Atitudes de professores da educação infantil: brincar, autonomia e os desafios da prática
Pesquisas recentes mostram como crenças e decisões docentes aparecem no brincar, na inclusão, na parceria com famílias e no uso de tecnologias. Veja o que esses estudos sugerem para a rotina e o que ainda precisa ser investigado.
Como as atitudes de um professor da educação infantil aparecem no desenvolvimento das crianças, além do que ele planeja ensinar? Elas aparecem no modo de acolher, propor brincadeiras, compartilhar decisões e responder às diferenças. Pesquisas recentes ajudam a enxergar essas escolhas. Também mostram que boas intenções precisam de condições de trabalho e apoio.
Para quem está com crianças pequenas todos os dias, a pergunta não é abstrata: quanto espaço oferecer para explorar, quando intervir e como construir confiança com famílias e colegas? A seguir, organizamos estudos sobre essas decisões e traduzimos seus achados em possibilidades de reflexão para a prática. As aplicações sugeridas são propostas, não resultados testados pelas pesquisas.
O que são as atitudes de professores da educação infantil e por que importam na rotina?
Atitudes docentes são modos de compreender as crianças e de orientar as decisões cotidianas: o que o professor considera importante, como interpreta uma iniciativa infantil e que oportunidades cria para aprender. Na rotina, isso pode aparecer na escolha entre conduzir uma atividade passo a passo ou permitir que a criança experimente, na forma de lidar com uma necessidade de apoio e no valor dado à conversa com a família. Não é um traço isolado de personalidade; é uma dimensão da prática, influenciada também por formação, equipe, recursos e regras institucionais.
Os estudos reunidos aqui não avaliam uma única atitude nem apresentam uma fórmula universal para o desenvolvimento. Eles investigam temas diferentes — criatividade, brincadeira, inclusão, transição escolar, tecnologias digitais e colaboração com as famílias — e mostram como crenças e condições concretas podem se relacionar com as escolhas dos educadores. Por isso, importa observar tanto o que o professor deseja promover quanto o que consegue sustentar no seu contexto.
O que a pesquisa recente mostra sobre as atitudes docentes?
Valores pedagógicos precisam caber na rotina, não só na intenção
Um estudo com docentes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental investigou percepções e práticas ligadas à inovação e às metodologias ativas. Os autores relatam que os professores inovam e priorizam essas metodologias para promover competências, mas também mencionam desafios: tempo limitado para planejar, formação insuficiente e dificuldade de integrar ferramentas digitais. A mensagem útil não é que toda aula precise ser inovadora; é que a disposição para mudar depende de condições para planejar e experimentar (Anzano-Oto, 2026).
Uma tensão semelhante aparece em pesquisa realizada nos Estados Unidos com egressos de um programa de formação para a infância que atuavam em escolas públicas de ensino fundamental. Os participantes buscaram preservar valores da educação infantil, como brincadeira, relações como contexto de aprendizagem e atenção à diversidade, apesar de pressões por padronização. A conexão com esses valores pareceu fortalecer a confiança nas decisões pedagógicas e incentivar compromissos com justiça social. O contexto é norte-americano, mas a pergunta dialoga com qualquer professor que precisa defender uma prática centrada na criança em uma instituição com outras exigências (Fincham, 2026).
Em conjunto, esses trabalhos apontam para uma diferença importante: valorizar uma prática não garante que ela seja fácil de realizar. Para o professor, reconhecer essa diferença ajuda a trocar a culpa individual por uma análise mais concreta: há tempo de planejamento, formação, recursos e apoio para fazer o que se considera pedagogicamente importante?
Criatividade e autonomia exigem espaço e acompanhamento
Uma revisão de 20 estudos empíricos publicados na última década examinou crenças de educadores da primeira infância sobre criatividade e práticas para promovê-la em diferentes contextos culturais. Em geral, os professores compartilhavam uma compreensão da criatividade e reconheciam sua importância. Ainda assim, os estudos revisados apontaram obstáculos como apoio insuficiente de gestores e familiares e falta de formação e preparo para adotar práticas criativas (Gao, 2026). A revisão não transforma criatividade em uma atividade específica: ela chama atenção para a distância possível entre reconhecer um valor e ter condições de promovê-lo.
