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Atividades de Figuras de linguagem para o 8º ano com gabarito

Reuni atividades de figuras de linguagem para o 8º ano, com gabarito comentado e sugestões para explorar os efeitos de sentido em poemas e narrativas. Use as questões para revisar metáfora, comparação e leitura expressiva.

Atividades de Figuras de linguagem para o 8º ano com gabarito

Quando trabalho figuras de linguagem com uma turma de 8º ano, procuro partir do que a expressão faz o leitor imaginar, antes de pedir que memorize nomes. Uma frase como “a caixa era um pequeno baú de lembranças” fica mais clara quando conversamos sobre o valor afetivo daquele objeto e sobre a relação criada entre caixa e baú. Na prática, percebo que a classificação ganha sentido quando volta ao texto: o estudante consegue explicar que imagem foi construída e por que ela combina com a cena.

Também gosto de alternar poemas, narrativas curtas e frases do cotidiano. Assim, a atividade não vira apenas uma lista de definições. As questões abaixo ajudam a observar leitura de imagens poéticas, comparação, metáfora e efeitos de forma. Incluí o gabarito comentado para que você possa usar as propostas em uma revisão, em uma atividade diagnóstica ou como ponto de partida para discutir respostas diferentes.

O que o aluno de 8º ano precisa saber sobre Figuras de linguagem

No 8º ano, o aluno precisa compreender que figuras de linguagem são recursos expressivos que produzem sentidos e efeitos no texto, e não apenas nomes para decorar. Para analisar uma comparação, deve perceber a aproximação entre elementos e explicar o que essa relação sugere; em imagens poéticas, precisa distinguir o sentido literal do figurado sem se afastar das pistas do contexto. A metáfora, por exemplo, associa diretamente dois elementos para expressar uma ideia ou um sentimento, como chamar uma caixa de “baú de lembranças”. Também é importante observar como a escolha de palavras, a organização dos versos e o tom contribuem para a leitura. A habilidade EF89LP37 envolve analisar os efeitos de sentido produzidos por figuras de linguagem e por outros recursos expressivos. Por isso, eu peço que o estudante justifique sua interpretação com evidências do texto, em vez de escolher uma figura apenas porque reconhece uma palavra ou uma imagem familiar.

O que ele precisa saber antes

Antes de avançar para a análise, é útil conferir alguns conhecimentos que aparecem nas questões. O estudante precisa compreender textos literários curtos, reconhecer imagens poéticas e acompanhar informações explícitas em uma narrativa. Também ajuda saber identificar uma comparação textual e distinguir recursos expressivos de formas de composição, como o acróstico. Para as atividades que envolvem poemas, convém reconhecer o verso livre e observar como a disposição dos versos pode colaborar para o efeito produzido.

Há ainda itens que retomam conhecimentos de linguagem para além da identificação de figuras: reconhecer uma oração imperativa em um slogan e localizar uma estratégia de suspense em um texto sobre escrita narrativa. Posso usá-los como atividades complementares de leitura e análise, deixando claro que eles não pedem, diretamente, a classificação de uma figura de linguagem. Essa distinção evita que o aluno tente encaixar todo recurso textual em uma categoria única.

Onde os alunos mais erram

Um erro recorrente nas questões é ficar na superfície de uma imagem, sem relacioná-la ao efeito construído. No texto das nuvens, por exemplo, uma resposta pode falar de diálogo ou de silêncio, embora o trecho enfatize o deslocamento e a passagem do tempo. Para ajudar, peço que o aluno retorne às palavras que sustentam a interpretação e explique como elas se conectam.

Outra confusão possível é tratar como figura de linguagem tudo o que aparece em um poema. Um acróstico é uma forma de composição poética, não uma figura; já a metáfora, a aliteração, o paradoxo e a hipérbole são recursos expressivos. Também vale atenção à diferença entre comparação e metáfora: a comparação costuma estabelecer explicitamente uma relação, enquanto a metáfora identifica diretamente um elemento com outro. Por fim, em questões de reescrita, o aluno pode escolher uma frase que mantém a informação básica, mas perde a imagem poética, ou que altera um detalhe essencial, como a cor ou o momento do dia. Comparar sentido, tom e palavras específicas reduz esse tipo de erro.

