As construções custam caro e geram dívidas. De uma casa para um país, o salto é enorme. O crescimento…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
As construções custam caro e geram dívidas. De uma casa para um país, o salto é enorme. O crescimento econômico do Brasil quase sempre foi sustentado com base em endividamentos do Estado e das empresas privadas. Assim, a construção de infraestrutura urbano-industrial, além do financiamento da produção e do consumo, dependeu basicamente de empréstimos de curto, médio e longo prazos. Deste modo, foram construídas obras como a usina hidrelétrica de Itaipu, a termonuclear de Angra dos Reis, a ponte Rio-Niterói e a rodovia Transamazônica. A economia precisava crescer para poder pagá-las. Depois dos anos do chamado “Milagre econômico” (1967-74), em plena ditadura militar, a dívida que era de 5 bilhões de dólares pulara para 20 bilhões, em 1975. Na hiperinflação dos anos 1980, a dívida chegou na casa dos 100 bilhões de dólares, alcançando 129 bilhões em 1995. Novos empréstimos pagavam os antigos empréstimos, numa bola de neve crescente. Hoje, a dívida externa total está estimada em cerca de 200 bilhões de dólares, embora o país tenha crescido e criado, na última década, reservas internacionais positivas em torno de 240 bilhões. Um fato considerável – o que não significa que superamos a má distribuição de renda e a falta de cidadania para a maioria dos brasileiros. (Fontes: ADAS, Melhem. Panorama geográfico do Brasil. São Paulo: Moderna, 1999, e BANCO CENTRAL DO BRASIL, http://www.bcb.gov.br Acesso em: 08.03.2010.) Assinale a alternativa que contenha uma conclusão válida sobre o texto. (ETEC 2010)
- A) As dívidas do país foram crescendo até os anos 2000, momento em que há uma virada e uma retomada do antigo crescimento sem dívidas.
- B) O Estado nacional cresceu historicamente com base na hiperinflação e nos gastos com o setor de serviços, o que garantiu nossa independência econômica.
- C) A economia nacional cresceu com base em dívidas, mas não promoveu igualitariamente o desenvolvimento social e a melhoria da vida da maioria da população.
- D) O crescimento das dívidas e dos empréstimos dificulta o crescimento da economia do país, que se torna, assim, muito pouco industrializado e não desenvolvido.
- E) O Brasil, desde os anos 1960, cresceu economicamente e, assim, eliminou a sua condição de país agrário-exportador e subdesenvolvido.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O texto descreve que o crescimento econômico brasileiro foi sustentado por endividamento do Estado e das empresas, citando obras como Itaipu e a ponte Rio-Niterói financiadas por empréstimos.
- Ele mostra a evolução da dívida (5 bilhões em 1967-74, 20 bilhões em 1975, 129 bilhões em 1995 e cerca de 200 bilhões atualmente) e ressalta que, apesar das reservas, persistem a má distribuição de renda e a falta de cidadania.
- A alternativa C reúne exatamente essas duas ideias, sendo a única conclusão diretamente sustentada pelo texto.
- A alternativa A é errada porque inventa uma virada nos anos 2000 não mencionada no texto.
- A alternativa B é errada porque o texto não associa crescimento à hiperinflação nem à independência econômica.
- A alternativa D é errada porque o texto não afirma que a dívida impede a industrialização, e sim que a infraestrutura urbano-industrial foi financiada por empréstimos.
- A alternativa E é errada porque contradiz o trecho final, que afirma que a má distribuição de renda e a falta de cidadania persistem.
💡 Dica: Localize no texto a afirmação sobre o crescimento sustentado por dívidas e a ressalva sobre desigualdade social, e confira se cada alternativa é diretamente sustentada.
Alternativa por alternativa
O aluno pode supor que a dívida foi reduzida e o país voltou a crescer sem endividamento, sem que o texto diga isso.
O aluno pode confundir a hiperinflação, citada como período de aumento da dívida, com uma fonte de crescimento econômico.
CORRETA. O texto afirma que o crescimento econômico do Brasil quase sempre foi sustentado por endividamento e ressalta que a má distribuição de renda e a falta de cidadania para a maioria dos brasileiros persistem, o que valida a conclusão.
O aluno pode inferir que dívida necessariamente bloqueia a industrialização, ignorando que o texto associa empréstimos à construção de infraestrutura industrial.
O aluno pode focar no crescimento econômico da década de 1960 e ignorar a ressalva final sobre desigualdade e cidadania.
Por que engana: Escolher alternativa que soa otimista ou tecnicamente elaborada sem verificar se o texto a sustenta.
Raio-X da questão
Endividamento externo e crescimento econômico brasileiro
avaliacao
Ditadura militar e Milagre econômico · Hiperinflação dos anos 1980
Desigualdade social e modelo de desenvolvimento brasileiro
Escolher alternativa que soa otimista ou tecnicamente elaborada sem verificar se o texto a sustenta.
economia_financeira
pensamento_critico
historico
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