Na Austrália, um estudo de caso acompanhou dez educadores e investigou o controle sobre tecnologias digitais. Nove participantes demonstraram hesitação inicial diante do uso cotidiano de mídias e tecnologias. Os educadores discutiram benefícios de abrir mão de parte do controle para que as crianças pudessem usar os dispositivos de modo independente e seguro. Os autores descrevem um dilema entre proteger as crianças e dar oportunidades para aprenderem sobre segurança e autonomia; decisões baseadas no conhecimento de cada criança e nas práticas do grupo apoiaram o uso independente e a agência relacional (Grieshaber, 2026).
Esses resultados não são uma autorização para deixar crianças pequenas sozinhas com dispositivos. O estudo australiano aborda oportunidades de uso independente dentro de práticas e condições específicas. A contribuição para a reflexão é mais delimitada: autonomia não significa ausência de acompanhamento, assim como segurança não precisa significar controle absoluto em toda situação.
Inclusão, relações e parceria influenciam as escolhas
Uma pesquisa em sete centros de Educação Infantil em Acra, Gana, examinou como crenças socioculturais relacionadas ao medo da deficiência se manifestavam nas práticas pedagógicas. Os autores analisaram processos culturais que podem restringir a aprendizagem e o desenvolvimento de crianças com deficiência e destacaram que compreender essas práticas exige atenção ao contexto cultural. O estudo não oferece uma receita geral para inclusão; evidencia que atitudes e interpretações sobre deficiência podem estar profundamente situadas e afetar o modo como a pedagogia é construída (Kumador, 2026).
Em outra direção, um estudo de caso sobre colaboração entre professores e pais na Educação Infantil examinou uma oficina de parceria organizada em três etapas. Os resultados relatam que oficinas com foco no trabalho em equipe favoreceram o intercâmbio de conhecimentos, habilidades, experiências, desafios e soluções relacionados aos serviços educacionais e ao desenvolvimento infantil. Os autores apontam potencial para uma parceria mais harmoniosa. Isso não significa que toda oficina produzirá o mesmo efeito, mas indica que a colaboração pode ser trabalhada de forma intencional, em vez de depender apenas de contatos ocasionais (Halimah, 2026).
Os dois estudos tratam de contextos distintos, mas lembram que a atitude do educador não se forma em isolamento. Conhecer a criança, ouvir a família e examinar pressupostos da equipe pode ajudar a identificar barreiras que uma rotina automática deixaria passar. Ao mesmo tempo, a colaboração precisa respeitar as diferenças entre as pessoas e as condições de cada instituição.
Transições e mudanças institucionais pedem continuidade
Na Eslovênia, uma pesquisa sobre a passagem da Educação Infantil para a escolaridade obrigatória combinou questionários respondidos por 2.110 professores com grupos focais que reuniram 33 profissionais. As atividades de transição coordenadas pela escola e o apoio a crianças em situação de vulnerabilidade receberam avaliações mais altas; a articulação entre métodos de ensino da Educação Infantil e do primeiro ano recebeu a avaliação menos favorável. O estudo também encontrou relações entre colaboração em equipe e compartilhamento eficaz de informações, e entre iniciativas de transição conduzidas pela escola e coerência pedagógica (Licardo, 2026).
Os autores relatam implementação inconsistente, colaboração por vezes pontual e restrições legais ao compartilhamento de informações. Práticas bem-sucedidas estavam associadas à integração institucional e a uma liderança comprometida. Professores de áreas rurais e de instituições vinculadas a escolas avaliaram as transições como mais tranquilas. Esses resultados fazem pensar na importância de combinar acolhimento da criança com comunicação entre profissionais, sem presumir que a passagem entre etapas seja igual para todos.
Na Finlândia, profissionais refletiram sobre uma reforma legislativa voltada ao apoio ao desenvolvimento e à aprendizagem na Educação Infantil. A análise de 135 registros identificou temas ligados à comunidade e ao indivíduo, ao equilíbrio e desequilíbrio e à mudança como processo. O estudo destaca que uma transformação educacional ganha significado no âmbito coletivo e também cria novos significados para cada profissional (Syrjämäki, 2026). Assim, uma mudança formal pode ser vivida de maneiras diferentes na equipe e precisa ser compreendida como algo que chega à prática cotidiana, não apenas como uma decisão institucional.
