No ano de sua independência, o Brasil tinha [...] tudo para dar errado. De cada três brasileiros, dois eram…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No ano de sua independência, o Brasil tinha [...] tudo para dar errado. De cada três brasileiros, dois eram escravos, negros forros, mulatos, índios ou mestiços. Era uma população pobre e carente [...]. O medo de uma rebelião dos cativos assombrava a minoria branca. O analfabetismo era geral. [...]. Os ricos eram poucos e, com raras exceções, ignorantes. O isolamento e as rivalidades entre as províncias prenunciavam uma guerra civil [...]. Laurentino Gomes, 1822 É correto afirmar que a independência do Brasil só não confirmou os temores apresentados no trecho, (Mackenzie 2011)
- A) porque ao defender a revolução popular de inspiração camponesa, inspirou legisladores como José Bonifácio e Joaquim Nabuco a defenderem a emancipação completa em relação a Portugal.
- B) porque o povo conseguiu entender os anseios de D. Pedro e da elite brasileira, ao pegar em armas e defender até a morte uma independência que parecia condenada em sua própria estrutura.
- C) porque foi realizada à revelia da população pobre – destacadamente de origem africana e indígena – uma vez que suas simpatias pela Revolução Americana ameaçavam os poderes da elite branca.
- D) porque parcelas significativas da elite brasileira se aglutinaram em torno de D. Pedro, a fim de manter as antigas bases de um Brasil colonial na estrutura do novo país que nascia em 1822.
- E) porque foi inspirada pela Revolução Francesa e pelas ideias iluministas, no contexto da crise do Antigo Sistema Colonial, sendo liderada pela elite burguesa contra a tirania representada por D. Pedro.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Leia o trecho. Laurentino Gomes descreve um Brasil de 1822 com grande maioria escrava e pobre, analfabetismo generalizado, medo de rebeliões e risco de guerra civil entre as províncias. A pergunta pede o motivo pelo qual a independência não confirmou esses temores.
- Resolva por conta própria. A independência foi conduzida pela elite agrária e escravista, com D. Pedro I à frente, e não por uma revolução popular. Essa elite queria romper com Portugal sem alterar a base social: a escravidão, a grande propriedade e a centralização do poder foram mantidas. Ao preservar essas estruturas e obter a unidade territorial em torno do monarca, evitou-se a revolta dos cativos, a fragmentação e a guerra civil. Por isso a alternativa D é a correta.
- Por que as outras estão erradas. A: José Bonifácio e Joaquim Nabuco não defenderam revolução popular camponesa em 1822, e Nabuco é um abolicionista do fim do século XIX, em outro contexto. B: A independência não foi uma conquista popular defendida até a morte; a participação popular foi localizada e a iniciativa veio da elite. C: A ideia de que a população foi excluída está correta, mas a causa apontada, as simpatias pela Revolução Americana, não explica por que os temores não se confirmaram; a alternativa confunde o contexto ideológico com o motivo central. E: A independência não foi contra D. Pedro; ele foi o próprio líder do processo, e a liderança não era burguesa revolucionária.
- Conclusão. O gabarito oficial D está correto, pois a manutenção das bases coloniais pela elite é o fator que explica a ausência das temidas rebeliões e da guerra civil.
💡 Dica: Analise o texto e relacione com o contexto histórico da independência do Brasil.
Alternativa por alternativa
Supõe que a independência teve caráter popular e camponês, e que José Bonifácio e Joaquim Nabuco defenderam uma revolução social em 1822. Nabuco é posterior e não tinha essa posição no contexto.
Acredita que o povo compreendeu e defendeu a proposta de D. Pedro e da elite até o fim, como se houvesse consenso popular. Isso ignora que o processo foi conduzido pela elite e que a participação popular foi limitada.
Percebe corretamente a exclusão da população pobre, mas atribui a causa às simpatias pela Revolução Americana, que não explicam por que os temores não se confirmaram. Confunde o motivo ideológico com o efeito social.
CORRETA. A independência do Brasil foi conduzida por setores da elite que se uniram em torno de D. Pedro para preservar as estruturas coloniais e evitar mudanças profundas na ordem social.
Associa a independência a uma revolução burguesa inspirada na Revolução Francesa, dirigida contra D. Pedro. Esquece que o próprio D. Pedro liderou o processo e que a elite agrária, não a burguesia revolucionária, foi a protagonista.
Raio-X da questão
independência do Brasil contexto histórico
diagnostico
contexto histórico Brasil 1822 · estrutura social colonial brasileira
Estude o contexto social e político da independência do Brasil.
Confundir os grupos sociais e suas condições na época da independência, ou interpretar o texto de forma literal sem relacionar ao contexto histórico.
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