Aplicativos de transporte e entrega organizam o trabalho por avaliações automáticas, metas e disponibilidade…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Aplicativos de transporte e entrega organizam o trabalho por avaliações automáticas, metas e disponibilidade constante. Ao mesmo tempo, muitos trabalhadores dependem dessa renda para sobreviver. — Sob a perspectiva da Escola de Frankfurt, o principal impasse ético-político desse modelo de trabalho é
- A) a valorização de vínculos flexíveis e desintermediados, que fortalecem a participação democrática dos trabalhadores nas decisões das plataformas.
- B) a garantia de autonomia plena dos trabalhadores, já que as plataformas eliminam hierarquias e reduzem toda forma de comando sobre o trabalho.
- C) a ampliação da dependência e da subordinação dos trabalhadores a sistemas técnicos que parecem neutros, mas produzem controle e precarização.
- D) o aumento da eficiência produtiva como solução ética suficiente, pois a tecnologia, por ser moderna, elimina conflitos entre capital e trabalho.
- E) a substituição da exploração econômica por uma relação de trabalho totalmente voluntária, baseada apenas na livre escolha individual dos prestadores.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve plataformas de transporte e entrega que organizam o trabalho por avaliações automáticas, metas e disponibilidade constante, e mostra que muitos trabalhadores dependem dessa renda para sobreviver. O problema central é a combinação entre controle e necessidade econômica. Passo 2: A Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer, Marcuse e, em outra chave, Habermas) critica a razão instrumental, isto é, a racionalidade técnica que se apresenta como neutra, mas que na prática organiza a vida social e o trabalho a serviço da dominação e da lógica do capital. Passo 3: A alternativa C descreve exatamente esse impasse: a dependência e a subordinação a sistemas técnicos que parecem neutros, mas produzem controle e precarização. Ela articula a dimensão ética (a dominação disfarçada de neutralidade técnica) com a dimensão política (a precarização e a perda de autonomia). Passo 4: A alternativa A está errada porque afirma que os vínculos desintermediados fortalecem a participação democrática, o que contraria a crítica ao controle algorítmico presente no texto. Passo 5: A alternativa B está errada porque sustenta que há autonomia plena e eliminação de todo comando, quando o enunciado descreve metas e avaliações que impõem comando sobre o trabalho. Passo 6: A alternativa D está errada porque trata a eficiência técnica como solução ética suficiente, justamente o tipo de racionalidade instrumental que a Escola de Frankfurt critica. Passo 7: A alternativa E está errada porque supõe que o trabalho é totalmente voluntário, desconsiderando a dependência econômica que o próprio enunciado destaca. Passo 8: Conclusão: a alternativa correta é a C, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Procure a critica à neutralidade da técnica e ao controle social.
Alternativa por alternativa
Confunde a aparência de flexibilidade e desintermediação com participação democrática real, supondo que a ausência de intermediários garante poder de decisão aos trabalhadores.
Toma a ausência de chefe humano pela ausência de controle, ignorando que avaliações automáticas e metas são formas de comando sobre o trabalho.
Por que engana: Confundir tecnologia com neutralidade e progresso automático
Corresponde à crítica da Escola de Frankfurt à racionalidade técnica e instrumental, que mascara dominação sob aparência de neutralidade.
Acredita que o progresso tecnológico e a eficiência resolvem automaticamente os conflitos entre capital e trabalho, o que é um raciocínio de senso comum tecnicista.
Entende que a escolha individual de aderir à plataforma elimina a exploração, desconsiderando a dependência de renda descrita no enunciado.
Raio-X da questão
Racionalidade instrumental e dominação
Aplicar a critica da
Indústria cultural e racionalidade instrumental · Trabalho, tecnologia e dominação social
Escola de Frankfurt
Confundir tecnologia com neutralidade e progresso automático
Trabalho e tecnologia
Pensamento crítico
Trabalho por aplicat
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