Atividades sobre Construção do sistema alfabético com gabarito — 1º ano (EF01LP05)
Quando recebo a EF01LP05 no planejamento do 1º ano, eu sei que não basta separar uma folha com letras para copiar. Preciso transformar aquele código da BNCC em situações em que a criança escute, compare, fale, arrisque e perceba que aquilo que dizemos pode ser registrado pela escrita.
Na prática, esse é um trabalho diário: no nome dos colegas, na lista da chamada, nas palavras de uma cantiga, no bilhete para a família e também nas avaliações. Abaixo, organizei caminhos que eu usaria em sala e questões prontas para apoiar esse percurso.
O que a habilidade EF01LP05 pede, de verdade?
A EF01LP05 pede que a criança comece a compreender uma ideia central da alfabetização: a escrita alfabética registra os sons da fala. Isso não significa exigir que todos escrevam convencionalmente todas as palavras desde o início, nem transformar a aula em treino mecânico de sílabas isoladas. Eu espero que o estudante observe palavras faladas, identifique sons — especialmente os mais perceptíveis, como os iniciais — e faça relações entre esses sons e as letras usadas para registrá-los. Aos poucos, ele precisa entender que mudar uma letra pode mudar o que lemos, que uma palavra tem partes sonoras e que a ordem das letras importa. É uma habilidade ligada à construção de hipóteses sobre a escrita: a criança pode ainda cometer erros convencionais, mas precisa mobilizar a relação entre fala e registro gráfico. Meu papel é ouvir essas hipóteses, propor comparações e oferecer intervenções que façam sentido para cada avanço.
“Reconhecer o sistema de escrita alfabética como representação dos sons da fala.”
O objeto de conhecimento é a construção do sistema alfabético, dentro de Língua Portuguesa, para o 1º ano. Para consultar o texto, o recorte e mais itens alinhados, vale acessar a consulta completa do código EF01LP05.
Como trabalhar EF01LP05 em sala?
1. Caixa de objetos e som inicial. Eu levo objetos simples ou cartões com imagens: bola, dado, sapo, panela, lápis. A criança tira um item, fala seu nome devagar e procura, entre letras móveis, a que representa o som inicial. Em vez de apenas dizer se acertou, eu pergunto: “Que som você ouviu primeiro?”
2. Lista coletiva com finalidade real. Antes de uma receita, de uma brincadeira ou da organização de materiais, monto uma lista com a turma. Podemos escrever “suco”, “copos”, “pratos” e “guardanapos”. Eu vou relendo, apontando e convidando as crianças a localizar letras e comparar palavras: “Suco e Sofia começam igual?”
3. Bingo de letras e figuras. Cada estudante recebe uma cartela de letras, e eu sorteio ou mostro imagens. Ao ver “nuvem”, por exemplo, a turma marca N. É barato, reaproveitável e me permite observar quem reconhece a relação entre o som falado e a letra.
4. Montagem e desmontagem de palavras. Com tampinhas ou letras recortadas, proponho palavras conhecidas, como CASA, BOLA e PATO. Depois, troco uma letra e pergunto o que aconteceu. Essa conversa ajuda a turma a perceber que as letras não estão ali por enfeite: elas participam daquilo que a palavra diz.
5. Caça às escritas da sala. Eu peço que localizem palavras em cartazes, livros, crachás e combinados. Uma criança pode procurar onde está escrito “porta”; outra, uma palavra que comece como seu nome. Assim, a escrita aparece como linguagem viva no cotidiano, não apenas como exercício.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF01LP05 precisa colocar a criança diante da relação entre uma palavra falada e sua representação escrita. Ela pode pedir a letra inicial, a escolha da grafia correspondente a uma palavra conhecida ou a comparação entre escritas próximas. O comando precisa ser curto, a fonte legível e o vocabulário familiar. Se eu quero avaliar a relação som-letra, não posso deixar que um enunciado longo impeça a criança de mostrar o que sabe.
Também observo durante as atividades: qual letra a criança escolhe para registrar um som? Ela explica sua escolha? Percebe quando faltou ou sobrou uma letra? Essa observação complementa a questão objetiva e evita que uma única prova defina o percurso de alfabetização.
Um erro comum é cobrar apenas memória visual de palavras difíceis ou regras ortográficas que ainda não foram ensinadas. Outro é considerar todo registro não convencional como falta de aprendizagem. Na EF01LP05, eu olho para a lógica da criança e para a relação que ela já estabelece entre fala e escrita. Depois, planejo a próxima intervenção.