Como trabalhar em sala

  • Comece pela imagem: apresente uma frase figurada curta e peça aos alunos que desenhem ou descrevam o que ela sugere. Em seguida, conversem sobre o que seria literal e qual sentido o contexto constrói.
  • Compare duas versões: use uma expressão poética e uma reescrita mais direta. A turma pode apontar o que permanece e o que muda no tom, na imagem ou na emoção transmitida.
  • Peça evidências: ao discutir alternativas, cada estudante deve citar uma palavra ou trecho que sustente sua escolha. Essa rotina ajuda a separar interpretação apoiada no texto de uma associação apenas pessoal.
  • Organize um quadro de recursos: no quadro ou no caderno, registre exemplos de metáfora, comparação, hipérbole, personificação e aliteração. Diferencie-os de formas de composição, como o acróstico, com exemplos simples.
  • Feche com reescrita breve: proponha que a turma transforme uma frase literal em uma imagem poética ou faça o caminho inverso. Depois, peça que expliquem qual efeito pretendiam criar.

Questões prontas de Figuras de linguagem para o 8º ano (com gabarito comentado)

As questões a seguir podem ser aplicadas individualmente, em duplas ou como revisão coletiva. Em cada item, além de identificar a resposta, vale solicitar uma justificativa baseada no texto. Isso permite observar se o estudante compreendeu o efeito de sentido ou se apenas reconheceu um termo.

1. O que faz uma nuvem cruzar o céu, se não a ânsia por novos horizontes?

Nuvens viajam sem bagagem, deixam rastros de prata em seu caminho. Pairam leves sobre montanhas e cidades, como forasteiras que apenas sonham em pousar. Ao findar do dia, recolhem no ocaso tons de ouro e púrpura, como quem guarda lembranças antes de partir.

Analise a função da comparação presente no texto: qual significado ela traz ao descrever as nuvens como viajantes?

  • ❌ A) Ao comparar as nuvens a viajantes, o texto destaca sua imobilidade sobre cidades. Incorreta: o texto apresenta deslocamento, não imobilidade.
  • ❌ B) A comparação cria um efeito de diálogo entre as nuvens e o leitor. Incorreta: não há diálogo; a imagem sugere movimento e passagem.
  • ❌ C) A comparação reforça o aspecto científico das nuvens. Incorreta: a linguagem é poética, não uma explicação meteorológica.
  • ✅ D) A comparação enfatiza o movimento constante e o fluxo do tempo. Correta: as nuvens que viajam e partem evocam deslocamento e passagem temporal.
  • ❌ E) A comparação realça o silêncio e o ritmo musical do vento. Incorreta: o texto não destaca sons ou ritmo; concentra-se em imagens visuais e movimento.

Gabarito comentado: D. A imagem das nuvens viajantes relaciona o movimento pelo céu à ideia de tempo em trânsito. Para justificar, o aluno pode retomar expressões como “viajam”, “caminho” e “antes de partir”.

2. Qual dos seguintes elementos NÃO é uma figura de linguagem comumente utilizada em poesias?

  • ❌ A) Metáfora. Incorreta: metáfora é uma figura de linguagem usada também em textos poéticos.
  • ❌ B) Aliteração. Incorreta: a repetição de sons consonantais é um recurso expressivo que pode aparecer em poemas.
  • ❌ C) Paradoxo. Incorreta: o paradoxo aproxima ideias aparentemente contraditórias e pode ser usado poeticamente.
  • ✅ D) Acróstico. Correta: é uma forma de composição em que letras, frequentemente as iniciais dos versos, formam uma palavra ou mensagem; não é, por si só, uma figura de linguagem.
  • ❌ E) Hipérbole. Incorreta: a hipérbole é uma figura de linguagem baseada no exagero e também pode aparecer em poesias.

Gabarito comentado: D. O ponto central é distinguir um recurso expressivo de uma forma de compor um poema. Embora acrósticos possam usar figuras de linguagem, o acróstico em si não é uma figura. A hipérbole, ao contrário, é uma figura e pode ser utilizada em textos poéticos.