Qualidade e políticas também afetam a prática do professor
Na Croácia, diferentes grupos — profissionais da Educação Infantil, acadêmicos e formuladores de políticas — participaram de uma pesquisa Delphi sobre a política educacional. Houve diferenças na avaliação da adequação das políticas e falta de consenso sobre o uso de profissionais substitutos sem qualificação. Os participantes concordaram sobre as obrigações do Estado relativas aos direitos das crianças e à acessibilidade do sistema, mas não chegaram a consenso sobre se a Educação Infantil deveria se adaptar prioritariamente às crianças, às famílias ou ao mercado de trabalho. O estudo destaca a necessidade de um marco mais robusto, com foco na equidade (Visković, 2026).
Esse estudo amplia o olhar: atitudes pedagógicas são importantes, mas não substituem decisões sobre acesso, qualificação e apoio institucional. Já uma investigação exploratória com profissionais experientes de centros Waldorf no Leste Asiático examinou como compreendiam e praticavam conceitos associados à Antroposofia. Os participantes identificaram como características da pedagogia Waldorf o desenvolvimento integral, a relação com a natureza, o exemplo e a imitação, além da contextualização local; várias dessas características contrariavam valores e práticas importantes da escolarização no contexto analisado (Ikegami, 2026). É um estudo sobre uma abordagem e um contexto específicos, não uma comparação que permita afirmar que uma pedagogia serve para todas as crianças.
O que os estudos dizem lado a lado?
A tabela resume o foco de cada estudo citado e seus resultados relatados. Ela facilita a comparação, mas não significa que pesquisas com métodos e contextos diferentes possam ser tratadas como se medissem a mesma coisa.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Anzano-Oto (2026) | Percepções e práticas sobre inovação e metodologias ativas. | Professores inovam, mas relatam falta de tempo, formação e recursos digitais. | Educação Infantil e Ensino Fundamental; país não indicado no resumo. |
| Fincham (2026) | Como docentes preservam valores da Educação Infantil em escolas de ensino fundamental. | Brincadeira, relações e diversidade orientam práticas; conexão com esses valores apoiou confiança e compromisso com justiça social. | Escolas públicas dos Estados Unidos. |
| Gao (2026) | Revisão sobre crenças e práticas relacionadas à criatividade. | Professores reconhecem sua importância; falta de apoio e formação aparece como obstáculo. | 20 estudos de diferentes contextos culturais; última década. |
| Grieshaber (2026) | Controle docente e uso de tecnologias digitais. | Relata hesitação inicial entre participantes e benefícios discutidos ao abrir espaço para uso independente e seguro. | Dez educadores da Educação Infantil na Austrália. |
| Kumador (2026) | Relação entre processos culturais, deficiência e práticas pedagógicas. | Examina como o medo da deficiência pode restringir aprendizagem e desenvolvimento. | Sete centros de Educação Infantil em Acra, Gana. |
| Halimah (2026) | Oficina de parceria entre professores e pais. | Relata intercâmbio de conhecimentos, experiências, desafios e soluções. | Educação Infantil; país não indicado no resumo. |
| Licardo (2026) | Perspectivas docentes sobre a transição para a escolaridade obrigatória. | Destaca atividades coordenadas e apoio à vulnerabilidade; articulação pedagógica foi avaliada menos favoravelmente. | Eslovênia; 2.110 respondentes e três grupos focais. |
| Syrjämäki (2026) | Mudanças percebidas após reforma de apoio à criança. | Identifica temas comunitários e individuais, de equilíbrio e de mudança como processo. | Finlândia; 135 registros reflexivos. |
| Visković (2026) | Perspectivas de atores sobre políticas de Educação Infantil. | Relata diferenças de avaliação e consenso sobre direitos e acessibilidade. | Croácia; profissionais, acadêmicos e formuladores de políticas. |
| Ikegami (2026) | Compreensão e práticas Waldorf em centros do Leste Asiático. | Identifica desenvolvimento integral, natureza, exemplo, imitação e contextualização. | Centros Waldorf de Educação Infantil no Leste Asiático. |
Quais pontos se repetem e onde os estudos divergem?
