Enquanto organizava um acervo de documentos antigos, uma bibliotecária encontrou descrições de dois mapas…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Enquanto organizava um acervo de documentos antigos, uma bibliotecária encontrou descrições de dois mapas feitos em momentos diferentes da colonização. No primeiro, aparecem faixas longas e estreitas nomeadas ao longo do litoral, com poucas vilas e muitos trechos do interior sem detalhes, marcados apenas por nomes de povos indígenas e serras. No segundo, além das áreas costeiras, surgem caminhos que ligam a região das minas a novos povoados no interior, com destaque para vilas em Goiás e Mato Grosso e para fortes próximos a grandes rios do Norte. A linha de limite com a América espanhola não segue um traço geométrico único: ela acompanha rios e pontos de ocupação indicados no próprio mapa. Com base nas descrições, identifique o critério de ocupação e delimitação territorial que ajuda a explicar a diferença entre os dois mapas na formação da América portuguesa.
- A) Adoção do critério de limites provinciais após 1822, com fronteiras internas do Império definidas para administração civil.
- B) Adoção do critério de meridiano fixo, mantendo uma fronteira teórica independente das ocupações mostradas no mapa.
- C) Adoção do critério de dividir a colônia em faixas iguais, sem relação com mineração, rotas internas e novos povoados.
- D) Adoção do critério de ocupação efetiva e limites por rios, apoiado na criação de vilas e fortes no interior.
- E) Adoção do critério de priorizar o litoral açucareiro, usando portos e engenhos como principal marca de controle territorial.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O primeiro mapa mostra faixas costeiras, poucas vilas e um interior apenas nomeado por povos indígenas e serras, o que indica pouca ocupação real e domínio apenas nominal do território. O segundo mapa mostra caminhos ligando as minas a novos povoados, vilas em Goiás e Mato Grosso e fortes perto de grandes rios do Norte, ou seja, presença efetiva de população, administração e defesa no interior.
- Os dois mapas, portanto, refletem a passagem de uma lógica de posse litorânea para uma lógica de ocupação efetiva, em que o território passa a ser reconhecido pela presença de vilas, fortes, rotas e atividades econômicas.
- A linha de limite com a América espanhola que acompanha rios e pontos de ocupação expressa exatamente esse critério: a fronteira é definida pelo que está de fato ocupado e pelos cursos d'água usados como referência, e não por um traço geométrico imposto de antemão. Esse é o princípio do uti possidetis, base da diplomacia portuguesa na América.
- Por isso a alternativa D é a correta, pois combina ocupação efetiva, limites por rios e a criação de vilas e fortes no interior, que são exatamente os elementos visíveis no segundo mapa.
- A alternativa A está errada, pois os limites provinciais são posteriores a 1822 e não explicam mapas do período colonial. A alternativa B está errada, pois o meridiano fixo ignora as ocupações, justamente o oposto do que o texto descreve. A alternativa C está errada, pois a divisão em faixas iguais não leva em conta minas, rotas nem povoados, que são o centro da descrição. A alternativa E está errada, pois o foco no litoral açucareiro é o que caracteriza o primeiro mapa, não o segundo, que vai além da costa.
💡 Dica: Analise as descrições dos mapas e relacione com os critérios de ocupação territorial na colonização.
Alternativa por alternativa
O aluno confunde a organização colonial com a administração imperial posterior, supondo que as fronteiras internas tenham sido definidas por províncias depois da Independência.
O aluno imagina que a fronteira era um meridiano fixo e teórico, sem relação com o que estava ocupado, e não percebe que o texto afirma que a linha acompanha rios e pontos ocupados.
Por que engana: Confundir critérios de delimitação territorial teóricos com a ocupação efetiva e a criação de vilas e fortes no interior.
O aluno supõe que a colônia era dividida de forma geométrica e uniforme, como um mapa de faixas iguais, ignorando que o texto relaciona os limites às minas, às rotas e aos povoados.
O 2º mapa indica povoamento interno, caminhos, vilas e fortes e uma fronteira por rios, sinal de posse e negociação de limites no interior.
O aluno associa o segundo mapa ao modelo litorâneo açucareiro e não nota que a descrição destaca o interior, as minas e os fortes nos rios, indo além do controle costeiro.
Raio-X da questão
Critérios de ocupação territorial
avaliacao
Colonização portuguesa no Brasil · Divisão territorial colonial
Estude os critérios de delimitação territorial na colonização portuguesa.
Confundir critérios de delimitação territorial teóricos com a ocupação efetiva e a criação de vilas e fortes no interior.
pensamento_critico
historico
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