Reatores nucleares não são exclusivamente criações humanas. No período pré-cambriano, funcionou na região de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Construir questões, elaborar hipóteses, previsões e estimativas, empregar instrumentos de medição e representar e interpretar modelos explicativos, dados e/ou resultados experimentais para construir, avaliar e justificar conclusões no enfrentamento de situações-problema sob uma perspectiva científica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Reatores nucleares não são exclusivamente criações humanas. No período pré-cambriano, funcionou na região de Oklo, África, durante centenas de milhares de anos, um reator nuclear natural, tendo como combustível um isótopo do urânio. Para que tal reator nuclear natural pudesse funcionar, seria necessário que a razão entre a quantidade do isótopo físsil (²³5U) e a do urânio ²³8U fosse cerca de 3%. Esse é o enriquecimento utilizado na maioria dos reatores nucleares, refrigerados à água, desenvolvidos pelo homem. O ²³5U decai mais rapidamente que o ²³8U; na Terra, atualmente, a fração do isótopo ²³5U, em relação ao ²³8U, é cerca de 0,7%. Com base nessas informações e nos dados fornecidos, pode-se estimar que o reator natural tenha estado em operação há [FUVEST 2017 - Questão 64] FUVEST - 2017
- A) 1,2 × 107 anos.
- B) 1,6 × 108 anos.
- C) 2,0 × 10? anos.
- D) 2,4 × 10¹° anos.
- E) 2,8 × 10¹¹ anos.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Identificar o que o enunciado pede. A razão isotópica 235U/238U era de cerca de 3% na época em que o reator de Oklo funcionou e é de cerca de 0,7% hoje. Como o 235U decai mais rápido, essa razão diminui com o tempo, e a diferença entre os dois valores permite estimar há quanto tempo o reator operou.
- Montar a relação de decaimento. Se N235 e N238 são as quantidades atuais, no passado a razão era R_passado = R_atual x e^((lambda235 - lambda238) x t). Com lambda = ln2 / T, em que T é a meia-vida, temos ln(3/0.7) = ln2 x (1/T235 - 1/T238) x t.
- Usar valores aproximados de meia-vida. T235 é cerca de 0,70 x 10^9 anos e T238 é cerca de 4,5 x 10^9 anos. Assim, 1/T235 - 1/T238 é cerca de 1,2 x 10^-9 por ano. Multiplicando por ln2 (0,693), obtemos cerca de 8,3 x 10^-10 por ano. Como ln(3/0.7) é cerca de 1,46, o tempo é t = 1,46 / (8,3 x 10^-10), aproximadamente 1,7 x 10^9 anos.
- Escolher a alternativa. O valor encontrado, cerca de 1,7 x 10^9 anos, está na ordem de grandeza de 10^9 e mais próximo de 2,0 x 10^9 anos (alternativa C). Essa é a alternativa correta, e o gabarito oficial está coerente com a resolução.
- Por que as outras estão erradas. A) 1,2 x 10^7 anos é mil vezes menor que a ordem de grandeza correta. B) 1,6 x 10^8 anos é uma ordem de grandeza menor que o correto. D) 2,4 x 10^10 anos é uma ordem de grandeza maior que o correto. E) 2,8 x 10^11 anos é cem vezes maior que o correto e supera a idade da Terra, o que já indica absurdo.
💡 Dica: Use a relação entre as frações isotópicas e o decaimento para estimar o tempo de operação do reator.
Alternativa por alternativa
O aluno provavelmente subestima o intervalo de tempo, talvez comparando diferenças percentuais de forma linear ou usando meia-vida com ordem de grandeza errada, e chega a um valor de milhões de anos.
O aluno provavelmente chega à ordem de grandeza certa de forma incompleta, errando o expoente ao converter a meia-vida ou ao calcular a diferença entre as constantes de decaimento.
Por que engana: Confundir a relação entre os isótopos e a quantidade de urânio, levando a um cálculo incorreto do tempo de operação do reator.
CORRETA. O tempo está de acordo com a taxa de enriquecimento.
O aluno provavelmente usa a meia-vida do 238U como referência principal ou superestima o tempo de decaimento, interpretando a razão de forma invertida ou tomando o decaimento de 238U como determinante.
O aluno provavelmente acredita que o tempo deve ser da ordem da idade da Terra, usando intuição geológica e não os dados de decaimento, ou erra o expoente na multiplicação final.
Raio-X da questão
decaimento radioativo, isótopos, reatores nucleares
avaliacao
decaimento radioativo · isótopos e reatores nucleares
Revisar conceitos de decaimento radioativo e cálculo de tempo a partir da razão isotópica.
Confundir a relação entre os isótopos e a quantidade de urânio, levando a um cálculo incorreto do tempo de operação do reator.
ciencia_tecnologia
pensamento_critico
cientifico
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