Duas jovens trabalham com entregas por aplicativo em uma metrópole brasileira. Camila é motoboy cadastrada em…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Caracterizar e analisar os impactos das transformações tecnológicas nas relações sociais e de trabalho próprias da contemporaneidade, promovendo ações voltadas à superação das desigualdades sociais, da opressão e da violação dos Direitos Humanos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Duas jovens trabalham com entregas por aplicativo em uma metrópole brasileira. Camila é motoboy cadastrada em uma plataforma de entregas de comida. Ela decide quando se conecta, mas a plataforma define o valor de cada corrida, distribui os pedidos por algoritmo e pode bloquear sua conta sem aviso prévio. Camila não tem carteira assinada, férias remuneradas nem seguro em caso de acidente. Em um dia de chuva, ela trabalhou 11 horas para obter a renda que pretendia. Bruna é operadora de caixa em um supermercado de médio porte, com contrato formal de 44 horas semanais, 13º salário, FGTS e férias, e recebe um salário fixo mensal. Em redes sociais, as duas costumam postar que 'trabalham por conta própria' e 'são donas do próprio tempo', mas a rotina de Camila é guiada por metas, avaliações de clientes e pelas regras da empresa de tecnologia. Com base no texto, responda: a) Compare a situação de trabalho de Camila com a de Bruna quanto à proteção trabalhista e à previsibilidade da renda. b) Explique por que a ideia de 'ser dona do próprio tempo', defendida nas redes sociais, pode ser contestada no caso de Camila, relacionando sua resposta à gestão algorítmica do trabalho. c) Indique uma consequência dessa forma de organização do trabalho para os jovens que entram no mercado de trabalho por meio dos aplicativos.
✍️ Questão dissertativa: veja abaixo a resposta esperada e a explicação.
Resposta esperada
a) Bruna tem vínculo formal, com direitos (13º, FGTS, férias, jornada definida) e renda fixa e previsível; Camila não tem esses direitos, assume os riscos e os custos da atividade e tem renda variável e incerta, dependente de demanda, clima e valores definidos pela plataforma. b) A autonomia é aparente: o algoritmo define preços e distribuição dos pedidos, avalia o desempenho e pode bloquear a conta, de modo que há subordinação indireta e controle sem contrato formal; a flexibilidade de horário exige jornadas longas para atingir a renda desejada. c) Os jovens tendem a ser inseridos precocemente em trabalho precarizado e sem proteção social, com insegurança de renda, ausência de aposentadoria e de formação profissional, o que reproduz a desigualdade e dificulta planejar o futuro.
Explicação
O texto contrasta o emprego formal de Bruna (44 horas, 13º, FGTS, férias, salário fixo) com a informalidade de Camila, cujo trabalho é controlado por algoritmo (valor das corridas, distribuição de pedidos, bloqueio), o que contradiz o discurso de autonomia e leva à precarização, que atinge principalmente jovens.
Raio-X da questão
Gestão algorítmica do trabalho e uberização
avaliacao
Direitos trabalhistas (CLT, FGTS, 13º salário) · Transformações tecnológicas e mercado de trabalho
Relações de trabalho em plataformas digitais
Aceitar 'dona do próprio tempo' sem considerar as metas e avaliações impostas pela plataforma.
Trabalho e tecnologia
Pensamento crítico
cotidiano
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