Atividades sobre Variação linguística com gabarito — 7º ano (EF07LI23)
Quando recebo a EF07LI23 no planejamento do 7º ano, meu primeiro cuidado é não transformá-la em uma aula de “palavras diferentes para decorar”. A habilidade pede mais do que saber que cookie e biscuit podem aparecer em lugares distintos: ela abre espaço para conversar sobre pessoas, comunidades e os sentidos que elas colocam na língua.
Na prática, eu preciso sair do código da BNCC e chegar a uma aula que faça sentido para a turma — e depois a uma avaliação que observe compreensão, não apenas memorização. Abaixo, reuni ideias aplicáveis e seis questões prontas. Para ampliar o banco, vale acessar a consulta completa do código EF07LI23, que reúne as 41 questões alinhadas a essa habilidade no acervo do GeraProva.
O que a habilidade EF07LI23 pede, de verdade?
A EF07LI23 pede que o estudante reconheça que o inglês não é falado, escrito e significado de um único jeito. Em termos de sala de aula, espero que a turma perceba diferenças de vocabulário, pronúncia, gramática e usos sociais sem tratar uma variedade como “errada” ou inferior. Isso inclui compreender que uma palavra pode ganhar sentidos específicos em determinada comunidade e que escolhas linguísticas carregam modos de viver, vínculos e visões de mundo. Não basta pedir que o aluno associe British English a uma lista e American English a outra: é importante colocar essas formas em contexto, perguntando quem fala, para quem fala, onde fala e que sentido a escolha produz. Ao avaliar, procuro evidências de que o estudante negocia significados diante de uma diferença e respeita usos locais, em vez de tentar padronizar toda comunicação. Essa é uma habilidade de leitura crítica, comunicação e convivência linguística.
“Reconhecer a variação linguística como manifestação de formas de pensar e expressar o mundo.”
O componente curricular é Língua Inglesa, na unidade temática Inglês, e o objeto de conhecimento é variação linguística. Ou seja: o foco não é eleger um inglês “melhor”, mas reconhecer a pluralidade real da língua.
Como trabalhar EF07LI23 em sala?
1. Mapa de palavras e significados. Eu apresento pares como chips, crisps e fries; flat e apartment; petrol station e gas station. Em duplas, os alunos relacionam palavra, possível variedade e imagem/definição. Depois, conversamos: a diferença impede a comunicação? Em que situação seria preciso explicar melhor?
2. Conversas com mal-entendido produtivo. Escrevo um pequeno chat no quadro, com alguém usando chips no sentido britânico e outra pessoa entendendo no sentido norte-americano. A tarefa não é apontar um erro, mas elaborar uma pergunta respeitosa para esclarecer a intenção. É simples, rende fala e aproxima a atividade das mensagens que eles já trocam no cotidiano.
3. Glossário da comunidade. A turma escolhe palavras do português brasileiro que não cabem perfeitamente numa tradução direta — por exemplo, “saudade”, “mutirão” ou “merenda” — e explica seus sentidos para um interlocutor de outro lugar. Então fazemos a ponte com termos presentes em comunidades que usam inglês. Assim, o aluno entende que língua e cultura caminham juntas.
4. Cartaz de acolhimento multilíngue. Proponho que grupos criem um aviso turístico ou escolar em inglês que mantenha uma palavra local, acompanhada de uma breve explicação. O critério central é preservar um sentido cultural e, ao mesmo tempo, ajudar quem não conhece o termo. Papel, canetão e pesquisa orientada já resolvem.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF07LI23 apresenta uma situação comunicativa concreta: pessoas de regiões ou comunidades diferentes, uma palavra que varia e uma necessidade real de interpretar ou negociar sentido. A resposta correta deve levar o aluno a reconhecer a legitimidade das variedades, observar o contexto e evitar julgamentos de prestígio linguístico.
Eu evito questões que cobram apenas “qual palavra é britânica?” fora de contexto. Também tomo cuidado com alternativas que chamam uma forma de “certa” e outra de “errada”, pois isso contradiz o próprio objetivo da habilidade. Outro erro comum é transformar variação em curiosidade folclórica: se há uma palavra local, é preciso explorar o sentido social e cultural que ela expressa. Nas questões a seguir, o gabarito vem comentado justamente para deixar claro o raciocínio esperado.
Questões prontas de EF07LI23 (com gabarito comentado)
1. At a school fair, two visitors point to the same chocolate-chip snack on a table. Visitor 1: “Could I have a biscuit, please?” Visitor 2: “Could I have a cookie, please?” The seller understands both requests and gives each visitor the same snack. Com base na situação, o que o uso de “biscuit” e “cookie” mostra?
- ❌ A) Somente a palavra “cookie” pode nomear esse lanche. Está errada porque as duas pessoas são compreendidas ao pedir o mesmo alimento.
- ❌ B) As duas palavras têm o mesmo significado em todo lugar. A situação não permite concluir isso para todos os contextos.
- ❌ C) Somente a palavra “biscuit” pode nomear esse lanche. Também ignora o uso válido de cookie no contexto.
- ✅ D) As palavras “biscuit” e “cookie” podem indicar o mesmo tipo de lanche. Os visitantes apontam para o mesmo item e o vendedor entende ambos.
