Atividades de A emergência do capitalismo para o 7º ano com gabarito
Reuni questões de História para trabalhar a emergência do capitalismo no 7º ano, com alternativas e gabarito comentado. O material ajuda a comparar práticas mercantilistas com mudanças na produção, no crédito e no comércio.
Quando ensino A emergência do capitalismo no 7º ano, procuro ajudar a turma a perceber que a mudança não aconteceu de uma hora para outra. Em sala, textos sobre comerciantes, bancos, oficinas e decisões das monarquias são bons pontos de partida para comparar formas de organizar a economia.
Também gosto de observar como os estudantes justificam as respostas. Uma alternativa pode parecer convincente quando mistura elementos que realmente existiram, mas pertencem a momentos ou lógicas diferentes. Por isso, organizei aqui questões com gabarito comentado para trabalhar a leitura das fontes e a comparação entre mercantilismo e capitalismo.
O que o aluno de 7º ano precisa saber sobre A emergência do capitalismo
A emergência do capitalismo foi um processo histórico gradual, ligado à transformação das formas de produzir, financiar e comercializar mercadorias na Europa, especialmente entre o período moderno e o século XVIII. Para compreender essa passagem, o aluno precisa distinguir práticas mercantilistas, como a intervenção das monarquias no comércio, os monopólios concedidos pela Coroa e a valorização da acumulação de metais preciosos, de tendências que ganharam força com o capitalismo. Entre elas estão o investimento privado, o uso do crédito, o reinvestimento dos lucros em atividades produtivas, a expansão das manufaturas e a busca por mercados e compradores. Bancos, companhias de ações e redes comerciais ampliaram as possibilidades de financiar empreendimentos. Mais tarde, a industrialização e o emprego de máquinas intensificaram a produção. É importante evitar a ideia de uma substituição instantânea ou absoluta: elementos antigos e novos coexistiram, e o Estado continuou tendo papel econômico. O foco é reconhecer mudanças e continuidades, relacionando exemplos concretos às suas características.
O que ele precisa saber antes
Antes de responder às questões, ajuda retomar o significado básico de mercantilismo e capitalismo e reconhecer alguns elementos de cada sistema. As atividades pedem que o aluno identifique monopólios, privilégios reais e acumulação de metais preciosos como características associadas ao mercantilismo. Em contraste, aparecem crédito, investimento privado, reinvestimento dos lucros, manufatura e concorrência como aspectos ligados ao capitalismo emergente.
Também vale conversar sobre como funcionavam as atividades comerciais e produtivas: quem financiava uma viagem ou oficina, de onde vinha o dinheiro e como o lucro podia ser usado novamente. Para as questões que mencionam máquinas a vapor, uma noção introdutória da Revolução Industrial ajuda a interpretar a relação entre tecnologia e produção em maior escala. Não é necessário antecipar um estudo aprofundado de bancos ou bolsas; o essencial é compreender a função que esses recursos exercem nos textos.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente apontado pelas questões é confundir a acumulação de metais preciosos com o investimento produtivo. Como ambos envolvem riqueza, o aluno pode selecionar a alternativa sobre ouro mesmo quando o texto destaca que os lucros foram aplicados em oficinas, máquinas ou novos empreendimentos. Peço que sublinhem o que acontece com o dinheiro: fica concentrado nos cofres ou volta à produção e ao comércio?
Outro ponto é inverter o papel dos monopólios e privilégios da Coroa. Quando uma alternativa fala de controle estatal, cartas reais ou preços determinados pelo poder público, ela pode soar como uma mudança econômica genérica. Porém, nas situações apresentadas, esses elementos caracterizam o mercantilismo; não são a evidência da expansão de negócios privados e da concorrência. A questão 1, por exemplo, tem como distrator provável a manutenção dos monopólios. Já na questão 8, a confusão pode ocorrer entre monopólio estatal e sociedades de ações. Recomendo que a turma compare cada alternativa com as pistas do texto, em vez de responder apenas por associação de palavras.
Como trabalhar em sala
- Monte um quadro comparativo: divida o quadro em “práticas mercantilistas” e “mudanças associadas ao capitalismo emergente”. Peça que a turma posicione termos como monopólio, metais preciosos, crédito e reinvestimento, sempre justificando as escolhas.
- Faça uma leitura com marcação de pistas: em um texto curto, os estudantes podem sublinhar palavras ligadas ao Estado, ao financiamento e à produção. Depois, devem explicar qual mudança econômica essas pistas sugerem.
