“Ao lado dos sinos dos conventos e das igrejas, destinados a soar e a impor as horas canônicas dos ofícios…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Ao lado dos sinos dos conventos e das igrejas, destinados a soar e a impor as horas canônicas dos ofícios religiosos, aparecem os sinos laicos, sobretudo utilizados para a proclamação do tempo do trabalho (início, interrupções e fim). Nas cidades do nordeste da Europa, importante região têxtil, os novos sinos opõem à autoridade dos campanários da igreja a altivez das torres que os desafiam. Em face do tempo da Igreja, afirma-se o tempo do mercador, senhor do processo de trabalho”. Dicionário temático do Ocidente Medieval, v.II, p.163 O texto aponta (Mackenzie 2012)
- A) os erros de certas análises historiográficas a respeito das concepções medievais de tempo e de trabalho. De forma precipitada, tais análises tendem a considerar a Igreja detentora absoluta de tais concepções, durante toda a Idade Média, demonstrando a falta de análises históricas empíricas.
- B) que as estruturas e as mentalidades medievais não sofreram transformações substanciais. De fato, como apontado no texto, as ideias acerca do trabalho e do tempo continuaram as mesmas durante o período, demonstrando que mentalidades não se alteram rapidamente.
- C) para as transformações processadas na Idade Média acerca do papel regulador da Igreja e do mercador. Aquela atenta à nova realidade, adaptando-se cada vez mais; este, senhor do comércio e das mercadorias, demonstra o seu poder ao impor o domínio sobre os sinos e os campanários medievais.
- D) para as transformações processadas no final da Idade Média em relação ao tempo e ao trabalho. De fato, se antes tais conceitos eram regidos e dominados pela Igreja, a partir daquele momento as concepções valorativas acerca deles passam a predominar na transição feudo-capitalista, sobretudo nos ambientes laicos.
- E) que as concepções de tempo e de trabalho se alteraram ao longo do tempo, exceto na Idade Média. De fato, analisado empiricamente, o período é rico em representações a respeito desses conceitos, sempre demonstrando a fragilidade eclesiástica em impor seus conceitos para a população em geral.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto descreve a passagem de um tempo regulado pela Igreja, marcado pelos sinos dos conventos e igrejas com as horas canônicas, para um tempo laico, marcado pelos sinos que anunciam início, interrupções e fim do trabalho. Passo 2: A expressão 'Em face do tempo da Igreja, afirma-se o tempo do mercador, senhor do processo de trabalho' mostra que a concepção de tempo e de trabalho muda, com valores laicos ganhando espaço. Passo 3: A alternativa D resume isso ao dizer que, no final da Idade Média, as concepções sobre tempo e trabalho, antes dominadas pela Igreja, passam a ser predominantemente laicas, na transição feudo-capitalista. Passo 4: A alternativa A está errada porque o texto não critica análises historiográficas nem fala em falta de pesquisa empírica. Passo 5: A alternativa B está errada porque o texto mostra justamente transformação das ideias sobre tempo e trabalho, o contrário do que ela afirma. Passo 6: A alternativa C está errada porque o texto não diz que a Igreja se adaptou à nova realidade, e a ideia de que o mercador impôs domínio sobre os sinos e campanários é uma leitura forçada, já que o texto fala em oposição e desafio, não em dominação. Passo 7: A alternativa E está errada porque nega a mudança na Idade Média, enquanto o texto descreve justamente uma mudança nesse período. Gabarito oficial D confere com a análise feita.
💡 Dica: Analise o texto para compreender a relação entre o tempo religioso e o tempo do trabalho.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que o texto critica historiadores por atribuírem à Igreja o controle absoluto do tempo e do trabalho na Idade Média. Ele associa a menção à Igreja a uma discussão historiográfica que o texto não faz.
O aluno entende que as mentalidades medievais permaneceram estáveis porque não percebe a oposição entre tempo da Igreja e tempo do mercador. Ele trata a menção a sinos e trabalho como prova de continuidade, quando o texto mostra ruptura.
O aluno percebe que há transformação, mas inverte a relação de forças e supõe que a Igreja se adaptou e que o mercador dominou os sinos e campanários. O texto fala em oposição e desafio entre as torres laicas e a autoridade eclesiástica, não em adaptação da Igreja.
CORRETA. A alternativa reconhece as transformações no final da Idade Média, com a passagem do domínio da Igreja para o dos mercadores sobre o tempo e o trabalho, em sintonia com o texto e o contexto da transição feudo-capitalista.
O aluno acredita que a Idade Média foi um período sem transformações nas concepções de tempo e trabalho, ou que a Igreja sempre manteve seu controle. Essa visão ignora que o texto descreve justamente o surgimento de sinos laicos e de um tempo do mercador no período medieval.
Raio-X da questão
tempo religioso e tempo do trabalho
diagnostico
Idade Média e sociedade
Estude a organização do tempo na Idade Média e a influência da Igreja e do comércio.
Confundir o papel dos sinos religiosos com os sinos laicos e suas funções distintas.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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