Fonte 1 — Dados da série histórica do IBGE indicam que o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4.922% em junho…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Fonte 1 — Dados da série histórica do IBGE indicam que o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4.922% em junho de 1994. Depois da implantação do real, em julho daquele ano, o índice acumulado caiu para 22,4% em 1995 e para 9,6% em 1996. Fonte 2 — Em depoimento ao Museu da Pessoa, uma trabalhadora relatou que, antes da estabilização, costumava comprar alimentos logo após receber o salário, pois os preços podiam subir rapidamente. Depois da mudança da moeda, passou a ser mais viável comparar preços e planejar as despesas mensais. As fontes relacionam dados econômicos e experiência cotidiana para caracterizar mudanças ocorridas no Brasil durante a implantação do Plano Real. Com base nessa relação, qual interpretação explica adequadamente o impacto inicial do plano na vida econômica da população?
- A) A queda dos índices de inflação demonstrou uma mudança econômica relevante, mas não trouxe efeitos práticos para o orçamento familiar, que continuou sujeito à mesma dificuldade de planejamento.
- B) A implantação do real produziu principalmente uma mudança nos hábitos domésticos, enquanto a redução dos índices de inflação não alterou de maneira significativa a experiência cotidiana dos trabalhadores.
- C) A estabilização da moeda ocorreu porque as famílias passaram a comparar preços e organizar suas despesas, fazendo do comportamento dos consumidores a causa principal da queda da inflação.
- D) A estabilização da moeda reduziu a alta acelerada dos preços, favoreceu a preservação imediata do poder de compra dos salários e permitiu maior planejamento das despesas, sem significar o fim automático das desigualdades sociais.
- E) A estabilização da moeda alterou os hábitos de comparação de preços, mas não reduziu de modo relevante a inflação, pois os índices continuaram indicando aumentos expressivos nos anos seguintes.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Leia as duas fontes. A Fonte 1 mostra dados quantitativos: o IPCA acumulado em 12 meses foi de 4.922% em junho de 1994 e caiu para 22,4% em 1995 e 9,6% em 1996, após a implantação do real. A Fonte 2 traz a experiência cotidiana: antes da estabilização, a trabalhadora comprava comida logo após receber o salário, porque os preços subiam rapidamente; depois, passou a comparar preços e planejar as despesas.
- Relacione as fontes. A queda dos índices (Fonte 1) explica a mudança na vida cotidiana (Fonte 2): com preços mais estáveis, o salário mantém seu valor por mais tempo e o orçamento pode ser planejado.
- Analise a alternativa D, que resume esse impacto inicial: a estabilização reduziu a alta acelerada dos preços, preservou o poder de compra dos salários no imediato e permitiu planejamento das despesas. A ressalva final, de que isso não significou o fim automático das desigualdades sociais, é coerente com o enunciado, que não trata de desigualdade e não a apresenta como consequência direta do plano.
- Por que as outras estão erradas. A: afirma que não houve efeitos práticos no orçamento, o que contradiz o relato da Fonte 2. B: diz que a redução da inflação não alterou a experiência cotidiana, contrariando diretamente a Fonte 2. C: inverte a causalidade, pois a queda da inflação decorreu do plano e de medidas econômicas, não do comportamento dos consumidores como causa principal. E: afirma que a inflação não caiu de modo relevante, o que contraria a Fonte 1.
- Conclusão: a alternativa correta é a D, coincidente com o gabarito oficial.
💡 Dica: Diferencie queda da inflação, queda de preços e redução da desigualdade.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que a queda da inflação foi apenas um dado estatístico, sem impacto real no orçamento das famílias, ignorando o relato da Fonte 2 sobre a maior viabilidade de planejar despesas.
O aluno separa a mudança de hábitos da redução da inflação, supondo que os hábitos mudaram sem relação com a estabilização dos preços, quando as fontes mostram que uma coisa decorre da outra.
Por que engana: Confundir redução da inflação com queda generalizada dos preços.
O aluno inverte a relação causal, tomando a mudança de comportamento dos consumidores como causa principal da estabilização, quando o enunciado a apresenta como efeito do plano.
Os dados do IPCA mostram uma queda expressiva da inflação após a implantação do real. O depoimento evidencia uma consequência cotidiana dessa estabilização: com preços menos sujeitos a aumentos rápidos, tornou-se possível comparar valores e organizar melhor os gastos. As fontes não permitem afirmar que todos recuperaram integralmente seu padrão de consumo nem que as desigualdades foram superadas.
O aluno acredita que a inflação continuou alta, talvez por ler apenas o contexto de 1995 e 1996 com atenção insuficiente, sem perceber que a Fonte 1 mostra queda expressiva dos índices (de 4.922% para 22,4% e 9,6%).
Raio-X da questão
Impactos sociais iniciais do Plano Real.
Relacionar estabiliz
Inflação e variação de preços. · Plano Real e economia brasileira dos anos 1990.
Estabilização monetária e poder de compra.
Confundir redução da inflação com queda generalizada dos preços.
Educação financeira e desigualdade social.
Pensamento crítico diante de diferentes tipos de evidência.
História econômica e
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