ENEM - 2015 Quanto ao “choque de civilizações”, é bom lembrar a carta de uma menina americana de sete anos…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2015 Quanto ao “choque de civilizações”, é bom lembrar a carta de uma menina americana de sete anos cujo pai era piloto na Guerra do Afeganistão: ela escreveu que — embora amasse muito seu pai — estava pronta a deixá-lo morrer, a sacrificá-lo por seu país. Quando o presidente Bush citou suas palavras, elas foram entendidas como manifestação “normal” de patriotismo americano; vamos conduzir uma experiência mental simples e imaginar uma menina árabe maometana pateticamente lendo para as câmeras as mesmas palavras a respeito do pai que lutava pelo Talibã — não é necessário pensar muito sobre qual teria sido a nossa reação. ZIZEK, S. **Bem-vindo ao deserto do real**. São Paulo: Bom Tempo, 2003. A situação imaginária proposta pelo autor explicita o desafio cultual do(a) A situação imaginária proposta pelo autor explicita o desafio cultual do(a)
- A) Prática da diplomacia.
- B) Exercício da alteridade.
- C) Expansão da democracia.
- D) Universalização do progresso.
- E) Conquista da autodeterminação.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o trecho de Zizek. O autor propõe uma experiência mental: imaginar uma menina árabe muçulmana dizendo as mesmas palavras sobre o pai que lutava pelo Talibã, e observa que a reação seria muito diferente da que houve com a menina americana. A ideia central é que julgamos com naturalidade o que é 'normal' na nossa cultura e rejeitamos o mesmo comportamento quando vem de outra cultura.
- Identifique o desafio apontado. Para que a experiência funcione, é preciso colocar-se no lugar do outro, reconhecer que a outra cultura tem seus próprios sentidos e valores e não apenas julgá-la a partir dos nossos. Isso é o exercício da alteridade, isto é, o reconhecimento e a aceitação do outro como diferente de nós, mas igualmente legítimo em seu contexto.
- Analise as demais alternativas. A) Prática da diplomacia: a diplomacia trata da negociação entre Estados, e o texto não trata de negociações oficiais. C) Expansão da democracia: o texto não discute regimes políticos nem a ampliação da democracia. D) Universalização do progresso: o texto não defende nem critica a ideia de progresso. E) Conquista da autodeterminação: o texto não trata de independência ou direito dos povos de decidirem seu destino.
- Conclusão. A alternativa correta é a B, de acordo com o gabarito oficial. A experiência mental do texto exige justamente que o leitor compreenda a lógica cultural do outro antes de julgá-lo, o que caracteriza a alteridade.
💡 Dica: Reflita sobre o ponto de vista e a empatia cultural na situação proposta.
Alternativa por alternativa
Associa o 'choque de civilizações' e a menção a Bush e à guerra a relações internacionais, concluindo que o tema seria a negociação entre Estados. Confunde o assunto geral do texto, que é cultural, com a política externa.
Por que engana: Confundir patriotismo com empatia ou não reconhecer a perspectiva do outro na situação.
A alteridade é central na análise, pois envolve entender e respeitar a perspectiva do outro em contextos culturais diferentes.
Supõe que, por se tratar de guerra e de conflito entre povos, o texto trataria de regimes políticos e da expansão de valores democráticos. O aluno não percebe que a discussão é sobre juízos culturais, não sobre sistemas de governo.
Entende que a comparação entre americanos e árabes indica uma hierarquia de civilizações em que uma seria mais avançada, levando à ideia de progresso universal. O texto apenas critica o julgamento desigual, sem falar em progresso.
Relaciona a situação de conflito e a guerra no Afeganistão com a luta dos povos por autodeterminação. Assim, toma o tema da guerra como tema da independência de povos, o que o texto não discute.
Raio-X da questão
exercicio de alteridade cultural
diagnostico
compreensao de cultura e sociedade · pensamento critico sobre conflitos
estude o conceito de alteridade e empatia cultural
Confundir patriotismo com empatia ou não reconhecer a perspectiva do outro na situação.
cidadania_etica
empatia
cotidiano
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