Descreva, em etapas claras e ordenadas, um protocolo de investigação para avaliar e prever os efeitos da…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Avaliar e prever efeitos de intervenções nos ecossistemas, e seus impactos nos seres vivos e no corpo humano, com base nos mecanismos de manutenção da vida, nos ciclos da matéria e nas transformações e transferências de energia, utilizando representações e simulações sobre tais fatores, com ou sem o uso de dispositivos e aplicativos digitais (como softwares de simulação e de realidade virtual, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Descreva, em etapas claras e ordenadas, um protocolo de investigação para avaliar e prever os efeitos da implantação de um corredor florestal entre dois fragmentos (cada ~100 ha) sobre conectividade genética e viabilidade populacional de uma espécie de mamífero de médio porte (por exemplo, Cuniculus paca). Inclua indicadores genéticos e demográficos, método de amostragem, análises e modelo para projeção temporal.
✍️ Questão dissertativa: veja abaixo a resposta esperada e a explicação.
Resposta esperada
Protocolo (etapas): 1) Definição de objetivos e linha de base: escolher indicadores — heterozigosidade observada (Ho), heterozigosidade esperada (He), Fst entre fragmentos, Ne (tamanho efetivo), taxa de migração (m), abundância local e taxa de sobrevivência. 2) Seleção de marcadores genéticos: usar painel de SNPs ou microsatélites com alta resolução (= 20 loci SNPs informativos) e protocolo padronizado de extração. 3) Amostragem inicial (pré-corredor): capturar e coletar amostras (p. ex. pelo menos 30–50 indivíduos por fragmento) garantindo representatividade espacial e por idade/sexo; registrar dados demográficos e marcar indivíduos (collares GPS ou PIT tags) para estimativa de movimento. 4) Monitoramento de movimento e conectividade funcional: uso de telemetria/armadilhas fotográficas para detectar travessia do corredor; calcular taxas de migração direta (número de indivíduos que se deslocam/ano). 5) Análises genéticas e estatísticas: calcular He, Ho, Fst; estimar Nm via relação de Wright Nm ˜ (1 - Fst)/4Fst; testes de estrutura (STRUCTURE/ADMIXTURE), e análises de pais/migrante para detectar gene flow recente. 6) Estimativas demográficas e Ne: usar dados de captura-recaptura e genética para estimar Ne; calcular taxa de crescimento ? e risco de extinção inicial. 7) Modelagem preditiva: construir cenários (sem corredor, corredor ideal, corredor com barreiras) e rodar PVA (ex.: VORTEX) incorporando migração observada/estimada e variação ambiental; simular 50–100 anos para comparar probabilidade de extinção, heterozigosidade e Ne. 8) Cronograma de monitoramento: coletas de linha de base (T0), reamostragem genética e demográfica em T5, T10 e T20 anos; monitoramento contínuo de movimento nos primeiros 5 anos. 9) Interpretação e medidas de manejo: esperar redução de Fst e aumento de Ho/Ne se o corredor for efetivo; alertar para riscos (introdução de doenças, espécies invasoras, efeitos de borda) e propor medidas mitigatórias (controle de vetores, ampliação de vegetação nativa). Métricas de sucesso: aumento mensurável de Nm e Ho, queda de Fst = 20% relativo à linha de base em 10–20 anos, redução da probabilidade de extinção no PVA. Ferramentas analíticas recomendadas: genotipagem por SNP, software STRUCTURE/ADMIXTURE, estimadores de Ne (LDNe), cálculo de Nm, e PVA em VORTEX ou modelos demográficos espaciais.
Explicação
O protocolo apresentado é abrangente e sistemático, abordando desde a definição de objetivos até a modelagem preditiva, o que garante uma avaliação completa dos efeitos do corredor florestal. A inclusão de indicadores genéticos e demográficos, bem como métodos de amostragem e análises estatísticas, assegura que a pesquisa seja robusta e capaz de fornecer dados relevantes para a conservação da espécie. Além disso, o cronograma de monitoramento e as métricas de sucesso permitem avaliar a eficácia do corredor ao longo do tempo, facilitando a implementação de medidas de manejo adequadas.
Raio-X da questão
corredor florestal e conectividade genética
avaliacao
conectividade genética · impactos ambientais
Revisar métodos de amostragem e análise genética em populações.
O aluno pode descrever um protocolo genérico sem considerar as especificidades da conectividade genética e a viabilidade populacional da espécie em questão.
educacao_ambiental
pensamento_critico
cientifico
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