Atividades de Variação linguística para o 4º ano com gabarito
Reuni atividades de variação linguística para o 4º ano, com questões e gabarito comentado. O material permite trabalhar marcas regionais e urbanas e revisar a concordância entre pronome e verbo.
Quando trabalho variação linguística no 4º ano, começo por situações de fala que as crianças conseguem reconhecer: expressões ouvidas em casa, na comunidade, em músicas e em conversas. A ideia não é transformar um jeito de falar em motivo de riso nem tratar uma variedade como melhor do que outra. Eu procuro ajudar a turma a observar escolhas de palavras e formas de pronunciar, relacionando-as ao contexto e à região.
Também aproveito o tema para aproximar fala e escrita. Em algumas atividades, a turma identifica marcas regionais; em outras, revisa a concordância verbal em uma frase. A seguir, organizei questões com gabarito comentado para você usar como diagnóstico, prática ou revisão, adaptando a conversa à realidade da sua turma.
O que o aluno de 4º ano precisa saber sobre Variação linguística
No 4º ano, o aluno precisa compreender que a língua portuguesa apresenta diferentes maneiras de falar e que essas formas podem variar conforme a região, o contexto e as situações de comunicação. Ao observar um diálogo, deve localizar palavras, expressões ou pronúncias que ajudem a caracterizar uma fala, sem concluir que toda marca informal identifica uma região específica. Expressões regionais, como “uai”, e formas de pronunciar, como “nóis”, podem ser pistas quando aparecem no contexto adequado; já uma pergunta ou uma palavra comum, isoladamente, não basta para definir uma variedade. Também é importante distinguir a fala da escrita e perceber que a escrita pode exigir escolhas diferentes conforme a tarefa. O estudante deve respeitar os diferentes modos de falar, evitando tratar variedades como defeitos. Em atividades de revisão, pode ainda relacionar o pronome “nós” à forma verbal “pegamos”, reconhecendo a concordância esperada em uma frase escrita.
O que ele precisa saber antes
Antes de propor estas questões, eu verifico se a turma já teve contato com a ideia de variedades da língua portuguesa, com marcas de oralidade e com diferenças entre fala e escrita. Para identificar regionalismos, ajuda reconhecer que certas palavras e expressões circulam mais em algumas comunidades ou regiões, sem supor que sejam exclusivas de todos os falantes daquele lugar.
Para a questão de concordância, é importante que os alunos reconheçam os pronomes pessoais do caso reto e percebam que os verbos mudam de forma conforme a pessoa. Uma retomada rápida de “eu pego”, “nós pegamos” e “eles pegam” dá apoio à leitura do exercício. Na atividade sobre música, a compreensão de texto oral também é um pré-requisito: os estudantes precisam escutar ou ler a letra que você selecionar e procurar palavras ou expressões concretas.
Onde os alunos mais erram
Nas questões sobre fala rural, um erro recorrente previsto no material é escolher uma forma coloquial como “ocê” ou “cê” apenas por parecer informal. A informalidade, sozinha, não prova que a fala seja rural. O aluno precisa voltar ao enunciado, verificar quem pronunciou cada expressão e considerar o conjunto de pistas. Na primeira questão, por exemplo, “ocê” está na fala de João, enquanto a pergunta solicita uma característica da fala de Maria. Uma leitura apressada pode levar à alternativa errada, mesmo que a palavra pareça relacionada ao tema.
Outro caminho equivocado é selecionar elementos que não caracterizam uma região: artigo, estrutura de pergunta ou uma palavra de uso amplo. Na comparação entre “roça” e “mercado”, é preciso observar o termo que o enunciado apresenta como regional, e não simplesmente escolher uma palavra associada a um cenário. Também vale discutir com cuidado a diferença entre reconhecer uma variedade e julgar a fala de alguém. A questão sobre “traga” traz uma forma que o próprio gabarito trata como uso inadequado do tempo verbal; ela não deve ser apresentada como característica positiva da variedade rural.