Questões prontas de EF01LP05 (com gabarito comentado)
1. Na biblioteca da escola, a professora conduz um jogo de escuta com crianças do 1º ano. Ela pronuncia cada palavra em voz alta e pede aos alunos que escrevam a letra inicial correspondente. As palavras escolhidas foram: pato, bola, nuvem, gato e sol. No desafio, cada aluno escreve apenas a letra que representa o som inicial de cada palavra falada.
Analise o texto e identifique a letra que representa o som inicial da palavra “nuvem” segundo o sistema alfabético.
- ❌ A) letra M — M representa o som /m/, e não o som inicial de “nuvem”.
- ❌ B) letra B — B representa /b/, diferente do som inicial da palavra.
- ❌ C) letra V — V representa /v/, que não é o primeiro som de “nuvem”.
- ✅ D) letra N — “Nuvem” começa com o som /n/, representado pela letra N.
- ❌ E) letra D — D representa /d/, diferente do som inicial ouvido.
2. Você já imaginou como as letras representam sons ao escrever? Numa atividade de ditado, a professora pediu aos alunos que registrassem a palavra girassol. As versões anotadas foram estas:
• Ana: xirassol
• Beto: jirassol
• Carla: giracol
• Daniel: girassol
• Eva: girasol
Identifique no texto-base o registro que exemplifica corretamente o princípio alfabético na escrita da palavra mencionada.
- ❌ A) Ana: xirassol — troca “gi” por “xi”, alterando a representação convencional da palavra.
- ❌ B) Beto: jirassol — a escrita não corresponde à forma convencional solicitada.
- ❌ C) Eva: girasol — usa apenas um S onde a grafia convencional de “girassol” usa SS.
- ✅ D) Daniel: girassol — registra a palavra na forma convencional, com as letras necessárias.
- ❌ E) Carla: giracol — troca o som representado por S pelo uso de C, alterando a palavra.
3. A professora disse a palavra “casa”. Qual alternativa mostra essa palavra escrita corretamente?
- ❌ A) caza — não é a grafia convencional da palavra apresentada.
- ✅ B) casa — representa corretamente a palavra falada.
- ❌ C) caso — termina com O e forma outra palavra.
- ❌ D) gasa — começa com G, e não com C.
- ❌ E) asa — falta uma parte da palavra falada.
4. Qual palavra mostra o lugar da casa onde fazemos comida?
Escolha a palavra escrita do jeito certo.
- ❌ A) cozinna — troca a letra H pela letra N.
- ❌ B) cozihna — inverte a ordem das letras H e N.
- ❌ C) cosinha — troca Z por S.
- ✅ D) cozinha — é a forma correta da palavra que nomeia o lugar onde fazemos comida.
- ❌ E) cozinah — inverte as letras finais H e A.
5. Qual é a forma correta de escrita da palavra que significa o ato de escrever?
- ✅ A) escrever — está escrita corretamente.
- ❌ B) escrivir — troca a vogal da forma convencional.
- ❌ C) escrevê — não corresponde à forma completa do verbo.
- ❌ D) escrevêr — apresenta acentuação e forma inadequadas.
- ❌ E) eskrivir — não é a grafia convencional em português.
6. Qual é a forma correta de escrever “quatro”?
- ✅ A) quatro — esta é a forma correta de escrever a palavra.
- ❌ B) quatroo — acrescenta uma letra O indevida.
- ❌ C) quatro. — embora a palavra esteja legível, inclui um ponto e não apresenta apenas a forma solicitada.
- ❌ D) quatros — acrescenta S e altera a palavra.
- ❌ E) quatrooo — acrescenta letras O indevidas.
Próximos passos para a minha turma
Eu começaria com uma sondagem curta, escolheria uma proposta oral e uma de escrita para a semana e registraria o que cada criança já consegue fazer. Para ampliar o banco de itens, há 34 questões alinhadas a essa habilidade no acervo. Também posso montar versões diferentes da avaliação e ajustar comandos com o gerador de provas do GeraProva.
Se você ainda não usa a plataforma, faça seu cadastro grátis e experimente organizar uma prova alinhada ao que sua turma está aprendendo agora.
Use estas questões como apoio ao planejamento, não como rótulo para a criança. Na alfabetização, cada resposta é uma pista valiosa para decidir a próxima conversa, atividade e intervenção.