Um ponto recorrente é que os valores docentes não operam sozinhos. Criatividade, inovação e preservação da brincadeira dependem de apoio, formação, tempo, recursos e condições da instituição. Estudos sobre transição, parceria e políticas também mostram que a organização do trabalho e a colaboração interferem na possibilidade de sustentar práticas coerentes. Em vez de atribuir todo resultado à atitude individual, os estudos convidam a olhar para a relação entre convicções e contexto.
Outra aproximação está na importância de reconhecer a criança como participante: seja na discussão sobre autonomia digital, seja na atenção à diversidade e à inclusão, as decisões docentes envolvem equilibrar proteção, participação e aprendizagem. Mas os estudos não usam uma definição única de autonomia, inclusão ou qualidade. Cada um investiga uma questão própria, com métodos diferentes, e não é possível concluir que uma intervenção específica funcione igualmente em todos os contextos.
As diferenças também importam. A revisão sobre criatividade reúne estudos de várias culturas; a pesquisa sobre tecnologias é um estudo de caso australiano; a análise de deficiência se concentra em Gana; e os trabalhos sobre políticas e transição tratam de países europeus. O estudo Waldorf descreve uma abordagem particular no Leste Asiático. Esses recortes oferecem perguntas para comparar com a realidade brasileira, não respostas prontas para importar. Permanece em aberto como diferentes condições locais — formação, recursos, organização e expectativas das famílias — alteram a prática e a experiência das crianças.
Como levar essas ideias para a sala de aula?
As propostas abaixo são aplicações possíveis das questões levantadas pelos estudos; não são resultados comprovados por eles. Uma forma útil de começar é escolher uma situação real da rotina, examinar a decisão tomada e perguntar que valor ela expressa e que condições ajudariam a aprimorá-la.
1. Observe uma escolha cotidiana antes de tentar mudá-la
Aplicação: durante uma brincadeira, registre mentalmente quando você intervém, quando espera e o que a criança consegue fazer por iniciativa própria. Por exemplo, diante de blocos que não se encaixam, você pode oferecer uma solução imediata ou fazer uma pergunta aberta e aguardar. O objetivo não é sempre escolher a segunda opção; é perceber como sua intervenção responde à necessidade daquela criança e ao propósito da atividade. Essa observação ajuda a transformar uma atitude ampla — como valorizar autonomia — em uma decisão concreta que pode ser discutida com a equipe.
2. Planeje uma oportunidade de criação com materiais simples
Aplicação: proponha que as crianças inventem usos para objetos seguros e adequados à idade, sem exigir um produto idêntico para todos. Imagine um grupo construindo caminhos para brinquedos com blocos e peças reutilizáveis. O professor acompanha, observa estratégias e oferece apoio quando necessário. A revisão sobre criatividade indica que reconhecê-la como importante não basta: falta de preparo e de apoio aparece como obstáculo. Por isso, vale começar pequeno, compartilhar a proposta com colegas e refletir sobre quais condições facilitaram ou dificultaram a participação.
3. Faça da inclusão uma conversa sobre barreiras observáveis
Aplicação: em uma reunião de equipe, escolha uma rotina e pergunte quem consegue participar com facilidade e o que pode estar criando barreiras. Em vez de atribuir uma dificuldade a uma característica da criança sem investigação, descreva o que acontece no ambiente e considere diferentes formas de participação. A pesquisa feita em Gana chama atenção para a influência de crenças culturais nas práticas relacionadas à deficiência. No Brasil, uma aplicação cuidadosa é examinar os próprios pressupostos, ouvir profissionais e famílias e buscar os apoios adequados, sem copiar interpretações culturais de outro país.