- Use uma situação simples de reinvestimento: proponha que a classe imagine um comerciante que obtém lucro e compare duas decisões: guardar a riqueza ou financiar uma oficina. O objetivo não é transformar a aula em jogo de negócios, mas tornar visível a diferença entre acumular e aplicar capital.
- Organize as questões em progressão: comece pelas que pedem identificação direta de uma característica e avance para as que exigem comparar várias pistas do texto. A turma pode responder individualmente e depois discutir uma alternativa incorreta.
- Feche com justificativas orais: peça que alguns estudantes expliquem por que uma alternativa está errada. Essa conversa ajuda a distinguir conhecimentos próximos, como controle estatal e iniciativa privada, sem tratar o erro como falta de atenção.
Questões prontas de A emergência do capitalismo para o 7º ano (com gabarito comentado)
Questão 1 — Que mudança ajuda a explicar o fortalecimento do capitalismo?
Ao folhear um livro-caixa antigo, um guia de museu mostra como uma mesma família de negociantes mudou seus negócios entre o fim do século XVII e o século XVIII. Nas primeiras páginas, aparecem taxas pagas ao rei e o direito exclusivo de comprar certos produtos coloniais para revender na Europa, com fiscalização no porto. Mais adiante, surgem registros de empréstimos feitos em um banco, compra de máquinas para fiar e tecer e pagamento semanal a trabalhadores contratados. O guia comenta que, nessa época, alguns comerciantes passaram a preferir investir na produção e vender para diferentes compradores, em vez de depender de autorizações e privilégios concedidos pela Coroa. Com base no texto, identifique a mudança histórica que ajuda a explicar o enfraquecimento das práticas mercantilistas e o fortalecimento do capitalismo nesse período.
- ❌ A) A retomada do trabalho servil no campo como base principal de riqueza e de poder político. O texto menciona trabalhadores pagos e produção com máquinas, não o retorno à servidão.
- ❌ B) A manutenção de monopólios concedidos pela Coroa para controlar quem compra e vende no porto. Monopólios e controle estatal reforçam práticas mercantilistas.
- ✅ C) A valorização do investimento privado na produção e da busca de lucro em mercados mais livres. Empréstimos, máquinas, trabalho assalariado e ampliação dos compradores indicam a mudança descrita.
- ❌ D) A prioridade de acumular metais preciosos no tesouro real como objetivo central da economia. Essa ideia corresponde ao mercantilismo, enquanto o texto destaca crédito e investimento privado.
- ❌ E) A substituição do comércio externo por uma economia fechada, voltada apenas ao consumo local. O caso apresenta venda para diferentes compradores, não fechamento econômico.
Gabarito: C. A resposta relaciona investimento privado e produção ao enfraquecimento da dependência de privilégios reais.
Questão 2 — Como os lucros passaram a ser utilizados?
Na costa de Amsterdã, comerciantes conversam em 1650 sobre as mudanças na economia. Um relata: “Em vez de acumular apenas lingotes de ouro, estou destinando parte dos lucros para montar uma oficina de tecidos. Vendo mais do que compro de especiarias, e contrato artesãos para produzir artigos diversos.” Outro observa: “As companhias de navegação privadas atraem investidores que buscam retorno contínuo, e o Estado já não dá fim único às riquezas em cofres reais.” Esses relatos mostram transformações na forma de usar riqueza e organizar negócios. Analise o texto-base e identifique a razão que ilustra a passagem do mercantilismo para o capitalismo.
- ✅ A) Investimento de lucros em atividades produtivas para obter renda crescente. Reinvestir na produção expressa uma lógica de acumulação e expansão.
- ❌ B) Acumulação de lingotes de ouro como principal medida de riqueza. Essa prática é característica mercantilista, não a mudança destacada no relato.
- ❌ C) Atuação exclusiva de artesãos em corporações de ofício. A alternativa não corresponde ao investimento em oficinas e companhias privadas descrito.
- ❌ D) Controle estatal exclusivo sobre as companhias de navegação. O texto enfatiza a atração de investidores privados, não o controle exclusivo do Estado.
- ❌ E) Regulação de preços de especiarias pelo governo local. A regulação estatal não é a razão indicada no relato sobre investimento produtivo.
Gabarito: A. O sinal decisivo é destinar lucros à produção em vez de apenas concentrar metais preciosos.
Questão 3 — Qual foi o papel do crédito e do reinvestimento?
