No poema "Pronominais", de Oswald de Andrade, lê-se: "Dê-me um cigarro / Diz a gramática / Do professor e do…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar assimilações, rupturas e permanências no processo de constituição da literatura brasileira e ao longo de sua trajetória, por meio da leitura e análise de obras fundamentais do cânone ocidental, em especial da literatura portuguesa, para perceber a historicidade de matrizes e procedimentos estéticos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No poema "Pronominais", de Oswald de Andrade, lê-se: "Dê-me um cigarro / Diz a gramática / Do professor e do aluno / E do mulato sabido / Mas o bom negro e o bom branco / Da Nação Brasileira / Dizem todos os dias / Me dá um cigarro". Com base no texto, que crítica a voz poética faz à relação entre norma culta e uso cotidiano da língua?
- A) A voz poética sugere que a língua brasileira deve ser substituída pelo padrão erudito, para evitar diferenças de registro entre os falantes.
- B) A voz poética valoriza o uso cotidiano da língua apenas como um recurso humorístico, sem questionar a legitimidade social da norma culta.
- C) A voz poética apresenta a diferença entre as formas de falar como sinal de que os grupos sociais devem manter modos de expressão separados.
- D) A voz poética critica o afastamento entre a gramática ensinada e a fala real dos brasileiros, mostrando que a língua viva do cotidiano também tem valor.
- E) A voz poética defende a norma culta como a forma mais correta de expressão e a apresenta como modelo superior ao uso popular da língua.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O poema contrapõe a forma prescrita pela gramática, "Dê-me um cigarro", à forma usada no dia a dia, "Me dá um cigarro". Passo 2: A voz poética mostra que todos usam a forma cotidiana, inclusive o professor, o aluno, o mulato sabido e o bom negro e o bom branco da Nação Brasileira, o que revela o distanciamento entre a gramática ensinada e a fala real. Passo 3: Ao mesmo tempo, o texto reconhece que a língua viva do cotidiano tem valor próprio, e a crítica incide sobre a prescrição que ignora essa realidade. Passo 4: A alternativa D está certa, pois descreve exatamente essa crítica ao afastamento entre gramática e fala real e reconhece o valor da língua viva. Passo 5: A alternativa A está errada, porque o poema não propõe substituir a língua brasileira pelo padrão erudito. Passo 6: A alternativa B está errada, porque o poema não trata o uso cotidiano como simples humor e questiona justamente a legitimidade social da norma. Passo 7: A alternativa C está errada, porque o texto não defende manter grupos separados por modos de falar; ao contrário, mostra a fala comum a todos. Passo 8: A alternativa E está errada, porque o poema não defende a norma culta como modelo superior; ele ironiza a prescrição gramatical. Gabarito oficial confirmado.
💡 Dica: Compare a regra gramatical citada com a forma de falar apresentada no poema.
Alternativa por alternativa
Entendeu que a crítica pede o abandono da fala brasileira em favor do padrão erudito, confundindo a ironia do poema com uma defesa da uniformização da língua.
Acreditou que o poema usa a fala cotidiana apenas como recurso cômico, sem discutir a legitimidade da norma culta.
Entendeu que as diferenças entre as formas de falar separam grupos sociais e devem ser mantidas, quando o texto mostra a fala comum a todos os grupos.
O poema contrapõe a forma prescrita pela gramática à maneira como as pessoas falam no cotidiano e valoriza essa língua em uso.
Assumiu que a norma culta é superior por ser a forma correta, tomando a intuição escolar como verdade absoluta e não percebendo a ironia com que o poema trata a gramática.
Por que engana: Confundir a crítica à valorização exclusiva da norma culta com uma defesa de que ela deve substituir ou separar as formas cotidianas de expressão.
Raio-X da questão
Norma culta e língua cotidiana
avaliacao
Variedade linguística e norma padrão · Leitura de poemas modernistas
Revise a crítica modernista à norma padrão e a valorização das variedades linguísticas brasileiras.
Confundir a crítica à valorização exclusiva da norma culta com uma defesa de que ela deve substituir ou separar as formas cotidianas de expressão.
multiculturalismo
pensamento_critico
literario
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