A partir de 1850, a tradicional dependência política e econômica do Brasil com relação à Inglaterra, já não…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
A partir de 1850, a tradicional dependência política e econômica do Brasil com relação à Inglaterra, já não era total, o que levou Dom Pedro II a afirmar que “é política consolidada do Brasil evitar aceitar estipulações de tratados com países estrangeiros mais fortes e que não sejam limítrofes.” Na prática, a maior autonomia nacional perante o capital inglês possibilitou adotarmos uma certa autonomia perante o imperialismo inglês. Tal “política consolidada” foi resultado (Mackenzie 2010)
- A) da ação de empresários nacionais como Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, que, quebrando a “vocação agrária” do nosso país, passou a investir no setor industrial e financeiro, contando com apoio irrestrito por parte do governo imperial.
- B) da adoção de políticas alfandegárias protecionistas, como a Tarifa Alves Branco, que perdurou até o final do Segundo Reinado, auxiliando no desenvolvimento das nossas indústrias e aumentando a oferta de manufaturados nacionais.
- C) dentre outros fatores, da superação da Inglaterra, nesse período, como principal importadora dos produtos brasileiros, pelos Estados Unidos. Tal fato permitiu que o Brasil adotasse uma política de maior independência com relação aos interesses ingleses.
- D) do aumento da exportação de café que, nessa fase, proporcionou um superávit na balança comercial brasileira, o que nos levou a lançar mão do recurso amplamente até então utilizado pelo nosso governo, de tomar empréstimos junto aos bancos ingleses.
- E) de acordos realizados entre os governos do Brasil e da Inglaterra para resolver as questões relativas ao fim do tráfico negreiro, que atenderam de comum acordo a ambas as partes não gerando qualquer tipo de desgaste político entre as nações amigas.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O enunciado fala de uma política externa de evitar tratados com países estrangeiros mais fortes e não limítrofes, num período em que o Brasil já não dependia totalmente da Inglaterra. A pergunta pede a causa dessa maior autonomia. Passo 2: A alternativa C aponta a mudança do mercado comprador: os Estados Unidos passaram a comprar mais produtos brasileiros, sobretudo café, e a Inglaterra perdeu a posição de principal importadora. Com mais de um mercado, o Brasil ganhou margem para negociar com menos submissão aos interesses ingleses, o que explica a expressão dentre outros fatores. Passo 3: A alternativa A está errada porque o apoio do governo a Mauá não foi irrestrito; ele teve conflitos com o Império e com interesses ingleses, e seus empreendimentos acabaram em grande parte falindo. Passo 4: A alternativa B está errada porque a Tarifa Alves Branco (1844) vigorou até 1857, não até o fim do Segundo Reinado, e seu efeito protecionista foi limitado. Passo 5: A alternativa D está errada porque inverte a lógica do argumento: o superávit não levou ao aumento de empréstimos ingleses, e a dependência de empréstimos externos era justamente um traço do período anterior, não uma consequência da autonomia. Passo 6: A alternativa E está errada porque a questão do fim do tráfico negreiro gerou atritos diplomáticos entre Brasil e Inglaterra, como a Bill Aberdeen e a Questão Christie, e não foi um acordo sem desgaste. Passo 7: Não há divergência com o gabarito oficial, que indica a letra C.
💡 Dica: Analise o contexto histórico e a política externa do Brasil no século XIX.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que o governo imperial apoiava incondicionalmente os empresários industriais e que a industrialização de Mauá foi o motor da autonomia nacional, ignorando os conflitos de Mauá com o Império e com o capital inglês.
O aluno considera a Tarifa Alves Branco como política protecionista duradoura até o fim do Segundo Reinado, sem verificar que ela foi revogada em 1857, e supõe que tarifas por si só explicam a autonomia política frente à Inglaterra.
CORRETA. A diminuição da dependência do Brasil em relação à Inglaterra ocorreu, entre outros fatores, pela ascensão dos Estados Unidos como principal importador, permitindo maior independência diplomática e econômica.
O aluno pensa que o superávit comercial, por si só, levou o Brasil a tomar empréstimos ingleses, quando a lógica do texto é a de maior independência financeira e comercial; ele confunde a relação entre superávit e endividamento externo.
O aluno acredita que os acordos sobre o tráfico negreiro foram consensuais e sem desgaste, ignorando episódios de tensão diplomática como a Bill Aberdeen e a Questão Christie.
Raio-X da questão
autonomia política e econômica brasileira
diagnostico
Brasil imperial século XIX · relações internacionais do Brasil
Estude a política externa do Brasil imperial e o imperialismo inglês.
Confundir autonomia política com independência total ou ignorar o contexto do imperialismo.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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Cole o enunciado e veja a resolução passo a passo, a alternativa correta e por que as outras estão erradas.
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