Satisfação das famílias com a escola: segurança e ambiente contam, mas não explicam tudo
Pesquisas recentes relacionam a satisfação das famílias a fatores como segurança, ambiente de aprendizagem e qualidade dos serviços. Os estudos também mostram que contexto, expectativas e comunicação podem influenciar a experiência parental.
A satisfação das famílias com a escola pode estar ligada à qualidade do ensino e do cuidado, à segurança, ao ambiente de aprendizagem e às condições de participação. Estudos também apontam que expectativas, contexto familiar e experiências específicas influenciam essa percepção. Para o professor, conhecer esses fatores ajuda a interpretar preocupações dos responsáveis e a fortalecer a comunicação, sem reduzir a avaliação da escola a um único indicador.
Segurança, cuidado e ambiente de aprendizagem aparecem em pesquisas recentes como elementos associados à satisfação das famílias com a escola. Isso ajuda a explicar por que a percepção dos responsáveis não se forma apenas a partir de notas ou do que acontece dentro da aula: ela também passa pelo acolhimento, pela previsibilidade da rotina e pela confiança de que a criança está bem assistida.
Para o professor, essa mudança de foco tem consequências bem práticas. A conversa com as famílias pode envolver expectativas sobre aprendizagem, convivência, segurança e participação, enquanto a escola tenta responder a necessidades diferentes. Os estudos reunidos aqui não oferecem uma receita única, mas ajudam a distinguir fatores institucionais, experiências de serviço e condições familiares que podem influenciar a maneira como os responsáveis avaliam a escola.
O que são características institucionais e satisfação das famílias com a escola?
Características institucionais são condições e escolhas da escola que moldam a experiência de estudantes e famílias: segurança, organização, ambiente de aprendizagem, cuidado, composição das turmas, apoio oferecido e maneiras de envolver os responsáveis. Satisfação parental, por sua vez, é a avaliação que as famílias fazem dos serviços e da experiência escolar. Na rotina, os dois temas aparecem em conversas sobre acolhimento, comunicação, aprendizagem, transições e confiança.
Essa satisfação não é uma nota única que mede todo o trabalho da escola. Uma família pode valorizar o ensino e, ao mesmo tempo, ter preocupação com a segurança ou com a continuidade do apoio ao filho. Também pode comparar a escola com as próprias expectativas, com experiências anteriores ou com as opções que imagina ter. Por isso, é útil tratar a avaliação das famílias como uma percepção composta, relacionada a aspectos concretos e ao contexto de cada responsável.
Para o professor, o assunto importa porque a relação com as famílias não acontece separada do cotidiano pedagógico. O modo como se explica uma atividade, se acolhe uma dúvida ou se sinaliza uma dificuldade pode fazer parte da experiência que os responsáveis constroem. Isso não significa que o docente controle sozinho a satisfação: instalações, políticas e condições de trabalho também são institucionais. Significa, sim, que a comunicação e as práticas de sala podem contribuir para uma relação mais compreensível e colaborativa.
O que a pesquisa recente mostra sobre a satisfação das famílias?
Segurança, cuidado e condições da escola são percebidos pelas famílias
Um estudo com pais de escolas públicas de ensino fundamental investigou como características institucionais se relacionavam à satisfação com ensino, cuidado e segurança. Os autores encontraram diferenças na satisfação conforme as condições de segurança, o porte da escola, a proximidade da residência e os atributos ambientais. Os responsáveis relataram maior satisfação em escolas com segurança, baixa proporção de alunos por professor, proximidade de casa e ambiente favorável à aprendizagem (Chuktu, 2024).
O resultado é relevante porque reúne aspectos que não se reduzem ao conteúdo ensinado. A percepção sobre a escola também pode incluir a tranquilidade do trajeto, o modo como a instituição cuida dos estudantes e as condições que favorecem a aprendizagem. O estudo relata ainda que a insatisfação com os serviços pode levar pais a procurar outras escolas. Essa conclusão reforça a importância de considerar a experiência cotidiana das famílias, sem transformar a satisfação em responsabilidade exclusiva do professor.
Outro trabalho acompanha a percepção de famílias durante a transição de serviços de intervenção precoce para a educação infantil. As avaliações gerais da qualidade foram positivas, mas diminuíram de pequena a média magnitude ao longo do período observado; a validade dos serviços apresentou a maior redução. A pesquisa analisou acessibilidade, continuidade, validade, flexibilidade e empatia, e identificou fatores preditivos relacionados à criança, aos pais e à composição familiar (Mé, 2026).
