Leia o texto a seguir. Não há, pois, dúvida alguma de que sou, se ele me engana; e, por mais que me engane…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia o texto a seguir. Não há, pois, dúvida alguma de que sou, se ele me engana; e, por mais que me engane, não poderá jamais fazer com que eu nada seja, enquanto eu pensar ser alguma coisa. De sorte que, após ter pensado bastante nisso e ter examinado cuidadosamente todas as coisas, cumpre enfim concluir e ter por constante que esta proposição, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas as vezes que a enuncio ou que a concebo em meu espírito. DESCARTES, René. Meditações. Tra. de J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 267. UEL - 2023 Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia de Descartes, assinale a alternativa correta.
- A) O conhecimento é impossível, pois todas as tentativas de justificá-lo levam a um inevitável regresso ao infinito.
- B) A dúvida metódica demonstra a impossibilidade de se atingir conhecimento verdadeiro, pois a dúvida torna-se generalizada.
- C) Os seres humanos são incapazes de obter conhecimento, porque estão sempre sujeitos a um gênio maligno que tudo faz para confundi-los.
- D) A dúvida metódica prova a verdade absoluta do cogito que, por isso, será o fundamento seguro para todo conhecimento.
- E) O conhecimento absolutamente verdadeiro é aquele que tem origem nos sentidos, que são a fonte mais firme e segura para se alcançar a verdade.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O texto é um trecho das Meditações de Descartes em que ele, depois de duvidar metodicamente de tudo, conclui que a proposição eu sou, eu existo (o cogito) é necessariamente verdadeira sempre que é enunciada ou concebida pelo espírito. Passo 2: Descartes chega a essa verdade porque, mesmo que um gênio maligno ou algum engano me iluda, não pode fazer com que eu não seja enquanto eu pensar. Passo 3: Logo, a dúvida metódica não destrói o conhecimento; ao contrário, leva à descoberta de uma verdade indubitável, que serve de fundamento seguro para todo o conhecimento, como afirma a alternativa D, que é a correta. Passo 4: A alternativa A está errada porque Descartes não afirma que o conhecimento é impossível nem trata de um regresso ao infinito; ele busca um ponto de partida firme. Passo 5: A alternativa B está errada porque a dúvida metódica é justamente o caminho para alcançar um conhecimento verdadeiro, e não a prova de sua impossibilidade. Passo 6: A alternativa C está errada porque o gênio maligno é um recurso hipotético da dúvida, usado para testar tudo, e o texto mostra que mesmo sob essa hipótese o eu existe. Passo 7: A alternativa E está errada porque, para Descartes, os sentidos são fonte de erro e não de verdade absoluta; a certeza vem da razão e do cogito. Passo 8: Portanto, o gabarito oficial D está correto.
💡 Dica: Analise o texto para compreender o conceito de existência em Descartes.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado a dúvida cartesiana a um ceticismo radical que nega qualquer possibilidade de conhecimento, confundindo o problema da justificação com um regresso ao infinito, que não é o argumento de Descartes.
O aluno pode ter entendido que a dúvida generalizada impede o conhecimento, ignorando que, para Descartes, a dúvida é um método provisório que conduz a uma verdade indubitável.
O aluno pode ter tomado o gênio maligno como uma afirmação definitiva de Descartes sobre a incapacidade humana de conhecer, quando é apenas uma hipótese usada na dúvida metódica e superada pelo cogito.
Por que engana: Confundir a dúvida metódica como um argumento contra a possibilidade de conhecimento, em vez de reconhecê-la como um passo para a certeza do cogito.
CORRETA. Descartes usa a dúvida metódica para chegar ao cogito ('eu penso, logo existo') como uma verdade indubitável.
O aluno pode ter adotado a visão empirista de que os sentidos são a fonte mais segura do conhecimento, o que contradiz Descartes, para quem os sentidos enganam e a certeza nasce da razão.
Raio-X da questão
existência e pensamento em Descartes
avaliacao
dúvida metódica em Descartes · cogito ergo sum
Revisar o conceito do cogito ergo sum em Descartes.
Confundir a dúvida metódica como um argumento contra a possibilidade de conhecimento, em vez de reconhecê-la como um passo para a certeza do cogito.
cidadania_etica
pensamento_critico
literario
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