Desde a juventude, fui comerciante de tecidos na Inglaterra do século XVII. Nas feiras, vendia lã importada e acumulava lucros em barras de ouro guardadas em cofres particulares. Com o tempo, reparei que muitos colegas preferiam financiar tecelões e abrir pequenas oficinas, usando letras de câmbio para obter recursos sem precisar do metal. Alguns desses investimentos passaram a gerar mais renda que a simples venda de mercadorias. Em relatos de empresários, surgiram práticas de reinvestir lucros em novas máquinas manuais e expandir a produção para além das feiras regionais. Gradualmente, essa lógica de crédito, produção em série e lucro reinvestido começou a substituir o modelo de comércio baseado no controle estatal e na acumulação de metais preciosos. Analise o texto-base e identifique qual razão impulsionou a passagem do mercantilismo para o capitalismo.
- ❌ A) O fortalecimento das corporações de ofício e regulamentação artesanal. A narrativa destaca financiamento e expansão produtiva, não o fortalecimento dessas corporações.
- ❌ B) O aumento de subsídios estatais e monopólios comerciais. São práticas de intervenção estatal, ao contrário da mudança apresentada.
- ✅ C) O desenvolvimento de sistemas de crédito e reinvestimento na manufatura. Letras de câmbio, oficinas e aplicação de lucros são as pistas centrais.
- ❌ D) A imposição de tarifas protecionistas para controlar importações. A alternativa trata de controle comercial, não do uso de crédito na produção.
- ❌ E) O acúmulo de metais preciosos sem aplicação em atividades produtivas. O texto contrasta essa prática com o investimento em oficinas e máquinas.
Gabarito: C. O crédito permitia financiar atividades produtivas, e o reinvestimento ampliava a produção.
Questão 4 — Como o crédito privado alterou os negócios?
— Recentemente, notei que comerciantes ítalo-brasileiros passaram a obter empréstimos de banqueiros genoveses para financiar navios de carga. — E isso mudou nossa forma de negociar? — Sim. Antes, tínhamos que esperar que o rei autorizasse o embarque em suas feitorias e definições de preço. Agora, operamos com capital privado e vendemos pelo melhor lance no mercado europeu. Com o crédito bancário e a competição entre compradores, aumentou a variedade de produtos e reduziu o controle direto do Estado sobre cada expedição. Essa dinâmica acelerou rotas comerciais e permitiu a reinversão de lucros em novas encomendas, gerando circulação de mercadorias e dinheiro sem depender exclusivamente de ouro ou prata. Analise o texto-base e identifique a razão que explica a passagem do mercantilismo para o capitalismo.
- ❌ A) Expansão do comércio colonial sob controle real direto. O trecho contrasta esse controle com a autonomia dos comerciantes.
- ✅ B) Incremento do crédito privado para financiamento de empreendimentos. Os empréstimos permitem financiar navios e ampliar a circulação de capital.
- ❌ C) Reforço das corporações de ofício na produção local. Essa característica não explica o financiamento privado descrito.
- ❌ D) Adoção de tarifas alfandegárias como forma de arrecadação real. O texto enfatiza crédito e competição, não tarifas.
- ❌ E) Manutenção de monopólio estatal sobre o comércio. A manutenção do monopólio preservaria o controle mercantilista que o trecho descreve como anterior.
Gabarito: B. O crédito bancário privado é a mudança que sustenta os novos empreendimentos apresentados.
Questão 5 — Qual é a relação entre tecnologia e mercados livres?
No crepúsculo do século XVIII, chaminés fumegavam no horizonte de Manchester enquanto teares mecânicos, movidos a vapor, revolucionavam a fabricação de tecidos. Antes, mercadores dependiam de licenças estatais e monopólios reais para exportar seda e algodão. Aos poucos, empresas privadas passaram a investir no desenvolvimento de máquinas, a negociar ações em bolsas e a disputar mercados sem restrições impostas por cartas régias. Esse novo modelo baseava-se na livre concorrência, no uso intensivo de tecnologia e na acumulação de capital para financiar fábricas, substituindo o antigo comércio controlado pelo Estado e as amarras do mercantilismo. Analise o texto e identifique a razão pela qual o capitalismo substituiu o mercantilismo naquele contexto.
- ❌ A) A expansão de colonização ultramarina como principal fonte de riqueza nacional. A colonização não é a explicação apresentada para a industrialização e a concorrência.
- ✅ B) A adoção de inovações tecnológicas que propiciaram produção em massa e consolidação de mercados livres. Máquinas, investimento privado e concorrência são as pistas do texto.
- ❌ C) A manutenção de monopólios comerciais concedidos pelo Estado aos mercadores. Os monopólios são apresentados como parte do modelo anterior.
- ❌ D) O aumento de tarifas protecionistas para salvaguardar a economia nacional. A alternativa não corresponde à disputa de mercados sem as restrições citadas.
- ❌ E) A atuação das corporações de ofício na regulação das atividades industriais. O trecho destaca empresas privadas e tecnologia, não a regulação por corporações.