3. Analise o slogan: “Abra a felicidade.” Identifique a forma de composição predominante.

  • ✅ A) Oração imperativa: verbo no imperativo seguido de complemento. Correta: “abra” apresenta um comando ou convite dirigido ao interlocutor.
  • ❌ B) Oração interrogativa. Incorreta: não há pergunta nem sinal de questionamento.
  • ❌ C) Verso poético sem sentido lógico. Incorreta: a frase pode ter efeito expressivo, mas tem uma estrutura compreensível de convite ou comando.
  • ❌ D) Oração declarativa. Incorreta: o verbo no imperativo não afirma simplesmente um fato.
  • ❌ E) Oração subordinada. Incorreta: a frase é independente e não depende de outra oração para completar sua estrutura.

Gabarito comentado: A. O verbo “abra” está no imperativo e dirige uma ação ao leitor. Este item trabalha a leitura da forma de composição de um slogan, não a identificação direta de uma figura de linguagem; pode complementar a análise de escolhas expressivas em textos do cotidiano.

4. Na volta da escola, Pedro abriu sua caixa de lápis. Para ele, a caixa era um pequeno baú de lembranças. Cada lápis colorido lembrava um desenho feito com a avó. Qual recurso literário aparece em “a caixa era um pequeno baú de lembranças”?

  • ❌ A) Comparação. Incorreta: não há um conectivo como “como” ou “parece”; a relação é apresentada diretamente.
  • ❌ B) Personificação. Incorreta: a caixa não recebe uma ação ou característica humana.
  • ✅ C) Metáfora. Correta: a caixa é chamada de “baú de lembranças” para expressar seu valor afetivo, sem ser literalmente um baú.
  • ❌ D) Repetição. Incorreta: a frase não repete uma palavra ou expressão de modo a criar esse recurso.
  • ❌ E) Hipérbole. Incorreta: não há exagero; a imagem relaciona a caixa às recordações de Pedro.

Gabarito comentado: C. A metáfora aproxima a caixa de um baú porque ela guarda objetos associados a lembranças importantes. A pista seguinte, sobre os desenhos feitos com a avó, ajuda a compreender o sentido afetivo da expressão.

5. Nas margens de um riacho esquecido, uma jovem caminhava entre flores silvestres. Ao chegar a um jardim escondido, viu o crepúsculo tingir as pétalas de ouro junto ao riacho sereno. A paisagem parecia suspensa no tempo e despertava sonhos em quem a contemplava. Qual reescrita de “o crepúsculo tingia as pétalas de ouro junto ao riacho sereno” mantém o sentido principal e preserva o tom lírico?

  • ❌ A) Ao cair da tarde, a luz dourada iluminava as pétalas junto ao riacho tranquilo. Incorreta: mantém o sentido geral, mas substitui a imagem figurada por uma formulação mais direta.
  • ❌ B) Ao cair da tarde, a luz dourada bordava as folhas junto ao riacho tranquilo. Incorreta: troca as pétalas por folhas, alterando o elemento descrito.
  • ✅ C) Ao cair da tarde, a luz dourada bordava as pétalas junto ao riacho tranquilo. Correta: mantém o momento, a luz dourada, as pétalas e o riacho, preservando uma imagem poética.
  • ❌ D) Durante a noite, a luz dourada bordava as pétalas junto ao riacho tranquilo. Incorreta: muda o momento do crepúsculo para a noite.
  • ❌ E) Ao cair da tarde, a luz cinzenta bordava as pétalas junto ao riacho tranquilo. Incorreta: altera a cor dourada, elemento importante da imagem original.

Gabarito comentado: C. A resposta conserva os componentes centrais e troca “tingia” por “bordava”, mantendo o caráter figurado. O item permite discutir como uma reescrita pode preservar o conteúdo e, ao mesmo tempo, manter o tom lírico.

6. João entrou em um sebo para procurar um livro antigo. Ele escreveu: “Senti uma inquietude que parecia sussurrar histórias alheias”. João saiu sem o livro, mas ficou pensando nas histórias que poderia encontrar. O que essa frase mostra sobre o sentimento de João?

