião pessoal. Também é importante notar a re-elaboração: o fato não muda necessariamente, mas o recorte, a linguagem e o ponto de vista podem mudar. Por fim, a turma precisa reconhecer a convergência das mídias, isto é, quando texto, imagem, vídeo, áudio, links e comentários se combinam numa publicação multissemiótica. Não é uma habilidade para decidir qual mídia é “melhor”; é para ler criticamente as escolhas de cada uma e compreender seus efeitos.
“Comparar notícias e reportagens sobre um mesmo fato divulgadas em diferentes mídias, analisando as especificidades das mídias, os processos de (re)elaboração dos textos e a convergência das mídias em notícias ou reportagens multissemióticas.”
Ela integra Língua Portuguesa, no objeto de conhecimento “Reconstrução do contexto de produção, circulação e recepção de textos Caracterização do campo jornalístico e relação entre os gêneros em circulação, mídias e práticas da cultura digital”. Para consultar o detalhamento e o acervo, vale acessar a consulta completa do código EF07LP02.
Como trabalhar EF07LP02 em sala?
- Dupla de textos sobre um fato local: leve uma notícia impressa ou digital e uma postagem pública sobre o mesmo tema. Peça que a turma marque fonte, data, dados, opinião, imagens e chamadas à ação.
- Quadro comparativo no caderno: organize colunas com “mídia”, “linguagem”, “fontes”, “recursos” e “efeito no leitor”. É simples e ajuda a evitar respostas genéricas como “um é formal e outro é informal”.
- Reescrita para outra mídia: entregue uma notícia curta e proponha: “Como esse fato apareceria em um boletim de rádio? E em um post de rede social?” Depois, discutam o que precisou ser cortado, acrescentado ou transformado.
- Caça aos recursos multissemióticos: use uma notícia digital e peça que identifiquem título, foto, legenda, vídeo, hiperlink, gráfico e comentários. A pergunta central é: o que cada elemento acrescenta à compreensão?
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF07LP02 apresenta, de preferência, dois textos sobre o mesmo fato e pede comparação baseada em evidências. O aluno precisa localizar marcas concretas: dados numéricos, fonte oficial, primeira pessoa, hashtag, emoticon, orientação ao público, foto ou convite à interação. Avaliar apenas “qual é notícia e qual é opinião” empobrece a habilidade.
Eu também evito distratores vagos ou que dependam de conhecimento externo. Erros frequentes são inverter características das mídias, tratar post pessoal como fonte oficial e supor que linguagem informal significa ausência de informação. Com o gerador de provas do GeraProva, consigo selecionar questões alinhadas e adaptar a avaliação ao tempo da turma. Há 48 questões da habilidade no acervo.
Questões prontas de EF07LP02 (com gabarito comentado)
1. Jornal e rádio diante dos alagamentos
Uma matéria de jornal informa 45 mm de chuva, problemas de drenagem e depoimentos de autoridades. No rádio, o locutor alerta motoristas, informa pontos com água e orienta a ligar para o 193. Qual é a principal diferença?
- ❌ A) O jornal alerta motoristas, e o rádio traz causas técnicas. Isso inverte os textos.
- ❌ B) O jornal destaca trânsito, e o rádio explica a drenagem. Também há inversão.
- ❌ C) O jornal orienta ligar para o 193. A orientação é do rádio.
- ✅ D) O jornal apresenta dados e explicações impessoais, enquanto o rádio alerta e transmite orientações imediatas. Correta: cada mídia prioriza recursos adequados à circulação.
- ❌ E) O jornal transmite orientações imediatas e o rádio traz dados impessoais. As características foram trocadas.
2. Horta comunitária: publicação digital e jornal impresso
Uma página publicou foto, legenda curta, emoticon, hashtag e convite a comentar. O jornal trouxe linguagem formal, parágrafos e o número de visitantes. Assinale a comparação correta.
- ✅ A) A versão digital usa legenda curta, emoticon e interação; a impressa usa linguagem formal, parágrafos e dados quantificados. Correta.
- ❌ B) Atribui parágrafos e dados ao digital, além de hashtag e emoticon ao impresso.
- ❌ C) Mistura hashtag com linguagem formal e dados de jornal.
- ❌ D) Coloca linguagem formal no post e foto/hashtag no impresso.
- ❌ E) Inverte por completo os recursos das duas mídias.
3. Enchente no jornal e no blog
O jornal cita a Defesa Civil, rios transbordados e orientação à população. O blog relata: “Tentei voltar para casa...” Qual alternativa explica a diferença central?
- ❌ A) Experiência pessoal no jornal e informação oficial no blog. Está invertido.
- ❌ B) Troca a demora na sinalização e a orientação para evitar áreas alagadas.
- ❌ C) Reduz os textos a detalhes e ignora fonte e ponto de vista.
- ✅ D) O jornal apresenta informações oficiais e impessoais; o blog traz relato pessoal. Correta.
- ❌ E) O uso da primeira pessoa está no blog, não no jornal.
4. Reportagem e post em rede social
A reportagem sobre alagamentos traz 150 mm de chuva, impacto no trânsito e recomendação da Defesa Civil. O post de um morador usa hashtags, emoticon e relato pessoal. O que diferencia os textos?
- ❌ A) Dados estatísticos aparecem na reportagem, não no post.
- ❌ B) A autoridade é citada pela reportagem, não pelo morador.
- ✅ C) O post usa hashtags e emoticons, em contraste com a linguagem impessoal da reportagem. Correta.
- ❌ D) O post não apresenta pergunta retórica.
- ❌ E) Há, sim, diferença de estrutura entre reportagem e post.
5. Re-elaboração no blog local
O Jornal Cidade informa objetivamente chuva, 40 cm de água e resgate. O blog afirma: “Eu vi ruas virarem rios...” Qual exemplo mostra re-elaboração?
- ❌ A) O jornal não relata experiência pessoal.
- ✅ B) O uso da primeira pessoa para expressar perspectiva pessoal no blog. Correta: o mesmo fato recebe outro recorte e voz.
- ❌ C) O texto jornalístico não inclui opinião subjetiva.
- ❌ D) Manchete concisa é recurso do jornal, não re-elaboração do blog.
- ❌ E) O blog não usa tom neutro e impessoal.
6. Vazamento de óleo: jornal e rede social
O jornal informa suspensão de acesso à praia, boletim oficial e cronograma de limpeza. A rede social pergunta sobre o óleo, usa emoji, expressa revolta e pede cobrança. Qual comparação está correta?
- ✅ A) O jornal usa linguagem formal e dados oficiais, enquanto a rede social expressa opinião pessoal e apela à ação. Correta.
- ❌ B) O apelo emocional está no post, não no jornal.
- ❌ C) O cronograma aparece no jornal, que também cita autoridades.
- ❌ D) Hashtags estão no post; estatísticas oficiais não aparecem nele.
- ❌ E) Emoji e indignação são do post, que não é imparcial.
Próximos passos
Eu sugiro aplicar primeiro uma comparação coletiva e, depois, usar questões individuais para verificar se a turma sustenta a resposta com marcas dos textos. Para montar uma atividade no seu ritmo, experimente o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.
As questões são um ponto de partida: adapte textos, tempo e mediação à realidade da sua turma. O mais importante é ajudar cada estudante a ler com atenção antes de compartilhar, comentar ou concluir.