Gabarito: B. A questão relaciona inovação tecnológica e aumento da produção à consolidação de mercados livres.
Questão 6 — O que muda quando diminuem os monopólios?
Dados ilustrativos: relatórios de comerciantes no final do século XVIII registravam o declínio das companhias monopolistas financiadas pelo Estado e o aumento de operações independentes entre pequenos negociantes. Enquanto antes reis concediam cartas de privilégio e controlavam preços, surgiram revistas comerciais favoráveis à livre concorrência, contratos privados e expansão do crédito bancário. Esse novo ambiente incentivou a busca por lucro individual, a especialização na produção de manufaturas e a circulação de capitais sem intermediação exclusiva do poder público. Com base no texto-base, conclua qual mudança ilustra a passagem do mercantilismo para o capitalismo.
- ❌ A) Ampliação de subsídios estatais para manufaturas prioritárias. Subsídios reforçam a intervenção do Estado, não a mudança descrita.
- ❌ B) Implementação de rigorosas regulamentações protecionistas de importação. O texto aponta para a livre concorrência, não para novas restrições.
- ❌ C) Fortalecimento de companhias monopolistas com cartas reais de privilégio. Essa é justamente uma prática que perde força no texto.
- ❌ D) Manutenção de preços fixos determinados por decretos reais. A fixação por decreto corresponde ao controle estatal apresentado como anterior.
- ✅ E) Adoção de livre comércio e concorrência entre negociantes independentes. A alternativa reúne a autonomia e a concorrência destacadas no texto.
Gabarito: E. A mudança é a passagem de privilégios e controle para operações independentes e concorrência.
Questão 7 — Como os lucros do comércio impulsionaram a produção?
Em uma crônica de um mercador florentino do século XVI, registrou-se: “No último ano, vendemos nas feiras de Antuérpia três carregamentos de seda e compramos apenas peças de estanho. Com o lucro das vendas, pudemos financiar uma pequena oficina de tecelagem rural, onde operários recebem pagamento por produção. Antes, todo comércio visava acumular metais preciosos no cofre do príncipe; agora, reinvestimos o excedente em novas atividades”. Analise o texto-base e identifique o principal fator que impulsionou a passagem do mercantilismo para o capitalismo.
- ❌ A) Introdução do sistema de manufatura doméstica com pagamento por produção aos trabalhadores. Esse elemento aparece, mas a questão destaca como fator principal o uso dos lucros.
- ❌ B) Ênfase na acumulação de metais preciosos como medida de riqueza nacional. O texto contrapõe essa prática ao reinvestimento em novas atividades.
- ❌ C) Privilégio concedido a artesãos nas corporações de ofício para regular a produção urbana. Não é essa a forma de organização indicada no relato.
- ✅ D) Elevado acúmulo de lucros no comércio e reinvestimento dos excedentes em atividades produtivas. O lucro financia a oficina, conforme a passagem.
- ❌ E) Forte controle estatal sobre a acumulação de metais preciosos nos cofres do príncipe. O trecho apresenta essa lógica como anterior, não como motor da mudança.
Gabarito: D. A aplicação do excedente comercial na produção é a ideia central.
Questão 8 — Qual foi a importância das sociedades de ações?
Uma correspondência fictícia de 1685 descreve as mudanças no comércio europeu: “Os mercadores agora investem em companhias de ações, dividindo lucros e riscos além-mar. Bancos japonesam linhas de crédito a juros moderados permitem financiamento de grandes navios. Antes, a Coroa impunha monopólios e acumulava metais preciosos em seus cofres. Hoje, esse sistema dá lugar a sociedades abertas de comércio, onde investidores privados negociam títulos e ações livremente.” Analise o texto-base e identifique qual razão contribuiu diretamente para a transição do mercantilismo para o capitalismo.
- ❌ A) Valorização do acúmulo de metais preciosos pela Coroa. Essa característica reforça o mercantilismo descrito como anterior.
- ❌ B) Aumento do poder das corporações gremiais medievais. As corporações não são a mudança apresentada na correspondência.
- ❌ C) Fortalecimento de monopólios estatais sobre o comércio. O texto diz que os monopólios dão lugar a sociedades de investidores privados.
- ❌ D) Elevação dos impostos sobre exportações de mercadorias. A alternativa não aparece como causa da transição no texto.
- ✅ E) Expansão das sociedades de ações e mercado de títulos. Essas formas de investimento privado permitem dividir riscos e financiar empreendimentos.
Gabarito: E. A expansão de companhias de ações e títulos é a mudança destacada pela questão.
Fechamento: próximos passos
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