Na questão de concordância, o distrator mais provável é repetir “pega”, forma que aparece no enunciado. Para responder, o estudante precisa deixar de copiar a frase e observar que “nós” pede a forma verbal “pegamos”. Na questão sobre variação urbana, alguns podem se fixar na estrutura interrogativa, embora a pista indicada seja “cê”. Essas respostas mostram por que vale pedir que a turma aponte no texto a evidência que sustenta a escolha.
Como trabalhar em sala
- Recolha exemplos com contexto. Peça que os alunos tragam, se desejarem, palavras ou expressões ouvidas em conversas, músicas ou programas. Registre os exemplos sem identificar ou expor pessoas. Converse sobre o contexto e evite classificar uma expressão como exclusiva de uma região sem evidência.
- Compare falas curtas. Leia em voz alta os diálogos das questões e peça à turma que sublinhe quem disse cada expressão. Essa leitura ajuda a evitar o erro de atribuir a Maria uma marca que, no texto, foi dita por João. Depois, convide os alunos a justificar as respostas com palavras do próprio trecho.
- Monte um quadro de observação. Use o quadro e o caderno para separar “palavra ou forma observada”, “quem falou” e “o que o contexto permite concluir”. Assim, os estudantes praticam a análise sem transformar a atividade em uma lista rígida de estereótipos sobre regiões ou grupos.
- Faça uma revisão oral e escrita. Apresente pares como “nós pega” e “nós pegamos”. Primeiro, peça aos alunos que identifiquem o pronome; depois, que escolham a forma verbal adequada na escrita da atividade. Explique que observar concordância não significa desrespeitar a fala de ninguém.
- Use uma música conhecida pela turma. Selecione uma letra apropriada e acessível, leia ou toque um trecho e peça que localizem palavras ou expressões que possam variar conforme os usos regionais. Como a questão abaixo não traz uma letra específica, escolha o texto em sala e não cobre uma resposta baseada em versos que os alunos não receberam.
Questões prontas de Variação linguística para o 4º ano (com gabarito comentado)
Você pode aplicar as questões em sequência ou selecionar algumas para uma atividade de revisão. Nas de múltipla escolha, peça que os estudantes justifiquem a alternativa correta e expliquem por que os outros itens não respondem ao que foi perguntado. Essa conversa permite observar se a resposta veio da leitura do texto ou apenas de uma associação rápida com palavras informais.
Questão 1
“Ocê vem pro baile hoje à noite?” perguntou João, ao telefone. Maria hesitou: “Uai, não sei se vá, João. Aqui no sítio o trem anda devagar e tenho que cuidar dos bezerros cedo.” Mais tarde, João ligou de novo: “Pois então, se animar, me avisa, tá?” Maria encerrou: “Deixa eu ver direitinho e eu te falo.”
Analise o texto-base e identifique qual indicação linguística revela a variedade rural na fala de Maria.
- ❌ A) Uso de “me avisa” em vez de “me informe”. A expressão aparece na fala de João, não na fala de Maria.
- ✅ B) Uso de uma expressão regional. Maria usa uma expressão regional ao responder a João, o que pode indicar uma variedade rural de sua fala.
- ❌ C) Emprego de “tá” como partícula de afirmação. “Tá” aparece na fala de João, não na fala de Maria.
- ❌ D) Estrutura interrogativa com entonação ascendente. A pergunta está na fala de João, não na fala de Maria.
- ❌ E) Uso de “ocê” em vez de “você”. “Ocê” aparece na fala de João, enquanto a questão pergunta sobre Maria.
Gabarito: B. Oriente a turma a acompanhar os turnos do diálogo e a localizar as palavras de Maria antes de escolher. O foco é reconhecer a expressão regional no contexto, não selecionar qualquer marca de oralidade que apareça no trecho.
Questão 2
No programa de rádio comunitário, Pedro entrevistou Maria sobre o plantio de milho na região. O diálogo foi transcrito tal como ocorreu:
— Ô Pedro, nós tamo trabalhando arreda de casa, plantando lá no roçado.
