Uma escola debate o uso exclusivo da língua do colonizador como padrão de prestígio, enquanto a língua local é…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Uma escola debate o uso exclusivo da língua do colonizador como padrão de prestígio, enquanto a língua local é tratada como sinal de atraso. Para Fanon, essa prática também participa da lógica colonial. — Segundo Fanon, por que a imposição da língua do colonizador é problemática?
- A) Porque a língua do colonizador é apenas um meio prático de comunicação e, por isso, não interfere nas relações de poder nem na imagem que o colonizado faz de si.
- B) Porque a língua do colonizador atua como um instrumento de dominação simbólica, reforça a inferiorização cultural do colonizado e enfraquece sua afirmação como sujeito.
- C) Porque toda troca de língua em contextos de contato cultural é necessariamente violenta e impede qualquer convivência entre povos diferentes.
- D) Porque o problema principal está na perda de riqueza folclórica, já que a língua local deve ser preservada apenas como expressão artística da tradição.
- E) Porque a adoção exclusiva dessa língua facilita a integração social, eliminando diferenças culturais e garantindo igualdade entre colonizador e colonizado.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o foco da pergunta: segundo Fanon, por que impor a língua do colonizador é problemático. O enunciado já indica que a prática é vista como parte da lógica colonial, ou seja, não é uma questão de mera comunicação, mas de poder e de imagem do colonizado.
- Analise a ideia central do pensamento de Fanon. Em Pele negra, máscaras brancas, ele mostra que a língua do colonizador não é neutra: quem fala a língua do dominador tende a assumir sua visão de mundo e a se perceber como inferior em relação a ela. Isso caracteriza uma dominação simbólica, que age sobre a subjetividade e não apenas sobre a economia ou a política.
- Verifique a alternativa B: ela afirma que a língua funciona como instrumento de dominação simbólica, reforça a inferiorização cultural do colonizado e enfraquece sua afirmação como sujeito. Essas três ideias correspondem diretamente ao argumento do autor, por isso ela é a correta, e coincide com o gabarito oficial.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Nega justamente o ponto central de Fanon, pois afirma que a língua não interfere nas relações de poder nem na autoimagem do colonizado.
- C) Generaliza indevidamente ao afirmar que toda troca linguística é necessariamente violenta, algo que o enunciado não sustenta.
- D) Reduz o problema a uma perda folclórica, deixando de lado a dimensão política e psicológica da dominação.
- E) Idealiza a adoção da língua do colonizador como fator de igualdade, quando Fanon denuncia exatamente o contrário.
- Conclusão: a alternativa B é a resposta correta, pois expressa a crítica de Fanon à imposição linguística como mecanismo de dominação simbólica e de inferiorização do colonizado.
💡 Dica: Lembre que, para Fanon, a língua também organiza prestígio e exclusão.
Alternativa por alternativa
O aluno entende a língua apenas como ferramenta neutra de comunicação, desconsiderando que ela carrega relações de poder e influencia a autoimagem de quem a fala.
Resposta conceitualmente adequada. Reconhece a dimensão política da língua na colonialidade, ligando prestígio linguístico à dominação simbólica e à desvalorização do colonizado.
O aluno confunde a crítica de Fanon à imposição colonial com a ideia de que qualquer contato entre línguas seria violento e impediria a convivência entre povos.
O aluno restringe o problema à perda de patrimônio cultural e artístico, sem perceber a dimensão política e subjetiva da dominação linguística.
O aluno aceita a ideia de que a adoção exclusiva da língua do colonizador promove integração e igualdade, desconsiderando que a crítica de Fanon trata justamente dessa imposição como mecanismo de desigualdade.
Por que engana: Tratar a língua como neutra e apenas comunicativa.
Raio-X da questão
Dominação simbólica pela língua.
Identificar a crític
Colonialismo. · Poder simbólico.
Colonialismo e subjetividade.
Tratar a língua como neutra e apenas comunicativa.
Diversidade cultural e direitos linguísticos.
Empatia cultural.
Filosofia e crítica
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