Apps e tablets na alfabetização: mediação pedagógica e acesso fazem diferença
Apps e dispositivos móveis podem apoiar práticas de leitura e escrita quando há mediação pedagógica, mas acesso e qualidade dos recursos importam. Veja o que estudos recentes indicam para a sala de aula.
Apps e tablets podem apoiar a leitura e a escrita com atividades interativas, prática e aproximação entre escola e família. A pesquisa também aponta que os resultados dependem de mediação pedagógica adequada, acesso aos dispositivos e à internet e qualidade dos recursos. Por isso, a tecnologia funciona melhor como apoio ao ensino, não como substituta do trabalho do professor.
Um aplicativo não alfabetiza sozinho: o que faz diferença é como a atividade digital se conecta à mediação do professor e às condições reais de acesso. Pesquisas recentes sobre leitura e escrita apontam tanto possibilidades pedagógicas quanto limites que não podem ser resolvidos apenas escolhendo uma ferramenta.
Isso muda a pergunta prática. Em vez de perguntar se tablet é bom ou ruim para alfabetizar, vale observar o que a criança faz com o recurso, que conversa o professor promove e se todas as crianças conseguem participar. Os estudos reunidos aqui investigam desde aplicativos de histórias e mensagens para famílias até experiências de aprendizagem móvel em turmas brasileiras.
O que são programas computacionais e dispositivos portáteis no ensino de leitura e escrita e por que isso importa para o professor?
São recursos digitais usados em celulares, tablets ou outros dispositivos para apoiar atividades ligadas à linguagem: aplicativos de histórias, jogos, vídeos, ferramentas de interação e mensagens que orientam práticas de literacia em casa. Na rotina escolar, podem aparecer numa leitura compartilhada, numa atividade de vocabulário, numa proposta enviada à família ou numa tarefa de retomada e prática.
O ponto importante é que “usar tecnologia” não descreve uma única prática. Um aplicativo pode apresentar palavras novas em uma história; outro pode servir de espaço para exercícios; uma mensagem de texto pode ajudar a família a incluir conversas sobre leitura no cotidiano. O professor continua tomando decisões sobre objetivo, sequência, apoio e acompanhamento. A tela é um meio, não uma proposta pedagógica completa.
Esse tema importa porque os recursos não são iguais em qualidade, acessibilidade ou custo. Também porque ter um celular disponível não garante internet estável, dispositivo adequado ou familiaridade para participar. A pesquisa oferece pistas para selecionar recursos com intenção e pensar em alternativas quando a tecnologia não está ao alcance de todos.
O que a pesquisa recente mostra sobre apps, tablets e alfabetização?
Os estudos não apresentam uma resposta única para todas as idades e contextos. Em conjunto, investigam a qualidade de aplicativos de leitura, o uso de ferramentas móveis em turmas de alfabetização brasileiras, a experiência de estudantes com aplicativos e a comunicação com famílias por mensagens. Três ideias se destacam: a qualidade do conteúdo varia, a mediação faz parte da experiência e o acesso precisa ser considerado desde o planejamento.
Aplicativos de histórias podem variar em qualidade e custo
Uma análise de conteúdo examinou 70 aplicativos de livros de histórias para a pré-escola mais vendidos nos Estados Unidos. Os pesquisadores observaram três dimensões: a proporção de palavras novas apresentadas às crianças, o alinhamento entre recursos digitais e essas palavras e a representação de personagens diversos. O estudo encontrou uma relação positiva entre o custo dos aplicativos e as três dimensões analisadas (Bruner, 2025).
Esse resultado não significa que todo aplicativo caro seja bom ou que uma opção gratuita seja inadequada. O que a pesquisa relata é uma associação entre preço e indicadores específicos de qualidade no conjunto analisado. Para o professor, a questão é não usar o valor comercial como atalho para julgar se um recurso contribui para a leitura. Vale observar o vocabulário, a relação entre imagem, som e palavra e quem aparece nas histórias.
Os autores também destacam uma preocupação: diferenças de custo podem criar barreiras para o acesso a aplicativos de maior qualidade e, assim, ampliar desigualdades em vez de reduzi-las. A análise foi feita com aplicativos populares nos Estados Unidos e voltados à pré-escola, por isso não permite concluir que o mercado brasileiro se comporte da mesma forma. Ainda assim, ajuda a formular uma pergunta útil: a proposta escolhida está disponível para todas as crianças que precisam dela?
