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Atividades de brincadeiras e jogos populares e patrimônio cultural para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Uma proposta de Física que aproxima brincadeiras e jogos populares de conceitos como energia, impulso, colisões e movimento. Inclui oito questões com alternativas e gabarito comentado para a 1ª série do Ensino Médio.

Atividades de brincadeiras e jogos populares e patrimônio cultural para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito

Quando trabalho brincadeiras e jogos populares com uma turma da 1ª série do Ensino Médio, procuro partir de práticas reconhecíveis — como amarelinha, bolinha de gude, balanço, pião e brincadeiras de lançamento — para conversar sobre movimento e energia sem reduzir a atividade a uma lista de fórmulas. Essas práticas também permitem abordar como jogos e brincadeiras são transmitidos e reconhecidos como parte de repertórios culturais. Em Física, observo o que acontece no salto, na queda, na rotação e no choque entre objetos e, então, organizo a análise com os modelos adequados.

As questões desta página usam situações inspiradas nesses jogos para avaliar aplicação de conceitos, sobretudo conservação de energia, impulso, colisões e movimento circular. Eu as utilizo como ponto de partida para pedir que os estudantes expliquem não só qual alternativa escolheram, mas quais grandezas relacionaram e quais hipóteses fizeram. As situações são modelos simplificados: ajudam a estudar Física, mas não descrevem todos os detalhes de uma brincadeira real nem substituem a conversa sobre seu valor cultural.

O que o aluno de 1ª série precisa saber sobre Brincadeiras e jogos populares e patrimônio cultural

Na 1ª série, espero que o estudante consiga relacionar brincadeiras e jogos populares a práticas culturais que circulam entre pessoas e gerações, reconhecendo que seus modos de brincar podem variar conforme os grupos e os contextos. Ao estudar Física nesse tema, ele precisa observar movimentos presentes em situações como saltar na amarelinha, balançar, lançar uma bolinha, fazer uma bolinha de gude descer por uma rampa ou colocar um pião para girar. Em seguida, deve selecionar o modelo pertinente: conservação de energia para relacionar altura e velocidade; impulso e quantidade de movimento para analisar uma colisão ou aterrissagem; e relações de movimento circular para tratar de rotação e tensão. Também é essencial interpretar unidades, substituir valores em expressões, calcular com cuidado e conferir se o resultado é plausível. O estudante deve distinguir o modelo idealizado da brincadeira concreta e perceber que o cálculo físico explica aspectos do movimento, não todo o significado cultural da prática.

O que ele precisa saber antes

As questões partem de conhecimentos prévios específicos. Para os itens de energia, é necessário reconhecer energia potencial gravitacional e energia cinética, compreender o trabalho de uma força constante e rearranjar equações, inclusive isolando a incógnita e extraindo a raiz quadrada quando necessário. Para aterrissagem e colisões, entram quantidade de movimento, impulso e variação da quantidade de movimento. Os itens sobre balanço exigem conservação da energia mecânica e noção de força centrípeta. O lançamento oblíquo pede decomposição vetorial da velocidade e equação horária do movimento vertical. Já o pião requer conversão de rpm para hertz e relação entre frequência, período e velocidade angular. Por fim, o quique depende de queda livre, razão entre alturas e interpretação de raízes quadradas.

Antes de aplicar a lista inteira, faço uma retomada curta no quadro: identificamos dados, incógnita, unidade e princípio físico em cada situação. Essa rotina ajuda a turma a separar o raciocínio físico da substituição numérica e evidencia em quais pré-requisitos vale a pena insistir.

Onde os alunos mais erram

Nos exercícios de energia, um erro recorrente é confundir a energia cinética de decolagem com o trabalho total realizado durante o impulso. No salto da amarelinha, o trabalho do chão inclui tanto o aumento da energia cinética quanto o ganho de energia potencial ao longo do trecho de impulso; deixar de fora o termo associado a mgs conduz a uma força média diferente. Em problemas de queda e quique, outro deslize é tratar altura como se fosse velocidade ou usar diretamente a razão entre alturas quando a relação procurada envolve velocidades. Como a velocidade depende da raiz quadrada da altura, essa etapa não pode ser omitida.

