“(...) Recordo-me de como ouvi, pela primeira vez, na minha meninice, falar desse grande seridoense (Seridó…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“(...) Recordo-me de como ouvi, pela primeira vez, na minha meninice, falar desse grande seridoense (Seridó, Rio Grande do Norte) [José Bezerra do Araújo-Galvão]. O seu nome soava como uma nota de clarim, vibrando nas quebradas das serras e dos vales, como defensor da honra alheia, dos limites da propriedade privada, da moça ofendida, do pobre que apelava para a sua proteção, inimigo da prepotência, defensor dos hábitos e costumes do seu povo, transformados por uma sedimentação de vários séculos em norma de vida ou código de lei. No seu município predominou por muito tempo o regime do Estado sou eu. O município era ele. A lei era ele. O juiz, o delegado, o padre, eram ele”. MELO, M. R. de. Patriarcas e Carreiros. Rio de Janeiro: Pongetti, 1954, p.273 O trecho trata de um fenômeno que, no Brasil, (Mackenzie 2012)
- A) possui profundas raízes históricas, tendo surgido na República Velha e se modificado ao longo do tempo, uma vez que, se antes não se valia de métodos coercitivos, hoje é uma prática corrente nos meios políticos.
- B) apesar de possuir raízes históricas, não pode ser aplicado à realidade atual do país, uma vez que os avanços democráticos verificados nos últimos anos impossibilitam o surgimento dos chamados “coronéis”.
- C) está ligado às transformações urbanas do pós-Segunda Guerra Mundial, já que tal conflito trouxe alterações significativas para a estrutura social e política do país, possibilitando a emergência de novas camadas sociais.
- D) não tem nenhuma ligação com o passado, mesmo porque, falar de práticas coercitivas e métodos baseados no “mandonismo”, não faz parte da realidade política brasileira, baseada na democracia desde sua fundação.
- E) possui profundas raízes históricas, relacionado a uma concepção de governo que inclui práticas de “mandonismo local”, com métodos coercitivos e/ ou paternalistas em relação à população e aos trabalhadores.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O trecho descreve a figura do coronelismo: um chefe local (no caso, José Bezerra do Araújo-Galvão) que concentra em si o poder do município, sendo juiz, delegado, padre e lei ao mesmo tempo. Essa é a essência do mandonismo local.
- O texto menciona que esse poder se apoiava em hábitos e costumes sedimentados por séculos, o que indica raízes históricas profundas, ligadas ao poder privado no interior do Brasil desde o período colonial e imperial, e não apenas a um momento isolado.
- A alternativa E reúne os elementos corretos: profundas raízes históricas, uma concepção de governo baseada no mandonismo local e métodos coercitivos ou paternalistas em relação à população e aos trabalhadores. Essas características são típicas do coronelismo, que combinava repressão, favores e troca de votos por benefícios.
- Por que as outras estão erradas: A afirma que o fenômeno surgiu na República Velha, quando na verdade suas raízes são anteriores, e diz que antes não havia métodos coercitivos, o que contraria a história. B nega a atualidade do fenômeno, mas o texto e a historiografia mostram que práticas de mandonismo persistiram. C associa o fenômeno às transformações urbanas do pós-Segunda Guerra, o que não corresponde à sua origem rural e anterior. D afirma que não há ligação com o passado e que o Brasil sempre foi democrático desde a fundação, o que é historicamente incorreto.
- Conclusão: a alternativa correta é a E, em concordância com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o texto para identificar o fenômeno histórico descrito.
Alternativa por alternativa
O aluno associa o coronelismo apenas à República Velha e acredita que antes desse período não havia métodos coercitivos, ignorando que o mandonismo tem raízes coloniais e imperiais.
O aluno acredita que os avanços democráticos recentes eliminaram completamente o coronelismo, desconsiderando que práticas de mandonismo local persistem na política brasileira.
O aluno relaciona o fenômeno às transformações urbanas do pós-guerra, confundindo o coronelismo, de origem rural, com processos de modernização urbana posteriores.
O aluno considera que a democracia existe desde a fundação do Brasil e que o passado não tem relação com as práticas políticas atuais, desconsiderando a longa história de poder privado e autoritarismo.
CORRETA. A alternativa reconhece o coronelismo como fenômeno de profundas raízes históricas, relacionado ao mandonismo local e ao uso de métodos coercitivos e paternalistas, conforme descrito no texto.
Raio-X da questão
fenômeno histórico do poder local
diagnostico
poder local no Brasil · coronelismo
Estude sobre o coronelismo e o poder local no Brasil.
Confundir o fenômeno descrito com outras formas de poder político ou social sem relação com o coronelismo.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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