Na alfabetização, ferramenta móvel precisa de mediação e acesso
Uma pesquisa brasileira investigou desafios e potencialidades da aprendizagem móvel durante o ensino remoto da pandemia. O estudo acompanhou duas turmas de 1º ano de uma escola pública do Distrito Federal, com 26 crianças de aproximadamente 6 e 7 anos, no primeiro semestre de 2021. O foco foi a apropriação do sistema de escrita alfabética em atividades mediadas por recursos digitais (Viana, 2023).
Os resultados relatam potencial nas atividades com ferramentas educacionais, plataformas de interação, jogos, vídeos, músicas e histórias interativas quando havia intervenções e mediações pedagógicas adequadas. A pesquisa não transforma o período remoto em modelo ideal: registra desafios importantes, como dificuldade de acesso à internet, falta de dispositivos e fragilidades formativas relacionadas ao uso das tecnologias digitais de informação e comunicação.
Para quem trabalha hoje com crianças, esse estudo brasileiro oferece uma contribuição situada: mostra a tecnologia dentro de uma experiência concreta de alfabetização, mas em condições excepcionais de ensino remoto. O achado central não é que um aplicativo específico garanta aprendizagem; é que atividades móveis podem ter potencial pedagógico quando acompanhadas de intervenção docente e quando as condições de participação existem.
O uso móvel pode apoiar prática, interação e autonomia
Um estudo narrativo ouviu dez estudantes do ensino médio sobre a aprendizagem por aplicativos móveis. Os participantes relataram experiências de aprendizagem em diferentes momentos e espaços, exercícios de fixação e prática, discussão entre pares e autorregulação. Os aplicativos também foram associados a espaços de aprendizagem personalizados, flexíveis e interativos, nos quais os estudantes podiam assumir maior controle dos estudos (Lestari, 2026).
Esse trabalho não é um estudo de alfabetização inicial, nem avalia diretamente a aprendizagem de leitura e escrita. Sua contribuição para o tema é mais delimitada: ajuda a pensar como estudantes usam aplicativos e como a prática digital pode se combinar com interação e autonomia. Os autores também relatam que a dependência de exercícios conduzidos pelo professor continuava presente em parte das experiências, enquanto alguns aspectos apontavam para possibilidades de integração mais transformadoras.
Outra pesquisa desenvolveu um drama digital em aplicativo para apoiar o vocabulário de estudantes de escolas secundárias religiosas da Malásia que aprendiam árabe. O material foi construído com o modelo ADDIE e avaliado por seis especialistas. Com base na validação e nas opiniões recebidas, o recurso foi considerado válido e eficaz quanto à adequação do formato e dos elementos gráficos para apoiar o ensino de vocabulário (Alkasirah, 2026).
O caso não testa alfabetização em português nem crianças em início de escolarização. Ele indica, porém, que a concepção do material importa: um recurso digital pode ser desenvolvido para uma finalidade linguística definida, em vez de apenas transferir conteúdo para uma tela. A validação relatada é uma avaliação do recurso por especialistas; não equivale, por si só, a uma comprovação de efeitos duradouros na aprendizagem de todos os contextos.
Mensagens às famílias podem aproximar práticas de casa e escola
O estudo sobre o programa Kindytxt examinou as experiências e percepções de pais participantes de um programa de mensagens de texto voltado à literacia na educação infantil. Os resultados indicam que mensagens oportunas, acessíveis e fáceis de compreender foram relatadas como apoio para incorporar práticas de literacia às rotinas diárias. Os participantes também associaram o programa à possibilidade de lidar com barreiras como acesso limitado a informações da escola e dificuldade para iniciar atividades em casa (Binns, 2026).
Esse tipo de recurso amplia o olhar para além do tablet da criança: um celular pode ser ferramenta de comunicação entre escola e família. A pesquisa aborda percepções e experiências dos pais, e não permite tratar mensagens de texto como solução automática para qualquer dificuldade. A utilidade depende de uma comunicação que faça sentido na rotina familiar, seja compreensível e dialogue com as práticas de literacia valorizadas pela escola.
Juntos, esses trabalhos sugerem que vale pensar em ecossistema, não em tela isolada. Uma história digital pode ser lida com mediação; uma tarefa pode gerar conversa entre colegas; uma mensagem pode orientar uma prática familiar. A tecnologia ganha função educativa quando há propósito, acompanhamento e condições concretas para participar.