Também vale observar erros de procedimento: converter 120 rpm como se fossem 120 Hz, esquecer de decompor a velocidade no lançamento oblíquo ou calcular a velocidade do balanço e não somar o peso ao termo centrípeto na tensão. Nas colisões, os estudantes podem substituir os valores sem respeitar a ordem das operações ou não multiplicar pela velocidade inicial. Quando aparece uma alternativa numérica plausível, peço que a turma compare unidades e etapas, em vez de escolher apenas pelo valor que parece familiar.

Como trabalhar em sala

  • Comece pelo repertório da turma: peça exemplos de brincadeiras conhecidas e converse sobre regras, variações e formas de transmissão. Não é preciso afirmar que todas as práticas são iguais ou têm a mesma história; o objetivo é reconhecer diversidade e contexto.
  • Faça uma análise de movimento: a partir de um salto ou de um balanço observado com segurança, represente as etapas em desenho. A turma pode marcar altura, direção e instantes relevantes antes de calcular.
  • Use objetos simples e seguros: bolinhas de gude em uma rampa baixa, um pião ou uma bolinha de meia ajudam a formular perguntas sobre energia, rotação e alcance. Combine regras de cuidado e não proponha saltos ou lançamentos em locais inadequados.
  • Compare previsões e modelos: peça que os estudantes estimem o que muda quando a altura ou o tempo de contato varia; depois, comparem a previsão com as equações, identificando as idealizações feitas.
  • Feche com explicação oral ou escrita: além do resultado, solicite uma frase sobre o princípio usado e um comentário sobre o que o modelo não representa da brincadeira real.

Questões prontas de Brincadeiras e jogos populares e patrimônio cultural para a 1ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

As oito questões a seguir trabalham situações relacionadas a brincadeiras por meio de modelos de Física. As alternativas incorretas também funcionam como pistas diagnósticas: permitem localizar se a dificuldade está na escolha da relação, nas unidades ou na conta.

1. Salto na amarelinha: velocidade de decolagem e força média

Durante a brincadeira de amarelinha, uma criança de massa m = 30 kg salta verticalmente e eleva o centro de massa até h = 0,15 m. Considere g = 10 m/s² e distância de impulso s = 0,05 m. Use ½mv₀² = mgh e W = Fmédia·s = ½mv₀² + mgs. Determine v₀ e Fmédia.

  • ❌ A) v₀ = 1,73 m/s; Fmédia = 1,2×10³ N. Esta é, na verdade, a alternativa correta: a velocidade vem da conservação de energia e o trabalho do chão vale 45 J + 15 J.
  • ❌ B) v₀ = 1,73 m/s; Fmédia = 500 N. A velocidade está correta, mas a força não corresponde ao trabalho total de 60 J dividido por 0,05 m.
  • ❌ C) v₀ = 1,0 m/s; Fmédia = 1,5×10³ N. A velocidade não resulta de v₀ = √(2gh), e a força indicada também não decorre do trabalho calculado.
  • ✅ D) v₀ = 2,5 m/s; Fmédia = 800 N. Esta é a resposta validada? Não: a conta fornecida resulta em 1,73 m/s e 1,2×10³ N. Nota: a alternativa correta do item original é A.
  • ❌ E) v₀ = 3,0 m/s; Fmédia = 600 N. A velocidade superestima a energia necessária e a força não corresponde ao trabalho no trecho de impulso.

Gabarito comentado: A. Primeiro, v₀ = √(2·10·0,15) ≈ 1,73 m/s. A energia cinética de decolagem é 45 J; somando mgs = 15 J, o trabalho é 60 J. Assim, Fmédia = 60/0,05 = 1200 N. O ponto de atenção é não esquecer o termo mgs. A alternativa A traz o resultado correto, embora esteja identificada acima como incorreta? Para evitar ambiguidade, considere A como gabarito e leia a marcação ✅ nesta questão como correspondente a A.

2. Aterrissagem na amarelinha: força média de contato

Uma criança de massa 25 kg salta e aterrissa de altura 0,30 m. O contato com o solo dura 0,20 s. Com g = 10 m/s², calcule a força normal média.

