Leia o texto a seguir. Vicente de Souza pintou a situação em que ficaria a família proletária com a nova lei…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia o texto a seguir. Vicente de Souza pintou a situação em que ficaria a família proletária com a nova lei de vacinação. Ao voltar do trabalho, disse, o chefe fica “sem poder afirmar que a honra de sua família esteja ilesa, por haver aí penetrado desconhecido amparado pela proclamação da lei da violação e do ler de a brutalização aos corpos de suas filhas e de sua esposa”. A “messalina”, prosseguiu, “entrega-se a quem quer, mas a virgem, a esposa e a filha terão que desnudar braços e colos para os agentes da vacina”. Não apelava para a Constituição por já estar poluída e esfarrapada. Contra a violência, apelava para a legítima defesa “e essa se faz com as armas na mão”. Adaptado de: CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 100-102. UEL - 2023 Com base no texto e nos conhecimentos sobre História do Brasil Contemporâneo, assinale a alternativa correta.
- A) As epidemias podem ser consideradas objetos de estudo das ciências naturais e também da História, tendo em vista as representações e as práticas envolvidas num universo social, econômico e político, o que é demonstrado pelos casos existentes no Brasil.
- B) A partir do Brasil republicano, diferentemente de outros períodos da história do país, doenças e epidemias tornaram-se fatores importantes da vida social, considerando o trânsito de pessoas, ideias e vírus.
- C) Os enunciados violentos que caracterizaram as reações à Revolta da Vacina são específicos da República Velha, diferentemente da atualidade, já que a repercussão social da vacina contra o Covid-19 foi marcada consensualmente pelo discurso científico.
- D) No Rio de Janeiro, a vacinação contra a varíola foi promovida de forma democrática por parte do Estado, em consonância com a liberdade republicana em esfera federal que caracterizou o período, marcado pelo governo Vargas.
- E) No Rio de Janeiro, a epidemia de varíola gerou a necessidade de vacinação da população, encabeçada pelo médico Osvaldo Cruz, num cenário de consenso social que caracterizou a democracia brasileira durante a República Velha.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Leio o texto. Ele trata da reação popular à lei de vacinação obrigatória no Rio de Janeiro, em 1904, a Revolta da Vacina. O discurso de Vicente de Souza mostra medo e resistência ligados à intervenção do Estado sobre o corpo e a família, o que indica que a vacina foi também um fato social e político, e não apenas médico. Passo 2: Analiso a alternativa A. Ela afirma que epidemias são objeto das ciências naturais e também da História, por envolverem representações e práticas sociais, econômicas e políticas, e que isso aparece em casos brasileiros. Esse é o caso da Revolta da Vacina, em que a doença, a ciência, a política e a cultura popular aparecem entrelaçadas, como o texto demonstra. Passo 3: Confronto com o gabarito. Resolvi a questão sem usar o gabarito e cheguei à alternativa A, que coincide com o gabarito oficial. Passo 4: Por que as outras estão erradas. B: afirma que só a partir da República as doenças passaram a ser fatores sociais importantes, mas epidemias como a febre amarela e o cólera já marcaram o Brasil colonial e imperial. C: diz que o consenso científico marcou a vacina contra a Covid-19, o que contraria a existência de desconfianças, debates e resistências que também ocorreram nesse período. D: associa a vacinação a um processo democrático e a um governo Vargas, mas a campanha de 1904 foi autoritária, obrigatória e ocorreu na República Velha, antes de Vargas. E: fala em consenso social e em democracia durante a República Velha, quando a vacinação gerou revolta popular e a política era restrita a elites oligárquicas.
💡 Dica: Analise o texto para compreender a visão crítica sobre a lei de vacinação.
Alternativa por alternativa
CORRETA. A alternativa destaca a importância das epidemias como objeto de estudo tanto das ciências naturais quanto da História, considerando suas implicações sociais, econômicas e políticas.
O aluno acredita que doenças e epidemias só passaram a influenciar a vida social com a República, por causa do aumento do trânsito de pessoas e de ideias. Ele ignora que febre amarela, varíola e cólera já afetavam cidades e economia no período colonial e imperial.
O aluno acredita que a vacinação contra a Covid-19 teve aceitação unânime baseada apenas na ciência, em contraste com a República Velha. Ele desconsidera os debates, as desconfianças e a polarização que cercaram essa vacinação.
Por que engana: Confundir a reação social à vacinação com a aceitação geral das medidas de saúde pública, ignorando a resistência popular.
O aluno associa a vacinação a uma ação democrática do Estado e situa o episódio no governo Vargas. Ele não percebe que a campanha de 1904 foi obrigatória, autoritária e ocorreu antes de Vargas, na República Velha.
O aluno entende que a campanha de Oswaldo Cruz ocorreu em consenso social, dentro de uma democracia. Ele não percebe que a vacinação obrigatória provocou a revolta popular de 1904 e que a participação política era restrita na República Velha.
Raio-X da questão
lei de vacinação, reação social, história do Brasil
avaliacao
história da vacinação no Brasil · impacto social das epidemias
Estude o contexto histórico da lei de vacinação e suas repercussões sociais no Brasil.
Confundir a reação social à vacinação com a aceitação geral das medidas de saúde pública, ignorando a resistência popular.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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