O que os estudos sobre aplicativos e alfabetização investigaram lado a lado?
A tabela compara os estudos citados e deixa visível que eles não respondem à mesma pergunta. Alguns analisam recursos e percepções; outros descrevem experiências de aprendizagem. A comparação ajuda a evitar uma conclusão apressada de que todos testaram o mesmo tipo de aplicativo ou mediram diretamente a alfabetização.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Bruner, 2025 | Relação entre preço e qualidade de aplicativos de histórias para crianças. | Relação positiva do custo com indicadores de palavras novas, recursos digitais alinhados e diversidade de personagens; aponta barreiras econômicas potenciais. | 70 aplicativos mais vendidos para pré-escola nos Estados Unidos. |
| Viana, 2023 | Desafios e potencialidades da aprendizagem móvel em turmas de alfabetização no ensino remoto. | Relata potencial das atividades mediadas por ferramentas digitais com mediação adequada, junto a dificuldades de acesso, dispositivos e formação. | Duas turmas de 1º ano de escola pública do Distrito Federal, Brasil; 26 crianças, em 2021. |
| Lestari, 2026 | Experiências de estudantes do ensino médio que aprendem por aplicativos móveis. | Relata aprendizagem flexível, prática, discussão entre pares e autorregulação; aponta permanência de exercícios conduzidos por professor. | Dez estudantes do ensino médio; país não informado no resumo. |
| Alkasirah, 2026 | Desenvolvimento e validação de drama digital móvel para vocabulário de árabe. | Especialistas consideraram o recurso válido e adequado em formato e elementos gráficos para uso didático. | Escolas secundárias religiosas da Malásia; seis especialistas avaliaram o recurso. |
| Binns, 2026 | Experiências de pais com programa de mensagens de texto sobre literacia na educação infantil. | Pais relataram que mensagens acessíveis e oportunas ajudaram a incorporar práticas de literacia em rotinas diárias. | Programa Kindytxt; país e número de participantes não informados no resumo. |
Quais pontos em comum e divergências aparecem nos estudos?
O ponto comum mais consistente é que a tecnologia não funciona separada das relações pedagógicas. No estudo brasileiro, as atividades móveis aparecem com potencial quando há mediação adequada; no estudo sobre mensagens, a comunicação é valorizada por apoiar práticas familiares; e os estudos de aplicativos destacam a importância de pensar conteúdo, formato e uso, não apenas o dispositivo.
Também há uma tensão entre possibilidade e desigualdade. Aplicativos podem oferecer histórias, prática ou interações flexíveis, mas o custo pode se associar a diferenças de qualidade, e a falta de conexão ou de aparelhos pode excluir estudantes. O acesso, portanto, não é um detalhe logístico posterior: interfere em quem participa e em que condições.
As pesquisas divergem no tipo de evidência e no público. A análise de aplicativos observa características de produtos; Viana acompanha uma experiência de alfabetização no ensino remoto; Lestari investiga narrativas de adolescentes; Binns examina percepções de pais; Alkasirah relata desenvolvimento e validação de um recurso de vocabulário. Não é correto colocar esses resultados como se fossem uma comparação direta de eficácia entre aplicativos.
Permanece em aberto quanto cada tipo de ferramenta contribui para resultados de leitura e escrita ao longo do tempo, quais recursos funcionam melhor para objetivos específicos e como garantir acesso equitativo. Os estudos reunidos não oferecem uma classificação universal de aplicativos. O professor precisa combinar evidências disponíveis com observação do grupo, objetivo da atividade e condições da escola.
Como aplicar essas ideias de apps e tablets na sala de aula?
Na prática, a pesquisa recomenda prudência e intenção, não a adoção de uma ferramenta específica. As propostas abaixo são aplicações possíveis inspiradas nos estudos, e não resultados testados por eles. Em cada caso, o professor pode ajustar a atividade à idade, ao objetivo de leitura e escrita e aos recursos realmente disponíveis.
1. Escolha o objetivo antes de escolher o aplicativo
Uma forma de usar isso em sala é definir primeiro o que a turma vai fazer com a linguagem: acompanhar uma história, conversar sobre palavras novas, recontar uma narrativa ou praticar uma escrita. Imagine uma turma que vai ouvir uma história digital; o professor pode selecionar uma ou duas palavras para explorar antes e depois da leitura, em vez de deixar a criança apenas percorrer telas. Essa proposta aplica a atenção à qualidade do conteúdo destacada por Bruner, sem presumir que o aplicativo escolhido produza determinado resultado.