Embora trate de uma transição específica ligada ao autismo, esse estudo chama atenção para a continuidade. Uma experiência que começa bem pode ser percebida de outra maneira quando mudam os profissionais, os serviços ou as demandas da criança. Na rotina escolar, isso sugere que passagens entre etapas e apoios merecem comunicação clara e acompanhamento, especialmente quando a família está tentando compreender quem fará o quê e como as necessidades do estudante serão atendidas.
A satisfação não depende apenas da escola: expectativas e contexto também pesam
Uma pesquisa sobre escolas privadas de ensino fundamental II no Japão comparou características institucionais e dados de diferentes bases. O capítulo relata que as escolas privadas tinham estudantes de condição socioeconômica mais favorecida e maior autonomia institucional, mas que ambientes educacionais, qualificações docentes e experiências dos estudantes eram, em grande parte, comparáveis aos das escolas públicas. As diferenças de investimento e expectativas das famílias foram mais expressivas do que as diferenças nos resultados dos estudantes (Mori, 2026).
Esse achado ajuda a evitar uma conclusão apressada: uma escola ser percebida como superior não significa necessariamente que seus resultados educacionais mensuráveis sejam superiores. No caso estudado, a preferência por instituições privadas se relacionava à busca familiar por ambientes distintos e às aspirações dos responsáveis. O contexto japonês não é equivalente ao brasileiro, mas a distinção entre qualidade percebida, expectativas e resultados pode ajudar equipes escolares a escutar o que as famílias valorizam sem presumir que todas buscam a mesma coisa.
Em Alberta, no Canadá, um estudo examinou preocupações parentais durante a pandemia de COVID-19, incluindo engajamento, motivação e possíveis lacunas curriculares. Os níveis de preocupação variaram conforme o tipo de escola; foram menores entre responsáveis por estudantes de escolas privadas ou independentes e maiores entre os que tinham filhos em turmas numerosas, em anos mais avançados e pertencentes a diferentes grupos sociodemográficos (Thomson, 2026).
Essa pesquisa trata de preocupações num período de interrupção, não de uma medida geral e permanente de satisfação. Ainda assim, mostra que a avaliação das famílias pode variar conforme condições da experiência escolar e características dos grupos. O dado não permite concluir que o tipo de escola, isoladamente, cause mais ou menos preocupação. Para professores, a implicação cuidadosa é não interpretar silêncio como satisfação nem presumir que todas as famílias vivenciam da mesma forma uma mudança na rotina escolar.
Envolvimento, integração e ambiente familiar também entram na relação
Na educação infantil, um estudo realizado na Turquia examinou relações entre satisfação dos responsáveis, envolvimento parental e ambiente de letramento no lar, considerando a renda familiar. Os resultados indicaram que a satisfação influenciou positivamente tanto o envolvimento quanto o ambiente de letramento doméstico. Esse ambiente mediou parcialmente a relação entre satisfação e envolvimento, e a renda moderou alguns efeitos em determinados grupos (Ü, 2026).
O estudo não descreve uma relação simples em que a satisfação escolar, por si só, determina a participação. Ele aponta uma conexão entre a experiência dos responsáveis e as oportunidades de interação com a aprendizagem em casa, além de variações por renda. Para a escola, isso é um lembrete para evitar interpretar diferentes níveis de participação como medida direta de interesse ou compromisso. As possibilidades de acompanhar tarefas e organizar atividades de letramento podem não ser iguais para todas as famílias.
Em programas de imersão bilíngue coreano-inglês no sul da Califórnia, uma pesquisa com mais de 450 responsáveis em sete escolas investigou a satisfação com a convivência das crianças entre culturas e línguas e as opiniões dos pais sobre integração entre eles próprios. Os autores argumentam que a integração deve ser um compromisso de toda a escola, e não apenas uma meta do programa, envolvendo estudantes, educadores e famílias. Também apontam a necessidade de ampliar a discussão para diferentes línguas, tipos de programa e localidades (Ee, 2023).
Esse resultado amplia a conversa sobre satisfação: não se trata apenas de julgar um serviço individual, mas também de perceber se a comunidade escolar oferece condições de participação e convivência. O estudo é específico a programas bilíngues e não deve ser generalizado automaticamente a todas as escolas. Ainda assim, sua recomendação de pensar a integração como responsabilidade institucional pode inspirar perguntas úteis sobre pertencimento, diálogo entre famílias e coerência entre os valores anunciados pela escola e as experiências cotidianas.