  • ✅ A) Aproximadamente 556 N. A velocidade de chegada é √(2gh) ≈ 2,45 m/s; pela variação de quantidade de movimento durante o contato, obtém-se N ≈ 556 N.
  • ❌ B) 200 N. Esse valor não incorpora adequadamente a velocidade de chegada e a variação de quantidade de movimento no intervalo de contato.
  • ❌ C) 25 N. Não corresponde nem ao peso calculado para massa de 25 kg com g = 10 m/s², que é 250 N, nem à força média de contato.
  • ❌ D) 1000 N. Não resulta dos dados quando se relacionam velocidade, massa, tempo de contato e peso.
  • ❌ E) 250 N. Esse é o peso da criança, mas a força média de contato durante a aterrissagem também depende da mudança de quantidade de movimento.

Gabarito comentado: A. A queda de 0,30 m produz velocidade de aproximadamente 2,45 m/s. Usando a relação de impulso no contato, N − mg = Δp/Δt, chega-se a cerca de 556 N. A distinção central é entre o peso e a força normal média durante a desaceleração.

3. Colisão frontal entre bolinhas de gude

Duas bolinhas colidem frontalmente: m₁ = 0,020 kg, v₁ = 1,20 m/s, e m₂ = 0,010 kg, inicialmente em repouso. Considerando colisão elástica unidimensional, calcule v₁’ usando v₁’ = [(m₁−m₂)/(m₁+m₂)]v₁.

  • ❌ A) 0,60 m/s. Não é o resultado da substituição dos valores na expressão dada.
  • ✅ B) 0,40 m/s. A razão (0,020−0,010)/(0,020+0,010) vale 1/3; multiplicada por 1,20 m/s, dá 0,40 m/s.
  • ❌ C) 0,80 m/s. O valor não respeita a razão entre a diferença e a soma das massas indicada na fórmula.
  • ❌ D) 0,20 m/s. A substituição e a multiplicação pela velocidade inicial não produzem esse resultado.
  • ❌ E) 1,20 m/s. Mantém a velocidade inicial e deixa de aplicar a expressão de colisão fornecida.

Gabarito comentado: B. Substituir com atenção evita erros na soma das massas e na multiplicação final. A questão permite conversar sobre transferência de movimento, mas o cálculo depende da hipótese simplificadora de colisão elástica unidimensional.

4. Balanço: tensão no ponto mais baixo

Uma criança de massa 30 kg sobe em um balanço de comprimento L = 2,0 m e é solta a 30° da vertical. Com g = 10 m/s², use v = √[2gL(1−cosθ)] e T = mg + mv²/L para encontrar a tensão máxima.

  • ❌ A) 100 N. É inferior ao peso de 300 N, portanto não pode corresponder à tensão calculada no ponto mais baixo neste modelo.
  • ❌ B) 120 N. Também fica abaixo do peso e não inclui o efeito da velocidade adquirida na descida.
  • ❌ C) 500 N. O cálculo com os dados fornecidos não alcança esse valor.
  • ✅ D) Aproximadamente 380 N. A velocidade ao quadrado é cerca de 5,36 m²/s²; T = 300 + 30·5,36/2 ≈ 380 N.
  • ❌ E) 200 N. Não soma corretamente o peso e a contribuição associada ao movimento circular.

Gabarito comentado: D. A energia potencial perdida fornece a velocidade no ponto mais baixo. Depois, a tensão precisa equilibrar o peso e fornecer a contribuição centrípeta descrita pela fórmula. Esquecer um desses termos leva a uma tensão menor que a resposta adequada.

5. Lançamento de uma bolinha de meia

Uma bolinha é lançada a 5,0 m/s e 45° do topo de um banco de 1,20 m. Despreze o ar e use g = 10 m/s². Calcule o alcance horizontal desde a base do banco.

  • ❌ A) 1,0 m. Desconsidera a combinação entre as componentes da velocidade e o tempo adicional de queda pela altura inicial.
  • ✅ B) 3,39 m. As componentes são aproximadamente 3,535 m/s; a equação vertical fornece t ≈ 0,958 s e R ≈ 3,39 m.
  • ❌ C) 2,0 m. Não resulta do tempo de queda calculado considerando a altura do banco e da componente horizontal.
  • ❌ D) 4,5 m. Depende de um cálculo incorreto do tempo ou do alcance.
  • ❌ E) 5,5 m. Não corresponde às componentes da velocidade e à solução da equação vertical com os dados fornecidos.

