Lamento do oficial por seu cavalo morto v.01 Nós merecemos a morte, v.02 porque somos humanos v.03 e a guerra…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Utilizar as diferentes linguagens, levando em conta seus funcionamentos, para a compreensão e produção de textos e discursos em diversos campos de atuação social.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Lamento do oficial por seu cavalo morto v.01 Nós merecemos a morte, v.02 porque somos humanos v.03 e a guerra é feita pelas nossas mãos, v.04 pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra, v.05 por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens v.06 que trazemos por dentro, e ficam sem explicação. v.07 Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia, v.08 os cálculos do gesto, v.09 embora sabendo que somos irmãos. v.10 Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados v.11 de ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros! v.12 Que delírio sem Deus, nossa imaginação! v.13 E aqui morreste! Oh, tua morte é a minha, que, enganada, v.14 recebes. Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno, v.15 ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração. v.16 Animal encantado - melhor que nós todos! v.17 - que tinhas tu com este mundo v.18 dos homens? v.19 Aprendias a vida, plácida e pura, e entrelaçada v.20 em carne e sonho, que os teus olhos decifravam... v.21 Rei das planícies verdes, com rios trêmulos de relinchos... v.22 Como vieste morrer por um que mata seus irmãos! Cecília Meireles Assinale a alternativa correta. (Mackenzie 2019)
- A) Em consonância com as influências da vanguarda conhecida como Futurismo, o poema escrito por Cecília Meireles é um manifesto favorável às guerras como forma de “redimir” a humanidade.
- B) O eu lírico assume no poema uma voz animalizada, mimetizando, tal qual uma fábula ou um conto de fadas, um sobrenatural monólogo de lamentações ditado por um animal abatido em um conflito bélico.
- C) Em “Lamento do oficial por seu cavalo morto”, o eu lírico toma consciência das contradições e horrores das guerras ao se deparar com a morte do seu cavalo, provavelmente ocorrida em alguma batalha.
- D) Quanto à crítica ao belicismo, o poema se posiciona em uma situação de explícita ambiguidade, pois da sua leitura é impossível formular uma conclusão a respeito de um posicionamento do texto sobre o tema “guerra”.
- E) Cecília Meireles oculta qualquer traço de personalidade, ou indícios de uma profissão, do eu lírico, mantendo o leitor na obscuridade a respeito de qual seria o contexto de enunciação dessa voz poética.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leio o poema com atenção. O título já indica o contexto: um oficial lamenta a morte do seu cavalo. Os versos 1 a 6 apontam a guerra como obra das mãos humanas e denunciam as 'ordens que trazemos por dentro, e ficam sem explicação'. Nos versos 13 a 15, o eu lírico reconhece que a morte do animal é, de certo modo, a sua própria morte e que ele 'não te queixas. Não pensas. Não sabes' é contraposto à consciência humana. Nos versos 21 e 22, ele pergunta como o animal veio morrer 'por um que mata seus irmãos'.
- Sem olhar o gabarito, concluo que a alternativa correta é a C. O eu lírico, um oficial, percebe a contradição e o horror da guerra ao perder seu cavalo, morto provavelmente em combate, já que o poema fala em 'aqui morreste' e em 'um que mata seus irmãos'. Ele toma consciência de que a violência é absurda e cometida por humanos contra seus semelhantes.
- Por que as outras estão erradas. A: o Futurismo exaltava a guerra e a velocidade, mas o poema critica a guerra, não a exalta, então não é um manifesto favorável a ela. B: quem fala é o oficial, um ser humano, e não o animal; o cavalo não tem voz nem faz monólogo, e o texto não tem estrutura de fábula ou conto de fadas. D: a crítica ao belicismo é clara, pois o poema afirma que 'nós merecemos a morte' por fazer a guerra e questiona o sentido de matar irmãos, portanto não há ambiguidade. E: o eu lírico é identificado pelo título como um oficial e pelo cavalo, que indica sua profissão e contexto militar, logo não há ocultação de sua identidade.
- Conclusão. O gabarito oficial C coincide com a minha resolução.
💡 Dica: Analise o poema e interprete o sentimento do eu lírico.
Alternativa por alternativa
O aluno associa o poema ao Futurismo, que de fato exaltava a guerra, e conclui que o texto também a defende. Ele ignora que o poema lamenta e critica a violência bélica.
O aluno acredita que o cavalo é quem fala, por causa do vocativo e do tom dirigido ao animal ('Animal encantado', 'Rei das planícies verdes'). Não percebe que a voz pertence ao oficial, que se dirige ao animal morto.
CORRETA. O eu lírico, ao lamentar a morte do cavalo, reflete sobre as contradições e horrores da guerra, reconhecendo a responsabilidade humana e a inocência do animal.
O aluno entende que, por o poema não apresentar uma solução ou tese explícita, não há posicionamento. Confunde ausência de conclusão pronta com ambiguidade, quando o texto deixa clara a crítica ao belicismo nos versos 1 a 6 e 22.
O aluno pensa que o poema não revela o contexto porque não há nome nem local explícitos. Não percebe que o título, o cavalo e expressões como 'por um que mata seus irmãos' revelam a identidade militar do eu lírico.
Raio-X da questão
interpretação de poema lírico
diagnostico
interpretação textual poética
estudo de figuras de linguagem e análise poética
O aluno pode confundir o sentimento do eu lírico ou interpretar literalmente o poema.
pensamento_critico
literario
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