- ❌ E) As duas palavras indicam lanches diferentes nessa situação. O enunciado informa que o lanche entregue é o mesmo.
2. Em inglês, algumas formas variam conforme a região. No texto estudado, a forma britânica usa “I've already eaten” e as palavras “biscuit” e “petrol station”. A forma norte-americana usa “I already ate” e as palavras “cookie” e “gas station”. Analise as formas apresentadas e identifique a frase que segue o padrão britânico.
- ❌ A) I've already eaten a cookie at the petrol station. Mistura estrutura e expressão britânicas com cookie, apresentado como norte-americano.
- ❌ B) I already ate a cookie at the gas station. Reúne formas associadas ao padrão norte-americano.
- ❌ C) I already ate a biscuit at the gas station. Combina biscuit com formas norte-americanas.
- ✅ D) I've already eaten a biscuit at the petrol station. Usa as três formas do padrão britânico apresentado.
- ❌ E) I've already eaten a biscuit at the gas station. Gas station foi apresentado como uso norte-americano.
3. “Please do not cut that word,” said Maia, a young presenter at a community radio station in Wellington. Ela usou whanau ao falar de pessoas que compartilham cuidado e responsabilidade. A edição manteve a palavra e acrescentou explicação em inglês. What does this choice reveal about language variation?
- ❌ A) It presents vocabulary differences as barriers that prevent shared understanding. A explicação permitiu que os ouvintes compreendessem.
- ✅ B) It presents English as able to carry cultural meanings beyond a direct translation. Whanau amplia o sentido de family e expressa relações culturais.
- ❌ C) It presents the local word as an error that must be replaced in formal speech. Maia defende justamente a manutenção do termo.
- ❌ D) It presents cultural words as decorations unrelated to the interview’s message. A palavra explica a participação de vizinhos e parentes.
- ❌ E) It presents one English word as universally more accurate than local terms. O texto rejeita essa substituição automática.
4. “Kia ora, whanau!” abre um folheto para visitantes em Aotearoa New Zealand. Os editores mantêm termos locais, com explicações breves no material e no guia de áudio. Which editorial choice best recognizes linguistic variation as a way of expressing local views?
- ❌ A) It changes local terms into spelling exercises, treating them as isolated language forms. O foco é o sentido social, não ortografia.
- ❌ B) It replaces local terms with one standard English word, avoiding different forms of expression. Isso apaga a variação e seus sentidos culturais.
- ❌ C) It removes greetings and kinship words, making the descriptions shorter for all visitors. Reduzir o texto não reconhece os usos locais.
- ❌ D) It uses only terms common in England, presenting one variety as suitable for every visitor. Hierarquiza indevidamente uma variedade.
- ✅ E) It keeps local terms with brief explanations, preserving ideas about community in the English text. A escolha acolhe visitantes sem apagar sentidos locais.
5. Em uma rádio jovem de Darwin, produtores mantêm no transcript palavras como yarn, Auntie e deadly, acrescentando um glossário para novos ouvintes. What does this choice reveal about language variation?
- ✅ A) It shows that local expressions can carry social meanings beyond direct dictionary equivalents. Os termos têm sentidos comunitários que uma troca literal não preserva.
- ❌ B) It shows that informal speech is less suitable than standard English for public media. A rádio considera as formas locais adequadas à produção pública.
- ❌ C) It shows that a glossary transforms local English into a separate language. Explicar usos locais não cria outra língua.
- ❌ D) It shows that regional words should be replaced with global English to avoid misunderstandings. A equipe manteve as expressões e ofereceu apoio ao leitor.
- ❌ E) It shows that words have one fixed meaning regardless of community and context. Deadly recebe ali um sentido de admiração.
6. Em um chat para organizar uma limpeza de praia, Nina, de Londres, diz que levará “chips”. Malik, de Nova York, imagina outro alimento. Qual mensagem Júlia deve enviar para reconhecer a variação do inglês e evitar o mal-entendido?
- ❌ A) Asking, “Can you stop using British words and write in American English?” Exclui uma variedade em vez de negociar significado.
- ❌ B) Asking, “Is ‘chips’ a spelling mistake? Please correct the word.” O problema é de sentido, não de grafia.
- ❌ C) Asking, “Can you send a photo of the chips so we can decide?” Resolve pontualmente, mas não promove negociação linguística.
- ❌ D) Asking, “Which dictionary did you use? It should have only one meaning.” Ignora que palavras variam conforme comunidades falantes.
- ✅ E) Asking, “When you say ‘chips’, do you mean ‘fries’ or ‘crisps’?” Esclarece o sentido sem julgar o inglês de ninguém.
Próximos passos para levar à aula
Eu começaria com uma situação curta de mal-entendido, ouviria as hipóteses da turma e só depois sistematizaria os exemplos. Se você precisa montar uma atividade, lista ou prova rapidamente, experimente o gerador de provas do GeraProva. Para salvar materiais e acessar os recursos da plataforma, faça seu cadastro grátis.
Use estas questões como ponto de partida e adapte os textos ao repertório da sua turma. Variação linguística não é pegadinha: é uma oportunidade de ensinar inglês com respeito, contexto e comunicação real.
