Entre as décadas de 1820 e 1910, como o declínio do tráfico transatlântico de pessoas e a pressão por comércio…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e caracterizar as dinâmicas das populações, das mercadorias e do capital nos diversos continentes, com destaque para a mobilidade e a fixação de pessoas, grupos humanos e povos, em função de eventos naturais, políticos, econômicos, sociais, religiosos e culturais, de modo a compreender e posicionar-se criticamente em relação a esses processos e às possíveis relações entre eles.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Entre as décadas de 1820 e 1910, como o declínio do tráfico transatlântico de pessoas e a pressão por comércio livre contribuíram para transformações nas estruturas políticas dos reinos do golfo da Guiné (por exemplo Asante e Dahomey)? Relacione causa e consequência.
- A) A proibição do tráfico e a transição ao comércio livre enfraqueceram elites ligadas ao tráfico, favoreceram chefes aliados à Europa e abriram caminho para intervenção e colonização.
- B) O tráfico transatlântico aumentou a força das elites locais, consolidando o poder dos reinos como Asante e Dahomey.
- C) A proibição do tráfico resultou em um aumento do comércio com a Ásia, fortalecendo os reinos africanos.
- D) As potências europeias apoiaram apenas a elite tradicional dos reinos africanos, sem intervenções significativas.
- E) Os reinos do golfo da Guiné prosperaram com a expansão do tráfico de escravos, ganhando autonomia política.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- A questão pede a relação entre causa e consequência: de um lado, o declínio do tráfico transatlântico e a pressão por comércio livre (causas); de outro, as mudanças políticas nos reinos do golfo da Guiné, como Asante e Dahomey (consequências), entre 1820 e 1910. Passo 2: Com a proibição do tráfico, sobretudo após a pressão britânica, as elites que lucravam com a venda de cativos perderam receita e prestígio. Ao mesmo tempo, o comércio de produtos como óleo de palma, marfim e borracha ganhou importância, o que favoreceu chefes que controlavam essas rotas e mantinham boas relações com comerciantes e autoridades europeias. Passo 3: Essa reorganização enfraqueceu estruturas antigas e fortaleceu grupos aliados à Europa, criando condições para a intervenção direta, com tratados, protetorados e guerras, que culminaram na colonização da região no fim do século XIX. Passo 4: Análise das demais alternativas. B está errada porque o tráfico não fortaleceu as elites de forma sustentável; ele dependia de conflitos e, com seu declínio, essas elites perderam força. C está errada porque o comércio em questão era com a Europa, não com a Ásia, e a proibição não gerou essa expansão. D está errada porque as potências europeias intervieram de modo significativo, inclusive com guerras e ocupações, não apenas apoiando a elite tradicional. E está errada porque o tráfico não tornou os reinos prósperos e autônomos, já que a dependência e a pressão externa cresceram. Conclusão: a alternativa A é a única que relaciona corretamente causa e consequência e coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Relacione as mudanças no comércio com o enfraquecimento de elites locais e o avanço europeu.
Alternativa por alternativa
Após medidas britânicas antiescravistas (c.1807–1833) e expansão do comércio livre (c.1820–1900), potências europeias assinaram tratados e apoiaram facções locais, reduzindo a autonomia dos reinos e facilitando a ocupação territorial.
O aluno acredita que o tráfico trouxe riqueza duradoura às elites africanas e que esse poder se manteve, sem perceber que a dependência do tráfico tornava os reinos vulneráveis ao seu declínio.
Por que engana: Confundir o declínio do tráfico transatlântico com o fortalecimento dos reinos africanos, ignorando a mudança nas relações comerciais e o avanço da intervenção europeia.
O aluno confunde o comércio com a Europa, que substituiu o tráfico de cativos, com um suposto comércio com a Ásia, e imagina que isso fortaleceria os reinos africanos.
O aluno supõe que a presença europeia foi limitada e apenas diplomática, ignorando as guerras, tratados impostos e a ocupação colonial que marcaram o período.
O aluno associa prosperidade e autonomia ao tráfico, pensando que a venda de pessoas gerou riqueza e independência política, e não percebe a dependência externa e o desgaste causado pelas guerras de captura.
Raio-X da questão
Comércio e poder político africano
avaliacao
Tráfico transatlântico de escravizados · Imperialismo europeu na África
Revise os impactos do fim do tráfico transatlântico e da expansão europeia nos reinos africanos.
Confundir o declínio do tráfico transatlântico com o fortalecimento dos reinos africanos, ignorando a mudança nas relações comerciais e o avanço da intervenção europeia.
multiculturalismo
pensamento_critico
historico
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