4. Transforme a conversa com famílias em troca de conhecimentos
Aplicação: proponha um encontro com um tema delimitado da rotina, como estratégias que ajudam a criança a participar de uma atividade. Em vez de apresentar a reunião como uma palestra unilateral, reserve espaço para que responsáveis compartilhem observações e dúvidas e para que a equipe exponha seus desafios. O estudo sobre oficinas de parceria relata intercâmbio de experiências e soluções em um formato organizado. Uma versão simples pode incluir um objetivo claro, tempo de escuta e um encaminhamento combinado. Isso não elimina diferenças de opinião, mas pode tornar a comunicação mais concreta e respeitosa.
5. Converse com a próxima etapa antes da transição
Aplicação: se as crianças estão prestes a mudar de etapa, combine uma conversa entre profissionais sobre rotinas, estratégias de acolhimento e informações relevantes para apoiar a continuidade. Imagine que a equipe da Educação Infantil e a do primeiro ano definam juntas como receber perguntas das crianças e como conversar com as famílias. O estudo esloveno encontrou avaliações menos favoráveis para a articulação entre métodos pedagógicos e associações entre colaboração, compartilhamento de informações e coerência. No Brasil, qualquer troca deve observar as regras e os procedimentos locais de proteção de dados e a necessidade de compartilhar apenas informações pertinentes.
6. Experimente autonomia digital com limites claros
Aplicação: se houver dispositivos disponíveis e apropriados, planeje uma experiência breve, acompanhada e compatível com a faixa etária. Antes, combine regras de segurança compreensíveis e observe como cada criança lida com o recurso; depois, converse sobre o que fazer diante de dúvidas. O caso australiano não recomenda uso sem supervisão: descreve o desafio de equilibrar controle, segurança e oportunidades para aprender de forma independente. Se a instituição não dispõe de tecnologia ou de condições para uso seguro, não há razão para transformar esse exemplo em obrigação.
7. Separe a intenção pedagógica das condições que faltam
Aplicação: ao avaliar uma proposta que não avançou, identifique o que dependia da sua decisão e o que exigia apoio institucional. Por exemplo, uma atividade criativa pode ter sido interrompida não por falta de interesse, mas por falta de tempo para preparar materiais ou de alinhamento da equipe. Pesquisas sobre inovação e criatividade apontam desafios de tempo, formação e apoio. Nomear a barreira com clareza pode orientar um pedido concreto à coordenação ou uma adaptação possível, sem transformar todo obstáculo em falha pessoal do professor.
O que muda quando pensamos no contexto brasileiro?
Os estudos citados foram realizados em diferentes países e não descrevem diretamente a educação infantil brasileira. As regras, os recursos, a formação profissional, a organização das instituições e as relações com as famílias podem ser diferentes. Por isso, resultados sobre políticas australianas, leis finlandesas ou transições eslovenas devem ser entendidos como referências para formular perguntas, e não como instruções que se transferem automaticamente para uma escola daqui.
Mesmo assim, há temas que merecem reflexão local: como proteger o brincar diante de pressões por padronização; que apoio os educadores recebem para desenvolver criatividade; como as equipes enfrentam barreiras à participação de crianças com deficiência; e de que modo famílias e profissionais compartilham conhecimentos. O estudo sobre crenças culturais em Gana é um lembrete para examinar o contexto com cuidado, não para atribuir aos professores brasileiros os mesmos pressupostos encontrados naquele cenário.
Na prática, pode ser mais proveitoso comparar a pergunta do estudo com a realidade da própria instituição. Por exemplo: há tempo para planejar em conjunto? A criança participa das decisões de modo adequado à sua idade? A comunicação na transição respeita a privacidade e as regras locais? As famílias são ouvidas? Essas perguntas não pressupõem uma resposta igual para todas as redes, mas ajudam a discutir atitudes docentes sem perder de vista as condições reais de trabalho.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis na fonte indicada, não na leitura integral dos artigos. Os resumos oferecem informações sobre objetivos, métodos e resultados, mas não permitem examinar em profundidade instrumentos, procedimentos completos, limites metodológicos ou todos os detalhes de análise. Também reúnem pesquisas de países, etapas e abordagens diferentes, de modo que os resultados não devem ser tratados como uma única conclusão universal sobre professores da Educação Infantil.