  • ❌ A) Que ele achou o sebo muito barulhento. Incorreta: interpreta “sussurrar” como som real, mas a expressão descreve uma impressão imaginativa.
  • ❌ B) Que ele teve medo de ficar sozinho. Incorreta: o texto não apresenta medo; essa ideia não é sustentada pelo contexto.
  • ✅ C) Que ele ficou curioso com os livros. Correta: a inquietude e as histórias imaginadas indicam interesse e curiosidade.
  • ❌ D) Que ele não gostou de ler. Incorreta: ele procurava um livro e continuou pensando nas histórias depois de sair.
  • ❌ E) Que ele queria comprar todos os livros. Incorreta: o texto diz que procurava um livro antigo, não que pretendia comprar todos.

Gabarito comentado: C. “Sussurrar histórias” não descreve um acontecimento literal no sebo. É uma expressão que dá forma à inquietude de João e ajuda a revelar sua curiosidade pelas histórias que os livros poderiam conter.

7. Como prender a atenção do leitor desde as primeiras linhas de uma narrativa?

Em um encontro de jovens escritores, o mediador apresentou sugestões para criar contos de mistério e suspense. Ele orientou que se estabeleça um ambiente carregado de detalhes sensoriais, como o som distante de passos e o cheiro de chuva no ar. Também recomendou dosar informações, revelando apenas o necessário a cada parágrafo, e usar pausas que deixem o leitor ansioso pelo próximo trecho. Para dar ritmo, sugeriu alternar cenas calmas e tensas, mas sempre mantendo um elemento não explicado, capaz de despertar curiosidade. Qual estratégia indicada contribui diretamente para manter o leitor em clima de suspense e curiosidade?

  • ❌ A) Adotar variações de tempo verbal. Incorreta: o texto não aponta mudanças de tempo verbal como estratégia.
  • ❌ B) Empregar diálogos rápidos entre personagens. Incorreta: diálogos rápidos não são a estratégia destacada na passagem.
  • ✅ C) Incluir descrições sensoriais detalhadas no ambiente. Correta: o texto recomenda sons e cheiros para construir uma atmosfera de mistério.
  • ❌ D) Inserir perguntas retóricas ao final das cenas. Incorreta: essa técnica não é mencionada como orientação do mediador.
  • ❌ E) Usar personagens com motivações claras. Incorreta: pode ser uma escolha narrativa, mas não é a estratégia indicada no texto-base.

Gabarito comentado: C. O item avalia a localização de uma estratégia explicitamente apresentada: os detalhes sensoriais ajudam a criar ambiente. Embora dialogue com a leitura de recursos expressivos, trata principalmente da compreensão de orientações para produzir suspense.

8. Leia o poema e responda: qual efeito de sentido a forma livre contribui para criar?

No muro branco
um risco azul
vira asa.

E a tarde, quieta,
passa leve
como água.
  • ❌ A) A disposição livre dos versos destaca rimas marcadas e ritmo acelerado. Incorreta: o poema não apresenta esse efeito de rimas marcadas nem de aceleração.
  • ❌ B) Os versos livres intensificam tristeza e lamento. Incorreta: o texto sugere leveza e suavidade, não um tom sombrio.
  • ✅ C) A liberdade dos versos e a distribuição curta das palavras reforçam a delicadeza e a fluidez das imagens poéticas. Correta: a forma acompanha as imagens leves do risco que vira asa e da tarde que passa como água.
  • ❌ D) A ausência de versos livres aproxima o poema de um relato objetivo em prosa. Incorreta: o poema tem versos livres e apresenta imagens condensadas, não um relato em prosa.
  • ❌ E) A organização regular cria ordem rígida. Incorreta: a distribuição não é rígida; o item pede perceber como a forma livre contribui para a fluidez.

Gabarito comentado: C. A leitura considera a relação entre forma e sentido: os versos curtos e livres acompanham a delicadeza das imagens. O aluno deve evitar atribuir ao poema sentimentos ou efeitos que não sejam sustentados pelos versos.

Para continuar a sequência

Depois de aplicar as questões, posso pedir que os alunos revisem uma resposta e expliquem qual pista textual os levou à escolha. Essa conversa curta costuma revelar se a turma está nomeando o recurso, interpretando seu efeito ou apenas se apoiando em uma impressão geral. Para encontrar outras propostas relacionadas, consulte as questões da habilidade EF89LP37.

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