— E como cê tem feito pra cuidar da plantação?
— A genti acorda cedim, bota a enxada na mão e vai capiná o milho. Se chove, nóis joga água perto da raiz pra planta não padecê.
— Maria, e a venda do milho, como tá?
— Tá bom demais, sô, tem cliente de tuodi lado que vem buscá o milho.
Analise o texto-base e identifique qual traço na fala de Maria revela a variedade rural.
- ❌ A) Uso do pronome “cê” em vez de “você”. “Cê” é uma forma reduzida e informal de “você”, mas não mostra, por si só, uma fala rural.
- ❌ B) Contração de preposição em “perto da raiz”. “Da” junta a preposição “de” ao artigo “a”; essa forma é comum na língua.
- ❌ C) Emprego de gerúndio em “tá bom demais”. A expressão não apresenta verbo terminado em “-ndo”, forma comum do gerúndio.
- ✅ D) Uso de “nóis” em vez de “nós”. Maria usa uma forma de pronunciar o pronome “nós” que é comum em algumas falas rurais.
- ❌ E) Uso de artigo em “a plantação”. O artigo acompanha o nome, mas não indica, por si, variedade rural.
Gabarito: D. A alternativa correta considera o traço que a questão destaca. Vale lembrar que formas informais podem circular em contextos diversos; por isso, o aluno deve observar a pista solicitada, em vez de assumir que “cê” define uma região.
Questão 3
Uma emissora comunitária convida moradores de diferentes regiões para registrar suas falas. Veja cinco trechos da transmissão:
Trecho A
“Oxe, compadre, visse? A chuva levou tudo lá pro fundo do pasto.”
Trecho B
“Mermã, simbora no busão que tá rolando um som irado na praça.”
Trecho C
“Ocê venha cá, sô, traz o roçado pra mim mostrar como tá crescendo.”
Trecho D
“Boa tarde, estimados ouvintes, agradeço a presença e a atenção de todos.”
Trecho E
“Pô, valeu demais pela force, tamo junto, flw!”
Identifique no texto-base o trecho que caracteriza a fala rural a partir de vocabulário e pronúncia típicos.
- ❌ A) Trecho D. Apresenta registro formal, sem os traços de fala rural indicados pela questão.
- ✅ B) Trecho C. “Ocê”, “sô” e “roçado” são marcas de fala rural e vocabulário associado ao campo no contexto do exercício.
- ❌ C) Trecho A. Apresenta expressões regionais nordestinas, mas o gabarito não o identifica como contexto rural.
- ❌ D) Trecho E. Traz expressões de internet e gírias urbanas, não as marcas rurais solicitadas.
- ❌ E) Trecho B. Contém gírias urbanas e referência a ônibus e som na praça, não os traços apontados para a fala rural.
Gabarito: B. Peça que os alunos comparem os trechos e apontem as palavras que sustentam a resposta. Reforce que reconhecer marcas de uma fala em um exercício não autoriza concluir que todos os falantes de uma região usam as mesmas expressões.
Questão 4
— Rapaz, eu fui lá na roça buscar leite e traga uns queijos na carroça, disse Seu Pedro, morador da zona rural, referindo-se à fazenda próxima à sua casa. Logo depois, Maria, jovem da cidade, comentou: “Eu fui ao mercado e trouxe umas verduras pra casa”. O repórter anotou marcas da fala. Na fala de Seu Pedro aparecem termos e formas próprias do meio rural, enquanto na de Maria predominam padrões urbanos.
Analise o texto e identifique característica regional presente na fala de Seu Pedro que indica variedade rural da linguagem.
- ❌ A) Uso do substantivo “verduras” para nomear hortaliças. É vocabulário geral, não demarca uma variedade urbana ou rural de modo exclusivo.
- ❌ B) Uso da expressão “mercado” para referir ponto de venda. É um termo comum em contextos rurais e urbanos.
- ❌ C) Uso do verbo “traga” como forma de passado. A questão não trata essa forma como uma característica regional positiva; ela não deve ser tomada como evidência de variedade rural.