Ficam abertas perguntas importantes: como as atitudes docentes se relacionam com experiências concretas de crianças no Brasil? Quais práticas funcionam em instituições com recursos diferentes? Como a formação continuada e o apoio da gestão podem responder às barreiras observadas? Para decidir uma política, adotar uma intervenção ou avaliar uma proposta com mais precisão, faz sentido consultar os estudos completos, verificar seus métodos e analisar como o contexto pesquisado se aproxima — ou se distancia — da realidade em que se pretende agir.
Como o GeraProva pode ajudar com este assunto?
Atitudes pedagógicas também aparecem na maneira de observar o que as crianças compreenderam e de planejar próximos passos. Para professores que precisam criar instrumentos de avaliação ou atividades de revisão, o gerador de provas do GeraProva pode ajudar a organizar uma primeira versão com IA, que deve ser conferida e adaptada à idade, aos objetivos e às condições do grupo. Você pode conhecer a plataforma pelo cadastro grátis; ela não substitui a observação cotidiana nem a decisão profissional do educador.
Perguntas frequentes sobre atitudes de professores da educação infantil
As atitudes do professor determinam o desenvolvimento da criança?
Os estudos reunidos não afirmam que uma atitude isolada determine o desenvolvimento. Eles investigam práticas relacionadas a temas como criatividade, inclusão, autonomia digital, transição escolar e parceria com famílias. Em vários deles, as escolhas docentes aparecem junto a condições institucionais, como formação, tempo, recursos e apoio. Uma leitura prudente é que atitudes podem orientar oportunidades e relações na rotina, mas não explicam sozinhas todos os resultados. O desenvolvimento infantil também acontece em contextos diversos, e os estudos aqui citados não testam uma causa única que permita prever o percurso de cada criança.
Valorizar o brincar significa deixar as crianças fazerem tudo sem intervenção?
Não. O estudo realizado nos Estados Unidos destaca a brincadeira e as relações como valores da Educação Infantil que docentes buscavam preservar diante de pressões por padronização. Isso não equivale a afirmar que o professor deva se afastar da brincadeira ou deixar de organizar o ambiente. Como aplicação, vale observar quando uma intervenção amplia a exploração e quando interrompe uma iniciativa sem necessidade. A decisão depende do grupo, da situação e do propósito pedagógico. Os resumos analisados não oferecem uma regra universal sobre o momento exato de intervir.
Como posso promover criatividade sem materiais especiais?
A revisão sobre criatividade aponta que professores, em geral, reconhecem sua importância, mas podem enfrentar falta de formação e de apoio de gestores e familiares. Ela não indica que a criatividade dependa de um tipo específico de material. Uma possibilidade de aplicação é propor desafios abertos com objetos seguros já disponíveis e observar as soluções que as crianças inventam. Compartilhar a proposta com colegas pode ajudar a identificar adaptações e barreiras. Essa sugestão é uma forma prática de explorar o tema, não uma atividade cuja eficácia tenha sido testada pelos estudos citados como conjunto.
Como equilibrar segurança e autonomia no uso de tecnologias?
O estudo australiano relata um dilema entre oferecer proteção e permitir que crianças aprendam a usar tecnologias de modo independente e seguro. Os educadores discutiram benefícios de abrir mão de parte do controle, apoiando a experiência com base no conhecimento de cada criança e nas práticas da sala. Isso não significa deixar a criança sem acompanhamento. Como aplicação, o professor pode definir limites compreensíveis, acompanhar a experiência e conversar sobre segurança. A decisão depende dos recursos, das regras locais e das condições do grupo; o estudo não fornece uma orientação universal para todo dispositivo ou idade.
O que fazer quando as famílias participam pouco?
O resumo do estudo sobre parceria observa que professores podem enfrentar dificuldades para envolver pais em atividades relacionadas à parentalidade. A pesquisa examinou uma oficina em três etapas e relata que o trabalho em equipe favoreceu o intercâmbio de conhecimentos, experiências, desafios e soluções. Isso oferece uma possibilidade, não uma garantia de participação em qualquer instituição. Como aplicação, pode ajudar propor encontros com tema claro, escuta das famílias e espaço para discutir dificuldades práticas, em vez de limitar a comunicação a avisos. Também é importante considerar horários, formas de contato e condições que podem dificultar a presença de responsáveis.