Quais estudos ajudam a entender o tema lado a lado?
Em conjunto, os estudos abaixo abordam dimensões diferentes da satisfação: serviços escolares, transição e continuidade, expectativas, preocupação em contexto de crise, envolvimento familiar e integração. Eles vêm de contextos distintos e não usam necessariamente a mesma definição de satisfação; por isso, a tabela sintetiza o que cada resumo relata, sem tratar os resultados como se fossem diretamente comparáveis.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Chuktu, 2024 | Características institucionais e satisfação com ensino, cuidado e segurança. | Maior satisfação associada a segurança, baixa proporção de alunos por professor, proximidade e ambiente favorável à aprendizagem. | Escolas públicas de ensino fundamental; país não indicado no resumo. |
| Mé, 2026 | Percepções parentais sobre serviços de autismo na transição para a educação infantil. | Avaliações geralmente positivas, com reduções ao longo do tempo; validade teve a maior queda. | 138 famílias; contexto provincial não identificado no resumo. |
| Mori, 2026 | Características institucionais de escolas privadas de ensino fundamental II. | Ambientes e experiências em grande parte comparáveis aos da rede pública; diferenças de expectativas e investimento familiar mais expressivas. | Japão; escolas privadas de ensino fundamental II. |
| Thomson, 2026 | Preocupações parentais com engajamento, motivação e lacunas durante a pandemia. | Preocupação variou por tipo de escola e foi maior em turmas numerosas, anos mais avançados e grupos sociodemográficos distintos. | Alberta, Canadá; jardim de infância ao 12º ano; dados de 2020. |
| Ü, 2026 | Relações entre satisfação, envolvimento parental e ambiente de letramento no lar. | Satisfação influenciou positivamente envolvimento e ambiente doméstico; alguns efeitos variaram por renda. | Turquia; programas de educação infantil; crianças de 60 a 72 meses. |
| Ee, 2023 | Satisfação e integração em programas de imersão bilíngue de duas vias. | Defende integração como compromisso de toda a escola, envolvendo estudantes, educadores e famílias. | Sul da Califórnia, Estados Unidos; sete escolas de ensino fundamental. |
O que os estudos têm em comum e onde diferem?
O ponto comum mais claro é que a experiência familiar não se resume a um único indicador escolar. Segurança e ambiente aparecem em um estudo sobre escolas públicas; continuidade e empatia entram na avaliação de serviços numa transição; expectativas e investimento familiar ajudam a interpretar a escolha por escolas privadas; envolvimento e condições domésticas se conectam à satisfação na educação infantil. A satisfação, portanto, pode estar relacionada ao que a escola oferece e ao modo como cada família encontra condições para participar.
Há diferenças importantes entre os objetos pesquisados. Chuktu investigou satisfação com serviços em escolas públicas; Mori comparou escolas públicas e privadas e discutiu preferências familiares; Thomson analisou preocupações durante a pandemia; Ee se concentrou na integração em programas bilíngues; o estudo de Kaya e colegas examinou relações entre satisfação, envolvimento e ambiente de letramento; e Mé acompanhou uma transição ligada a serviços para crianças autistas. Não são medidas intercambiáveis nem retratos de uma mesma população.
Também permanece em aberto até que ponto esses resultados se aplicam a escolas brasileiras e a redes com condições diferentes. Os resumos não permitem comparar diretamente os instrumentos, as definições de satisfação ou os efeitos de políticas locais. O que se pode afirmar com prudência é que fatores institucionais, expectativas e experiências familiares aparecem juntos em diferentes investigações. O que não se pode afirmar é que exista uma fórmula universal, ou que um fator isolado explique como todas as famílias avaliam a escola.
Como o professor pode levar esses achados para a sala de aula?
Os estudos não testaram as sugestões práticas a seguir como intervenções docentes. São aplicações possíveis das questões que as pesquisas levantam, adaptáveis à realidade da escola e construídas em diálogo com a equipe.
1. Torne visível o cuidado que faz parte da rotina
Uma forma de aplicar o que a pesquisa sobre segurança e cuidado levanta é explicar às famílias como a turma organiza transições, entrada, saída e acompanhamento dos estudantes, dentro das responsabilidades de cada profissional. Imagine uma turma de 7º ano em que alguns responsáveis perguntam como os alunos são encaminhados após uma atividade fora da sala. O professor pode responder de maneira objetiva sobre os procedimentos definidos pela escola e indicar a quem dirigir questões institucionais, sem prometer medidas que não estão sob seu controle. A clareza ajuda a conversa a se apoiar em informações concretas.
