"Este comércio de carne humana é, pois, um cancro que corrói as entranhas do Brasil (...) Torno a dizer…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
"Este comércio de carne humana é, pois, um cancro que corrói as entranhas do Brasil (...) Torno a dizer, porém, que eu não desejo ver abolida de repente a escravidão; tal acontecimento traria consigo grandes males". José Bonifácio, 1823. "Como é sabido, no Brasil, a abolição tardou, só se concretizando após longa e dolorosa agonia (...). Tão longo e socialmente penoso foi o processo de abolição que, aos contemporâneos (...), parecia que não viria nunca". Maria Helena Machado. " ‘Teremos grandes desastres, se não houver providências enérgicas e imediatas’: a rebeldia dos escravos e a abolição da escravidão". In: Keila Grinberg e Ricardo Salles (orgs.). O Brasil Imperial, v.III (1870-1889). São Paulo: Civilização Brasileira, 2009, p.369 Considerando os trechos acima, conclui-se, corretamente, que uma das explicações para a tardia abolição da escravidão, no Brasil, deveu-se (Mackenzie 2012)
- A) ao caráter gradualista que ela adquiriu, satisfazendo, em grande medida, aos anseios de uma parcela da elite, preocupada com as possibilidades sociais, econômicas e políticas dos recém-egressos da escravidão.
- B) às tentativas de grupos abolicionistas em erradicar a escravidão desde o início do século XIX como, por exemplo, o grupo liderado pelo poeta e advogado Luís Gama, em São Paulo, denominado “Caifases”.
- C) ao medo, por parte da elite, de que os emancipados pudessem ascender econômica e politicamente, uma vez que, desde 1871, era assegurado o direito à educação e à participação política a esses grupos.
- D) à constatação de que havia o medo, em potencial, de parcelas da elite em assumir seus anseios em prol da abolição, uma vez que, por tradição, os grandes proprietários eram retrógrados e desfavoráveis a mudanças.
- E) às discussões em torno do assunto no Conselho de Estado, demoradas e não conclusivas, que só fizeram adiar as medidas efetivas em torno da emancipação gradual, como exposto no texto de José Bonifácio.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- José Bonifácio (1823) defendia a abolição gradual, temendo os males de uma libertação súbita, e Maria Helena Machado afirma que o processo foi longo e penoso, a ponto de parecer que nunca viria. Passo 2: Essa lentidão decorre do caráter gradualista que a abolição assumiu, que atendia aos receios de parte da elite sobre a inserção social, econômica e política dos libertos. Passo 3: A alternativa A expressa exatamente essa explicação e está correta, coincidindo com o gabarito oficial. Passo 4: A alternativa B está errada, pois as iniciativas de Luís Gama e dos Caifases são da segunda metade do século XIX e não explicam o atraso, além de a datação 'início do século XIX' estar incorreta. Passo 5: A alternativa C está errada, pois a Lei do Ventre Livre (1871) libertou apenas os filhos de mulheres escravizadas e não garantiu educação nem participação política aos emancipados. Passo 6: A alternativa D está errada, pois generaliza sem base nos trechos que os grandes proprietários fossem sempre retrógrados. Passo 7: A alternativa E está errada, pois atribui ao Conselho de Estado um debate que os trechos não comprovam, e o plano gradual citado é de José Bonifácio, de 1823, e não uma decisão desse Conselho.
💡 Dica: Analise os trechos para identificar as causas da abolição tardia da escravidão no Brasil.
Alternativa por alternativa
CORRETA. A alternativa destaca o caráter gradualista da abolição, que atendeu aos interesses da elite preocupada com as consequências sociais, econômicas e políticas da liberdade dos ex-escravizados, conforme indicado nos textos apresentados.
Acredita que qualquer movimento abolicionista antigo explica a demora da abolição, confundindo a existência de grupos contrários à escravidão com o motivo de ela ter tardado. Também não percebe que a datação do início do século XIX não corresponde ao período dos Caifases.
Associa a Lei do Ventre Livre de 1871 a direitos amplos de educação e participação política para os emancipados, o que não corresponde ao conteúdo da lei. O erro é conceitual sobre a legislação do período.
Aceita a ideia intuitiva de que todos os grandes proprietários eram naturalmente retrógrados e contrários a mudanças, uma generalização que não aparece nos trechos. Essa visão de senso comum substitui a análise do texto.
Atribui ao Conselho de Estado a responsabilidade pelo atraso, lendo os trechos como se comprovassem debates ali ocorridos. Na verdade, o trecho de José Bonifácio trata de uma proposta de 1823 e não descreve discussões desse órgão.
Raio-X da questão
Abolição tardia da escravidão
diagnostico
História do Brasil Imperial · Escravidão no Brasil
Estude o processo histórico da abolição da escravidão no Brasil e suas causas sociais e econômicas.
Confundir as causas da abolição tardia com os efeitos ou interpretar mal os textos históricos apresentados.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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Cole o enunciado e veja a resolução passo a passo, a alternativa correta e por que as outras estão erradas.
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