2. Observe a relação entre texto, imagem e interação
Uma forma de aplicar o estudo sobre aplicativos de histórias é verificar se som, imagem, animação e palavra trabalham na mesma direção. Por exemplo, diante de uma história com recurso de áudio, a turma pode ouvir um trecho, pausar e conversar sobre como uma palavra se relaciona com a cena. Se a interação distrai do sentido do texto, o professor pode limitar o uso daquela função. A análise é uma decisão pedagógica do docente, não uma regra universal sobre recursos multimídia.
3. Planeje alternativas para quem não tem aparelho ou conexão
Uma forma de usar a experiência brasileira é planejar a atividade sem pressupor que cada estudante tenha dispositivo, internet ou um espaço adequado em casa. Imagine uma tarefa de leitura que possa ser feita em grupo com um aparelho disponível na escola e também realizada em versão oral ou impressa. Essa alternativa não elimina a desigualdade de acesso, mas evita que a participação dependa exclusivamente de condições domésticas que a escola não controla.
4. Faça da mediação uma parte visível da atividade
Uma forma de aplicação é prever o que o professor fará antes, durante e depois do uso do recurso. Antes, pode apresentar a pergunta que orienta a escuta; durante, circular e observar dúvidas; depois, abrir espaço para as crianças explicarem o que entenderam. Imagine um pequeno grupo usando uma história interativa: o adulto pode perguntar por que a personagem escolheu determinada palavra ou ação. A pesquisa de Viana associa potencial às atividades mediadas, não ao simples acesso à ferramenta.
5. Use o digital para abrir conversa entre estudantes
Uma forma de experimentar a possibilidade de interação relatada em estudos de aprendizagem móvel é organizar duplas para comparar interpretações de uma história ou palavras de um texto. Imagine que duas crianças escutem a mesma narrativa e escolham cenas diferentes para recontar: podem explicar suas escolhas oralmente antes de registrar uma frase. Essa sugestão transforma o aplicativo em ponto de partida para linguagem compartilhada, mas não afirma que a pesquisa com estudantes do ensino médio tenha testado esse formato na alfabetização inicial.
6. Convide as famílias com orientações simples e possíveis
Uma forma de aplicar as pistas do estudo sobre mensagens é enviar uma sugestão curta de conversa sobre leitura, sem exigir que a família baixe um aplicativo ou compre um material. Por exemplo, a mensagem pode convidar o adulto a pedir à criança que conte uma parte de uma história ou nomeie algo que chamou atenção durante o dia. É importante considerar horários, linguagem acessível e diferentes rotinas familiares. A proposta não deve virar cobrança nem presumir que todas as famílias tenham as mesmas condições.
7. Observe o que a criança faz, não só se concluiu a tarefa
Uma forma de aplicar o olhar dos estudos é observar as estratégias da criança: ela volta ao trecho, pede ajuda, conversa, tenta reconhecer palavras ou depende apenas de instruções na tela? Imagine uma atividade de reconto em que o professor anota quais apoios ajudaram cada grupo a participar. Essas observações podem orientar o próximo passo pedagógico. Elas não substituem uma avaliação planejada, mas evitam reduzir a aprendizagem a tempo de tela ou quantidade de etapas concluídas.
O que muda ao pensar em apps de alfabetização no contexto brasileiro?
No Brasil, a pesquisa de Viana é especialmente pertinente porque acompanhou turmas de alfabetização de uma escola pública do Distrito Federal. Ela descreve uma situação de ensino remoto emergencial durante a pandemia, com uso de ferramentas digitais e atividades como jogos, vídeos, músicas e histórias interativas. Os resultados ressaltam o potencial de propostas mediadas, mas também registram dificuldades de internet, dispositivos e formação para o uso das tecnologias.
Esse contexto impede duas simplificações. A primeira seria transformar uma experiência de ensino remoto em recomendação para que toda alfabetização seja digital. A segunda seria supor que a disponibilidade de celulares na sociedade significa acesso educacional garantido. Mesmo quando há algum aparelho, pode haver compartilhamento, limitações de conexão ou dificuldade para acompanhar atividades on-line. O planejamento precisa considerar essas diferenças sem responsabilizar as famílias.