2. Combine expectativas sobre aprendizagem e comunicação
Uma aplicação possível é combinar desde o início como serão compartilhadas informações sobre atividades, avanços e dificuldades. Imagine uma turma de educação infantil em que algumas famílias esperam receber notícias diárias e outras preferem contatos apenas quando há uma questão específica. A equipe pode esclarecer os canais e a frequência de comunicação e abrir espaço para dúvidas. Isso não garante satisfação, mas reduz o risco de desencontro entre o que a escola pretende oferecer e o que os responsáveis entendem que foi combinado.
3. Evite interpretar participação como uma medida simples de interesse
Como o estudo na Turquia encontrou variações relacionadas à renda e ao ambiente de letramento no lar, uma aplicação prudente é oferecer mais de uma forma de acompanhar a aprendizagem. Imagine uma atividade de leitura para a qual nem todas as famílias têm tempo disponível no mesmo horário. O professor pode apresentar uma alternativa breve, explicar o objetivo da atividade e acolher diferentes maneiras de participação. A ideia não é retirar as famílias do processo, mas não confundir uma limitação de tempo ou recurso com falta de compromisso.
4. Cuide das transições entre etapas e serviços
Uma forma de aplicar o estudo sobre transição é planejar a passagem de informações essenciais junto à equipe e à família, respeitando os procedimentos da rede e a privacidade. Imagine uma criança que começa a frequentar a educação infantil após receber apoio especializado. Uma conversa de alinhamento pode ajudar a identificar quais rotinas favorecem a participação, quem acompanha a adaptação e como os responsáveis podem compartilhar observações. A continuidade merece atenção porque as percepções de qualidade podem mudar ao longo de uma transição, mesmo quando a avaliação inicial é positiva.
5. Pense pertencimento como uma responsabilidade compartilhada
A pesquisa sobre imersão bilíngue recomenda tratar a integração como compromisso de toda a escola. Como aplicação, a equipe pode observar se as atividades e os encontros oferecem oportunidades reais de participação a diferentes famílias, sem presumir que todas se sintam igualmente à vontade. Imagine um evento escolar em que o idioma, o horário ou o formato dificulte a presença de parte dos responsáveis. É possível discutir alternativas com a gestão e com as famílias. O estudo não avalia esse exemplo, mas sua perspectiva institucional ajuda a formular a pergunta: quem consegue participar e quem pode estar ficando de fora?
6. Escute preocupações sem reduzir a conversa a um rótulo
Uma aplicação possível do estudo sobre preocupações parentais é acolher perguntas específicas antes de concluir que uma família está satisfeita ou insatisfeita com a escola em geral. Imagine um responsável preocupado com a motivação do filho após uma mudança na organização das aulas. O professor pode perguntar o que a família observou, compartilhar o que percebe no contexto escolar e combinar um próximo contato. Assim, a conversa se concentra em necessidades identificáveis, em vez de tratar a preocupação como uma crítica pessoal ou presumir que todos os estudantes estão vivendo a mudança do mesmo modo.
7. Diferencie o que depende da sala do que exige resposta institucional
Os estudos incluem fatores que ultrapassam o alcance de um professor, como instalações, segurança, porte e organização dos serviços. Uma forma de aplicar essa distinção é registrar a questão, explicar o que pode ser encaminhado e evitar prometer uma solução individual para um problema estrutural. Imagine que responsáveis expressem preocupação com a circulação de pessoas na entrada da escola. O docente pode acolher a preocupação e indicar o canal adequado para que a gestão avalie os procedimentos. Essa postura mantém a comunicação aberta sem confundir boa vontade com autoridade para decidir.
O que muda quando pensamos no contexto brasileiro?
Os estudos vêm de realidades diferentes: Estados Unidos, Canadá, Japão e Turquia, além de contextos que os resumos não identificam com precisão. A pesquisa de Chuktu trata de escolas públicas de ensino fundamental, mas o resumo não informa o país. Não é correto transportar suas conclusões como se descrevessem automaticamente as redes brasileiras. O valor desses trabalhos está em levantar dimensões que podem orientar perguntas locais, não em substituir dados sobre a escola e a comunidade em que o professor trabalha.