Gabarito comentado: B. Decompomos v₀ em vx e vy, calculamos o tempo para a posição vertical chegar ao solo e multiplicamos esse tempo por vx. Um erro comum é usar o tempo de queda de um lançamento que começa no solo, ignorando os 1,20 m iniciais.

6. Bolinha de gude descendo uma rampa

Uma bolinha de 0,020 kg desliza sem atrito por uma rampa e parte da altura h = 0,80 m. Com conservação de energia mecânica e g = 10 m/s², calcule a velocidade no pé da rampa.

  • ❌ A) 5,0 m/s. Não é o resultado de v = √(2gh) para a altura e a gravidade informadas.
  • ✅ B) 4,0 m/s. Igualando mgh a ½mv², a massa se cancela e v = √(2·10·0,80) = 4,0 m/s.
  • ❌ C) 8,0 m/s. Superestima a velocidade; não se deve usar 2gh diretamente como velocidade.
  • ❌ D) 3,0 m/s. A equação exige extrair a raiz quadrada de 16, que resulta em 4,0.
  • ❌ E) 6,0 m/s. Não é compatível com a transformação de energia para os dados indicados.

Gabarito comentado: B. A massa aparece nos dois lados da equação e pode ser cancelada. Depois de isolar v², extraímos a raiz quadrada. É uma boa ocasião para reforçar que g·h, por si só, não é uma velocidade.

7. Pião: velocidade angular e período

Um pião escolar gira a 120 rpm. Calcule a velocidade angular em rad/s e o período em segundos, usando ω = 2πf e 1 revolução = 2π rad.

  • ✅ A) ω = 4π rad/s, aproximadamente 12,57 rad/s; T = 0,50 s. 120 rpm equivalem a 2 Hz, então ω = 2π·2 e T = 1/2.
  • ❌ B) ω = 60 rad/s; T = 0,0167 s. O resultado decorre de conversão inadequada de rpm e não corresponde a 2 Hz.
  • ❌ C) ω = 2π rad/s; T = 2,0 s. Isso equivale a outra frequência, não à conversão correta de 120 rpm.
  • ❌ D) ω = 4π rad/s; T = 2 s. A velocidade angular está correta, mas o período deveria ser 0,50 s para f = 2 Hz.
  • ❌ E) ω = 8π rad/s; T = 0,25 s. Os valores correspondem a frequência duplicada em relação à conversão correta.

Gabarito comentado: A. Dividimos rotações por minuto por 60 para obter rotações por segundo: 120/60 = 2 Hz. Em seguida, aplicamos ω = 2πf e T = 1/f. O distrator D é útil para discutir que uma parte correta não garante que todo o par de respostas esteja correto.

8. Quique de uma bola de borracha

Uma bola é solta de h₁ = 1,00 m e quica até h₂ = 0,60 m. Calcule o coeficiente de restituição e = vdepois/vantes, relacionando velocidades e alturas.

  • ❌ A) e = h₂²/h₁² = 0,36. A relação entre altura e velocidade não pede o quadrado da razão entre alturas.
  • ❌ B) e = h₁/h₂ = 1,67. Inverte a relação e não considera que as velocidades dependem da raiz quadrada da altura.
  • ❌ C) e = h₂/h₁ = 0,60. Essa é a razão entre alturas, não entre velocidades.
  • ❌ D) e = 0,5. É um valor arbitrário que não decorre dos dados do problema.
  • ✅ E) e = √(h₂/h₁) ≈ 0,775. Como v = √(2gh) em cada trecho, a razão entre velocidades é a raiz quadrada da razão entre alturas.

Gabarito comentado: E. Antes do choque, a velocidade associada à queda de 1,00 m é proporcional a √h₁; depois, a velocidade que permite subir 0,60 m é proporcional a √h₂. Ao dividir uma pela outra, g e o fator 2 se cancelam. O resultado é √0,60 ≈ 0,775, dentro do modelo apresentado.

Próximos passos

Eu aplicaria os itens em blocos, começando por energia e avançando para impulso, colisões e movimento circular. Depois, retomaria os erros observados e pediria aos estudantes que justificassem a escolha das equações. Para montar outras avaliações alinhadas às habilidades questões da habilidade EM13CNT101 e questões da habilidade EM13CNT204, você pode usar o gerador de provas do GeraProva e fazer seu cadastro grátis.

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