Transferência de Neymar ao PSG é golpe de ‘soft power’ do Catar a países do Golfo, dizem especialistas A…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Transferência de Neymar ao PSG é golpe de ‘soft power’ do Catar a países do Golfo, dizem especialistas A transferência do fenômeno brasileiro Neymar ao Paris Saint-Germain (PSG) representa uma estratégia de marketing e um golpe de ‘soft power’ do Catar contra os países do Golfo que cortaram relações diplomáticas com o emirado. Esta é a análise de especialistas ouvidos pela agência de notícias France Presse e do comentarista da GloboNews, Marcelo Lins. Neymar se tornou o jogador mais caro da história do futebol, com o pagamento da cláusula de rescisão no valor de € 222 milhões (R$ 812 milhões). Segundo Mathieu Guidere, especialista em geopolítica do mundo árabe consultado pela AFP, o anúncio da transferência do jogador ao PSG, que é de um fundo de investimentos do Catar, “foi testado entre catarianos como uma espécie de estratégia de comunicação que ofuscaria o debate em torno de outras considerações, como o terrorismo”. Marcelo Lins, comentarista da GloboNews, afirmou que a transferência beneficia a imagem do Catar. “Um pequeno país riquíssimo em petróleo, do Golfo, que bota tanto dinheiro para dar alegria a uma torcida, ou a milhões de torcedores espalhados pelo mundo... você tem uma volta disso na imagem do Catar, que é muito grande”, disse à GloboNews. “É uma grande jogada de marketing do Catar como um todo”, acrescentou. O Catar enfrenta a sua pior crise política em décadas, com a Arábia Saudita e outros países do Golfo tendo cortado relações diplomáticas com o emirado por acusações de apoio a grupos terroristas. O Catar nega as acusações e diz que o objetivo é prejudicar o emirado rico em gás. Com a transferência de Neymar, Doha pode estar de olho em investir em ‘soft power’. O conceito de ‘soft power’ (‘poder suave’, em tradução livre) foi elaborado para definir a influência de países nas relações internacionais por meio de investimentos em ações positivas. “Esse é um golpe de ‘soft power’. O Catar precisa demonstrar ao mundo que, apesar de todas as acusações, é o país mais resiliente no Oriente Médio”, disse à AFP Andreas Krieg, analista de risco político no King’s College de Londres. “Ter o melhor jogador do mundo mostra ao resto do mundo que se o Catar é determinado, eles ainda têm os maiores recursos para tirar e, se necessário, usar o dinheiro que têm para promover a sua agenda”, acrescentou. O custo da transferência de Neymar “envia um sinal muito forte para o mundo esportivo e um sinal muito forte de desafio contra os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita”, disse Krieg. “Eles queriam esse jogador e usaram o dinheiro para comprá-lo a qualquer preço”. A notícia é tomada como um gênero textual da esfera jornalística que tem como objetivo divulgar temas da atualidade de maneira imparcial. Na notícia acima, este objetivo é alcançado por meio de alguns recursos linguísticos textuais, EXCETO pelo(a) (UECE 2018)
- A) uso predominante do discurso direto como forma de o enunciador atribuir a outrem as informações divulgadas.
- B) presença de elementos linguísticos avaliativos, como o termo “fenômeno” (linha 46), que amplia a dimensão informativa do gênero notícia.
- C) emprego de verbos dicendi, como “afirmou” (linha 68) e “disse” (linhas 74 e 95), para isentar o enunciador de revelar o seu ponto de vista.
- D) presença do relato em terceira pessoa, o qual busca um distanciamento em relação ao fato, o que constrói a ideia da objetividade, de forma a sustentar a credibilidade da informação.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- A questão pede o recurso que NÃO contribui para a imparcialidade da notícia. Lendo o texto, identifico que a notícia usa a terceira pessoa, atribui as informações a fontes identificadas (especialistas, Mathieu Guidere, Marcelo Lins, Andreas Krieg) e mantém um tom descritivo. Passo 2: A alternativa B descreve elementos avaliativos, como o termo 'fenômeno' aplicado a Neymar. Esse tipo de adjetivação expressa juízo de valor do enunciador, o que compromete a objetividade, e não a reforça. Por isso, B é a exceção e a alternativa correta. Passo 3: A alternativa A descreve o uso de discurso direto para atribuir informações a outras pessoas. Isso é um recurso de imparcialidade, porque o jornalista transfere a voz ao entrevistado. Ressalva: a palavra 'predominante' é discutível, pois o texto mistura relato indireto e citações diretas, mas o problema central da questão está em B. Passo 4: A alternativa C está correta como recurso de imparcialidade. Verbos dicendi como 'afirmou' e 'disse' apresentam a fala como de outra pessoa, isentando o jornalista de opinar. Passo 5: A alternativa D também é recurso de imparcialidade. O relato em terceira pessoa cria distanciamento do fato e sustenta a credibilidade. Passo 6: Conclusão: o gabarito oficial B está correto, pois a única alternativa que descreve um recurso que contraria a objetividade é a que trata de elemento avaliativo.
💡 Dica: Analise os recursos linguísticos usados na notícia para identificar o que não contribui para a imparcialidade.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter achado que qualquer uso de discurso direto torna o texto subjetivo, por confundir citação de fontes com opinião do jornalista. Também pode ignorar a palavra 'predominante' e aceitar a afirmação sem verificar a proporção de relato indireto no texto.
CORRETA. A presença de termos avaliativos, como “fenômeno”, indica uma opinião ou julgamento do enunciador, o que compromete a imparcialidade esperada no gênero notícia.
O aluno pode ter entendido que verbos dicendi revelam a posição do autor, porque 'disse' e 'afirmou' seriam marcas de opinião. Na verdade, esses verbos apenas atribuem a fala a outra pessoa e afastam o jornalista da opinião.
O aluno pode ter achado que a terceira pessoa indica parcialidade ou envolvimento do narrador, confundindo narração em terceira pessoa com narração subjetiva. A terceira pessoa, na notícia, serve justamente para o distanciamento do fato.
Raio-X da questão
recursos linguísticos jornalísticos
diagnostico
gênero textual notícia · recursos linguísticos textuais
estude os recursos linguísticos que garantem imparcialidade em textos jornalísticos
Confundir opinião do autor com informação imparcial presente na notícia.
pensamento_critico
cotidiano
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