No Brasil, as condições de infraestrutura, transporte, organização das redes e acesso a serviços variam entre escolas e territórios. Por isso, segurança ou proximidade podem ter significados cotidianos diferentes para cada comunidade. Do mesmo modo, a relação entre renda, participação e ambiente de letramento doméstico precisa ser tratada com cuidado: um resultado observado na Turquia não permite concluir como famílias brasileiras se envolvem, nem autoriza atribuir diferenças de participação a desinteresse.
Também é importante separar satisfação de qualidade pedagógica medida por resultados. O estudo japonês mostra que a percepção de superioridade de escolas privadas pode refletir aspirações familiares, enquanto algumas dimensões educacionais comparadas eram em grande parte semelhantes às da rede pública. Esse argumento não resolve o debate sobre redes brasileiras, mas serve como alerta contra avaliações baseadas apenas em reputação, tipo de escola ou expectativa. Para uma equipe brasileira, faz sentido ouvir os responsáveis, observar os serviços efetivamente oferecidos e analisar as condições locais antes de decidir o que precisa mudar.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados como fonte, não na leitura integral dos artigos e capítulos. Os trabalhos diferem em países, etapas, populações, métodos e perguntas; alguns investigam satisfação diretamente, enquanto outros analisam preocupações, integração, envolvimento ou qualidade de serviços. Por isso, seus achados ajudam a organizar o tema, mas não formam uma comparação uniforme nem uma prova de causa e efeito para todas as escolas.
Ficam em aberto questões importantes para quem atua no Brasil: como as famílias de diferentes redes definem satisfação; quais aspectos têm maior peso em cada comunidade; como a comunicação cotidiana se relaciona às avaliações dos responsáveis; e que ações institucionais reduzem obstáculos sem transferir todo o trabalho às famílias ou aos professores. Para responder a essas perguntas, seria necessário consultar os estudos completos e, principalmente, pesquisas realizadas em contextos brasileiros comparáveis à realidade da escola em questão.
A leitura integral também faz sentido quando uma equipe pretende usar um estudo para planejar uma política ou justificar uma mudança. Nesse caso, vale verificar detalhes metodológicos, instrumentos, limites e contexto de coleta, que não podem ser reconstruídos apenas com os resumos. Aqui, a intenção é oferecer uma síntese fiel do que os resumos relatam e transformar esses pontos em perguntas úteis para a prática, sem apresentar recomendações de aplicação como resultados testados.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
Uma avaliação bem planejada pode ajudar o professor a identificar o que os estudantes compreenderam e a decidir quais atividades precisam de retomada; ela não mede, sozinha, a satisfação das famílias nem substitui diálogo e cuidado institucional. O gerador de provas do GeraProva pode apoiar a criação de provas e atividades com IA para a rotina docente. Se quiser conhecer a plataforma, faça seu cadastro grátis.
Perguntas frequentes sobre satisfação das famílias com a escola
O que mais influencia a satisfação dos pais com a escola?
Os estudos não apontam um fator único que explique a satisfação em todos os contextos. Na pesquisa de Chuktu, a satisfação com ensino, cuidado e segurança variou conforme segurança, porte, proximidade e atributos ambientais, e foi maior em escolas com segurança, baixa proporção de alunos por professor, proximidade e ambiente favorável à aprendizagem. Outros trabalhos destacam continuidade dos serviços, integração, expectativas familiares e condições de participação. O peso de cada aspecto depende da pergunta investigada e do contexto, então é melhor usar esses achados para orientar a escuta local do que como uma classificação universal.
Uma família pouco presente na escola está necessariamente insatisfeita?
Não é possível concluir isso com base nos estudos reunidos. A pesquisa realizada na Turquia relacionou satisfação, envolvimento parental e ambiente de letramento em casa, e observou variações associadas à renda em alguns efeitos. Isso aponta que a participação e as condições domésticas podem estar conectadas, mas não permite interpretar uma presença menor em reuniões ou atividades como falta de interesse. Para o professor, vale perguntar quais formas de comunicação e participação são viáveis para cada família e oferecer caminhos claros, sem presumir o que o silêncio significa.
A satisfação das famílias depende do trabalho do professor?
O professor participa da experiência escolar, mas não responde sozinho por todos os fatores que as famílias avaliam. Os estudos relacionam satisfação a aspectos institucionais como segurança, porte, ambiente de aprendizagem, continuidade de serviços e integração, além de expectativas e condições familiares. Algumas dessas dimensões dependem de decisões da gestão ou da rede. O docente pode contribuir com comunicação clara, acolhimento e organização pedagógica, mas questões estruturais precisam ser encaminhadas aos responsáveis institucionais. Essa distinção ajuda a manter a colaboração sem colocar sobre um profissional a responsabilidade por condições que não controla.