- ✅ D) Uso do termo “roça” para designar área de cultivo. “Roça” é o regionalismo indicado pelo gabarito como associado ao meio rural.
- ❌ E) Uso do pronome “eu” com entonação enfática. Esse uso não é restrito ao meio rural.
Gabarito: D. A palavra “roça” é a pista solicitada. Aproveite para conversar sobre a diferença entre um regionalismo e uma forma verbal que pode exigir revisão na escrita, sem misturar as duas análises.
Questão 5
“Nós pega o peixe.”
Qual frase está de acordo com a concordância entre “nós” e o verbo?
- ❌ A) Nós pegam o peixe. “Pegam” é a forma usada com “eles” ou “elas”, não com “nós”.
- ✅ B) Nós pegamos o peixe. Com “nós”, o verbo fica na forma “pegamos”.
- ❌ C) Nós pega o peixe. A forma “pega” não concorda com o pronome “nós” na construção escrita solicitada.
- ❌ D) Nós pega os peixe. O verbo não concorda com “nós”, e “peixe” não concorda com “os”.
- ❌ E) Nós pegar o peixe. “Pegar” está no infinitivo e não concorda com “nós”.
Gabarito: B. Retome a relação entre pronome pessoal e flexão verbal: “nós pegamos”. O exercício pede a forma de acordo com a concordância; a correção da frase escrita deve ser trabalhada sem desvalorizar modos de falar.
Questão 6
Analise a seguinte frase: “Cê vai lá em casa depois?” Que características dessa fala demonstram a variação urbana?
- ✅ A) O uso de “Cê”. Essa forma é indicada no gabarito como uma forma informal que substitui “você” e caracteriza a variação urbana apresentada.
- ❌ B) Falas formais. A frase não apresenta fala formal; essa opção não identifica a pista do enunciado.
- ❌ C) Uso de “casa”. O termo é de uso comum e não constitui, nesse caso, a marca de variação urbana.
- ❌ D) Estrutura da pergunta. A estrutura interrogativa não indica uma variação específica na frase.
- ❌ E) A ausência de sujeito. O enunciado apresenta “cê” como sujeito; essa alternativa não corresponde à frase.
Gabarito: A. O ponto a observar é a forma “cê”. Ajude os alunos a separar a marca linguística efetivamente presente de características gerais, como o fato de a frase ser uma pergunta.
Questão 7
Ouça a letra da música e identifique termos que refletem a variação regional. Cite um exemplo.
- ❌ A) Terminologia da música. A opção não especifica um exemplo de palavra ou expressão presente na letra.
- ✅ B) Uso de gírias. Gírias podem ser exemplos de variação regional, desde que o aluno identifique uma ocorrência concreta na música trabalhada.
- ❌ C) Vocabulário técnico. O vocabulário técnico, por si só, não é o traço regional solicitado.
- ❌ D) Frases no futuro. O tempo futuro não é exclusivo de uma variedade regional.
- ❌ E) Expressões formais. A formalidade, por si, não demonstra a variação regional pedida.
Gabarito: B. Como a questão não fornece a letra, apresente uma música ou trecho antes de aplicá-la. Depois, peça que cada estudante cite uma gíria realmente ouvida ou lida e explique por que a considera uma pista de variação; não é suficiente assinalar a categoria sem dar o exemplo solicitado.
Próximos passos
Depois da atividade, retome as respostas em que houve confusão entre marcas de oralidade, regionalismos e concordância. Para ampliar a prática, consulte as questões da habilidade EF35LP11 e as questões da habilidade EF04LP06. Você também pode preparar uma avaliação com o gerador de provas do GeraProva ou fazer seu cadastro grátis para conhecer a plataforma.
Use as questões como ponto de partida e adapte exemplos, textos e nível de apoio à sua turma. O gabarito ajuda a orientar a correção; a conversa sobre respeito às variedades e adequação à escrita completa o trabalho.
O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.
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