A história da Maré começa nos anos 40. No final dessa década, já havia palafitas – barracos de madeira sobre a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
A história da Maré começa nos anos 40. No final dessa década, já havia palafitas – barracos de madeira sobre a lama e a água. Surgem as comunidades da Baixa do Sapateiro, Parque Maré e Morro do Timbau – este em terra firme. A construção da avenida Brasil, concluída em 1946, foi determinante para a ocupação da área, que prosseguiu pela década de 50. Nos anos 60, um novo fluxo de ocupação teve início, quando moradores da Praia do Pinto, Morro da Formiga, Favela do Esqueleto e desabrigados das margens do rio Faria-Timbó foram transferidos para moradias “provisórias” construídas na Maré. O início dos anos 80, quando a Maré das palafitas era símbolo da miséria nacional, marca a primeira grande intervenção do governo federal: o Projeto Rio, que previa o aterramento e a transferência dos moradores das palafitas para construções pré-fabricadas. Em 1988, foi criada a 30ª Região Administrativa (R.A.), abarcando a área da Maré. A primeira R.A. da cidade a se instalar numa favela marcou seu reconhecimento como um bairro. Composta hoje por 16 comunidades, a Maré é o maior complexo de favelas do Rio de Janeiro. Sua história, em parte, está relacionada com as transformações na cidade entre meados do século XX e o momento atual. Considerando tais transformações, a análise das fotos e do texto permite concluir que a história da Maré é marcada pelo seguinte processo urbano: (UERJ 2019)
- A) estabilização das políticas públicas em regiões insalubres
- B) integração das vias de transporte em logradouros periféricos
- C) expansão de habitações populares em espaços desvalorizados
- D) manutenção de obras de recuperação em ambientes degradados
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identifique o tema central do texto. A história da Maré é narrada como uma sequência de ocupações: primeiro as palafitas dos anos 40, depois a ocupação impulsionada pela avenida Brasil nos anos 50, em seguida a chegada de moradores transferidos de outras áreas nos anos 60, e por fim as intervenções do poder público nos anos 80 e a criação da 30ª Região Administrativa em 1988.
- Observe o movimento que se repete ao longo do texto. Trata-se de famílias de baixa renda ocupando terrenos alagados, lamacentos ou de pouco interesse imobiliário, primeiro sobre a lama e a água, depois em áreas de terra firme. Esse é o processo de expansão de moradias populares em espaços desvalorizados.
- Analise o gabarito. A alternativa C descreve exatamente esse processo: 'expansão de habitações populares' corresponde às palafitas, às comunidades que surgiram e às moradias provisórias, e 'espaços desvalorizados' corresponde às áreas alagadas e à lama onde a população foi se instalando.
- Verifique as alternativas erradas. A alternativa A está errada porque o texto mostra políticas que mudam ao longo do tempo, com ações pontuais como o Projeto Rio, e não estabilização. A alternativa B está errada porque a avenida Brasil foi um fator de ocupação, não o processo central descrito. A alternativa D está errada porque o texto não fala em recuperação de áreas degradadas; ao contrário, mostra a formação e o crescimento de comunidades em áreas precárias.
💡 Dica: Analise o texto para identificar o processo urbano descrito na história da Maré.
Alternativa por alternativa
O aluno associa as intervenções do governo federal à ideia de estabilidade, confundindo ações pontuais, como o Projeto Rio, com uma política pública contínua e estável.
Por que engana: Confundir processos de urbanização com políticas públicas estáveis ou obras de recuperação ambiental.
O aluno destaca a avenida Brasil, citada no texto, e supõe que o processo central seja a integração viária da periferia, sem perceber que a via serviu como fator de ocupação e não como tema da história.
CORRETA. A alternativa reflete o processo histórico descrito no texto, que mostra a expansão das habitações populares em áreas desvalorizadas, como a Maré, marcada pela ocupação de palafitas e construções provisórias.
O aluno entende que a Maré é uma área degradada que passou por obras de recuperação, quando o texto descreve a formação de comunidades e a ocupação de áreas precárias, não a sua recuperação.
Raio-X da questão
processo urbano e ocupação
diagnostico
história urbana brasileira · dinâmica das favelas
estude processos de urbanização e ocupação de favelas no Brasil
Confundir processos de urbanização com políticas públicas estáveis ou obras de recuperação ambiental.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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