Em uma roda de conversa, uma criança disse: “Eu fui no mercado e comprei as coisa”. — A situação mostra que a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Reconhecer as variedades da língua falada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito linguístico.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma roda de conversa, uma criança disse: “Eu fui no mercado e comprei as coisa”. — A situação mostra que a fala da criança deve ser interpretada como
- A) um exemplo de fala inadequada em qualquer situação, porque só a norma padrão garante comunicação correta.
- B) uma forma de fala marcada pela oralidade e pela variedade linguística, que não apaga o sentido da mensagem.
- C) uma prova de que a criança não domina a língua portuguesa e, por isso, não conseguiu transmitir a ideia com clareza.
- D) um caso em que a criança quis falar corretamente, mas acabou mudando totalmente o sentido da frase.
- E) um uso da língua em que a criança precisava escrever da mesma maneira como fala, porque toda situação exige a mesma forma de expressão.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- A questão trata de variação linguística. A frase "Eu fui no mercado e comprei as coisa" apresenta marcas da oralidade, como a ausência do plural em "coisa" (que deveria ser "coisas") e o uso de "fui no" no lugar de "fui ao", fenômenos comuns na fala cotidiana.
- Analisando o sentido da fala, percebe-se que a mensagem é totalmente compreendida: a criança foi ao mercado e comprou coisas. Ou seja, a variação não impede a comunicação.
- A alternativa B descreve exatamente isso: uma forma de fala marcada pela oralidade e pela variedade linguística, que não apaga o sentido da mensagem. Esta é a resposta correta, coincidindo com o gabarito oficial.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Está errada porque considera a fala inadequada em qualquer situação, desconsiderando que adequação depende do contexto e que a variedade oral é legítima.
- C) Está errada porque a fala apresenta marcas dialetais e de oralidade, mas a mensagem foi transmitida com clareza; não há prova de falta de domínio da língua.
- D) Está errada porque não há indício de que a criança quisesse falar de outra forma nem de que o sentido tenha sido alterado; a frase transmite a ideia pretendida.
- E) Está errada porque exigir que a escrita reproduza a fala ignora a diferença entre as modalidades oral e escrita e a adequação a cada situação.
- Conclusão: a fala da criança deve ser interpretada como uma manifestação legítima da variedade oral da língua, que comunica bem o seu sentido.
💡 Dica: Observe se a fala comunica a ideia, mesmo sem seguir a norma padrão.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que apenas a norma padrão é correta em qualquer situação, tratando a fala informal como erro absoluto.
Por que engana: achar que toda forma não padrão é erro de comunicação
Reconhece que a criança usou uma variedade da língua adequada à fala espontânea e que, apesar da diferença em relação à norma padrão, a mensagem continua compreensível.
O aluno confunde marcas de oralidade com falta de domínio da língua, supondo que qualquer desvio da norma impede a comunicação.
O aluno supõe que a fala informal representa uma tentativa frustrada de falar corretamente, sem perceber que a mensagem foi preservada.
O aluno entende que a escrita deve reproduzir exatamente a fala, ignorando a diferença entre as modalidades oral e escrita e a adequação ao contexto.
Raio-X da questão
variação linguística
Reconhecer variação
noção de fala e escrita · norma padrão e variedades linguísticas
oralidade e norma padrão
achar que toda forma não padrão é erro de comunicação
diversidade cultural
respeito às diferenças linguísticas
uso social da língua
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