Posso aplicar diretamente resultados de pesquisas feitas em outros países?
É melhor usá-los como ponto de reflexão, não como receita pronta. Os estudos citados foram realizados em contextos como Austrália, Estados Unidos, Eslovênia, Finlândia, Croácia, Gana e Leste Asiático, além de pesquisas cujo resumo não informa o país. Regras, formação, recursos e organização institucional podem variar em relação ao Brasil. Antes de adaptar uma prática, considere o que o estudo realmente investigou, o que muda no seu contexto e quais apoios estão disponíveis. Para uma decisão institucional ou uma intervenção específica, consulte o artigo completo e discuta a pertinência com a equipe.
Referências
- Anzano-Oto, S. et al. (2026). Inovação, metodologias ativas e transformação educacional: uma análise qualitativa das percepções dos professores (Innovation, Active Methodologies, and Educational Transformation: A Qualitative Analysis of Teachers' Perceptions). Improving Schools. Link.
- Fincham, E. et al. (2026). Salvaguardando os valores da educação infantil nas salas de aula do ensino fundamental nos Estados Unidos: uma investigação centrada na fotovoz sobre as crenças e práticas docentes (Safeguarding ECE Values in Elementary School Classrooms in the United States: A Photovoice-Centered Inquiry of Teachers' Beliefs and Practices). Global Education Review. Link.
- Gao, Q.; Hall, A. (2026). Crenças de professores da Educação Infantil sobre criatividade e práticas para promovê-la: uma revisão da literatura recente (Early Childhood Teachers' Beliefs about Creativity and Practices for Fostering Creativity: A Review of Recent Literature). Early Childhood Education Journal. Link.
- Grieshaber, S.; Caughey, J. (2026). Tecnologias digitais e “controle” do educador da Educação Infantil (Digital Technologies and Early Childhood Educator 'Control'). Australian Educational Researcher. Link.
- Kumador, D. K.; Muthivhi, A. E. (2026). Desvelando regularidades culturais subjacentes à pedagogia de educandos com deficiência (Uncovering Cultural Regularities Underpinning the Pedagogy of Learners with Disabilities). South African Journal of Childhood Education. Link.
- Halimah, L. et al. (2026). Estratégias para otimizar a parceria: oficina sobre trabalho em equipe para professores e pais na educação infantil (Strategies for Optimizing Partnership: Workshop on Teamwork for Teachers and Parents in Early Childhood Education). International Journal of Early Years Education. Link.
- Licardo, M.; Vršnik Perše, T. (2026). Transições da educação infantil para o ensino fundamental na Eslovênia: o que podemos aprender com as perspectivas dos professores da educação infantil? (Transitions from ECE to Primary School in Slovenia: What Can We Learn from Perspectives of ECE Teachers?). Early Childhood Education Journal. Link.
- Syrjämäki, M.; Heiskanen, N. (2026). Algo antigo, algo novo, algo emprestado: percepções de profissionais da Educação Infantil sobre a mudança cultural e as práticas emergentes no âmbito da reforma legislativa sobre o apoio à criança (Something Old, Something New, Something Borrowed: Early Childhood Education Professionals' Perceptions of Changing Culture and Emerging Practices within the Legislative Reform on Child Support). Journal of Research in Special Educational Needs. Link.
- Visković, I.; Višnjić-Jevtić, A. (2026). Caminhos para uma política educacional sustentável: perspectivas de diferentes atores da educação infantil (Path to Sustainable Educational Policy: Perspectives of Early Childhood Education Stakeholders). International Journal of Child Care and Education Policy. Link.
- Ikegami, K.; Morrison, K.; Sio, K. A. (2026). Educação Infantil Waldorf: do Ocidente ao Oriente (Waldorf Early Childhood Education: From the West to the East). Compare: A Journal of Comparative and International Education. Link.
Se alguma dessas perguntas apareceu na sua rotina, escolha uma situação pequena para observar e conversar com a equipe. Às vezes, uma mudança começa por olhar com mais atenção para uma decisão de todos os dias.
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