Os estudos de outros países também oferecem pistas, não receitas prontas. A análise de aplicativos comerciais foi feita nos Estados Unidos; a validação do drama digital ocorreu em escolas secundárias religiosas da Malásia; e o estudo narrativo sobre aplicativos móveis trata de estudantes do ensino médio, sem informar no resumo o país. Idade, idioma, currículo, mercado de aplicativos e organização escolar variam. No Brasil, o professor deve verificar se o conteúdo é adequado ao português e às referências culturais da turma, sem presumir que um recurso validado em outro contexto terá o mesmo uso aqui.
Também vale pensar em alternativas de baixo custo e em atividades compartilhadas, especialmente se a ferramenta depender de assinatura ou de um modelo específico de aparelho. Isso é uma aplicação prudente diante das questões de custo e acesso apontadas pelos estudos, e não uma política ou solução comprovada por eles. A prioridade é assegurar que o objetivo de leitura e escrita continue possível mesmo quando a tecnologia falha ou não está disponível para todos.
Quais são os limites desta leitura sobre tecnologia e alfabetização?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes, não na leitura integral de cada pesquisa. Os trabalhos têm perguntas, públicos e métodos diferentes; alguns investigam percepções ou características de recursos, enquanto outros descrevem experiências ou validam um material. Por isso, as conclusões devem ser lidas dentro do contexto de cada estudo, sem convertê-las em prova de que qualquer aplicativo melhora a alfabetização.
Ficam em aberto perguntas importantes: quais mudanças se mantêm depois que uma intervenção termina? Que recursos ajudam em objetivos específicos de leitura e escrita em português? Como comparar opções gratuitas e pagas sem confundir popularidade, aparência e qualidade pedagógica? E que formatos de mediação funcionam em turmas com diferentes condições de acesso? Os resumos não permitem responder a todas essas questões nem estabelecer uma lista definitiva de aplicativos recomendados.
Faz sentido consultar os estudos completos quando a escola pretende adotar uma ferramenta em larga escala, quando é preciso conhecer detalhes do procedimento ou quando se quer avaliar a adequação a um público específico. Também é importante buscar informações adicionais sobre privacidade, acessibilidade e condições de uso do produto escolhido: esses aspectos devem entrar na decisão escolar, embora não sejam resultados apresentados por todos os estudos aqui citados.
Como o GeraProva ajuda com o ensino de leitura e escrita?
Ao planejar uma sequência com leitura digital, o professor pode precisar transformar objetivos em perguntas de compreensão, atividades de vocabulário ou instrumentos de acompanhamento. O GeraProva pode ajudar a elaborar provas e atividades com apoio de IA, que devem ser revisadas e ajustadas pelo docente ao texto trabalhado e à turma. Conheça o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.
Perguntas frequentes sobre apps, tablets e alfabetização
Tablets ajudam crianças a aprender a ler e escrever?
Os estudos não autorizam uma resposta universal. A pesquisa brasileira sobre turmas de alfabetização no ensino remoto relata potencial em atividades mediadas por ferramentas digitais, jogos, vídeos, músicas e histórias interativas, junto a desafios de acesso e formação (Viana, 2023). Já a análise de aplicativos de histórias observou diferenças em indicadores de conteúdo e diversidade, associadas ao custo (Bruner, 2025). Em termos práticos, tablet pode apoiar uma proposta quando o objetivo está claro e o professor acompanha a atividade. O dispositivo, sozinho, não garante aprendizagem nem substitui a mediação.
Como escolher um aplicativo de leitura para a turma?
Comece pelo objetivo pedagógico e examine o que a criança realmente fará: ler ou ouvir uma história, explorar palavras, conversar sobre personagens ou produzir um reconto. A análise de 70 aplicativos de histórias encontrou relação entre custo e indicadores de qualidade, mas não estabelece que preço alto seja garantia de qualidade ou que opções gratuitas sejam sempre inferiores (Bruner, 2025). Observe se os recursos digitais se relacionam com as palavras e com a narrativa e se há diversidade nas histórias. Depois, verifique se a ferramenta funciona nas condições de acesso da escola e da turma.
É melhor usar um aplicativo ou uma atividade sem tecnologia?
Os estudos citados não oferecem uma regra de que uma modalidade seja sempre superior. A experiência brasileira relata potencial da aprendizagem móvel quando há intervenções e mediações pedagógicas adequadas, ao mesmo tempo que descreve barreiras de acesso a dispositivos e internet (Viana, 2023). A escolha pode depender do objetivo: uma história digital pode oferecer uma forma de escuta e interação, enquanto uma conversa presencial pode ser mais acessível ou adequada em outra situação. Uma aplicação sensata é comparar o que cada formato permite fazer e manter uma alternativa para quem não consegue participar digitalmente.
