“O fim último, causa final de desígnio dos homens (que amam naturalmente a liberdade e o domínio sobre os…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“O fim último, causa final de desígnio dos homens (que amam naturalmente a liberdade e o domínio sobre os outros), ao introduzir aquela restrição sobre si mesmos sob a qual vemos viver nos Estados, é o cuidado com sua própria conservação e com a vida mais satisfeita. Quer dizer, o desejo de sair daquela mísera condição de guerra que é a consequência necessária [...] das paixões naturais dos homens, quando não há um poder visível capaz de os manter em respeito, forçando-os, por medo do castigo, ao cumprimento de seus pactos e ao respeito àquelas leis da natureza [...]”. “Portanto todo homem, pelo ato de [concordar] [...] com outros em formar um corpo político debaixo de um governo, se obriga para com cada um dos membros dessa sociedade a se submeter à determinação da maioria, e a ser governado por ela”. Pela análise dos excertos, conclui-se que (Mackenzie 2011)
- A) o primeiro se refere às ideias anarquistas, uma vez que rejeita toda e qualquer prática de governo constituído pela burguesia, concebendo-o, como justo, se levar em conta os anseios e as reivindicações trabalhistas do conjunto da sociedade.
- B) o segundo refere-se às ideias liberais, uma vez que concebe o governo como um corpo autônomo e dotado de amplos poderes, capaz de suprimir as liberdades individuais em nome da vontade do governante (único capaz de salvaguardar os interesses da sociedade).
- C) ambos partem de pressupostos para conceber ideias sobre o governo: o primeiro, absolutista, o entende como um corpo punitivo e autoritário; o segundo, iluminista, o concebe como um corpo formado a partir das decisões e das vontades da maioria.
- D) ambos negam práticas coercitivas de poder, uma vez que, iluministas, entendem o governo como uma entidade formada pelas decisões da maioria, sendo suas leis e práticas elaboradas com o intuito de se evitarem conflitos pelo poder entre seus membros.
- E) o primeiro, absolutista, entende, por governo, um conjunto de regras e práticas elaboradas pela sociedade; o segundo, iluminista, concebe o governo como órgão fiscalizador, punitivo e autoritário, criado para se evitarem conflitos que levem os homens ao estágio anterior à sociedade.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique os autores. O primeiro excerto, sobre sair da 'mísera condição de guerra' e sobre o poder que força os homens ao cumprimento dos pactos pelo medo do castigo, é de Thomas Hobbes (O Leviatã). O segundo, sobre a obrigação de submeter-se à determinação da maioria ao formar um corpo político, é de John Locke (Segundo Tratado sobre o Governo). Passo 2: Hobbes parte de um pressuposto absolutista: os homens são naturalmente egoístas e vivem em guerra, e só um poder forte e visível, capaz de punir, mantém a paz. Logo, o governo é um corpo punitivo e autoritário. Passo 3: Locke parte da ideia de contrato social e de consentimento: ao formarem uma sociedade política, os indivíduos aceitam ser governados pela vontade da maioria. Assim, o governo nasce das decisões e das vontades da maioria. Passo 4: A alternativa C reúne exatamente essas duas ideias, por isso é a correta, coincidindo com o gabarito oficial. Locke é liberal, mas também é um pensador ligado ao Iluminismo, o que torna a classificação aceitável. Passo 5: Por que as outras estão erradas: A associa o primeiro excerto ao anarquismo, mas nenhum dos textos rejeita todo governo; ambos defendem a formação de um poder político. B inverte o liberalismo de Locke, que limita o poder do governo para proteger as liberdades individuais, e não o defende como poder absoluto. D nega a coerção, mas Hobbes justifica o poder coercitivo do Estado pelo medo do castigo. E troca as caracterizações: o governo punitivo e autoritário é o de Hobbes, não o de Locke, e a ideia de governo como regra elaborada pela sociedade não corresponde ao absolutismo.
💡 Dica: Analise o texto para compreender o conceito de contrato social e poder político.
Alternativa por alternativa
Confunde o contratualismo de Hobbes e Locke com o anarquismo, supondo que os autores rejeitam qualquer governo. Os excertos, ao contrário, defendem a formação de um poder político.
Atribui ao liberalismo a defesa de um governo absoluto que suprime liberdades, quando o liberalismo de Locke justamente limita o poder estatal para proteger os direitos individuais.
CORRETA. O primeiro excerto apresenta a visão absolutista de Hobbes, que vê o governo como punitivo e autoritário; o segundo, a visão iluminista de Locke, que defende um governo baseado nas decisões da maioria.
Entende que os dois autores negam a coerção estatal, ignorando que o texto de Hobbes fala explicitamente em forçar os homens pelo medo do castigo.
Inverte as caracterizações: atribui a Hobbes a visão de governo como regra social consensual e a Locke a ideia de órgão punitivo e autoritário, lendo mal os dois excertos.
Raio-X da questão
contrato social e poder politico
diagnostico
contrato social · teoria politica basica
Estude o conceito de contrato social e a teoria do poder político em filosofia.
Confundir o contrato social com outras formas de organização social ou interpretar mal a submissão à maioria.
cidadania_etica
pensamento_critico
abstrato
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