Escolas privadas são sempre mais bem avaliadas pelas famílias?
Os estudos apresentados não sustentam uma regra geral desse tipo. No Japão, a pesquisa sobre escolas privadas de ensino fundamental II encontrou diferenças de perfil socioeconômico, autonomia e expectativas familiares, enquanto ambientes educacionais, qualificações docentes e experiências dos estudantes eram em grande parte comparáveis às das escolas públicas. Em Alberta, durante a pandemia, os níveis de preocupação foram menores entre responsáveis por estudantes de escolas privadas ou independentes, mas o estudo examinou preocupações naquele contexto específico. Nenhum desses resultados permite concluir que todas as escolas privadas sejam mais bem avaliadas em qualquer lugar.
Como melhorar a relação com famílias em momentos de transição?
O estudo sobre a transição de serviços de intervenção precoce para a educação infantil avaliou acessibilidade, continuidade, validade, flexibilidade e empatia. As avaliações foram geralmente positivas, mas diminuíram ao longo do tempo, com a maior redução na validade dos serviços. Como aplicação possível, a equipe pode esclarecer quem acompanha cada etapa, combinar canais de contato e facilitar o compartilhamento de informações relevantes entre os profissionais envolvidos, respeitando os procedimentos da escola. Essas ações são sugestões práticas; o estudo não testa uma receita única de comunicação para todas as transições escolares.
Os resultados dessas pesquisas podem ser aplicados diretamente às escolas brasileiras?
Não de forma automática. Os estudos foram realizados em contextos distintos, como Japão, Turquia, Canadá e Estados Unidos, e alguns resumos não especificam o país. As políticas, os serviços, as condições sociais e as características das escolas podem variar. Os resultados podem ajudar professores e equipes a formular perguntas sobre segurança, ambiente, continuidade e participação, mas não substituem pesquisa local nem conhecimento da comunidade. Antes de adotar uma ação, é importante verificar se o problema está presente naquele contexto, ouvir as famílias e identificar o que depende da sala, da gestão ou da rede.
Referências
- Chuktu, Onyinye et al. (2024). Atributos institucionais e satisfação dos pais com a qualidade do ensino, do cuidado e da segurança dos alunos em escolas públicas de ensino fundamental (Institutional Attributes and Parents' Contentment with the Quality of Teaching, Care, and Safety of Pupils in Public Primary Schools). Cogent Education. Link.
- Mélina Rivard et al. (2026). Da intervenção comportamental precoce à escola: uma avaliação sistemática das perspectivas dos pais sobre a qualidade dos serviços para o autismo durante a transição para a educação infantil (From Early Behavioral Intervention to School: A Systematic Evaluation of Parents' Perspectives on the Quality of the Autism Services during the Transition to Kindergarten). Journal of Autism and Developmental Disorders. Link.
- Mori, Izumi. (2026). Escolas Secundárias Privadas Ciclo II (Ensino Fundamental II) no Japão: Características Institucionais e Evidências Empíricas (Private Junior High Schools in Japan: Institutional Features and Empirical Evidence). Education in the Asia-Pacific Region: Issues, Concerns and Prospects. Link.
- Thomson, Erica Fae. (2026). Tipo de escola e preocupações educacionais durante a pandemia de COVID-19 em Alberta (School Type and Educational Concerns during the COVID-19 Pandemic in Alberta). Social Psychology of Education: An International Journal. Link.
- Ümit Ünsal Kaya, Hasibe Özlen Demircan e Dilek Altun. (2026). Envolvimento e satisfação parental na educação infantil: o papel mediador do ambiente de letramento no lar (Parental Engagement and Satisfaction in Early Childhood Education: The Mediating Role of Home Literacy Environment). Early Childhood Education Journal. Link.
- Ee, Jongyeon. (2023). Os pais estão satisfeitos com as salas de aula integradas?: Explorando a integração em programas de imersão bilíngue de duas vias (Are Parents Satisfied with Integrated Classrooms?: Exploring Integration in Dual Language Programs). International Journal of Bilingual Education and Bilingualism. Link.
Se este tema aparece nas conversas com as famílias da sua escola, escolha uma pergunta concreta para levar à próxima reunião de equipe e pense em um passo possível, dentro da sua realidade.
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