Como envolver as famílias sem aumentar a cobrança?
Uma possibilidade é enviar orientações curtas, compreensíveis e viáveis, que convidem a conversar sobre histórias e palavras no cotidiano, sem exigir compra de materiais ou instalação de aplicativos. No estudo sobre o Kindytxt, pais relataram que mensagens oportunas e acessíveis os ajudaram a incorporar práticas de literacia às rotinas diárias e a lidar com dificuldades para iniciar atividades em casa (Binns, 2026). Isso não significa que mensagens funcionem igualmente para todas as famílias. A escola pode oferecer mais de uma forma de comunicação e evitar transformar a proposta em obrigação ou avaliação dos responsáveis.
O que fazer quando nem todos os estudantes têm internet ou aparelho?
Planeje desde o início uma opção que não dependa de conexão doméstica ou de um dispositivo individual. O estudo de turmas de alfabetização no Distrito Federal apontou dificuldades de acesso à internet e falta de dispositivos como desafios do ensino remoto, apesar do potencial das atividades mediadas (Viana, 2023). Na prática, a escola pode organizar o uso compartilhado de aparelhos, desenvolver uma etapa presencial equivalente ou oferecer uma atividade oral ou impressa. O essencial é não confundir a falta de acesso com falta de interesse da criança ou da família.
Os resultados de estudos feitos em outros países servem para escolas brasileiras?
Servem como pistas para formular perguntas, não como garantia de que o mesmo resultado ocorrerá no Brasil. Por exemplo, a pesquisa de Bruner analisou aplicativos populares nos Estados Unidos, e o estudo de Alkasirah desenvolveu um recurso de vocabulário árabe para estudantes de escolas secundárias religiosas da Malásia. Idioma, faixa etária, cultura, recursos disponíveis e organização escolar podem mudar a experiência. O estudo brasileiro de Viana oferece um contexto mais próximo para pensar desafios de acesso e mediação, mas descreve turmas específicas durante o ensino remoto da pandemia.
Referências dos estudos citados
- Bruner, Lori; Kucirkova, Natalia I. (2025). O preço da aprendizagem: avaliação do custo em relação à qualidade em aplicativos de leitura para crianças (The Price of Learning: Assessing Cost versus Quality in Children's Reading Apps). Literacy. Link.
- Viana, Emely Crystina da Silva; Maia, Hélio José Santos; Tabosa, Danielle Alves de Oliveira; Silva, Daniel Alves da; Mendonça, Fábio Lúcio Lopes de; Sousa Júnior, Rafael Timóteo de. (2023). Ensino remoto durante a pandemia de COVID-19: desafios e potencialidades do uso da aprendizagem móvel em turmas de alfabetização no Brasil (Remote Teaching during the COVID-19 Pandemic: Challenges and Potentialities of Using M-Learning in Literacy Classes in Brazil). International Association for Development of the Information Society. Link.
- Lestari, Nita; Winarsih, Murni; Kusumawardani, Dwi. (2026). Quando estudantes do ensino médio aprendem por meio de aplicativos móveis: um estudo narrativo à luz da Matriz de Integração da Tecnologia (When Secondary School Students Learn through Mobile Applications: A Narrative Study Reflected with the Technology Integration Matrix). Learning Environments Research. Link.
- Alkasirah, Nurul Azni Mhd; Mohamad, Mariam; Sanmugam, Mageswaran; Ramdas, Girija. (2026). Desenvolvimento de drama digital baseado em aplicativo móvel para o ensino da língua árabe, a fim de melhorar o vocabulário dos estudantes (Development of Mobile Application-Based Digital Drama for Arabic Language to Improve Students' Vocabulary). Journal of Education and Learning (EduLearn). Link.
- Binns, Amanda. (2026). Utilização do programa de mensagens de texto Kindytxt, baseado na literacia, pelos pais (Parents' Utilisation of the Literacy-Based Text Message Program Kindytxt). Journal of Early Childhood Literacy. Link.
Se você está planejando uma atividade de leitura com tecnologia, escolha um objetivo pequeno, observe como as crianças respondem e conte com uma alternativa acessível. Boa experiência — e que a ferramenta ajude a abrir mais conversas sobre leitura e escrita.
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