De acordo com a tese 'a existência precede a essência', como devem ser avaliadas justificativas que…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
De acordo com a tese 'a existência precede a essência', como devem ser avaliadas justificativas que naturalizam papéis sociais (por exemplo, 'é natural que mulheres cuidem')?
- A) A existencia precede a essência, mas isso não se aplica a papéis sociais, que são naturais.
- B) Essas justificativas são úteis porque ajudam a manter a ordem social e a tradição.
- C) São justificativas inadequadas: papéis socialmente atribuídos não têm fundamento em uma essência natural, mas em escolhas e condições históricas que podem ser contestadas.
- D) Esses papéis são imutáveis e devem ser seguidos por todos, pois fazem parte da natureza.
- E) Justificativas que naturalizam papéis sociais são sempre corretas e refletem a verdade da natureza humana.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- A tese 'a existência precede a essência', associada ao existencialismo de Jean-Paul Sartre, afirma que o ser humano primeiro existe, sem uma natureza ou essência previamente definida, e só depois se define pelas suas escolhas e pela sua ação no mundo.
- Daí decorre que nada na natureza humana determina de antemão quem devemos ser. Se não há essência fixa, não há base para dizer que um papel social é natural ou obrigatório.
- Quando alguém diz 'é natural que mulheres cuidem', está afirmando que existe uma essência feminina que determina um comportamento. Pela tese existencialista, essa justificativa é inadequada, pois papéis sociais resultam de escolhas e de condições históricas, culturais e econômicas, e por isso podem ser questionados e transformados. A alternativa C expressa exatamente essa avaliação.
- Por que as outras estão erradas: A nega a própria tese, pois se a existência precede a essência ela vale para todos os aspectos da vida humana, inclusive os papéis sociais. B confunde utilidade para a manutenção da ordem com validade filosófica, o que a tese não autoriza. D contradiz a tese ao afirmar que os papéis são imutáveis e naturais. E defende como verdade absoluta justificativas que a tese existencialista rejeita.
💡 Dica: Analise a relação entre existência e essência na justificativa apresentada.
Alternativa por alternativa
O aluno aceita a tese geral, mas acredita que ela deixaria de valer para papéis sociais, supondo que esses papéis seriam exceção naturais.
O aluno avalia a justificativa pela sua utilidade prática para manter a ordem e a tradição, em vez de avaliá-la pela coerência com a tese da liberdade e da ausência de essência fixa.
Por que engana: Confundir a ideia de que papéis sociais são naturais e imutáveis, ignorando a influência histórica e social sobre eles.
Sartre rejeita essências prévias; naturalizar papéis nega a liberdade e a responsabilidade humana e oculta contingências históricas e sociais que produzem essas funções.
O aluno toma a natureza como fundamento de papéis sociais imutáveis e obrigatórios, o que contradiz a ideia de que a existência precede a essência e de que o ser humano se define por escolhas.
O aluno supõe que aquilo que é tradicionalmente afirmado sobre a natureza humana é necessariamente verdadeiro, sem submeter a justificativa à análise filosófica e crítica exigida pela tese.
Raio-X da questão
papéis sociais e naturalização
avaliacao
papéis sociais · naturalização de papéis
Revisar a tese existencialista sobre existência e essência.
Confundir a ideia de que papéis sociais são naturais e imutáveis, ignorando a influência histórica e social sobre eles.
cidadania_etica
pensamento_critico
abstrato
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